Há quem morra de medo de solidão, quem faça terapia por medo de terminar seus dias sem uma pessoa para lhe segurar nos braços em seu momento derradeiro, há quem faça de tudo para ser aceito, admirado, visto, etc. E tem gente que não. Bom, eu não conheço mais ninguém assim, só eu. Ok, o Gui é um pouco assim, mas em escala muito mais normal que a minha. Talvez eu precise de terapia pra voltar a querer sociabilizar. Não que eu seja um bicho do mato que sai correndo quando alguém tenta se aproximar, ao contrário, manejo bem o sabre do ‘colocar-me ao alcance da limitação alheia’, mas por pouco tempo.
Em geral não demora nada pra aparecer a real, a máscara cair e as pessoas perceberem que, bem, esta mulher não é muito normal e é bem intolerante. Mas ultimamente, graças à web, até que não me sinto tão singular. Gosto do fato de não precisar me expor à estupidez contagiosa de cara, gosto de saber que posso fechar uma tela e o que não gosto, sai da minha frente. Fácil, confortável, cômodo. Duro é quando entro em contato com um ‘jeitinho Gospel’, por exemplo, ou quando a mulherada me pede conselhos sentimentais, ou alguém me diz que é eclético quando o assunto é gosto musical, e não posso fechar a página e nem ser espontânea nessas situações, pois seria uma grande grosseria da minha parte. Sim, uma coisa que já entendi muito bem na vida é que a franqueza é anti-social. Ontem eu assisti o novo do Adam Sandler, “Funny People”, um tanto autobiográfico, o cara faz o papel de um comediante que tem uma vida rica de merda e percebe que é só um palhaço; quando em uma apresentação ele fala que as pessoas são tão estúpidas que precisam pagar para as entretenham, elas não dão risada. Sim, não tem graça quando é verdade.
Me identifiquei com algumas coisas, eu sou a comediante e todo mundo espera que eu faça aquele comentário maldoso e hilário, que só é levado à sério quando interessa pra alguma fofoca específica. Prefiro me abster do convívio com idiotas por mais inevitável que seja, alguns acham que essa atitude é uma grande idiotice, que se isolar do contato humano me faz perder a sensibilidade e blablabla… Mas não vejo vantagem em conhecer gente mais burra que eu. E muita gente é mais burra do que eu, acreditem. Quando vi esses vídeos senti vergonha por ser humana e viver na chamada ‘era da informação’. Não é questão de ser brasileira, é questão humana mesmo. Os vídeos que seguem ilustram bem nossa pobreza de referências e explicam a razão para a sinceridade ter sido deformada para servir ao humor. Falar a verdade: olha eu falando o que não deveria sem medo de ser feliz pois a web me distancia de qualquer contrariedade sumária – as pessoas que aparecem nesse vídeo deveriam ser castradas para não passar adiante genes tão asininos. Se você não é uma dessas pessoas, talvez ache graça em minha conclusão intolerante e verdadeira.
Brasileiros não são estúpidos 1
Brasileiros não são estúpidos 2

E música pra aliviar a semana que sempre começa numa segunda quando promete ser longa… Bula – Borderlinerz
Brisas
intolerância, introspecção