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Textos com Etiquetas ‘Família’

Decepção genética

29, julho, 2010

É triste ver alguém que você conhece bem ser tão malignamente manipulado ao ponto de a pessoa deixar de ser quem era. Religião é uma grande sujeira, sabe? Pessoas quase sempre mal intencionadas usam a fé de outras para tirar proveito. Isso acontece com uma pessoa que amo muito e não posso fazer nada para abrir-lhe os olhos, apenas assistir entristecida todas as burrices que essa pessoa faz em nome de um ‘mentor’ que não serviria nem pra capacho. Se eu tivesse o superpoder de escapar ilesa de crimes hediondos (leia-se fortuna para contratar o Marcio Thomaz Bastos como advogado), executaria na facada um monte de ‘líderes’ religiosos que não religam nada, só alienam as pessoas do que é verdadeiro. Estou decepcionada, esperava mais inteligência… Até quando as pessoas vão buscar iluminação em caminhos apagados pela mentira? Até quando as pessoas buscarão conforto no alheio em vez de se prepararem para o confronto com a verdade sobre elas mesmas? Dude, muita decepção… Não foi a minha pica que quebrou dessa vez… Quem quebrou, acho que ainda não percebeu.

Som, né? Back on Earth – Ozzy Osbourne

P.S. É muito foda, dói ver alguém que se ama tornar-se um fanático religioso…

É com a Lia ,

A lei sagrada

8, março, 2010

Ainda bem que existe uma lei suprema garantindo que colhemos aquilo que plantamos. Talvez não seja colhido com nossas mãos, mas em geral vivemos para ver os nossos fazê-lo, como uma  benção ou maldição, esta é a roda da vida.  Não que minha vida seja exemplo, mas nunca plantei ventos  por maldade pura, inveja ou ciúmes… os que fiz foi por burrice mesmo. Prefiro acreditar que quem me molha com suas tempestades é burro também, dói menos do que admitir que sou alvo da infelicidade alheia. Acredito, mesmo, que só gente infeliz é puramente má, invejosa e/ou ciumenta; gente feliz faz o mundo mais feliz. E gente feliz não usa seu tamanho de baleia transformer para intimidar mulheres. Qualquer homem que tenta intimidar fisicamente uma mulher que não o está agredindo é um cagalhão de merda, que merece ver o próprio nariz apodrecer.

Hoje é segunda, péssimo dia pra ser mulher, nem quero também falar sobre isso…

Esse findi foi aniversário do meu outro amor, fiz tudo bonitinho, preparei com todo carinho o bolo, os doces, churrasco e a festa foi um sucesso até o fim, apesar de tudo foi um sucesso, sim. Eu, ele e o Américo nos divertimos muito e ficamos felizes com o resultado, isso que importa. Se algum infeliz se incomodou com nossa alegria, que não se preocupe em comparecer à próxima reunião. Tem gente que não faz a menor falta mesmo…

Mas é isso, meu amor ficou com um novo número de idade e é tudo de bom, ele evolui rápido… O que eu tenho pra desejar pro Gui é que seja muito feliz e que a vida seja sua amante, junto comigo. Meu Guizuka Vida, te quero pra sempre e obrigada por existir. A gente sabe que a gente tem aquilo que só a gente sabe… E só a gente é capaz de manter ou arruinar isso, mais ninguém.

Música pra lembrar de que te amo tudo, tudo : Você não vai me conquistar – Revoltz (único vídeo dessa música, mas é melhor que nada…)

É com a Lia

Coisas que se passaram com o tio Oto.

18, fevereiro, 2010

Ele nasceu, dia 22 de janeiro de 1983, quase 4 kilos, lindo, saudável, caçula. Com 3 meses de vida, uma injeção infectada (diz a lenda, tá?) o fez pegar uma inflamação, que resultou em pneumonia dupla e galopante que o fez ficar 3 meses internado, tomar extrema-unção e quase ter um atestado de óbito. Isso é só o começo. Pra finalizar o primeiro fato, ele entrou com 3 meses no hospital com 6 kilos e saiu, aos 6 meses, com 3 kilos…. a fonte de tal informação é nossa madre.

