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Textos com Etiquetas ‘passivos’

Obediência

22, junho, 2010

(uma breve pesquisa que fiz há alguns anos…)

Estudando conceitos da sociologia e conhecendo um pouco da história da humanidade, é fácil pensar em questões para se discutir a realidade. Questões afloram em cada canto da desigualdade, mas poucas são as respostas. Abaixo, alguns conceitos sobre a obediência e desobediência.

Excerto I

“Porque o homem é tão propenso a obedecer e porque lhe é tão difícil desobedecer? Desde que eu seja obediente ao poder do Estado, da Igreja ou da opinião pública, sinto-me seguro e protegido. De fato, pouca diferença faz o poder a que obedeço. Trata-se sempre de uma instituição ou de homens que usam a força, de uma forma ou de outra, e que fraudulentamente reivindicam para si a onisciência e a onipotência. Minha obediência me torna parte do poder que cultuo e, por conseguinte, sinto-me forte. É impossível que eu cometa erros, pois ele decide por mim; é impossível que eu fique só, pois ele vela por mim; é impossível que eu cometa um pecado, pois ele não me permite fazê-lo e, ainda que eu peque, a punição será apenas a maneira de voltar a submeter-me ao poder todo-poderoso.” (FROMM, Erich. Da Desobediência e outros ensaios. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984. p14-15.)

Excerto II

“O problema com as emoções é que elas não são facilmente controladas pela razão; é geralmente bastante inútil tentar livrar-se de sentimentos como a aversão, o ódio ou a luxúria somente a partir de raciocínios. As emoções precisam ser controladas de uma maneira diferente, sendo treinadas por um longo período de tempo, preferivelmente desde a infância. A filosofia moral de Aristóteles é notável pela atenção que dá à eficiência do treinamento moral e à ineficiência da mera discussão moral. ‘Se os argumentos fossem suficientes por si sós para fazer os homens serem bons, eles teriam amealhado muitas recompensas’(aqui fala o próprio Aristóteles); ‘mas como as coisas são, eles(os argumentos) não são capazes de encorajar muitas pessoas a se tornarem dignas’. Os homens devem ser bem treinados e habituados, sob a orientação das leis, costumes, educação e disciplina da família. ‘Não faz alguma diferença, então, se formamos hábitos bons ou maus em prol de nossa juventude; faz muita diferença, ou melhor ainda, toda a diferença.”(The Cambridge Companion to Aristotle. New York: Cambridge University Press, 1996. 2° edition. página 213)

Excerto III

“Um indivíduo incapaz de fazer parte da polis não é um ser humano, mas sim um animal não-humano, enquanto que aquele que basta a si mesmo completamente, sem ter necessidade de fazer parte da polis, é um superhumano, ou, como Aristóteles assim diz, um deus.”(The Cambridge Companion to Aristotle. New York: Cambridge University Press, 1996. 2° edition. página 239)

É mais fácil obedecer do que desobedecer. Mas, qual a razão? Por que é mais fácil obedecer?

Obedecer é a regra do nosso sistema. E por sistema, entende-se toda a organização política -econômica- social-cultural-religiosa, criada e apoiada pela parcela dominante da sociedade, com a finalidade de fomentar cada vez mais a produtividade, aprofundando a dependência dos indivíduos à divisão social do trabalho(*), e segmentando valores que impedem uma inversão da lógica de obediência.

É mais fácil obedecer, porque sendo esta a regra do sistema, a obediência não traz ao indivíduo nenhum prejuízo. Pode até trazer-lhe benefícios, na medida em que um indivíduo se destaque na função de exortar seus pares à obediência. Outro motivo é a moral. A virtude tem sido identificada pelas religiões ao lado da obediência, enquanto que o pecado está sempre ao lado da Desobediência (porque será?). Essa Moral está vinculada à Educação, constituindo aquele instrumento de controle sobre o qual Aristóteles tece elogios. E tal educação moral é tão poderosa, que o homem, depois de aprender desde a infância a obedecer, sente medo de desobedecer, de ser, por conseqüência, punido.

