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Textos com Etiquetas ‘introspecção’

Caso da Astronomia

16, agosto, 2010

É que estou de caso com a Astronomia… Tão fascinante para mim, tão ignorante. Presto atenção e acho tudo lindamente absurdo, talvez por estar cansada de ver os absurdos sobre os quais tanto pensava. Aquelas fisionomias… Talvez me cansou tanta filosofia, toda teoria e a maldita alienação “pop” voluntária. Talvez a culpa que sentia por detestar o real culpado por tanta barbaridade, humanidade. Tanta História e nenhum conhecimento, ainda há massacres e fome – e nem se pode justificá-los mais, não mais… Estar de caso com a Astronomia é voltar a sonhar com um mundo melhor, ainda que não mais seja este.

Música pra segunda :(  depois de dias lindos e maravilhosos :) : Planet caravan – Black Sabbath, com o Pantera

É com a Lia ,

Segue em frente

4, agosto, 2010

Passar o tempo passando por cima de tudo, é mais fácil estar em cima. Seguir seu caminho sem olhar para trás, nem olhar pra frente, talvez olhar pros lados quando se distrair da visão de seus passos. Um pé de cada vez, um movimento de cada vez, nada mais importa além de seguir em frente. Não há nenhum outro caminho, nada mais volta, a estrada é só sempre de ida enquanto o tempo sempre obriga a seguir em frente, não importa a direção. Não andar por baixo, quase voar em seus passos que seguem o caminho que segue em frente, aceitar já saber que não há qualquer outra direção. Não é a leveza da jornada, talvez a esperança de que obstáculos surgem para serem superados ou o medo de o caminho ser mudado quando isso acontece. Trabalhar o que há, plantar o que se espera colher. Rosas também têm espinhos… Mas é importante agradecer-lhes pela beleza e pelo perfume que emprestam à vida.

Versos, É com a Lia , ,

Caí, mas estava flutuando…

13, julho, 2010

Foi hoje, caí e quebrei a pica. Me senti mal, tipo sem controle da situação. Realmente o máximo de controle possível quando se quebra a pica é a dignidade de não baixar o nível ou chorar ou ficar extremamente emocionado. Mas aí, até agora há pouco, até começar a escrever, não percebi que durante todo este tempo eu estava flutuando. Sim, ou não… Ou talvez seja uma brincadeira da minha insanidade, claro que fiquei mals, quebrar a pica dói. Mas é como se estivesse protegida do meu próprio fel, por mais raiva que sinta, sinto que não perdi grandes coisas, sensação talvez de despeito, talvez por autoproteção. Mas as coisas acontecem e assim é viver, é ter muitas coisas que você não controla, algumas que você pensa que controla, todas acontecendo todo o tempo.

E então meu príncipe chegou da escola e eu olhei pro outro lado. E vi que não controlamos os acontecimentos, mas as coisas surgem por que você as atrai, de certa forma. Da mesma maneira que atraí a fratura da minha pica, atraí o alívio para a dor. Olhar pro outro lado aliviou, afinal quase era madame daquelas que cria filho por telefone e se remói de culpa em terapias e regimes – coisa que sempre considerei triste como vida. Essa nova ‘coisa’ aconteceu e mudou quase tudo… Mudou pra melhor, mudar é melhor pois é condição vital. O que não existe não muda. Anseio, causo e atraio mudanças. As que me beneficiam, na verdade, me sabotam no quesito superação. Altos e baixos, belas e feias, nem dá pra escolher muito o que mudar, nunca se pode garantir o desdobramento esperado. Quebrei a pica, mas agora está doendo menos. Talvez amanhã doa de novo, mas um dia essa dor some, vai ficar só a lição da experiência.

É para mudar que a vida acontece, para isso que devo estar viva, mudar alguma coisa. Apesar de não ser religiosa, tenho muita fé no que sinto. E sinto que a vida e suas mudanças querem me colocar diante do que realmente precisa ser mudado, sinto que não cabe mais caber em parâmetros que não foram idealizados por mim, sinto que não consigo mais engolir e mentir para manter o que quer que não me agrade de verdade, o que quer que não me faça orgulhosa de minha obra. Vou me auditar mais, quero descobrir o que fazer para sair dessa mudança como uma Fênix ainda mais forte.

Rock and Roll time, so… Primus – Jerry was a race car driver

É com a Lia ,

Sunday Morning

21, março, 2010

É que acordar faz bem pra alma também. Acordar pro que acontece na vida, no mundo, no tempo. Nada demais, coisa de menos. Bom humor para começar a semana, só por hoje, amanhã tudo muda e a poesia foge pro trabalho. Acaba sendo o melhor da vida, o final de semana, o domingo ensolarado que vai ser a memória favorita dos meus dias derradeiros. Não que a realidade fique melhor… mas fica mais leve quando divido, quase nem sinto o peso de me sentir num mundo inventado por ou para mim.