Quando ele ainda engatinhava, sua irmã, que já tinha mania de escrever, enfiou-lhe uma caneta na moleira quando tentou pegar dela. A mesma também lhe abriu o forno para ensinar-lhe a pegar bolo e ele, ao subir na porta e virar o eletroméstico, ganhou uma cicatriz no queixo com tantos pontos que parecia barba. Também passou por um incêndio onde moravam, no quinto andar, começado acidentalmente por sua irmã que brincava com fósforos enquanto todos dormiam numa linda manhã de final de semana (será? na minha memória, era sábado ou domingo) – saiu asfixiado e espumando de lá. Isso tudo antes dos 3 anos.

Uma vez ele tentou pescar, era sua primeira vez com a vara na mão  e pegou a própria orelha, também há testemunhas oculares do Reveillón (ou Natal?) em que ele cumprimentou o Bobby, o cachorro, latindo e explicou, super naturalmente, que estava falando a língua do animal. Teve também uma vez em que ele cabulou o colégio e se escondeu embaixo da cama, só que dormiu. Começou a roncar e mi madre ouviu, pegou no flagra o meliante. Jogando futevolley na praia, colocou a bola num montinho já preparado, só que embaixo tinha um grande pedregulho e lhe quebrou vários ossinhos do pé. Teve os mesmos dedos quase fatiados anos antes pela roda traseira da bicicleta Ceci que sua irmã pilotava sem saber fazer curvas e o levava de garupa.

Sua irmã dizia “esse menino é podre”, brigava com ele, testava. Foram parceiros de disputas, dividiam quase tudo, uniam-se contra a mãe quando o interesse era de ambos. Mas ele era notoriamente mais acidentado, enquanto a irmã nunca levou um ponto. Numa tarde em que chegou da escola empolgado dançando lambada, escorregou no tapete, bateu a cara numa quina e abriu o supercílio milímetros acima de onde já tinha aberto anos antes, depois de ser empurrado pela irmã na máquina de costura. Numa briga em que deu uma vassourada na irmã e esta revidou jogando uma escova de cabelo, ele levou meia dúzia de pontos na cabeça, a irmã ficou se achando por estar bem longe durante o lançamento. Na última briga com esta, ela tinha quatorze anos, ele levou uma mordida no ombro e a deixou de olho roxo e nariz sangrando, então ficaram mais amigos, a irmã virou pacifista.

Fazia o tipo sociável, uma criança fofa, muito fofa, que falava com todo mundo, andava na rua virando estrelinhas, subia em tudo, conhecia até os bichos da vizinhança pelo nome. Era o bonzinho, oposto de sua irmã chamada de ‘capeta’ até pelos professores. Na escola, o tio Oto era celebridade. Menino branquelo, o mais branquelo da formatura do pré, ao começar o ensino fundamental pegou uma turma que funcionava que nem a novela Carrossel, da mesma época. Apesar de ser uma escola de periferia tinha apenas 12 salas e uma diretora lendária, a Dona Shirley, que gostava do que fazia e era uma boa pessoa, competente, durona. A professora do tio Oto, a dona Juraci, foi a mesma até quase a sétima série, e a turma também, mesmos alunos. Só a turma deles era assim na escola, o que permitia muita união, era a turma mais legal… A irmã estava um ano na frente, tão popular quanto ele mas pelos motivos errados, quando ela resolveu entrar para o Grêmio Estudantil, com a chapa M.E.R.D.A (Movimento Estudantil Revolucionário dos Alunos – pô, tinha 12 anos, a sigla era mais importante que o significado) ele também se interessou e tinha muito mais habilidade política. Os dois passaram a ser os dois cabeções…

Ela começou a aprender inglês e levava o maior jeito, ele levava mais jeito ainda, pois aprendia com ela por osmose, sem nunca ter feito uma aula. Ficou quase tão hábil quanto ela em inglês e um pouco menos hábil em espanhol (lorrinha foi frolic, hahahaha). Praticavam, basicamente, para conversar sem que a madre entedesse o assunto, ela ficava doida. Muito mais hábil em informática, hoje ele é O analista workaholic que adora saber cada vez mais.Teve caxumba, rinite, chato (não sei se ele realmente já teve chato, mas ele era chato e eu vivia provocando com a pergunta cavilosa ‘tá chateado?’).

