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Textos com Etiquetas ‘surto’

Isolamento

14, junho, 2010

Pega nada, não. E entendo a identificação com eles que de tanto olhar, cansaram do que viam. Por que a redundância só não cansa quem está aprendendo. O professor, depois de suficiente tempo de prática, sabe nas primeiras conversas quem é capaz de aprender e quem sempre vai ignorar, e cansa saber que não é possivel livrar-se dos imbecis, que para eles é preciso gastar mais do que saliva e boa vontade. E ainda sempre tem um idiota pra esfregar na cara a demagogia de quem um bom mestre é capaz de despertar o interesse. Assim como sempre tem um espírito de porco para lembrar ao discípulo que seu progresso é somente resultado de seu esforço.

Então o jovem e inspirado idealista se transforma no velho ranzinza insuportável, talvez até precocemente. Nâo demora para cansar a vida e o mundo mudar o sujeito que queria mudar o mundo. Será que existe perceber que só muda quem quer mudar? Se existe, o depois pode ser mais isolado ainda. Quem não consegue mudar o mundo nem ser mudado por ele pode criar um mundo paralelo e é considerado louco. Não é por nada, não. Não é por ser melhor, mais qualquer coisa, (in)diferente. Algumas vezes a similaridade até dói, mas uns conseguem ser mais distantes que outros e esses são menos aflitos. Enquanto outros precisam fugir para não sentirem-se sufocados pela empatia…

Música, então… Livin’ on the edge – Aerosmith

É com a Lia ,

Necessidades marítimas

27, janeiro, 2010

Eu sou uma gata marítima. Não digam que gatos não gostam de mar, pois muitos viviam bem nos navios de antigamente, caçavam ratos e comiam das pescarias, gatos amam a brisa e calmaria do litoral. Dormem o dia todo, quentinhos em alguma sombra confortável e saem à noite para caçar e se divertir com a gataria. Fico meio mals quando não vou ao encontro dos limites do continente… E agora que janeiro praticamente acabou, temporada passou, tudo lá está melhor, mais legal e mais vazio. É a hora certa para pegar uma semaninha de folga, encher a carteira de dinheiro e gastar tudo em quiosques e aluguéis de coisas bacanas que só existem no litoral, como pranchas, equipamento de mergulho, banana boat ride, parasail, kite-surf.

Não tenho intenção nem vontade de acampar com uma criança pequena, ainda. Ideal é alugar uma casinha e ir de carro, lotado de roupa de cama e banho, livros que nunca tenho tempo de ler por que fico baixando coisas pra assistir, câmera fotográfica, produtos de higiene pessoal (eu sempre esqueço um monte e tenho de comprar lá) e energia, muita. Na ida sempre vou cheia de animação, a volta é tipo um funeral. Como se a despedida fosse eterna – e quem garante que não? – como se ali estivessem minhas raízes que são arrancadas para retornar ao concreto, onde me sinto dentro de um vaso mal regado.

Eu tenho necessidades marítimas, apesar de já ter enjoado em balsa e ser alérgica aos borrachudos, apesar de ter de usar bloqueador solar FPS 60 até no couro cabeludo onde o cabelo faz uma risca pra não morrer de insolação por ser transparente, apesar de ser radicalmente contra marca de biquini no meu corpo, apesar de ficar horas remando até resolver dropar uma onda marolenta e me sentir uma Kelly Slater por ficar menos de 15 segundos em cima dela, apesar de ser urbana e terrivelmente viciada em tecnologia… Preciso de mar. Uma praia, uma caipirinha, uma sombra e uma musiquinha…

Hoje acordei com essa na cabeça – Sereia – De repente, California – do Acústico do Lulu

