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Textos com Etiquetas ‘introspecção’

Como matar algo ou alguém

5, fevereiro, 2010

Bom, é tipo um papo de auto-ajuda e foi assim que me ajudei muitas vezes que precisei me livrar de pessoas ou da raiva que sentia delas. Lição única e óbvia: tenha um precipício. O meu fica nos confins da minha raiva, quando ela está para se transformar em ódio e se parece bastante com os canyons de Utah. Eu posiciono o motivo da minha raiva bem ali, na beira do abismo e miro o chute em sua sua bunda (que na minha imaginação é sempre gorda). Algumas vezes vou de voadora e bem poucas empurrei com minhas mãos. Mas depois que joguei, não olho pra trás, matei… Sempre que volto a lembrar ou pensar na coisa que joguei de lá, lembro que morreu , pois idiotas não voam. Funciona pro bem ou pro mal a sua mente, basta acreditar no que ela lhe diz e, principalmente, fazê-la acreditar no que você diz à ela. E tente não ficar triste se perceber que a maioria das pessoas que passam pela sua vida não cheiram nem fedem ou foram assassinadas pela sua imaginação. O segredo é lembrar que você não perdeu nada, pois é quem continua vivo.

Música esquizo: Everybody knows you cried last night (puta véia!) – The Fratellis

Brisas

E mente cheia?

4, fevereiro, 2010

Se mente vazia é oficina do cão, de quem é a oficina na mente cheia? Não sei, claro. Mi madre nunca quis me dar calmantes para hiperatividade na infância e me ocupava com coisas normais, coisas úteis e habilidades práticas. Ouço muito que sou moça prendada, apesar de nem valorizar o que sei. Não consigo me dedicar de verdade. Agora, este texto foi começado com um doce de banana no fogão porque adoro cozinhar, mas minha mente não se conteve na panela, nunca consigo me conter. Se escrevo, quero dançar. Se pinto, quero cozinhar. Se cozinho, quero escrever. Se escrevo, lembro que a panela está no fogo e… peraí. É, eu abaixei o fogo. Demora, viu? Doce de banana não é um mistério da humanidade, é só picar a fruta bem madura, colocar açúcar (cravo e canela, se pans) e levar ao fogo, mexendo até derreter. Essa calda derretida pode fazer estragos na pele, evite se queimar com ela que nem a idiota aqui sempre faz. E tenha paciência para ver aquele caldo pegar consistência… Leva mais de hora.

Mas é isso. Paro tudo e vou montar pista de ‘róti uils’, e ele pára a montagem da pista no meio para ver uma cena interessante de ‘Lilu e Ititi’ e depois quer desenhar ou ir pra piscina se ouvir alguém se divertindo lá. Penso, logo desisto. Provavelmente ele vai adquirir muitas habilidades práticas por ser curioso, inquieto e inteligente. Aprender muitas coisas foi o jeito de ocupar minha mente sedenta e ociosa, não doeu e nem pesa saber coisas domésticas como crochê e ou decoração; artes como desenho, pintura, bonsai, danças; habilidades com computadores e idiomas e etc. Saber mais só me deixou mais insatisfeita com aqueles que acham que não precisam (ou não conseguem) aprender mais nada. Cabe mais alguma coisa aí? Provavelmente, sim.

Música, né? Ok… Here comes yor man – Pixies

Brisas ,

Minha intolerância

23, novembro, 2009

Há quem morra de medo de solidão, quem faça terapia por medo de terminar seus dias sem uma pessoa para lhe segurar nos braços em seu momento derradeiro, há quem faça de tudo para ser aceito, admirado, visto, etc. E tem gente que não. Bom, eu não conheço mais ninguém assim, só eu. Ok, o Gui é um pouco assim, mas em escala muito mais normal que a minha. Talvez eu precise de terapia pra voltar a querer sociabilizar. Não que eu seja um bicho do mato que sai correndo quando alguém tenta se aproximar, ao contrário, manejo bem o sabre do ‘colocar-me ao alcance da limitação alheia’, mas por pouco tempo.