Aí, na adolescência, resolveu fazer uma tatuagem, pois sua irmã já tinha e ele acabava sempre fazendo o que ela fazia (péssimo exemplo). A idéia inicial e permitida pela madre era fazer um dragão nas costas mas, ao chegar ao estúdio, o ‘espertão’ se encanta por um desenho menos tradicional de um cachorro enrabando uma boneca e o faz, em bold line. Não demorou para o pai de alguma namorada achar aquilo o cúmulo e ele resolver cobrir o desenho com um, então, dragão. Nunca terminou a tatuagem, tem um borrão nas costas.

Quando soube que seria pai, estava de licença médica por um acidente que quase lhe custou a perna e lhe deixou o tornozelo meio podre. Acabou perdendo o emprego e ganhando um filho lindo. Não era planejado, ele tinha terminado com a namorada fazia algum tempo, mas ainda se viam às vezes… Acabaram ficando juntos algum tempo, ele queria ver o filho crescer, mas não deu certo o ‘casamento’, ela era muito ciumenta por ele ser dez anos mais novo e ele queria mais é ser livre. Queria mesmo é ser pai do filho de que tanto se orgulha, continua vendo o filho na medida que a mãe permite, pois demorou pra que aceitasse a separação.

Ele gosta de ser chamado de Tom, Oto ou de Drumond, parece vaidoso mas é relaxado pra caaa.. deve ser genético. É o tio favorito do Américo, o que ele mais fala e que mais se parece com ele. Obedece o tio Oto não importa o que seja, comer, tomar banho, dormir. É uma maravilha quando está por perto… É um pai admirado, nunca o vi se alterar com o filho, é firme e carinhoso. Esperamos outro sobrinho para logo mais, que Hécate abençõe a união dele com a Guaciara e que seja uma criança linda e saudável como o Thomas – de preferência menina, viu? Já tem homem demais nessa família…

foto by ‘la madre’

Música pro meu brother, que se recupera de uma cirurgia no joelho podre (lady murphy no time adversário): Release me – Pearl Jam

É com a Lia

Tio Oto, o modafoca…

22, janeiro, 2010

Hoje é sexta, perceberam? Dia muito importante:  aniversário do meu grande irmãozinho. Ele é totalmente diferente de mim, é uma boa pessoa que tem um gosto musical duvidoso, gosta de programas de TV duvidosos, insiste em ser atlético mesmo sabendo que a lady murphy sempre está no time adversário. Ele ficou alto depois dos 14 anos e por isso nunca mais brigamos… SOMOS BROTHERS!!!

Feliz Aniversário, Uó!!!  Mahalo! Mahalo â nui no kou kôkua pono! Poxa, que dia sexy para se completar 27 anos, né? Sexta… Saiba que Sheeva te abraçará e lhe dará um novo nascimento hoje, tudo pode ser como você quer, afinal só você tem as rédeas de sua vida. Quero que você seja feliz, faça seus amores felizes e tenha muita coisa pra contar quando ficar velho de verdade. Quem sabe agora você não entra numa crise de meia idade (afinal, você é véio, véio…) e resolve ser aborrescente de novo e vai no show do Metallica comigo mesmo de tala no joelho e tudo (assim não precisamos pegar fila também… hein? heinn??)

Você merece ser muito feliz, iluminado por energias e pessoas boas com vidas felizes. Te espero em casa amanhã pra pegar uma piscina e comer umas receitas do Japon que vou fazer especialmente pra você, modafoca! TE AMO TERRIVELMENTE!!!

Beijosssss na bundinha de nego e uma música pra você lembrar que já foi jovem, cabeludo e besta: Bad Habit – The Offspring (um dia vou te perdoar por causar o chilique que me fez quebrar todos os cds dos caras… sorte sua que hoje tem mp3, moleque… )

P.S. >Aliás, preciso escrever sobre isso: a habilidade de ameaçar as pessoas, quem tem irmão mais novo sabe que treinamos neles… Não lembro de uma única vez em que vi meu irmão ameaçar alguém, mesmo que houvesse motivo - já eu, afff…

É com a Lia ,

Menino ou menina?

14, janeiro, 2010

Eu queria uma filha menina quando nem queria filhos. Achava que criar uma mulher seria mais fácil, afinal somos mais inteligentes e maravilhosas… Quando meu filho nasceu, percebi que o amor é, na verdade, uma construção. Não foi o fato de gerá-lo em meu enorme barrigão que me fez amá-lo, nem o fato de ele ser o menino mais incrível do mundo; foi o tempo. Se fosse necessário gerar para amar, o pai nunca amaria seu filho ou então amaríamos tudo o que nosso corpo gera… Urghhh….

