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Corrente por email

24, agosto, 2010

Aí recebi um email com o assunto “Corrente, repassar”. Sou obediente quando considero conveniente e, vamos combinar, as perguntas são, no mínimo, pertinentes…

“Queremos que Bonner e Fátima façam as perguntas a Lula que o Reinaldo Azevedo sugere para a entrevista do Jornal Nacional:

1) O senhor prometeu criar 10 milhões de empregos e chegará ao fim do  mandato criando quatro milhões. Neste tempo, a renda da classe média caiu, e os empregos gerados se concentram na faixa de até 2 salários mínimos. A chamada distribuição de renda do seu governo não se faz à custa do empobrecimento dos menos pobres?

2) O senhor disse que banqueiro lucra no seu governo e, por isso, não precisa de Proer. O senhor sabe quantos Proers o Brasil paga por ano para sustentar os juros reais mais altos do mundo?

3) O seu filho, até bem pouco tempo antes de o senhor assumir a Presidência, era monitor de Jardim Zoológico e, hoje, já é um empresário que a gente poderia classificar de milionário. O senhor não acha uma ascensão muito rápida?

4) Genoino sabia do mensalão. Silvio Pereira sabia do mensalão. Dirceu sabia do mensalão. Ministros foram avisados do mensalão. Só o senhor, da cúpula, não saberia. O senhor não acha que, nesse caso, não saber é tão grave quanto saber? E se houver mais irregularidades feitas por amigos seus que o senhor ignore?

5) Presidente, na sua gestão, as invasões de terra triplicaram, caiu o número de assentamentos e mais do que dobrou o número de mortos no campo. Como o senhor defende a sua política de reforma agrária?

6) O senhor não tem vergonha de subir em palanque onde estão mensaleiros e sanguessugas? (HaHAHa… pergunta retórica, né?)

7) Presidente, em 2002, o Brasil exportava a metade do que exporta hoje, e o risco país era sete ou oito vezes maior. O país pagava 11% de juros reais. Hoje, continuamos a pagar mais de 10%. Como o senhor explica isso?
8) Em 2002, o governo FHC repassou para São Paulo, na área de segurança, R$ 223,2 milhões. Em 2005, o seu governo repassou apenas R$ 29,6 milhões. Só o seu avião custou R$ 125 milhões. Não é muito pouco o que foi dado ao Estado que tem 40% da população carcerária do país?”

Obs: Se o Lula quiser responder, eu disponibilizo o espaço nos meus comentários também… :)

Brisas , ,

Obediência

22, junho, 2010

(uma breve pesquisa que fiz há alguns anos…)

Estudando conceitos da sociologia e conhecendo um pouco da história da humanidade, é fácil pensar em questões para se discutir a realidade. Questões afloram em cada canto da desigualdade, mas poucas são as respostas. Abaixo, alguns conceitos sobre a obediência e desobediência.

Excerto I

“Porque o homem é tão propenso a obedecer e porque lhe é tão difícil desobedecer? Desde que eu seja obediente ao poder do Estado, da Igreja ou da opinião pública, sinto-me seguro e protegido. De fato, pouca diferença faz o poder a que obedeço. Trata-se sempre de uma instituição ou de homens que usam a força, de uma forma ou de outra, e que fraudulentamente reivindicam para si a onisciência e a onipotência. Minha obediência me torna parte do poder que cultuo e, por conseguinte, sinto-me forte. É impossível que eu cometa erros, pois ele decide por mim; é impossível que eu fique só, pois ele vela por mim; é impossível que eu cometa um pecado, pois ele não me permite fazê-lo e, ainda que eu peque, a punição será apenas a maneira de voltar a submeter-me ao poder todo-poderoso.” (FROMM, Erich. Da Desobediência e outros ensaios. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984. p14-15.)

