Arquivo

Textos com Etiquetas ‘Família’

Tio Oto, o modafoca…

22, janeiro, 2010

Hoje é sexta, perceberam? Dia muito importante:  aniversário do meu grande irmãozinho. Ele é totalmente diferente de mim, é uma boa pessoa que tem um gosto musical duvidoso, gosta de programas de TV duvidosos, insiste em ser atlético mesmo sabendo que a lady murphy sempre está no time adversário. Ele ficou alto depois dos 14 anos e por isso nunca mais brigamos… SOMOS BROTHERS!!!

Feliz Aniversário, Uó!!!  Mahalo! Mahalo â nui no kou kôkua pono! Poxa, que dia sexy para se completar 27 anos, né? Sexta… Saiba que Sheeva te abraçará e lhe dará um novo nascimento hoje, tudo pode ser como você quer, afinal só você tem as rédeas de sua vida. Quero que você seja feliz, faça seus amores felizes e tenha muita coisa pra contar quando ficar velho de verdade. Quem sabe agora você não entra numa crise de meia idade (afinal, você é véio, véio…) e resolve ser aborrescente de novo e vai no show do Metallica comigo mesmo de tala no joelho e tudo (assim não precisamos pegar fila também… hein? heinn??)

Você merece ser muito feliz, iluminado por energias e pessoas boas com vidas felizes. Te espero em casa amanhã pra pegar uma piscina e comer umas receitas do Japon que vou fazer especialmente pra você, modafoca! TE AMO TERRIVELMENTE!!!

Beijosssss na bundinha de nego e uma música pra você lembrar que já foi jovem, cabeludo e besta: Bad Habit – The Offspring (um dia vou te perdoar por causar o chilique que me fez quebrar todos os cds dos caras… sorte sua que hoje tem mp3, moleque… )

P.S. >Aliás, preciso escrever sobre isso: a habilidade de ameaçar as pessoas, quem tem irmão mais novo sabe que treinamos neles… Não lembro de uma única vez em que vi meu irmão ameaçar alguém, mesmo que houvesse motivo - já eu, afff…

É com a Lia ,

Menino ou menina?

14, janeiro, 2010

Eu queria uma filha menina quando nem queria filhos. Achava que criar uma mulher seria mais fácil, afinal somos mais inteligentes e maravilhosas… Quando meu filho nasceu, percebi que o amor é, na verdade, uma construção. Não foi o fato de gerá-lo em meu enorme barrigão que me fez amá-lo, nem o fato de ele ser o menino mais incrível do mundo; foi o tempo. Se fosse necessário gerar para amar, o pai nunca amaria seu filho ou então amaríamos tudo o que nosso corpo gera… Urghhh….

Cuidar, ver suas pequenas conquistas e superação de cada novo desafio, o cultivo da paciência e da humildade em reaprender a aprender… Ter filhos nos deixa mais maduros, mais conscientes de nosso papel no mundo e no futuro, mais corajosos na defensiva e covardes no ataque, temos muito à perder quando nos tornamos pais e ganhamos o maior presente do mundo. Ganhamos o maior medo e o maior orgulho de nossas vidas, não importa o sexo, não importa nada, na verdade. Não sei se outros pais pensam assim, mas apesar de todas as expectativas e sonhos que inventamos para nossos filhos cumprirem (e eu viajo nessas), só tenho realmente duas exigências em relação ao Américo e ao seu (sua) futuro (a) irmã(o): não morrerem antes de mim e serem felizes enquanto eu estiver olhando. Nada deve ser mais duro do que perder um filho ou sabê-lo infeliz.

Claro que o próximo eu queria uma menina, mas acho que o Américo ficaria melhor se tivesse um irmãozinho, pra ensinar as coisas de menino e ser um amigão… Só sei que ter filhos é bom para a personalidade de pessoas boas. Pessoas ruins deveriam ser castradas. Gente que não tem filhos (ou ficou tempo demais longe dos que teve para trabalhar e acabou se afastando gradualmente) vive arrumando o que fazer, sarna pra se coçar. Geralmente trata algum bicho como se fosse gente, negando sua natureza para torturá-lo com o afeto que não tiveram coragem de dar para outro ser humano. Seres humanos inevitavelmente nos decepcionam durante a convivência, animais não são capazes de nos ofender em nosso idioma, então acreditamos que eles não falam e, portanto, não nos agridem. Bom, isso não se aplica aos ailurófilos… E, também, animais geralmente morrem antes das pessoas e, assim, elas conseguem alguma atenção humana pelo sofrimento de perder seu bichinho tão importante e mais companheiro que os próprios filhos.