Nada espera, tudo se transforma. O que é importante hoje? Viver só o que importa, sem que coisas desagradáveis atinjam o que há de melhor… Eu, que tenho tanto pra agradecer, sempre penso qual o motivo de nem todo mundo ter tanta sorte. Engulo a vontade de chorar muitas vezes, cada vez que me deparo com realidades tristes e são a maioria, é o que parece. E gritar para que todos acordem só faz com que me mandem calar, ninguém gosta de perceber o quanto é egoísta e indiferente… ou infeliz. Então a infeliz egoísta e indiferente sou eu, por não me compadecer da estupidez e me afastar, esperando que a luz do bom senso ilumine idéias e faça as pessoas amarem a vida como se não houvesse amanhã, mas não apenas a própria vida. E amar a vida alheia não significa cuidar dela, amar ao próximo como a si mesmo significa simplesmente plantar o que gostaria de colher.

Costumo plantar dúvidas, gosto de colher alternativas. Costumo plantar verdade, gosto de colher superação. Costumo plantar idéias, adoro colher inspiração. As pessoas me inspiram muito, por isso prefiro estar um pouco distante, escolher o que quero observar. Nem todas as inspirações produzem coisas que prestem. Claro, a maioria das coisas que escrevo é irrelevante, não espero fazer grande diferença ou que minhas idéias nada exclusivas sejam um impacto na realidade. A única grande diferença que percebo na vida depois que escrevo está em mim… E eu gosto disso.

Música linda pra enfeitar seu domingo também: Be My Baby – We Are Scientists

Brisas, É com a Lia ,

Autoconhecimento

15, março, 2010

Não sei com certeza qual a utilidade prática de conhecer-se a si mesmo, mas acredito que é uma agonia comum à maioria que pensa saber sobre quem realmente se é. E não dá pra pensar sobre isso, muitos pensamentos alheios impedem o indivíduo de observar-se, diz a lenda que só a meditação nos liberta para realmente pensarmos, pois seu exercício teoricamente nos ajuda a eliminar o que é externo para conseguirmos ouvir nossa consciência… e só ela pode responder sobre quem realmente somos. Eu nem sei se consigo ouvir minha consciência, só sei que não consigo meditar, como se todos os pensamentos nunca calassem a boca. Procuro ficar comigo bastante tempo, prefiro acreditar que escolho as influências que atrapalharão minha consciência de se manifestar. Mas queria ouví-la… Para ter certeza de que não sou tão ruim quanto imagino ou descobrir o motivo que me faz sentir incomum. Consciente ou influenciada, a sensação de deslocamento é perene, só me sinto entre iguais quando estou só. E sei que não sou a única a sentir isso. Mas queria saber mais sobre mim, só isso… Descobrir o que preciso fazer para me livrar do querer. Por querer tanto é que sofremos. Quero saber mais sobre mim, menos sobre o mundo…

Ah, sobre meu final de semana em Minas, foi legal rever pessoas depois de quase vinte anos. Tenho primos lindos da parte Drumond, plantei um lírio perfumado na sepultura do meu pai e foi a primeira vez que estive lá, pois em seu enterro me recusei. O casamento do Ulisses foi grandioso, espero que o casal seja imensamente feliz e que tenha sempre amor pra recomeçar. Esperava ver minha meia-irmã, mas não rolou, só sei que ela é mãe de gêmeos e não soube mais nada sobre o que ela faz, quem ela é. Convidei todo mundo pra vir aqui em casa quando vierem à Sampa, duvido que tenham coragem… Talvez sim, afinal me conhecem menos que minha família materna que me considera a maior antisocial do mundo. E todos no carro sobreviveram ao convívio prolongado, não foi necessário usar de violência em nenhum momento.

Sabina e Joaquim (avós paternos)

Música pra segunda terminar bem: Long road to ruin – Foo S2 Fighters

É com a Lia ,

Como matar algo ou alguém

5, fevereiro, 2010

Bom, é tipo um papo de auto-ajuda e foi assim que me ajudei muitas vezes que precisei me livrar de pessoas ou da raiva que sentia delas. Lição única e óbvia: tenha um precipício. O meu fica nos confins da minha raiva, quando ela está para se transformar em ódio e se parece bastante com os canyons de Utah. Eu posiciono o motivo da minha raiva bem ali, na beira do abismo e miro o chute em sua sua bunda (que na minha imaginação é sempre gorda). Algumas vezes vou de voadora e bem poucas empurrei com minhas mãos. Mas depois que joguei, não olho pra trás, matei… Sempre que volto a lembrar ou pensar na coisa que joguei de lá, lembro que morreu , pois idiotas não voam. Funciona pro bem ou pro mal a sua mente, basta acreditar no que ela lhe diz e, principalmente, fazê-la acreditar no que você diz à ela. E tente não ficar triste se perceber que a maioria das pessoas que passam pela sua vida não cheiram nem fedem ou foram assassinadas pela sua imaginação. O segredo é lembrar que você não perdeu nada, pois é quem continua vivo.

