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Textos com Etiquetas ‘ultraje’

É quase Carnaval, droga…

10, fevereiro, 2009

Ah, eu detesto o Carnaval… É uma coisa cultural, mesmo. Nunca vi mi madre sambando por aí, ela prefere quando tocam Raul, minha família até tem uns foliões, mas não me pegou essa doença. Pelo menos essa, não.  Por mais que eu alugue filmes e tente me isolar do mundo nos quatro dias mais chatos pra se viajar, sempre acabo ficando com mais raiva ainda do Carnaval. E sempre é por conta da política, ou melhor, da falta de consciência política do cidadão Dupiniquim. Eu fico fula quando ouço a brilhante afirmação: “Ah, eu odeio política!” – Como se fosse um prato, uma marca, uma pessoa. Como alguém pode odiar um conceito? E, pior, não me conformo como podem ignorar o que decide o rumo e a qualidade de suas vidas, pois somos uma sociedade, infelizmente. Sim, eu viveria isolada da maioria dos idiotas e seria mais feliz com isso, talvez seja um karma ser chocada com a alienação diariamente, talvez uma redenção por toda presunção, ou não. Só sei que detesto… É que a aproximação da folia do Carnaval é aproveitado pelos políticos pra roubar, votar às escondidas medidas que só beneficiam quem não precisa, negociar almas e tudo com a conivência do telejornalismo, que está com audiência demais mostrando barracões cheios de raimundas peladas e gringos. A Época dessa semana daria um excelente Globo Repórter, daqueles das antigas, que davam até medo quando a música de abertura tocava. Mas é muito, muito improvável que a platinada tivesse culhões pra fazer uma matéria pra TV com um conteúdo e expressão agressivos. Ah, o Carnaval me irrita… E nem adianta tentar fugir, em qualquer lugar corre-se o risco de algum pitboy colocar um som de quinta categoria no último volume do carro e ser feliz com a merda que é perto de você.

Música pro Carnaval: Loser – Beck

Brisas ,

Brasil passivo…

18, setembro, 2008

Época de eleições, tento sempre provocar discussões políticas, mas ninguém está nem aí pra hora do Brasil; pergunto elegantemente: “Ei, idiota, em quem você vai votar?” – e recebo respostas como “- nulo!”, “- vou viajar!”, “- nem sei ainda!”, “naquele fulano de sempre que diz que rouba ma(i)s faz!”, “- naquele fulano de sempre porque dessa vez o plano de educação que ele promete vai me beneficiar!”… Só merda. Só passividade. Acredito que votar nulo é uma forma de expressar o descontentamento com as opções, mas só expressar não adianta nesse país “Dupiniquim”, pois mesmo que os votos nulos sejam maioria não servem pra anular uma eleição, que só é anulada caso se comprove fraude (que não é impossível no nosso pais, né?). Votar nulo não resolve, só expressa. Votar mal também é crítico, por isso não deveria ser obrigatório. Obrigar o cidadão que, por forças ocultas ou vadiagem, é burro demais pra discernir o que é melhor para a maioria deveria ser considerado crime de perigo.

O brasileiro é passivo, a menos que esteja comemorando alguma coisa. Geralmente destroem coisas pelo êxtase da alegria, basta ver que comemorações, festas, torcidas são sempre focos de violência. Claro, a violência estúpida já dominou a sociedade, ver traficantes como o Beira-Mar rindo pra câmera, programas que mostram a maravilha das Paraolimpíadas para os que perderam movimentos depois de encontrarem balas “perdidas”, a corrupção que insiste em privilegiar quem pode pagar um bom advogado e descolar um habeas corpuzinho… E o patriotismo que ataca o país a cada dois anos sempre é seguido de eleição pra alguma coisa, nunca sobra energia soberana para pensar que os atletas, que foram escolhidos disputando campeonatos e sendo os melhores, não vão decidir a verba pra incentivo ao esporte da escola do seu bairro. Parabéns para os atletas, a grande maioria, aliás, nunca recebeu incentivo nenhum do governo que nós escolhemos…

Toda vez que tenho de usar o metrô em horário de pico aqui em sampa é que fico pasma com a passividade do povo. É coisa de louco,mesmo. Muita gente, tanta que se você conseguir tirar um pé do chão, não encontra mais chão pra pisar de volta, só pés… E o povo se empurra, se aperta, se machuca, agride os outros, todos querem chegar logo. Ninguém questiona se é justo, se R$2,40 por viagem não pagaria pelo menos a dignidade de não ser pisoteado por não querer empurrar uma velhinha que está na frente, e o povo entra rindo nos trens superlotados, deveriam chorar ou quebrar tudo como fizeram nossos hermanos, que são muito menos passivos…

Sei que eu amo o Brasil, apesar dos brasileiros. E tem alguns deles que eu até gosto, mas são a minoria, realmente. Já que não se pode mudar o mundo sempre, me distraio sabendo mais sobre os idiotas que querem meu voto, que não será nulo. Eu me sinto pouco brasileira, apesar de nunca ter brigado por homem, já briguei muito pelas pessoas que não têm culpa da própria ignorância, me orgulho muito de mim por isso, que linda que eu sou… Sou barraqueira diante de qualquer injustiça. Dividir o que se sabe é o maior dos altruísmos. E acredito ser a única forma de erradicar a ignorância, mesmo que seja a longuíssmo prazo…

Música pro Brasil il il il do seu Creysson: Inútil – Ultraje a Rigor

Brisas , , , ,