Eu era bem assim quando não pensava em filhos, criava gatos em casa, dormia com eles na minha cama, dividia o sofá, o sorvete, o bife, o ovo de Páscoa e passava perfume neles também…  Hoje em dia eu jamais arrumaria um desses por vontade própria, apesar de amar os bichanos do fundo meu coração motorizado. Acho que na velhice, se tiver sossego pra isso, quero criar uns no quintal do meu casarão assombrado e assustador no Hawaii.

Mas eu fugi da idéia inicial totalmente… Um dia quero conseguir concluir os pensamentos sem pular para outras idéias. Acho que isso deve ser bom para quem quer escrever um romance, afinal são muitas páginas de uma mesma história e as coisas têm que fazer sentido e não ser uma zona que nem esse post. A idéia era que não importa se é menino ou menina, o legal é se dedicar à outro ser humano e ensiná-lo a ser gente, o legal é ser a pessoa chata que vai ser referência para quando o filho for grande e tiver de ser chato com os próprios filhos. Menino e menina não são padrões de personalidade, apenas de gênero. Há meninas quietas e tímidas, há meninas que são da pá virada e até brigam bem. Há meninos terrivelmente espertos e traquinas e há meninos calados e introspectivos.

anime kids

Música? óraididen… Under my skin – Frank (my pal) Sinatra

Maternidade , , , , ,

Momento de autopiedade

10, agosto, 2009

Eu odeio a segunda, qualquer um que ler meus posts segunda-feirianos (sic!)vai notar que é um dia de cão na minha rotina. É um dia que eu questiono minha existência, mas não muito. Eu desisto, tenho certeza que existo. Mas… e o que está lá fora? Existe? Se me irrita tanto, existe? Pode ser, então vamos trabalhar com a possibilidade de que sim, tudo o que não é reflexo existe também. E interage com minha impaciência, aguça meu instinto tazmaníaco, me tira do sério em que  nunca estou.  Dureza…

Segundona é melhor dia para ir ao supermercado, aos parques, andar de bobeira… Todo mundo está trabalhando, tudo fica vazio, tudo fica melhor. Pois, gente, gente incomoda. Segunda a mania de teorizar conspirações me ocupa, a alergia da estupidez humana me ataca, a intolerância à hipocrisia me enjoa… E hoje…  Força, tia Nilva! Estou rezando por você! Acredito em sua força!

Aí eu tinha parado no parágrafo acima e trabalhado o dia todo, pois segunda é punk. Deixei pra terminar quando estivesse em casa e, advinhem: Estou melhor, pois é… Hoje eu ganhei o dia por que uma moça bonita e inteligente disse ficar inspirada quando me lê. Nosss… Eu que nem sou muito egocêntrica, ganhei o dia. Ok, eu sei que fiquei assim por que foi uma mulher e que eu admiro que fez o elogio, se fosse um homem eu, que quase nem sou presunçosa, apostaria  que é uma cantada e o elogio se tornaria suspeito em mais uma teoria de conspiração sobre minha falta de modéstia.

Ganhar o dia à parte, segunda é uma bosta.  Gente insegura com meu estilo ninja de ser altamente (d)eficiente, gente estressada que não teve um feliz dia dos pais, gente espertona que não sabe filtrar numa planilha de excel, ordens superiores de não rir da falta de graça alheia. Sabe que isso funciona? Um dia, faz cara de quem viu algo engraçado e segura a risada, olha pra alguém assim e desvie rapidamente o olhar. Se a pessoa for uma idiota como a maioria, ela vai ficar procurando nela o motivo que te faz rir (e a megalomania é contagiosa?). Aí você vai acabar rindo dela de verdade e deixá-la puta… Isso é tão idiota, né? Eu faço isso direto…

Outra coisa que resolvi fazer é escrever sobre canções… Logo mais eu apresento o link aqui. Segunda… Dia com cara de bunda (coisa que só fica bem no lugar certo, né?)