Cuidar, ver suas pequenas conquistas e superação de cada novo desafio, o cultivo da paciência e da humildade em reaprender a aprender… Ter filhos nos deixa mais maduros, mais conscientes de nosso papel no mundo e no futuro, mais corajosos na defensiva e covardes no ataque, temos muito à perder quando nos tornamos pais e ganhamos o maior presente do mundo. Ganhamos o maior medo e o maior orgulho de nossas vidas, não importa o sexo, não importa nada, na verdade. Não sei se outros pais pensam assim, mas apesar de todas as expectativas e sonhos que inventamos para nossos filhos cumprirem (e eu viajo nessas), só tenho realmente duas exigências em relação ao Américo e ao seu (sua) futuro (a) irmã(o): não morrerem antes de mim e serem felizes enquanto eu estiver olhando. Nada deve ser mais duro do que perder um filho ou sabê-lo infeliz.

Claro que o próximo eu queria uma menina, mas acho que o Américo ficaria melhor se tivesse um irmãozinho, pra ensinar as coisas de menino e ser um amigão… Só sei que ter filhos é bom para a personalidade de pessoas boas. Pessoas ruins deveriam ser castradas. Gente que não tem filhos (ou ficou tempo demais longe dos que teve para trabalhar e acabou se afastando gradualmente) vive arrumando o que fazer, sarna pra se coçar. Geralmente trata algum bicho como se fosse gente, negando sua natureza para torturá-lo com o afeto que não tiveram coragem de dar para outro ser humano. Seres humanos inevitavelmente nos decepcionam durante a convivência, animais não são capazes de nos ofender em nosso idioma, então acreditamos que eles não falam e, portanto, não nos agridem. Bom, isso não se aplica aos ailurófilos… E, também, animais geralmente morrem antes das pessoas e, assim, elas conseguem alguma atenção humana pelo sofrimento de perder seu bichinho tão importante e mais companheiro que os próprios filhos.

Eu era bem assim quando não pensava em filhos, criava gatos em casa, dormia com eles na minha cama, dividia o sofá, o sorvete, o bife, o ovo de Páscoa e passava perfume neles também…  Hoje em dia eu jamais arrumaria um desses por vontade própria, apesar de amar os bichanos do fundo meu coração motorizado. Acho que na velhice, se tiver sossego pra isso, quero criar uns no quintal do meu casarão assombrado e assustador no Hawaii.

Mas eu fugi da idéia inicial totalmente… Um dia quero conseguir concluir os pensamentos sem pular para outras idéias. Acho que isso deve ser bom para quem quer escrever um romance, afinal são muitas páginas de uma mesma história e as coisas têm que fazer sentido e não ser uma zona que nem esse post. A idéia era que não importa se é menino ou menina, o legal é se dedicar à outro ser humano e ensiná-lo a ser gente, o legal é ser a pessoa chata que vai ser referência para quando o filho for grande e tiver de ser chato com os próprios filhos. Menino e menina não são padrões de personalidade, apenas de gênero. Há meninas quietas e tímidas, há meninas que são da pá virada e até brigam bem. Há meninos terrivelmente espertos e traquinas e há meninos calados e introspectivos.

anime kids

Música? óraididen… Under my skin – Frank (my pal) Sinatra

Maternidade , , , , ,

Momento de autopiedade

10, agosto, 2009

Eu odeio a segunda, qualquer um que ler meus posts segunda-feirianos (sic!)vai notar que é um dia de cão na minha rotina. É um dia que eu questiono minha existência, mas não muito. Eu desisto, tenho certeza que existo. Mas… e o que está lá fora? Existe? Se me irrita tanto, existe? Pode ser, então vamos trabalhar com a possibilidade de que sim, tudo o que não é reflexo existe também. E interage com minha impaciência, aguça meu instinto tazmaníaco, me tira do sério em que  nunca estou.  Dureza…

Segundona é melhor dia para ir ao supermercado, aos parques, andar de bobeira… Todo mundo está trabalhando, tudo fica vazio, tudo fica melhor. Pois, gente, gente incomoda. Segunda a mania de teorizar conspirações me ocupa, a alergia da estupidez humana me ataca, a intolerância à hipocrisia me enjoa… E hoje…  Força, tia Nilva! Estou rezando por você! Acredito em sua força!