Nossa sociedade possui vários elementos que empurram os homens comuns aos abismos da obediência, são eles: o caráter privado das forças de produção, a “educação moral”(a qual consegue convencer a maioria dos homens comuns a serem obedientes), as forças armadas(que tem a função de persuadir qualquer recalcitrante a voltar a seus afazeres e desistir de uma “luta inútil”). As Tradições e as Religiões, juntamente com a Educação(**) formam a tríade principal do Controle Social, pois ensinam os valores da obediência; é importante lembrar que a lógica de tal tríade é baseada no exemplo. A Lei tem mais poder sobre o ser humano do que se pensa, pois ela pode determinar sua prisão, punição, apropriação de bens, exílio e até a pena de morte em muitos países. A Guerra também é um instrumento de controle porque é através dela que múltiplos interesses econômicos são satisfeitos com o custo desprezível de uma porcentagem da população pobre jovem do país.

Os impostos também são um instrumento de controle. Por último, o mais ardiloso de todos, é o instrumento de “Ilusão”: ilusão de voto (fazer parte do governo e poder mudar os rumos do país… será?), ilusão de que o homem comum pode melhorar de condições com trabalho e com a experiência que conquistar, de modo que possa montar seu negócio no momento que lhe for oportuno, e a ilusão de que o pensamento ostentado por cada indivíduo adulto seja próprio e autêntico.

“O homem da organização perdeu a capacidade de desobedecer e nem sequer tem consciência do fato de que obedece. Nesse ponto da história, a capacidade de duvidar, de criticar e de desobedecer talvez seja tudo o que se coloca entre o futuro da humanidade e o término da civilização”. (FROMM, Erich. Da Desobediência e outros ensaios. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984. p.17)

Notas

(*)Quando se fala em aprofundamento da divisão social do trabalho, quer-se dizer que os indivíduos cada vez mais ficarão dependentes das forças produtivas, as quais encontram-se sob o poder das empresas, portanto, fora da esfera de ação dos homens comuns. Em outras palavras, trabalha-se cada vez mais, ganhando cada vez menos, com um número de opções de compra cada vez maior. É o Trabalho Assalariado e o Consumismo.

(**)A Educação de hoje caracteriza-se por seu caráter profissionalizante, o que retrata a dedicação da sociedade à produção, e pela moral, mas não apenas no sentido religioso, mas principalmente no aprendizado de valores de obediência, honestidade, confiança nas instituições públicas, no voto, nas liberdades civis, e, por último, na existência de comida, dinheiro e trabalho suficiente para todos os homens comuns, desde que se devotem a uma vida de trabalho duro(será?).

Brisas, Livros ,

O cão… Victor Lebow

11, fevereiro, 2010

Tradução:  “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”

O cara teve a idéia que originou nossa triste época…

Brisas , ,

Primeiro a obrigação

13, janeiro, 2010

E, de preferência, que seja divertida.  Não é bem como acontece, não parece que é um problema regional, étnico, social ou de qualquer outra espécie além da natureza humana. É mais difícil cumprir com as obrigações, mais fácil lembrar dos direitos do que dos deveres.  E por isso fazemos o que somos e vice-versa. Temos o que merecemos. Enquanto um terremoto devasta o Haiti e não há ajuda suficiente nem da inútil ONU, o povo brasileiro comemora que os BBBundas poderão ’twittar’ nessa infeliz edição dessa grande bosta que é esse programa ridículo (desculpem o pleonasmo redundante, é que eu odeio muito mesmo de cotovelo e rins esses (fake) reality show).

Mas temos o que merecemos, pois a maioria do povo brasileiro é muito burra e nem sabe disso. Não faz idéia do que seja uma auditoria, não sabe que o servidor público é seu funcionário, não sabe exigir os direitos de consumidor, não se importa em pagar a maior carga tributária do mundo desde que também possa pagar o payperview da maior idiotice já inventada na TV a cabo. Por dinheiro algum nesse mundo (muito menos para disputar por ele) eu me sujeitaria ao ridículo de estar 24 horas por dia com um bando de gente burra, muito burra e muito fútil. Todas elas são muito burras e muito fúteis, não faz diferença a orientação sexual, religião, condição social ou qualquer outra característica desses imbecis. O BBB 10 (Está na décima edição? Nota zero pra Rede Blobo e pro povo que faz essa emissora ser a maior do país) é uma prova cabal da boçalidade e da monotonia na vida humana.