Música de segunda… deixa eu pensar numa bem legal (ok, você não precisa deixar), essa eu conheci com  minha tia e sei que ela adora:  Andanças – Elis Regina

É com a Lia , ,

Momento de autopiedade

10, agosto, 2009

Eu odeio a segunda, qualquer um que ler meus posts segunda-feirianos (sic!)vai notar que é um dia de cão na minha rotina. É um dia que eu questiono minha existência, mas não muito. Eu desisto, tenho certeza que existo. Mas… e o que está lá fora? Existe? Se me irrita tanto, existe? Pode ser, então vamos trabalhar com a possibilidade de que sim, tudo o que não é reflexo existe também. E interage com minha impaciência, aguça meu instinto tazmaníaco, me tira do sério em que  nunca estou.  Dureza…

Segundona é melhor dia para ir ao supermercado, aos parques, andar de bobeira… Todo mundo está trabalhando, tudo fica vazio, tudo fica melhor. Pois, gente, gente incomoda. Segunda a mania de teorizar conspirações me ocupa, a alergia da estupidez humana me ataca, a intolerância à hipocrisia me enjoa… E hoje…  Força, tia Nilva! Estou rezando por você! Acredito em sua força!

Aí eu tinha parado no parágrafo acima e trabalhado o dia todo, pois segunda é punk. Deixei pra terminar quando estivesse em casa e, advinhem: Estou melhor, pois é… Hoje eu ganhei o dia por que uma moça bonita e inteligente disse ficar inspirada quando me lê. Nosss… Eu que nem sou muito egocêntrica, ganhei o dia. Ok, eu sei que fiquei assim por que foi uma mulher e que eu admiro que fez o elogio, se fosse um homem eu, que quase nem sou presunçosa, apostaria  que é uma cantada e o elogio se tornaria suspeito em mais uma teoria de conspiração sobre minha falta de modéstia.

Ganhar o dia à parte, segunda é uma bosta.  Gente insegura com meu estilo ninja de ser altamente (d)eficiente, gente estressada que não teve um feliz dia dos pais, gente espertona que não sabe filtrar numa planilha de excel, ordens superiores de não rir da falta de graça alheia. Sabe que isso funciona? Um dia, faz cara de quem viu algo engraçado e segura a risada, olha pra alguém assim e desvie rapidamente o olhar. Se a pessoa for uma idiota como a maioria, ela vai ficar procurando nela o motivo que te faz rir (e a megalomania é contagiosa?). Aí você vai acabar rindo dela de verdade e deixá-la puta… Isso é tão idiota, né? Eu faço isso direto…

Outra coisa que resolvi fazer é escrever sobre canções… Logo mais eu apresento o link aqui. Segunda… Dia com cara de bunda (coisa que só fica bem no lugar certo, né?)

Música de segunda… deixa eu pensar numa bem legal (ok, você não precisa deixar), essa eu conheci com  minha tia e sei que ela adora:  Andanças – Elis Regina

É com a Lia , ,

Pintada para guerra

18, maio, 2009

Sempre ouvi que mulheres e índios se pintam quando vão pra guerra… E nunca saio de casa sem rímel, ou me sinto nua. As coisas mudam muito, tudo muda na vida. E eu mudo junto, crio novas armaduras, possibilidades. Adorar desafios é viver juntando sarna pra se coçar. Eu adoro essa coceira… Sinto cada vez mais que posso cada vez mais, que quero cada vez mais, atingir cada vez mais longe, dominar esse mundo medíocre e chato de meos Deuses… Se pelo menos a hipocrisia diminuísse, se pelo menos o mau gosto ficasse mais longe, se pelo menos a falsidade pegasse mais leve… Se pelo menos o mundo fosse menos irracional, eu seria menos crítica, mais doce, menos ácida, mais tragável…