Aí eu tinha parado no parágrafo acima e trabalhado o dia todo, pois segunda é punk. Deixei pra terminar quando estivesse em casa e, advinhem: Estou melhor, pois é… Hoje eu ganhei o dia por que uma moça bonita e inteligente disse ficar inspirada quando me lê. Nosss… Eu que nem sou muito egocêntrica, ganhei o dia. Ok, eu sei que fiquei assim por que foi uma mulher e que eu admiro que fez o elogio, se fosse um homem eu, que quase nem sou presunçosa, apostaria  que é uma cantada e o elogio se tornaria suspeito em mais uma teoria de conspiração sobre minha falta de modéstia.

Ganhar o dia à parte, segunda é uma bosta.  Gente insegura com meu estilo ninja de ser altamente (d)eficiente, gente estressada que não teve um feliz dia dos pais, gente espertona que não sabe filtrar numa planilha de excel, ordens superiores de não rir da falta de graça alheia. Sabe que isso funciona? Um dia, faz cara de quem viu algo engraçado e segura a risada, olha pra alguém assim e desvie rapidamente o olhar. Se a pessoa for uma idiota como a maioria, ela vai ficar procurando nela o motivo que te faz rir (e a megalomania é contagiosa?). Aí você vai acabar rindo dela de verdade e deixá-la puta… Isso é tão idiota, né? Eu faço isso direto…

Outra coisa que resolvi fazer é escrever sobre canções… Logo mais eu apresento o link aqui. Segunda… Dia com cara de bunda (coisa que só fica bem no lugar certo, né?)

Música de segunda… deixa eu pensar numa bem legal (ok, você não precisa deixar), essa eu conheci com  minha tia e sei que ela adora:  Andanças – Elis Regina

É com a Lia , ,

Momento de autopiedade

10, agosto, 2009

Eu odeio a segunda, qualquer um que ler meus posts segunda-feirianos (sic!)vai notar que é um dia de cão na minha rotina. É um dia que eu questiono minha existência, mas não muito. Eu desisto, tenho certeza que existo. Mas… e o que está lá fora? Existe? Se me irrita tanto, existe? Pode ser, então vamos trabalhar com a possibilidade de que sim, tudo o que não é reflexo existe também. E interage com minha impaciência, aguça meu instinto tazmaníaco, me tira do sério em que  nunca estou.  Dureza…

Segundona é melhor dia para ir ao supermercado, aos parques, andar de bobeira… Todo mundo está trabalhando, tudo fica vazio, tudo fica melhor. Pois, gente, gente incomoda. Segunda a mania de teorizar conspirações me ocupa, a alergia da estupidez humana me ataca, a intolerância à hipocrisia me enjoa… E hoje…  Força, tia Nilva! Estou rezando por você! Acredito em sua força!

Aí eu tinha parado no parágrafo acima e trabalhado o dia todo, pois segunda é punk. Deixei pra terminar quando estivesse em casa e, advinhem: Estou melhor, pois é… Hoje eu ganhei o dia por que uma moça bonita e inteligente disse ficar inspirada quando me lê. Nosss… Eu que nem sou muito egocêntrica, ganhei o dia. Ok, eu sei que fiquei assim por que foi uma mulher e que eu admiro que fez o elogio, se fosse um homem eu, que quase nem sou presunçosa, apostaria  que é uma cantada e o elogio se tornaria suspeito em mais uma teoria de conspiração sobre minha falta de modéstia.

Ganhar o dia à parte, segunda é uma bosta.  Gente insegura com meu estilo ninja de ser altamente (d)eficiente, gente estressada que não teve um feliz dia dos pais, gente espertona que não sabe filtrar numa planilha de excel, ordens superiores de não rir da falta de graça alheia. Sabe que isso funciona? Um dia, faz cara de quem viu algo engraçado e segura a risada, olha pra alguém assim e desvie rapidamente o olhar. Se a pessoa for uma idiota como a maioria, ela vai ficar procurando nela o motivo que te faz rir (e a megalomania é contagiosa?). Aí você vai acabar rindo dela de verdade e deixá-la puta… Isso é tão idiota, né? Eu faço isso direto…

Outra coisa que resolvi fazer é escrever sobre canções… Logo mais eu apresento o link aqui. Segunda… Dia com cara de bunda (coisa que só fica bem no lugar certo, né?)