Excerto II

“O problema com as emoções é que elas não são facilmente controladas pela razão; é geralmente bastante inútil tentar livrar-se de sentimentos como a aversão, o ódio ou a luxúria somente a partir de raciocínios. As emoções precisam ser controladas de uma maneira diferente, sendo treinadas por um longo período de tempo, preferivelmente desde a infância. A filosofia moral de Aristóteles é notável pela atenção que dá à eficiência do treinamento moral e à ineficiência da mera discussão moral. ‘Se os argumentos fossem suficientes por si sós para fazer os homens serem bons, eles teriam amealhado muitas recompensas’(aqui fala o próprio Aristóteles); ‘mas como as coisas são, eles(os argumentos) não são capazes de encorajar muitas pessoas a se tornarem dignas’. Os homens devem ser bem treinados e habituados, sob a orientação das leis, costumes, educação e disciplina da família. ‘Não faz alguma diferença, então, se formamos hábitos bons ou maus em prol de nossa juventude; faz muita diferença, ou melhor ainda, toda a diferença.”(The Cambridge Companion to Aristotle. New York: Cambridge University Press, 1996. 2° edition. página 213)

Excerto III

“Um indivíduo incapaz de fazer parte da polis não é um ser humano, mas sim um animal não-humano, enquanto que aquele que basta a si mesmo completamente, sem ter necessidade de fazer parte da polis, é um superhumano, ou, como Aristóteles assim diz, um deus.”(The Cambridge Companion to Aristotle. New York: Cambridge University Press, 1996. 2° edition. página 239)

É mais fácil obedecer do que desobedecer. Mas, qual a razão? Por que é mais fácil obedecer?

Obedecer é a regra do nosso sistema. E por sistema, entende-se toda a organização política -econômica- social-cultural-religiosa, criada e apoiada pela parcela dominante da sociedade, com a finalidade de fomentar cada vez mais a produtividade, aprofundando a dependência dos indivíduos à divisão social do trabalho(*), e segmentando valores que impedem uma inversão da lógica de obediência.

É mais fácil obedecer, porque sendo esta a regra do sistema, a obediência não traz ao indivíduo nenhum prejuízo. Pode até trazer-lhe benefícios, na medida em que um indivíduo se destaque na função de exortar seus pares à obediência. Outro motivo é a moral. A virtude tem sido identificada pelas religiões ao lado da obediência, enquanto que o pecado está sempre ao lado da Desobediência (porque será?). Essa Moral está vinculada à Educação, constituindo aquele instrumento de controle sobre o qual Aristóteles tece elogios. E tal educação moral é tão poderosa, que o homem, depois de aprender desde a infância a obedecer, sente medo de desobedecer, de ser, por conseqüência, punido.

Nossa sociedade possui vários elementos que empurram os homens comuns aos abismos da obediência, são eles: o caráter privado das forças de produção, a “educação moral”(a qual consegue convencer a maioria dos homens comuns a serem obedientes), as forças armadas(que tem a função de persuadir qualquer recalcitrante a voltar a seus afazeres e desistir de uma “luta inútil”). As Tradições e as Religiões, juntamente com a Educação(**) formam a tríade principal do Controle Social, pois ensinam os valores da obediência; é importante lembrar que a lógica de tal tríade é baseada no exemplo. A Lei tem mais poder sobre o ser humano do que se pensa, pois ela pode determinar sua prisão, punição, apropriação de bens, exílio e até a pena de morte em muitos países. A Guerra também é um instrumento de controle porque é através dela que múltiplos interesses econômicos são satisfeitos com o custo desprezível de uma porcentagem da população pobre jovem do país.

Os impostos também são um instrumento de controle. Por último, o mais ardiloso de todos, é o instrumento de “Ilusão”: ilusão de voto (fazer parte do governo e poder mudar os rumos do país… será?), ilusão de que o homem comum pode melhorar de condições com trabalho e com a experiência que conquistar, de modo que possa montar seu negócio no momento que lhe for oportuno, e a ilusão de que o pensamento ostentado por cada indivíduo adulto seja próprio e autêntico.

“O homem da organização perdeu a capacidade de desobedecer e nem sequer tem consciência do fato de que obedece. Nesse ponto da história, a capacidade de duvidar, de criticar e de desobedecer talvez seja tudo o que se coloca entre o futuro da humanidade e o término da civilização”. (FROMM, Erich. Da Desobediência e outros ensaios. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984. p.17)

Notas

(*)Quando se fala em aprofundamento da divisão social do trabalho, quer-se dizer que os indivíduos cada vez mais ficarão dependentes das forças produtivas, as quais encontram-se sob o poder das empresas, portanto, fora da esfera de ação dos homens comuns. Em outras palavras, trabalha-se cada vez mais, ganhando cada vez menos, com um número de opções de compra cada vez maior. É o Trabalho Assalariado e o Consumismo.