Mas isso não acontece e a cada dia a batalha recomeça. Saio de casa pintada pra guerra, pra combater a estupidez, pra tirar os ignorantes de perto, pra ser heroína…  Salvar meus mocinhos, lutar por eles, pelo mundo que construímos juntos a cada dia, eles são meu espinafre e kriptonita, são minha força e fraqueza, são a inspiração… Não, esse altruísmo todo não é típico de uma moça tão malvada quanto eu. É que se tudo estiver em paz, se eles estiverem seguros, se a vida for mais fácil pra nós e pra todo mundo sem que eu me sinta culpada por ter sorte na vida, poderei relaxar e descansar, um dia…

Música pra googlar nessa segunda de quinta categoria: Yesterday News – The Gossip (Essa vocal é uma diva… ao contrário das lady gaga da vida, que se preocupam em afinar a máquina de acasalamento, a fofa dessa banda tem voz, muita, dá gosto de ouvir bem alto… Ouve aí! )

Brisas , , ,

Dias das Mães (pra quem ainda tem coragem)

7, maio, 2009

Aí, outro dia eu ouço no rádio do carro uma propaganda de revista cuja manchete era “Licença Maternidade de 2 anos é possível” ou algo que o valha. E o locutor seguia desfiando a idéia de que se a mulher se preparar ($$) com antecedência, pode ficar os primeiros dois anos com a cria sem falir. A tal revista é voltada para o público feminino, principalmente o que trabalha fora (leia-se remuneradamente, por que trabalhar em casa é sujo, pesado, escravocrata e quase nada reconhecido pelos “patrões”). Achei a tal matéria uma puta hipocrisia. Nem a li, na verdade e, portanto, minha opinião talvez seja só mais uma crise de achismo. Mas pelo menos é uma opinião baseada na experiência real de mercado de trabalho que vivo desde os 15 anos. O fato é que a maioria das mulheres nos trabalhos burocráticos não têm filhos. As que têm, ou tiveram muito cedo, ou muito tarde, dessas poucas mães são raras as que têm mais de um filho, algumas têm gêmeos por que assim é uma licença só pra dois e é fácil conseguir gêmeos quando se engravida com técnicas de reprodução assistida. Fala-se de mulher no mercado de trabalho, mas não se fala da mãe. Sim, vida pessoal e vida profissional devem estar separadas. É? Como mãe eu digo que sou uma profissional muito mais responsável por ter um filhote em casa que depende do que ganho com meu trabalho, e isso me deixa muito mais mansa.

Fato é que a maioria dos patrões, quando vão contratar mulheres, preferem as que não têm filhos e nem pretendem. As que têm filhos pequenos precisam dar certeza que nunca vão precisar deixar o trabalho pra cuidar de assuntos da maternidade (ter babá no tronco de casa 24 horas por dia, ter avó no tronco de casa, ter alguém no tronco pra levar as chibatadas do padecer no paraíso por você) ou você pode ficar bem atrás da concorrência das que decidiram que ser mãe dá muito trabalho. Realmente dá, realmente desfavorece quem precisa ser workaholic pra mostrar competência, realmente não é fácil ser mãe e profissional. Mas há quem consiga e há até quem tire de letra. Uma dia quero tirar de letra e não apenas conseguir.

Meu plano de curto prazo é diminuir minha carga de trabalho pra meio período. Por enquanto não dá, mas penso que ano que vem há de ser. Sim, eu adoro ficar em casa cuidando de casa e de filho. Sim, eu enlouqueceria se só fizesse isso. Mas acho que conciliar faz parte do bem-estar. Vou trabalhar melhor se não me sentir culpada por passar o dia todo longe dele, vou cuidar melhor  se tiver mais tempo pra ele, vou ser mais feliz se conseguir o que quero, eu acho. É importante ter mais tempo pra cuidar das coisas da casa, das pessoas da minha vida. Trabalhar dignifica esse tempo, que será muito mais valorizado. Dinheiro? Vai ficar em segundo plano. Eu sei que não tenho como competir com mulheres que fazem da carreira profissional a vida delas. Só sei que tenho pena… Minha vida tem mais vida e não é uma crise internacional que vai abalar as estruturas de amor que um lar oferece. Nesse dia das Mães eu só queria mesmo propôr uma reflexão pras mães de filhos únicos: ter outro filho pode atrapalhar sua carreira, mas não tê-lo pode atrapalhar o desenvolvimento de seu filho. Geralmente os pais morrem antes de seus filhos, e um filho único fica sem família quando isso acontece. Feliz Dia das mães, pra todas as corajosas e medrosas desse mundo. Feliz Dia das mães, mãe! Te Amoo! Obrigada pelo Pequia (hoje mais conhecido como tio Otto) Amo vocês!