Música de segunda… deixa eu pensar numa bem legal (ok, você não precisa deixar), essa eu conheci com  minha tia e sei que ela adora:  Andanças – Elis Regina

É com a Lia , ,

Pintada para guerra

18, maio, 2009

Sempre ouvi que mulheres e índios se pintam quando vão pra guerra… E nunca saio de casa sem rímel, ou me sinto nua. As coisas mudam muito, tudo muda na vida. E eu mudo junto, crio novas armaduras, possibilidades. Adorar desafios é viver juntando sarna pra se coçar. Eu adoro essa coceira… Sinto cada vez mais que posso cada vez mais, que quero cada vez mais, atingir cada vez mais longe, dominar esse mundo medíocre e chato de meos Deuses… Se pelo menos a hipocrisia diminuísse, se pelo menos o mau gosto ficasse mais longe, se pelo menos a falsidade pegasse mais leve… Se pelo menos o mundo fosse menos irracional, eu seria menos crítica, mais doce, menos ácida, mais tragável…

Mas isso não acontece e a cada dia a batalha recomeça. Saio de casa pintada pra guerra, pra combater a estupidez, pra tirar os ignorantes de perto, pra ser heroína…  Salvar meus mocinhos, lutar por eles, pelo mundo que construímos juntos a cada dia, eles são meu espinafre e kriptonita, são minha força e fraqueza, são a inspiração… Não, esse altruísmo todo não é típico de uma moça tão malvada quanto eu. É que se tudo estiver em paz, se eles estiverem seguros, se a vida for mais fácil pra nós e pra todo mundo sem que eu me sinta culpada por ter sorte na vida, poderei relaxar e descansar, um dia…

Música pra googlar nessa segunda de quinta categoria: Yesterday News – The Gossip (Essa vocal é uma diva… ao contrário das lady gaga da vida, que se preocupam em afinar a máquina de acasalamento, a fofa dessa banda tem voz, muita, dá gosto de ouvir bem alto… Ouve aí! )

Brisas , , ,

Dias das Mães (pra quem ainda tem coragem)

7, maio, 2009

Aí, outro dia eu ouço no rádio do carro uma propaganda de revista cuja manchete era “Licença Maternidade de 2 anos é possível” ou algo que o valha. E o locutor seguia desfiando a idéia de que se a mulher se preparar ($$) com antecedência, pode ficar os primeiros dois anos com a cria sem falir. A tal revista é voltada para o público feminino, principalmente o que trabalha fora (leia-se remuneradamente, por que trabalhar em casa é sujo, pesado, escravocrata e quase nada reconhecido pelos “patrões”). Achei a tal matéria uma puta hipocrisia. Nem a li, na verdade e, portanto, minha opinião talvez seja só mais uma crise de achismo. Mas pelo menos é uma opinião baseada na experiência real de mercado de trabalho que vivo desde os 15 anos. O fato é que a maioria das mulheres nos trabalhos burocráticos não têm filhos. As que têm, ou tiveram muito cedo, ou muito tarde, dessas poucas mães são raras as que têm mais de um filho, algumas têm gêmeos por que assim é uma licença só pra dois e é fácil conseguir gêmeos quando se engravida com técnicas de reprodução assistida. Fala-se de mulher no mercado de trabalho, mas não se fala da mãe. Sim, vida pessoal e vida profissional devem estar separadas. É? Como mãe eu digo que sou uma profissional muito mais responsável por ter um filhote em casa que depende do que ganho com meu trabalho, e isso me deixa muito mais mansa.

Fato é que a maioria dos patrões, quando vão contratar mulheres, preferem as que não têm filhos e nem pretendem. As que têm filhos pequenos precisam dar certeza que nunca vão precisar deixar o trabalho pra cuidar de assuntos da maternidade (ter babá no tronco de casa 24 horas por dia, ter avó no tronco de casa, ter alguém no tronco pra levar as chibatadas do padecer no paraíso por você) ou você pode ficar bem atrás da concorrência das que decidiram que ser mãe dá muito trabalho. Realmente dá, realmente desfavorece quem precisa ser workaholic pra mostrar competência, realmente não é fácil ser mãe e profissional. Mas há quem consiga e há até quem tire de letra. Uma dia quero tirar de letra e não apenas conseguir.