Em geral não demora nada pra aparecer a real, a máscara cair e as pessoas perceberem que, bem, esta mulher não é muito normal e é bem intolerante. Mas ultimamente, graças à web, até que não me sinto tão singular. Gosto do fato de não precisar me expor à estupidez contagiosa de cara, gosto de saber que posso fechar uma tela e o que não gosto, sai da minha frente. Fácil, confortável, cômodo. Duro é quando entro em contato com um ‘jeitinho Gospel’, por exemplo, ou quando a mulherada me pede conselhos sentimentais, ou alguém me diz que é eclético quando o assunto é gosto musical, e não posso fechar a página e nem ser espontânea nessas situações, pois seria uma grande grosseria da minha parte. Sim, uma coisa que já entendi muito bem na vida é que a franqueza é anti-social. Ontem eu assisti o novo do Adam Sandler, “Funny People”, um tanto autobiográfico, o cara faz o papel de um comediante que tem uma vida rica de merda e percebe que é só um palhaço; quando em uma apresentação ele fala que as pessoas são tão estúpidas que precisam pagar para as entretenham, elas não dão risada. Sim, não tem graça quando é verdade.

Me identifiquei com algumas coisas, eu sou a comediante e todo mundo espera que eu faça aquele comentário maldoso e hilário, que só é levado à sério quando interessa pra alguma fofoca específica. Prefiro me abster do convívio com idiotas por mais inevitável que seja, alguns acham que essa atitude é uma grande idiotice, que se isolar do contato humano me faz perder a sensibilidade e blablabla… Mas não vejo vantagem em conhecer gente mais burra que eu. E muita gente é mais burra do que eu, acreditem. Quando vi esses vídeos senti vergonha por ser humana e viver na chamada ‘era da informação’. Não é questão de ser brasileira, é questão humana mesmo. Os vídeos que seguem ilustram bem nossa pobreza de referências e explicam a razão para a sinceridade ter sido deformada para servir ao humor. Falar a verdade: olha eu falando o que não deveria sem medo de ser feliz pois a web me distancia de qualquer contrariedade sumária – as pessoas que aparecem nesse vídeo deveriam ser castradas para não passar adiante genes tão asininos. Se você não é uma dessas pessoas, talvez ache graça em minha conclusão intolerante e verdadeira.

Brasileiros não são estúpidos 1

Brasileiros não são estúpidos 2

E música pra aliviar a semana que sempre começa numa segunda quando promete ser longa… Bula – Borderlinerz

Brisas ,

A magia da tia Lia…

2, novembro, 2009

Nunca pensei que eu fosse me denominar ´tia´ assim, quase achando graça do tom antigo que a palavra confere.  Mas é, vou explicar, eu tenho um instinto que não é bem maternal, seria algo avuncular, relativo aos tios mesmo (tional? tianal é estranho…) Aquelas pessoas que gostam de você, te suportam algumas vezes, mas a distância saudável entre vocês faz com que o sentimento cresça sem dores. Hoje eu vou falar assim, que nem tia.

Foi dia das Bruxas, sabe? Uma coisa que sobrinho meu nem desconfia é que sou uma tremenda bruxa que adoro morder criança fofa e boazinha. Quanto piores eles forem, melhor pra eles. Hoje é dia de Finados, os mortos… Melhor dia para ir à parques tipo Playcenter, apesar do feriadão. Ter um povo cristão é garantia de que a maioria tem medo de castigo, ou seja, não vão profanar a memória dos defuntos se divertindo horrores… Sorte de quem não se preocupa em respeitar a memória dos mortos apenas uma vez por ano.

A magia… Sim, sabe qual é o meu maior encanto e feitiço e maldição? Não? Nem eu… Mas suspeito que tenha alguma coisa a ver com autenticidade, curiosidade e infantilidade. Apesar de ter uns cegos que enxergam uma femme fatale, quem conhece de perto sabe que não passa de pose, de brincadeirinha. Não me levo à sério, como poderia esperar que mais alguém leve? O segredo é ser você mesmo e só deixar chegar perto quem não tenta te mudar, quem te respeita. Falta de respeito é a maior falta de educação, né?

Bom, notícia boa (pelo menos pra mim e para o meu blog)  é que nasceu meu primeiro livro: Otaku – a evolução do Japonismo.  Bom, o título talvez seja enigmático para uns, óbvio para outros. Era o que faltava, e agora já era…  estou livre por enquanto.  Sim, tenho planos de continuar essa idéia, pois ficou incompleta na minha opinião por falta de verba para fazer uma pesquisa empírica nacional e de tempo. Mas que se foda… Estou feliz pra cacete com isso, aliviada, angustiada, ansiosa e (mais alguma coisa com A)… afásica.