cat_kitten1

Música pra googlar e dançar  – minha mãe que me ensinou a gostar desse cara: You’ve lost that lovin’ feeling – Johnny  Rivers

P.S do dia seguinte: Quando fiquei pensando nesse texto depois de postado, foi inevitável pensar que faltou citar o Idiocracy. A mulherada muito inteligente demais pra deixar a carreira de lado e criar filho está deixando o mundo mais burro…

Brisas , , ,

Mi casa, su casa

15, abril, 2009

Quando saímos da casa dos pais, nunca mais somos os mesmos. É difícil voltar. Eu sei bem disso por que já o fiz duas vezes. Nunca mais você se sente em casa quando está na casa de outra pessoa, é muito desconfortável não ser senhor dos próprios domínios. Mesmo que seja a casa dos pais, é complicado sentir seu comportamento vigiado mais uma vez, é super chato levar uma bronca por deixar seu quarto desarrumado quando não se tem mais idade para ter apenas um quarto… Sem contar a prática da coisa: o modo que fazemos e o modo que esperam que seja feito, o modo que gostamos e o que esperam que gostemos, o que nos diverte e o que diverte a todos em conjunto. Enfim, a liberdade vai pras cucuias. Liberdade é altamente viciante, pra maioria das pessoas normais como eu só é preciso de uma dose. Nunca mais você quer se livrar da liberdade de ter toda a responsabilidade nas suas costas, de ter todo o espaço sob seu desleixo pessoal, de ter seu horário pra lavar a roupa. Enfim…. Enfim… Isso é que é vida pra mim. Eu sou caramuja pra caramba. Minha casa é meu reino, sem dúvida. Sou muito mais passar uma tarde inteira enfiada na frente da TV assistindo alguma série besta do tipo “The Big Bang Theory” do que sair de casa. A menos que seja pra ir numa temakeria… E agora vou morar no cup de sampa, praticamente na Paulista, praticamente perto de tudo, praticamente muito urbano, praticamente o inverso do que imaginava que seria tão ideal antes de sair da casa da mamãe a primeira vez. O sonho de virar caiçara, de viver longe da civilização urbana, de ter contato com a natureza fica cada vez mais pra quando eu estiver velhinha e gagá demais pra poder brincar de Tarzan. Mas tudo bem… Talvez a tecnologia invente cipós rolantes pra quando eu chegar lá… Ou não. Who cares?

P.S. Ultimamente anda sem música, né? Eu ainda estou pensando numa mentira engraçada pra usar como desculpa… Mas a verdade  é que bloquearam temporariamente o Youtube aqui e eu teria de procurar em casa… Mas prefiro evitar a fadiga. Além do mais, nem sei se alguém além de mim assiste aos vídeos que coloco….

Brisas , ,

Companheiro de barriga – "Pequia"

22, outubro, 2008

Espero que ele não fique super bravinho, adora fazer um tipo reservado e ranzinza o meu irmão. Putz, meu único irmão, meu melhor amigo. Por ele é que vou fazer um(a) irmãozinho(a) pro meu pequeno. Por ele é que sou o que sou hoje e sem ele minha história não teria significado nada. Parece exagero? Tenho uma teoria… Ok. Não quero falar a teoria do que penso sobre ter irmãos ou ser filho único nesse post. Quero falar dele, do Pequia. Claro, esse não é seu nome. Na verdade, era pra ser Wellington, mas diz a lenda que o “cara do cartório” nao sabia escrever isso, então nosso progenitor sacou a cédula de identidade e disse: ” – Então copia esse nome aí, seu analfabeto!”. Não duvido muito da lenda porque nosso pai não era bem um exemplo de elegância e paciência. E aí ficou o mesmo nome do meu pai, um nome que parece um espirro. Eu não sabia falar seu nome quando nasceu. E quando tentava pegá-lo do berço pra brincar, como se ele fosse um boneco, mi madre sempre dizia que eu não podia, que ele era pequeno. Eu também não sabia falar pequeno, repetia: ” – Ele é pequia, mamái?”. Foi seu primeiro apelido e durou a infância toda – PEQUIA! Ele não se incomodou com o apelido nos primeiros 12 anos de sua vida e sei que sempre, no fundo de sua mente, seu apelido secreto é Pequia; será esse nome que ele vai usar se um dia precisar esconder sua identidade enquanto brinca de super herói, e fui eu que batizei.