Não é por acaso que tanta gente é sem cultura… Trabalha 8 horas por dia, perde por baixo 2 horas indo e voltando do trabalho, almoça em 1 hora, dorme 8 horas por dia e, se estudar, ainda perde parte das 5 horas que sobraram decorando alguma coisa pra prova, pois aprender é pedir demais… Sobra nada para o indivíduo se dedicar ao ócio que permite a reflexão, o questionamento. E isso é interessante para manter a massa crescendo uniforme, conforme a forma, em formato de asno para permitir o arreio, cabresto e viseira… 

alienation

Música bem apropriada pra revolta com tanta estupidez: Soma – The Strokes

Brisas ,

Liberdade de ração

10, novembro, 2009

O muro de Berlim, que separava permanentemente um povo que era vizinho, caiu há 20 anos e a imprensa comemora a liberdade enquanto a falta de educação de base faz vergonha na educação universiotária com o espisódio da Geisy,  pretensa capa de revista onde não se precisa saber ler para ficar’ famosa’.  Podemos ver que a liberdade não existe e o pior, os maiores prisioneiros aqui não são pessoas que querem ficar quase peladas à vontade, como Geisy, e sim os coitados que a vaiaram, os que apoiaram a vaia, os que a expulsaram e depois a readmitiram. Escravos da ignorância que continuarão ignorantes mesmo depois de graduados, pois foi-se o tempo que um curso universitário exigia mais do que uma escola pública de segundo grau, ainda mais nessas unimerdas. Podemos ver que a sociedade brasileira é pobre de cultura, apesar de muito rica em expressão…

Aqui, para a grande maioria dos ‘cidadãos’, liberdade significa ficar pelado quando e onde quiser, fumar maconha ou usar qualquer outra droga sem restrições, falar palavrão ou constranger famosos na TV, invadir a privacidade de pessoas públicas e outras coisas idiotas. Aqui a maioria acredita que isso é liberdade e que hoje, por termos quase tudo isso, somos um povo, uma nação livre!!! (Nação) pobre é uma merda, mesmo… Essas liberdades são triviais em qualquer democracia que se preze, mas aqui o povo se contenta, e muito, com pão e circo, baby. E sexo, depois… De preferência sem camisinha, para crescer mais esse bolo de idiotas. É o truque de ilusionismo mais velho da história, enquanto eu mexo uma mão na sua cara você não vê que a outra está tirando alguma coisa do paletó. Enquanto o povo desejar liberdades pobres em vez de conceitos ricos seremos o que somos. A nação tem o povo que merece e vice-versa…

Música, então: Esquece e vai sorrir – Ludov

Conselhos Inúteis ,

POP – Estourando o ideal

23, abril, 2009

Não é um partido de ódio a política e sim aos políticos. Sim, eu acredito que eles são a gangrena, o tumor, a necrose no desenvolvimento do país, salvo rarissíssimas excessões, muito raras mesmo. Estas pessoas deveriam estar em outra categoria, pois não são gente, não. São máquinas de desigualdade, que cospem no prato que comeram e renegam o povo que os apóia e, pior, que ainda acredita. Acho que quando estes saírem de cena, então se pode começar o diálogo democrático de fato. Colocando institutos de pesquisa para trabalhar pelo público e não só pelas empresas, visando conhecer as diferentes necessidades das diferentes comunidades que constituem esse país tão desigual. Colocando a mídia para trabalhar pelo público também, e não só pelas empresas, levando informaão importante e que contribua para a maior participação popular nas decisões que dizem respeito ao bem estar de todos e de sua comunidade em particular, usar o quarto poder como a conexão entre  necessidade,  informação e planejamento de ação. Novas eleições? Sem dúvida… Mas não sem antes um processo moralizador e urgente das instituições, com a proibição da candidatura de qualquer pessoa que esteja envolvida em processo judicial que ainda não terminou, seja qual for, mesmo que seja pensão alimentícia.

Enfim, não é fácil colocar ordem num país imenso, mas não deve ser impossível quando existe boa vontade e real mobilização popular. Nesse sentido eu admiro os hermanos da Argentina, que parecem ter muito mais cojones que nós e não se deixam oprimir pelo conformismo alienador de que Deus nasceu por lá e por isso tudo bem. O brasileiro tem que participar, e não o faz por que não quer, por que não há também nenhum formato interessante de informação política, tudo parece distante demais, colarinhos brancos sujos demais, escândalos e impunidade demais, cara de pau demais. Enquanto sabemos que há pena de morte pra corruptos em países nos cafundós, sentimos muita vergonha quando vemos o Collor voltar a cena, o Lula dizer que nunca na história desse país pela trilionésima vez, quando os políticos que usam nosso dinheiro pra pagar passagem aérea pr`um bando de fdp que não precisa desse “favor” aparecem no TV Fama.. Enfim. O POP tem a idéia de ser um partido de ódio aos políticos. Por que não são eles que fazem o país, não são eles que geram o PIB, não são eles que se dedicam às pesquisas científicas com verbas ridículas, não são eles que jogam bola na Copa, não são eles que fazem o Carnaval… Enfim, eles não fazem quase nada. Um parlamento é melhor que uma ditadura, sem dúvida. Talvez o futuro da democracia não esteja no regime presidencialista. Talvez a política só vai prestar ao povo, que é a mão de obra que sustenta a sociedade, quando o povo perceber que tem que estar lá, que mais ninguém pode representar suas necessidades.