Música pro dia fúnebre:  The way – Fastball (acabei de aprender a tocar essa no violão, to me achando…)

Conselhos Inúteis , , ,

Dia podre

8, setembro, 2009

Pensa numa semana que  poderia ter o início mais lindo do ano, feriado na segunda, depois de um final de semana ensolaradao, quente e lindo. Mas a minha lady Murphy é obesa e mal amada, o dia não amanheceu ainda, o dia todo o céu esteve fechado, a babá faltou de novo, estou com a garganta inflamada, o amor me acusa injustamente de nunca fazer o que ele quer, tenho várias coisas que deveria fazer, mas não vai rolar.  Não assim…

E acabo o dia pensando que deveria ter feito muito mais, mas não consigo ter foco quando estou aflita com alguma coisa. Na real são várias coisas agora, não sei por onde começar… A dúvida sobre fazer o que se deve ou o que se quer. Eu devo, não nego, pago quando puder. Eu posso, não devo, nego enquanto aguentar. É difícil, mais difícil quando não somos mais sozinhos, a solidão que me machucava na verdade me protegia do alheio, eu podia ser só eu mesma e mais nada. Não é mais assim… Não há mais solidão, só isolamento. Tentando não deixar a vida fechar só ao redor do meu casulo, manter a sanidade, encontrar graça em mais lugares além do meu filho. É difícil quando se é tão narcisista…

Música digna dessa terça: No surprises – Radiohead

É com a Lia

Equilíbrio desnatural

4, setembro, 2009

Ou: Como é difícil ter tudo ao mesmo tempo…

Mais ou menos assim, quando está indo tudo bem, alguma coisa atrapalha. Mesmo que não seja um grande incômodo, muitas vezes precisamos agradecer por nossa saúde, família, trabalho, amor… e pensar se todas essas coisas estão bem, se trazem felicidade. Quase nunca tudo está 100% ao mesmo tempo, entende? Como se não fosse justo (ou possível) uma pessoa ser 100% feliz…

Talvez esteja relacionado com nossas expectativas e capacidade de acomodação, algumas pessoas parecem sempre querer mais, então enxergam as adversidades como a própria beleza da vida e o fazem para nunca sentir que estão totalmente sossegados. Talvez a plena satisfação não exista mesmo e a felicidade seja feita do clichê orgásmico de momentos felizes. Quem garante que não é assim mesmo, já que buscamos o prazer da vida deixando tudo mais confortável, porém mais complicado? A tecnologia é um grande exemplo de como buscamos a realização da felicidade através do mais rápido, custe o que custar. Não consigo deixar de pensar agora que feliz é quem conseguiu, depois de conhecer, ignorar a tecnologia… Imagina o trabalho que poderia dar?

A vida é uma brasa, mora? Várias e tantas teorias, afinal tantas são as vidas. E não consigo deixar de pensar o que cada uma conta, quem cada pessoa realmente é qual a razão de sermos tão diferentes e, ainda assim, tão intolerantes… A justiça não é muito amiga da felicidade, a primeira é mãe, a segunda é filha… Lindas e, às vezes, rivais.

Música: Jesus stole my baby – The Fratellis

Brisas

Isso dói

12, agosto, 2009

Dói saber que não uso nem 10% da mjnha cabeça animal. Que não aplico meus conhecimentos em quase nada, que o tanto utilizado da minha capacidade não chega a 20%, que sigo uma rotina por necessidade e não por paixão. Dói ter sonhos adiados por escolhas deliciosas que geram responsabilidades tremendas, dói se saber maior e ter de encolher para não ferir o ego alheio. Dói sentir que pode mais, que consegue mais, mas que precisa se limitar pelo bem de todos e felicidade geral da nação. Dói ser diminuída, e essa é uma dor que me ataca desde que aprendi a olhar para frente. Dói saber que querer nem sempre é poder e que poder é quase sempre sem querer.

Dói me ver longe do meu habitat idealizado, se cercar de gente limitada em possibilidade apenas e tão somente burrocráticas, zécutivas… Dói saber que não me encaixo por não usar salto agulha, por não fazer chapinha no cabelo, por ser espontânea, por não me preocupar com marca de xampu, por não perder meu tempo pensando em balada da moda. Dói ser sub-utilizada, ver seu potencial ser negligenciado e ainda saber que, mais cedo ou mais tarde, um idiota vai me dizer que estou desmotivada e vou inventar uma triste estória para justificar o inexplicável: eu não estou desmotivada, apenas de saco cheio de toda essa mediocridade ridícula.