Meu irmão, na verdade, não é o tipo que brinca de herói valentão, mas de “Rei da Razão”. Ele sempre foi muito mais pacífico, mais “bonzinho” que eu. Deixávamos la madre louca! Claro, a culpa quase sempre era minha, que o levava junto. Muito ciúme, ele nasceu e eu ainda mamava no peito, só um ano e dois meses de diferença. Já fiquei ressentida aí. Então, quando ele tinha só três meses de vida, um procedimento mal feito no hospital resultou em infecção, pneumonia e o escambau. Ele, que chegou ao hospital aos três meses e pesando seis quilos, saiu aos seis meses pesando três, depois de extrema-unção e até atestado de óbito. Imagina que mi madre ficou muito mals, não saía de perto dele no hospital. E eu, que tinha uma saúde de ferro, ficava meio em segundo plano. Durante toda a infância ele teve a saúde mais frágil, mas isso não me impediu de judiar bastante, como uma boa irmã mais velha e ciumenta. A gente brigava por tudo e qualquer coisa. Se hoje eu sei brigar pelo que quero, aprendi com ele.

Tinha um terceiro irmão, que não era filho da nossa mãe, mas da irmã dela. Nosso primo Guto, que é apenas vinte um dias mais velho que eu, mas sobre ele vou escrever em outro post. Ele morou conosco durante os anos dourados da infância, era nosso parceiro de fugas e campeonatos de arroto. Meu irmão sempre tentava imitá-lo, mas aos oito anos ele foi morar com a mãe e aí éramos só nós, de novo. Brigas e brigas, altas cicatrizes nele, o menino parecia podre mesmo. Uma vez, depois de ter levado uma super mordida canibal no ombro, ele me deu um soco no nariz daqueles que tiram sangue, tinha catorze anos e já estava mais alto. Nunca mais eu poderia ser mais forte então paramos de brigar e começamos a discutir. Ele, na busca da propria personalidade, foi se distanciando, e eu também. Dois adolescentes que queriam ser diferentes, ter outros referenciais. Eu fui a rebelde, ele foi o ajuizado. Seu temperamento me fazia defendê-lo dos valentões na infância, da adolescência até hoje é ele quem me defende. E ele é grande, viu?

Sempre foi um político nato, o tipo que conhece até os cachorros de rua pelo nome. Dirige melhor que eu, me salva quando eu mato o computador, entende mais dos mecanismos ocultos da economia nacional, é mais cabeçudo, mas sempre perde pra TV quando está passando qualquer jogo de futebol, não importa se for campeonato da série J do Ziniguistão, ele assiste. Comia até pedra quando era pequeno, hoje tem várias frescuras pra comer. Urbano no nível máximo, o melhor que ele já pescou foi a própria orelha aos sete anos (e eu que tirei o anzol, hahaha). Caramba, meu irmão é um oposto, mas é totalmente complementar. Sem ele eu seria muito pior, com certeza… E ontem sua obra-prima completou 5 anos de vida, meu único sobrinho, o Thomas. Parabéns, Buliga! Eu queria ter tido um pai tão legal quanto o seu!

Uma música que ele ama: Nothing else matters – Metallica

Brisas

A tia Dirce…

2, outubro, 2008

Começando a temporada de caça às bruxas, ou melhor, de histórias quase reais da minha ilustre família, decidi começar com a pessoa mais… bom, não sei uma só palavra pra definí-la. Por isso resolvi fazer um texto sobre a tia Dirce. Na verdade, ela é minha tia-avó, irmã da minha avó materna. Lembro de quando as duas brigavam em espanhol, minha avó boca suja, una malagueña muy orgullosa y valiente, mandava a tia pra tudo que era canto, e ela, fanática religiosa como sempre, ficava resmungando “Jesús! Cubre con tu sangre!” Eu, meu irmão e meu primo Guto, três pestes entre 5 e 7 anos, ficávamos arremedando e rindo que nem idiotas. Ela ficava p da vida e corria atrás da gente, era a glória!