É com a Lia

Madrugada não é boa hora pra pensar

20, dezembro, 2009

Die Welle, A Onda, filme alemão que recomendo, sabe… Carência de liderança, falta de valores, gente burra. A natureza é implacável mesmo, uns nascem para seguir, outros para liderar e alguns para observar a estupidez de ambos os lados e nunca a sua própria. Me sinto um lixo por assistir tanta TV, mas fui criada por ela também apesar de minha mãe ter sido beeem  presente e não consigo me desfazer do vício. Não chamo de hábito, pois hábitos me parecem coisas saudáveis e que acrescentam. Ok, muita merda na minha cabeça foi acrescentada pela TV, mas minha imaginação é pior com o material que recebe, então mistura muitas referências nos meus sonhos e pensamentos sombrios. Fico imaginando se, de repente, quando for velha, realmente perder a noção do que se passou e do que imaginei… tomara que as histórias fiquem mais interessantes. No meio da sociedade em que vivo, o meio onde moro, o maldito bairro da Liberdade em Sampa, que é considerado a maior colônia de japoneses fora do Japon, mas só se vê chineses, coreanos e sulamericanos hermanos, todos parecem pobres com suas crianças sujas pelas ruas, os japoneses já fugiram do centro há tempos, formados em boas universidades e só deixaram seu rastro mercantilista para os outros imigrantes tentarem a sorte. Não há escapatória, consumir menos e desaquecer a economia é gerar desemprego e mais violência devido à maior desigualdade, então o planeta vai acabar e devemos usar sacolas de pano e fazer xixi no banho para salvar a natureza que não podemos mais ter nem em nossos condomínios de classe média, onde o apartamento vizinho de uma família de orientais de sei lá qual país faz o hall comum cheirar a avicultura. Ouve-se os cães deles latirem quando se chega no hall, imagino se criam os bichos para comer e me sinto ridícula por pensar de maneira tão preconceituosa, afinal eles já foram civilizados, ocidentalizados e abandonaram seus costumes ancestrais em nome de uma vida parecida com a minha. E ainda adoro ver TV, não deveria, mas sou fascinada pelos canais nerds de documentários, adoro ver animais e o quanto são civilizados, bonitos e na TV até cheiram bem. Não, não é difícil liderar uma horda de idiotas que adora TV e vive entediada pela falta de motivação, pela falta de faltas.

Eu não estou ouvindo nenhuma música, mas recomendo foo fucking fighters, as usual. BOA Noite!

Brisas ,

Bloqueios

4, junho, 2009

Portas. Minha dificuldade em confiar totalmente me custou uma porta, literalmente. Alguém aí pode dizer que confia totalmente, que nunca, jamais e em tempo algum desconfia de nada em relação aos outros? Até em relação a si mesmo? Eu desconfio… Na verdade, não sou do tipo que busca motivos com vontade. Claro, gosto de questionar as coisas, mais por diversão que por desconfiança. Mas basta eu ter um motivo, ou um pouco de motivo e pronto. Teorias de conspiração, paranóia, desconfiança, medo. Basicamente isso me fez quebrar uma porta. Ok, nada demais. Mas, poxa… Vai ter o sono pesado assim na pqp…

Ontem eu saí por uma hora e esqueci a chave de casa. Quando voltei, toquei a campainha, espanquei a porta, liguei no telefone fixo e no celular… Nada. Mil coisas passam na sua cabeça numa hora dessas. Tudo estava aceso, TV ligada. Saí do prédio, gritei embaixo da janela, pensei no gás que é encanado, na violência em condomínios, na violência doméstica – que graças aos Deuses parte de baixo pra cima lá em casa, em intenção de brincadeira, pois já levei cabeçadas, porradas, fui atropelada pela moto-sapo, pelo fusquinha e levei uma colherada na cabeça com todo o carinho do meu pequeno Neanderthal – enfim, pensei tanta merda, mas tanta merda, que arrombei a porta.

E só quando eu arrombei a porta eles acordaram… Nossa, eu chorei muito. Eu não sou chorona. A síndica chacoalhou as pulgas pelo arrombamento, deu vontade de falar que se tivesse acontecido uma tragédia, ela iria chacoalhar as pulgas no inferno… Mas só chorei e agradeci por ser maluca, por estar enganada, por estar tudo bem. O chaveiro chegou em seguida e perguntou por que eu não esperei ele chegar pra não destruir a porta. Só pude dar a desculpa esfarrapada de que sou mãe e entrei em pânico. Não é uma desculpa esfarrapada, mas não é toda a verdade. Sou mãe, entrei em pânico, fiquei desesperada e surtei.  Poxa, todas surtamos once in a while, temos esse direito. Somos divas!

E isso estragou a boa notícia que eu trazia. Estava em desespero estatístico por causa de uma prova de DP, que carrego desde os primórdios da facul. Não tinha estudado nada e descobri ontem que ontem era o último dia pra fazer a prova. Fui que nem um boi pro abatedouro, já me conformando que atrasar em mais um semestre a tão sonhada formatura não era um problema tão grave quanto um câncer. Mas ao começar a prova, munida de calculadora e lápis com borracha na ponta, eu consegui. Talvez mediunidade estatística, genialidade sem precedentes ou sorte pra carai… Tirei oito e não foi só na cagada. Das 5 questões eu acertei 4 – três eu realmente consegui fazer as contas (ou operar a calculadora, afinal se uma conta tiver vírgula, affff…), duas eu chutei e em uma fiz GOOOOOLLLL!!!! E ia toda serelepe pra casa contar a incrível novidade quando aconteceu tudo isso… Que viagem, né? Minha vida é uma loucura!

Música que eu cantava aos 16 aninhos e que hoje só significa que não sofro mais de tédio aborrecente. [se bem que ainda adoro cantar isso a plenos (ou quase plenos) pulmões]:  Longview – Green Day

É com a Lia