Foda-se o que sinto, nada vai mudar se eu não tiver coragem de enfiar o pé na jaca, mandar uns pra lugares fétidos e outros pra lugares forniqueiros e ir atrás do que preciso: desafios.

Sem música pra hoje…

É com a Lia

Jogando fora

17, julho, 2009

Eu queria jogar fora um monte de convicção, incômodos, todo meu sarcasmo e ironia. Queria ser pura, não desconfiar das intenções alheias, confiar na bondade e no tempo como algo inerente ao viver. Não está funcionando… É difícil desapegar-se do hábito, difícil abandonar o conforto do que é experimentado. Espaço… Tempo… Motivação. O que me motiva é tão instável quanto o que sou. Ao mesmo tempo que sinto vontade de engolir o mundo, fico enjoada com o cheiro da realidade. Da mesma forma que quero, percebo que não preciso e fico indecisa quanto ao valor do esforço. Se mexer só pra não ficar parada? Causar só pra não morrer de tédio? Parece tudo tão fútil e banal… Estou com a fera na jaula. A verdade é essa… Estou em plena fase de bonança depois da tempestade. E vocês sabem o que vem depois da bonança, certo? Não vai demorar muito, já posso sentir os primeiros pingos…

miko

Música pra ver se anima essa sexta… Help! -  Beatles

É com a Lia

Só estar…

1, junho, 2009

“Quando encontrava uma (pessoa) que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: “É um chapéu”. Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável.” – Antoine de Saint Exupéry

Esse é um livro de cabeceira desde meus 8 anos. O Pequeno Príncipe fez mais sentido na minha vida do que muitos livros especificamente para adultos, mulheres, jornalistas, idiotas. Sim, eu leio livros voltados especificamente para idiotas, principalmente as séries for dummies.  E me sinto muito distante da maioria das pessoas, prefiro acreditar que é por opção minha. Algumas vezes isso me deixa triste, me sinto tão falsa quanto um tacape de papel, afinal sou tão acessível, tão sociável… Talvez seja só o efeito de segunda-feira, o day-after de um fim de semana que não foi só de descanso, afinal não tenho empregada e estou tentando escrever meu livro bobo… Mas dói até fisicamente…

Me colocar ao alcance cansa. E dói querer ficar sempre mais sozinha do que entre as pessoas que, por mau gosto, me adoram. Não vivemos numa ilha, mas tem dias que me sinto como uma, povoada apenas por três ou quatro náufragos que não têm um mapa e estão perdidos… Que dramático, né? É assim que estou hoje, todas nós. Com vontade de que o dia acabe logo e amanheça uma terça mais leve. Com vontade de não estar apenas ao alcance e não desistir de acreditar que tudo pode ser melhor…

Múska pra hoje: Creep – Stone Temple Pilots

É com a Lia ,

Mensagem de paz

30, março, 2009

Eu, que não sou a pessoa mais tolerante do mundo, que tenho crises de mau humor toda segunda-feira, que quero viver longe de qualquer caminho que eu não tenha descoberto, que refaço as contas do que devo ao mundo por tudo o que ele me oferece, que tento conviver com a limitação do meu alcance de influência, que queria poder pra dar uma de Yoh e viver tranquilamente, que não acredito em vocês, que vivo la vida loca, que tenho um excelente mau gosto, que sou amodiada pelos entediados, que gosto de ver a rara inteligência dando as caras onde falta atitude para aplicar conhecimento, que quase nem faço sentido tamanha é a agonia de expressar, que durmo pouco há quase 3 anos, que vivo muito mais intensamente há mais de 2 anos, que sou mãe-filha-mulher e ainda eu, que sonho mais alto e mais bonito com o futuro, que acredito na sorte de quem se esforça, que não confio em religião, que acredito na fé, que sou chata pra carai…

Eu, que nem sei por que insisto em ser. Mas o dia em que parar de tentar mudar o mundo é por que ele terá me mudado…

Eu, só queria mesmo paz…Eu, o Guri e o GuYoh…

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Música pra segunda-feira, em busca do nosso Best Place: Beijo no Escuro – Revoltz (a gravação não está lá essas coisas, mas a música é bacana)

É com a Lia , ,