Pensa numa bruja vieja. Sim, a tia DIrce sempre teve essa cara e, um dia, sei que a genética falará mais alto e não haverá pinça que dará conta dos pêlos das minhas verrugas. Mas enquanto ainda sou só uma feiticeira, posso fazer veneninho com a cara da tia. Desde que eu nasci ela é velha, muito mesmo. Mas um grande mistério da humanidade é o fato de, aos 78 anos de idade, ela não ter nenhum cabelo branco e nunca ter tingido os mesmos (sua religião não permite quase nada, só falar mal dos outros). Aliás, o cabelo dela é uma entidade. Ele não cresce, e ela fica louca com isso. Seu figurino é o de uma bruxa mesmo, mas quando ela inventa de pregar pedaços de babosa com grampos pela cabeça, fica um primor de alegoria. Ela também adora fazer coques com cabelos estranhos, e não fica nada discreto…

Diz a lenda que quando ela nasceu, tinha um “chifre” na testa e que seu pai queria jogá-la no rio por achar que se tratava de coisa do “demo”. Sua mãe não permitiu, claro, leoa como sua linhagem, e criou a penúltima filha, que era realmente diferente dos outros. A lenda também diz que até uns 9 anos de idade ela não falava nada, só cantarolava coisas como “lalala”. O lendário chifre não existe mais, nunca tive coragem de perguntar pra ela se é verdade, e também evito a fadiga. Ela parece ser meio surda, mas também parece que escuta muito quando se trata de alguma fofoca. E também é meio lelé quando quer. Um exemplo: ela odeia que deixem o portão de casa aberto, um dia comentou: “Portão que deixa aberto é o da padaria, do mercado. Mas se você vai no mercado e leva uma bolsa grande, tem que deixar no guarda volume!” Dizem que o pensamento dela sempre foi assim, que ela sempre foi assim.

E apesar de muito estranha, ela trabalhou durante quase 20 anos e se aposentou por invalidez (alguém percebeu que ela não batia muito bem da cuca depois desse tempinho), ficou casada por quase dez anos e não teve filhos, nunca teve outro homem na vida, tem habilitação para dirigir, vai pra igreja super protestante de extrema direita onde as pessoas se vestem como se fossem pr’um casamento todos os dias, cozinha muito mal, mas vive inventando maneiras de aproveitar alimentos e fazer coisas horríveis pra toda família experimentar (temos amor pela vida e fingimos que vamos guardar pra comer depois, pois acabamos de lanchar, sempre), não assiste TV ou ouve rádio, não lê jornais, só faz crochê. Higiene também não é lá o forte dela, nem paciência com crianças. Parece que os pequenos percebem isso e sentem um imenso prazer sádico em quebrar suas plantas e mostrar-lhe a língua.

Apesar de muito solitária, ela não perturba nenhum mamífero com sua carência, além de nós da família. Já teve uns passarinhos, mas acabou matando os bichinhos por excesso de comida. Não curte cachorro, muito menos gato. Fala cuspindo, muito, e pegando. Suas verrugas pinicam e ela fala portunhol quando quer meter o pau em alguém. Todo mundo entende tudo, mas ela dá uma de louca e tudo certo. E por tantos encantos é que a tia Dirce é um capítulo importante da minha vida. Não sou muito próxima afetivamente, não temos muita afinidade além da praga que ela jogou de que serei eu a próxima louca da família. Mas, ela foi e é muito importante, quando minha mãe se separou do meu pai, ela ajudou mais do que minha avó . De certa forma, ela é minha avó desde que a Dona Julia foi pra luz. Tia Dirce, uma figura. Ainda vou fazer um vídeo dela e colocar no youtube pra vocês verem que encanto…

Música da família na versão mais original possível: La Malagueña – Plácido Domingo

Brisas ,