Meu plano de curto prazo é diminuir minha carga de trabalho pra meio período. Por enquanto não dá, mas penso que ano que vem há de ser. Sim, eu adoro ficar em casa cuidando de casa e de filho. Sim, eu enlouqueceria se só fizesse isso. Mas acho que conciliar faz parte do bem-estar. Vou trabalhar melhor se não me sentir culpada por passar o dia todo longe dele, vou cuidar melhor  se tiver mais tempo pra ele, vou ser mais feliz se conseguir o que quero, eu acho. É importante ter mais tempo pra cuidar das coisas da casa, das pessoas da minha vida. Trabalhar dignifica esse tempo, que será muito mais valorizado. Dinheiro? Vai ficar em segundo plano. Eu sei que não tenho como competir com mulheres que fazem da carreira profissional a vida delas. Só sei que tenho pena… Minha vida tem mais vida e não é uma crise internacional que vai abalar as estruturas de amor que um lar oferece. Nesse dia das Mães eu só queria mesmo propôr uma reflexão pras mães de filhos únicos: ter outro filho pode atrapalhar sua carreira, mas não tê-lo pode atrapalhar o desenvolvimento de seu filho. Geralmente os pais morrem antes de seus filhos, e um filho único fica sem família quando isso acontece. Feliz Dia das mães, pra todas as corajosas e medrosas desse mundo. Feliz Dia das mães, mãe! Te Amoo! Obrigada pelo Pequia (hoje mais conhecido como tio Otto) Amo vocês!

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Música pra googlar e dançar  – minha mãe que me ensinou a gostar desse cara: You’ve lost that lovin’ feeling – Johnny  Rivers

P.S do dia seguinte: Quando fiquei pensando nesse texto depois de postado, foi inevitável pensar que faltou citar o Idiocracy. A mulherada muito inteligente demais pra deixar a carreira de lado e criar filho está deixando o mundo mais burro…

Brisas , , ,

Mi casa, su casa

15, abril, 2009

Quando saímos da casa dos pais, nunca mais somos os mesmos. É difícil voltar. Eu sei bem disso por que já o fiz duas vezes. Nunca mais você se sente em casa quando está na casa de outra pessoa, é muito desconfortável não ser senhor dos próprios domínios. Mesmo que seja a casa dos pais, é complicado sentir seu comportamento vigiado mais uma vez, é super chato levar uma bronca por deixar seu quarto desarrumado quando não se tem mais idade para ter apenas um quarto… Sem contar a prática da coisa: o modo que fazemos e o modo que esperam que seja feito, o modo que gostamos e o que esperam que gostemos, o que nos diverte e o que diverte a todos em conjunto. Enfim, a liberdade vai pras cucuias. Liberdade é altamente viciante, pra maioria das pessoas normais como eu só é preciso de uma dose. Nunca mais você quer se livrar da liberdade de ter toda a responsabilidade nas suas costas, de ter todo o espaço sob seu desleixo pessoal, de ter seu horário pra lavar a roupa. Enfim…. Enfim… Isso é que é vida pra mim. Eu sou caramuja pra caramba. Minha casa é meu reino, sem dúvida. Sou muito mais passar uma tarde inteira enfiada na frente da TV assistindo alguma série besta do tipo “The Big Bang Theory” do que sair de casa. A menos que seja pra ir numa temakeria… E agora vou morar no cup de sampa, praticamente na Paulista, praticamente perto de tudo, praticamente muito urbano, praticamente o inverso do que imaginava que seria tão ideal antes de sair da casa da mamãe a primeira vez. O sonho de virar caiçara, de viver longe da civilização urbana, de ter contato com a natureza fica cada vez mais pra quando eu estiver velhinha e gagá demais pra poder brincar de Tarzan. Mas tudo bem… Talvez a tecnologia invente cipós rolantes pra quando eu chegar lá… Ou não. Who cares?

P.S. Ultimamente anda sem música, né? Eu ainda estou pensando numa mentira engraçada pra usar como desculpa… Mas a verdade  é que bloquearam temporariamente o Youtube aqui e eu teria de procurar em casa… Mas prefiro evitar a fadiga. Além do mais, nem sei se alguém além de mim assiste aos vídeos que coloco….

Brisas , ,