Música esquizo: Everybody knows you cried last night (puta véia!) – The Fratellis

Brisas

E mente cheia?

4, fevereiro, 2010

Se mente vazia é oficina do cão, de quem é a oficina na mente cheia? Não sei, claro. Mi madre nunca quis me dar calmantes para hiperatividade na infância e me ocupava com coisas normais, coisas úteis e habilidades práticas. Ouço muito que sou moça prendada, apesar de nem valorizar o que sei. Não consigo me dedicar de verdade. Agora, este texto foi começado com um doce de banana no fogão porque adoro cozinhar, mas minha mente não se conteve na panela, nunca consigo me conter. Se escrevo, quero dançar. Se pinto, quero cozinhar. Se cozinho, quero escrever. Se escrevo, lembro que a panela está no fogo e… peraí. É, eu abaixei o fogo. Demora, viu? Doce de banana não é um mistério da humanidade, é só picar a fruta bem madura, colocar açúcar (cravo e canela, se pans) e levar ao fogo, mexendo até derreter. Essa calda derretida pode fazer estragos na pele, evite se queimar com ela que nem a idiota aqui sempre faz. E tenha paciência para ver aquele caldo pegar consistência… Leva mais de hora.

Mas é isso. Paro tudo e vou montar pista de ‘róti uils’, e ele pára a montagem da pista no meio para ver uma cena interessante de ‘Lilu e Ititi’ e depois quer desenhar ou ir pra piscina se ouvir alguém se divertindo lá. Penso, logo desisto. Provavelmente ele vai adquirir muitas habilidades práticas por ser curioso, inquieto e inteligente. Aprender muitas coisas foi o jeito de ocupar minha mente sedenta e ociosa, não doeu e nem pesa saber coisas domésticas como crochê e ou decoração; artes como desenho, pintura, bonsai, danças; habilidades com computadores e idiomas e etc. Saber mais só me deixou mais insatisfeita com aqueles que acham que não precisam (ou não conseguem) aprender mais nada. Cabe mais alguma coisa aí? Provavelmente, sim.

Música, né? Ok… Here comes yor man – Pixies

Brisas ,

Minha intolerância

23, novembro, 2009

Há quem morra de medo de solidão, quem faça terapia por medo de terminar seus dias sem uma pessoa para lhe segurar nos braços em seu momento derradeiro, há quem faça de tudo para ser aceito, admirado, visto, etc. E tem gente que não. Bom, eu não conheço mais ninguém assim, só eu. Ok, o Gui é um pouco assim, mas em escala muito mais normal que a minha. Talvez eu precise de terapia pra voltar a querer sociabilizar. Não que eu seja um bicho do mato que sai correndo quando alguém tenta se aproximar, ao contrário, manejo bem o sabre do ‘colocar-me ao alcance da limitação alheia’, mas por pouco tempo.

Em geral não demora nada pra aparecer a real, a máscara cair e as pessoas perceberem que, bem, esta mulher não é muito normal e é bem intolerante. Mas ultimamente, graças à web, até que não me sinto tão singular. Gosto do fato de não precisar me expor à estupidez contagiosa de cara, gosto de saber que posso fechar uma tela e o que não gosto, sai da minha frente. Fácil, confortável, cômodo. Duro é quando entro em contato com um ‘jeitinho Gospel’, por exemplo, ou quando a mulherada me pede conselhos sentimentais, ou alguém me diz que é eclético quando o assunto é gosto musical, e não posso fechar a página e nem ser espontânea nessas situações, pois seria uma grande grosseria da minha parte. Sim, uma coisa que já entendi muito bem na vida é que a franqueza é anti-social. Ontem eu assisti o novo do Adam Sandler, “Funny People”, um tanto autobiográfico, o cara faz o papel de um comediante que tem uma vida rica de merda e percebe que é só um palhaço; quando em uma apresentação ele fala que as pessoas são tão estúpidas que precisam pagar para as entretenham, elas não dão risada. Sim, não tem graça quando é verdade.

