É quase Carnaval, droga…
Ah, eu detesto o Carnaval… É uma coisa cultural, mesmo. Nunca vi mi madre sambando por aí, ela prefere quando tocam Raul, minha família até tem uns foliões, mas não me pegou essa doença. Pelo menos essa, não. Por mais que eu alugue filmes e tente me isolar do mundo nos quatro dias mais chatos pra se viajar, sempre acabo ficando com mais raiva ainda do Carnaval. E sempre é por conta da política, ou melhor, da falta de consciência política do cidadão Dupiniquim. Eu fico fula quando ouço a brilhante afirmação: “Ah, eu odeio política!” – Como se fosse um prato, uma marca, uma pessoa. Como alguém pode odiar um conceito? E, pior, não me conformo como podem ignorar o que decide o rumo e a qualidade de suas vidas, pois somos uma sociedade, infelizmente. Sim, eu viveria isolada da maioria dos idiotas e seria mais feliz com isso, talvez seja um karma ser chocada com a alienação diariamente, talvez uma redenção por toda presunção, ou não. Só sei que detesto… É que a aproximação da folia do Carnaval é aproveitado pelos políticos pra roubar, votar às escondidas medidas que só beneficiam quem não precisa, negociar almas e tudo com a conivência do telejornalismo, que está com audiência demais mostrando barracões cheios de raimundas peladas e gringos. A Época dessa semana daria um excelente Globo Repórter, daqueles das antigas, que davam até medo quando a música de abertura tocava. Mas é muito, muito improvável que a platinada tivesse culhões pra fazer uma matéria pra TV com um conteúdo e expressão agressivos. Ah, o Carnaval me irrita… E nem adianta tentar fugir, em qualquer lugar corre-se o risco de algum pitboy colocar um som de quinta categoria no último volume do carro e ser feliz com a merda que é perto de você.
Música pro Carnaval: Loser – Beck