(**)A Educação de hoje caracteriza-se por seu caráter profissionalizante, o que retrata a dedicação da sociedade à produção, e pela moral, mas não apenas no sentido religioso, mas principalmente no aprendizado de valores de obediência, honestidade, confiança nas instituições públicas, no voto, nas liberdades civis, e, por último, na existência de comida, dinheiro e trabalho suficiente para todos os homens comuns, desde que se devotem a uma vida de trabalho duro(será?).

Brisas, Livros ,

Tutorial

28, janeiro, 2010

Ah, essa é uma palavra mágica para quem deseja aprender através da web. Quer se especializar em qualquer merda? Baixe tutoriais. E estude-os, claro. Essa é uma palavra mágica que abre muitas portas nas buscas da web. Tutorial é igual em inglês, mesmo significado. Mande ver nos tutoriais, olhe o tutorial de tutoriais frequentemente e saiba mais. Deixe de ser burro(a)…

Mística:  Crackerman – STP

É com a Lia ,

Crtl c + Ctrl v

8, outubro, 2008

“O tempo é muito lento para os que esperam.
muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade.”

(William Shakespeare)

Contos

Imaginação Sociológica

16, outubro, 2007

“Quando uma sociedade se industrializa, o camponês se transforma em trabalhador;  senhor feudal desaparece, ou passa a ser homem de negócios. Quando as classes ascendem ou caem, o homem tem emprego ou fica desempregado; quando a taxa de investimento se eleva ou desce, o homem se entusiasma, ou se desanima. Quando há guerras, o corretor de seguros se transforma no lançador de foguetes; o caixeiro de loja, em homem do radar; a mulher vive só, a criança cresce sem pai. A vida do indivíduo e a história da sociedade não podem ser compreendidas sem compreendermos essas alternativas.

E, apesar disso, os homens não definem, habitualmente, suas ansiedades em termos de transformação histórica (…). O bem-estar que desfrutam, não o atribuem habitualmente aos grandes altos e baixos da sociedade em que vive. Raramente têm consciência da complexa ligação entre suas vidas e o curso da história mundial; por isso s homens comuns não sabem, quase sempre, o que essa ligação significa para os tipos de de ser em que se estão transformando e para o tipo de evolução histórica de que podem participar. Não dispõem da qualidade intelectual básica para sentir o jogo que se processa entre os homens e a sociedade, a biografia e a história, o eu e o mundo. Não podem enfrentar suas preocupações pessoais de modo a controlar sempre as transformações estruturais que habitualmente estão atrás deles (…).

O que precisam (…) é de uma qualidade de espírito que lhes ajude a perceber(…) o que está ocorrendo no mundo e (…) o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos. É essa qualidade (…) que poderemos chamar de Imaginação Sociológica.”    C. Wright Mills

Brisas

Ainda a mesma coisa…

13, outubro, 2007

Desde os 13 anos, que foi quando eu conheci essa letra…  E, agora, ela ainda é bem atual para mim. A agonia é outra, mas ainda é agonia… A música deixou de ser um hit irritante a cada 20 minutos na rádio, mas hoje eu ouvi e pensei. “Whoa…. ”

Melhor eu não escrever o que pensei….

What´s up – 4 non blondes

Twenty-five years and my life is still
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination
And I realized quickly when I knew I should
That the world was made up of this brotherhood of man
For whatever that means
And so I cry sometimes
When I’m lying in bed
Just to get it all out
What’s in my head
And I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning
And I step outside
And I take a deep breath and I get real high
And I scream at the top of my lungs
What’s going on?
And I say, hey hey hey hey
I said hey, what’s going on?
ooh, ooh ooh
and I try, oh my god do I try
I try all the time, in this institution
And I pray, oh my god do I pray
I pray every single day
For a revolution
And so I cry sometimes
When I’m lying in bed
Just to get it all out
What’s in my head
And I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning
And I step outside
And I take a deep breath and I get real high
And I scream at the top of my lungs
What’s going on?
And I say, hey hey hey hey
I said hey, what’s going on?
Twenty-five years and my life is still
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination

É com a Lia