Me identifiquei com algumas coisas, eu sou a comediante e todo mundo espera que eu faça aquele comentário maldoso e hilário, que só é levado à sério quando interessa pra alguma fofoca específica. Prefiro me abster do convívio com idiotas por mais inevitável que seja, alguns acham que essa atitude é uma grande idiotice, que se isolar do contato humano me faz perder a sensibilidade e blablabla… Mas não vejo vantagem em conhecer gente mais burra que eu. E muita gente é mais burra do que eu, acreditem. Quando vi esses vídeos senti vergonha por ser humana e viver na chamada ‘era da informação’. Não é questão de ser brasileira, é questão humana mesmo. Os vídeos que seguem ilustram bem nossa pobreza de referências e explicam a razão para a sinceridade ter sido deformada para servir ao humor. Falar a verdade: olha eu falando o que não deveria sem medo de ser feliz pois a web me distancia de qualquer contrariedade sumária – as pessoas que aparecem nesse vídeo deveriam ser castradas para não passar adiante genes tão asininos. Se você não é uma dessas pessoas, talvez ache graça em minha conclusão intolerante e verdadeira.

Brasileiros não são estúpidos 1

Brasileiros não são estúpidos 2

E música pra aliviar a semana que sempre começa numa segunda quando promete ser longa… Bula – Borderlinerz

Brisas ,

A magia da tia Lia…

2, novembro, 2009

Nunca pensei que eu fosse me denominar ´tia´ assim, quase achando graça do tom antigo que a palavra confere.  Mas é, vou explicar, eu tenho um instinto que não é bem maternal, seria algo avuncular, relativo aos tios mesmo (tional? tianal é estranho…) Aquelas pessoas que gostam de você, te suportam algumas vezes, mas a distância saudável entre vocês faz com que o sentimento cresça sem dores. Hoje eu vou falar assim, que nem tia.

Foi dia das Bruxas, sabe? Uma coisa que sobrinho meu nem desconfia é que sou uma tremenda bruxa que adoro morder criança fofa e boazinha. Quanto piores eles forem, melhor pra eles. Hoje é dia de Finados, os mortos… Melhor dia para ir à parques tipo Playcenter, apesar do feriadão. Ter um povo cristão é garantia de que a maioria tem medo de castigo, ou seja, não vão profanar a memória dos defuntos se divertindo horrores… Sorte de quem não se preocupa em respeitar a memória dos mortos apenas uma vez por ano.

A magia… Sim, sabe qual é o meu maior encanto e feitiço e maldição? Não? Nem eu… Mas suspeito que tenha alguma coisa a ver com autenticidade, curiosidade e infantilidade. Apesar de ter uns cegos que enxergam uma femme fatale, quem conhece de perto sabe que não passa de pose, de brincadeirinha. Não me levo à sério, como poderia esperar que mais alguém leve? O segredo é ser você mesmo e só deixar chegar perto quem não tenta te mudar, quem te respeita. Falta de respeito é a maior falta de educação, né?

Bom, notícia boa (pelo menos pra mim e para o meu blog)  é que nasceu meu primeiro livro: Otaku – a evolução do Japonismo.  Bom, o título talvez seja enigmático para uns, óbvio para outros. Era o que faltava, e agora já era…  estou livre por enquanto.  Sim, tenho planos de continuar essa idéia, pois ficou incompleta na minha opinião por falta de verba para fazer uma pesquisa empírica nacional e de tempo. Mas que se foda… Estou feliz pra cacete com isso, aliviada, angustiada, ansiosa e (mais alguma coisa com A)… afásica.

Música pro dia fúnebre:  The way – Fastball (acabei de aprender a tocar essa no violão, to me achando…)

Conselhos Inúteis , , ,

Dia podre

8, setembro, 2009

Pensa numa semana que  poderia ter o início mais lindo do ano, feriado na segunda, depois de um final de semana ensolaradao, quente e lindo. Mas a minha lady Murphy é obesa e mal amada, o dia não amanheceu ainda, o dia todo o céu esteve fechado, a babá faltou de novo, estou com a garganta inflamada, o amor me acusa injustamente de nunca fazer o que ele quer, tenho várias coisas que deveria fazer, mas não vai rolar.  Não assim…

E acabo o dia pensando que deveria ter feito muito mais, mas não consigo ter foco quando estou aflita com alguma coisa. Na real são várias coisas agora, não sei por onde começar… A dúvida sobre fazer o que se deve ou o que se quer. Eu devo, não nego, pago quando puder. Eu posso, não devo, nego enquanto aguentar. É difícil, mais difícil quando não somos mais sozinhos, a solidão que me machucava na verdade me protegia do alheio, eu podia ser só eu mesma e mais nada. Não é mais assim… Não há mais solidão, só isolamento. Tentando não deixar a vida fechar só ao redor do meu casulo, manter a sanidade, encontrar graça em mais lugares além do meu filho. É difícil quando se é tão narcisista…

Música digna dessa terça: No surprises – Radiohead

É com a Lia