Puta merda, comecei a escrever e fiz um tratado… Por que política me tira o sossego… Política não é ruim, políticos são. Música pra não pensar mais nisso: As far as the eye can see – Radio 4

Brisas ,

Brasil passivo…

18, setembro, 2008

Época de eleições, tento sempre provocar discussões políticas, mas ninguém está nem aí pra hora do Brasil; pergunto elegantemente: “Ei, idiota, em quem você vai votar?” – e recebo respostas como “- nulo!”, “- vou viajar!”, “- nem sei ainda!”, “naquele fulano de sempre que diz que rouba ma(i)s faz!”, “- naquele fulano de sempre porque dessa vez o plano de educação que ele promete vai me beneficiar!”… Só merda. Só passividade. Acredito que votar nulo é uma forma de expressar o descontentamento com as opções, mas só expressar não adianta nesse país “Dupiniquim”, pois mesmo que os votos nulos sejam maioria não servem pra anular uma eleição, que só é anulada caso se comprove fraude (que não é impossível no nosso pais, né?). Votar nulo não resolve, só expressa. Votar mal também é crítico, por isso não deveria ser obrigatório. Obrigar o cidadão que, por forças ocultas ou vadiagem, é burro demais pra discernir o que é melhor para a maioria deveria ser considerado crime de perigo.

O brasileiro é passivo, a menos que esteja comemorando alguma coisa. Geralmente destroem coisas pelo êxtase da alegria, basta ver que comemorações, festas, torcidas são sempre focos de violência. Claro, a violência estúpida já dominou a sociedade, ver traficantes como o Beira-Mar rindo pra câmera, programas que mostram a maravilha das Paraolimpíadas para os que perderam movimentos depois de encontrarem balas “perdidas”, a corrupção que insiste em privilegiar quem pode pagar um bom advogado e descolar um habeas corpuzinho… E o patriotismo que ataca o país a cada dois anos sempre é seguido de eleição pra alguma coisa, nunca sobra energia soberana para pensar que os atletas, que foram escolhidos disputando campeonatos e sendo os melhores, não vão decidir a verba pra incentivo ao esporte da escola do seu bairro. Parabéns para os atletas, a grande maioria, aliás, nunca recebeu incentivo nenhum do governo que nós escolhemos…

Toda vez que tenho de usar o metrô em horário de pico aqui em sampa é que fico pasma com a passividade do povo. É coisa de louco,mesmo. Muita gente, tanta que se você conseguir tirar um pé do chão, não encontra mais chão pra pisar de volta, só pés… E o povo se empurra, se aperta, se machuca, agride os outros, todos querem chegar logo. Ninguém questiona se é justo, se R$2,40 por viagem não pagaria pelo menos a dignidade de não ser pisoteado por não querer empurrar uma velhinha que está na frente, e o povo entra rindo nos trens superlotados, deveriam chorar ou quebrar tudo como fizeram nossos hermanos, que são muito menos passivos…

Sei que eu amo o Brasil, apesar dos brasileiros. E tem alguns deles que eu até gosto, mas são a minoria, realmente. Já que não se pode mudar o mundo sempre, me distraio sabendo mais sobre os idiotas que querem meu voto, que não será nulo. Eu me sinto pouco brasileira, apesar de nunca ter brigado por homem, já briguei muito pelas pessoas que não têm culpa da própria ignorância, me orgulho muito de mim por isso, que linda que eu sou… Sou barraqueira diante de qualquer injustiça. Dividir o que se sabe é o maior dos altruísmos. E acredito ser a única forma de erradicar a ignorância, mesmo que seja a longuíssmo prazo…

Música pro Brasil il il il do seu Creysson: Inútil – Ultraje a Rigor

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