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Textos com Etiquetas ‘brasil’

Primeiro a obrigação

13, janeiro, 2010

E, de preferência, que seja divertida.  Não é bem como acontece, não parece que é um problema regional, étnico, social ou de qualquer outra espécie além da natureza humana. É mais difícil cumprir com as obrigações, mais fácil lembrar dos direitos do que dos deveres.  E por isso fazemos o que somos e vice-versa. Temos o que merecemos. Enquanto um terremoto devasta o Haiti e não há ajuda suficiente nem da inútil ONU, o povo brasileiro comemora que os BBBundas poderão ’twittar’ nessa infeliz edição dessa grande bosta que é esse programa ridículo (desculpem o pleonasmo redundante, é que eu odeio muito mesmo de cotovelo e rins esses (fake) reality show).

Mas temos o que merecemos, pois a maioria do povo brasileiro é muito burra e nem sabe disso. Não faz idéia do que seja uma auditoria, não sabe que o servidor público é seu funcionário, não sabe exigir os direitos de consumidor, não se importa em pagar a maior carga tributária do mundo desde que também possa pagar o payperview da maior idiotice já inventada na TV a cabo. Por dinheiro algum nesse mundo (muito menos para disputar por ele) eu me sujeitaria ao ridículo de estar 24 horas por dia com um bando de gente burra, muito burra e muito fútil. Todas elas são muito burras e muito fúteis, não faz diferença a orientação sexual, religião, condição social ou qualquer outra característica desses imbecis. O BBB 10 (Está na décima edição? Nota zero pra Rede Blobo e pro povo que faz essa emissora ser a maior do país) é uma prova cabal da boçalidade e da monotonia na vida humana.

Não é por acaso que tanta gente é sem cultura… Trabalha 8 horas por dia, perde por baixo 2 horas indo e voltando do trabalho, almoça em 1 hora, dorme 8 horas por dia e, se estudar, ainda perde parte das 5 horas que sobraram decorando alguma coisa pra prova, pois aprender é pedir demais… Sobra nada para o indivíduo se dedicar ao ócio que permite a reflexão, o questionamento. E isso é interessante para manter a massa crescendo uniforme, conforme a forma, em formato de asno para permitir o arreio, cabresto e viseira… 

alienation

Música bem apropriada pra revolta com tanta estupidez: Soma – The Strokes

Brisas ,

Sampa se acaba quando apaga

11, novembro, 2009

Depois de descobrir que fomos roubados lesados em mais R$ 600 milhões  só no primeiro semestre desse ano, ficamos sem energia elétrica e a cidade virou um caos. Sim, virou um caos mesmo, não é eufemismo. O pânico, as pessoas morrendo de medo dentro de suas casas protegidas por sistemas de segurança que dependem de eletricidade, as pessoas nas ruas na escuridão total e com medo de serem assaltadas/estupradas, as pessoas com medo de não conseguirem chegar em suas casas, as pessoas em casa sem poder se comunicar com pessoas que ainda estavam na rua. Causar o pânico é uma boa medida para fazer as pessoas esquecerem que estão sendo prejudicadas. Desde a privatização da Eletropaulo houve tempo de sobra pra investir em geração e armazenamento de energia, alternativas de distribuição, alternativas em geral. Não o fizeram porque queriam lucrar muito investindo o mínimo possível.

Mas  como o povo brasileiro é cego, faltar luz é só um desconforto, afinal nem quando estamos em plena luz do dia as pessoas conseguem enxergar que a culpa é delas, afinal somos eleitores.

Música do novo cd deles, que está com uma pegada mais last shadow, mas continua bom: Crying Lightning – Arctic Monkeys (o gui sempre dá risada quando eu falo que nesse clipe eles estão machos pra cacete, pois não saem correndo quando os gigantes aparecem na tempestade… duh, bobalona)

Brisas

Filhos da Pluta…

29, junho, 2009

Vergonha, gente! Prostituição infantil é um problema sério e triste em qualquer país cuja desigualdade social seja gritante, excludente e imoral, como é no Brasil. Mas agora o desgraçado que pagar uma prostituta menor de idade está protegido de qualquer acusação graças aos nossos brilhantes magistrados. Olha só: Cliente ocasional de prostituta não viola artigo 244-A do Estatuto da Criança. Que vexame! Que retrocesso!!!

P.S. Em tempo, no Brasil, esse lugar que é tão absurdo e irritante, pedofilia ainda nem é crime… Talvez quem use, cuide… Vai ver tem muito pedófilo no judiciário…

Brisas ,

POP – Estourando o ideal

23, abril, 2009

Não é um partido de ódio a política e sim aos políticos. Sim, eu acredito que eles são a gangrena, o tumor, a necrose no desenvolvimento do país, salvo rarissíssimas excessões, muito raras mesmo. Estas pessoas deveriam estar em outra categoria, pois não são gente, não. São máquinas de desigualdade, que cospem no prato que comeram e renegam o povo que os apóia e, pior, que ainda acredita. Acho que quando estes saírem de cena, então se pode começar o diálogo democrático de fato. Colocando institutos de pesquisa para trabalhar pelo público e não só pelas empresas, visando conhecer as diferentes necessidades das diferentes comunidades que constituem esse país tão desigual. Colocando a mídia para trabalhar pelo público também, e não só pelas empresas, levando informaão importante e que contribua para a maior participação popular nas decisões que dizem respeito ao bem estar de todos e de sua comunidade em particular, usar o quarto poder como a conexão entre  necessidade,  informação e planejamento de ação. Novas eleições? Sem dúvida… Mas não sem antes um processo moralizador e urgente das instituições, com a proibição da candidatura de qualquer pessoa que esteja envolvida em processo judicial que ainda não terminou, seja qual for, mesmo que seja pensão alimentícia.

Enfim, não é fácil colocar ordem num país imenso, mas não deve ser impossível quando existe boa vontade e real mobilização popular. Nesse sentido eu admiro os hermanos da Argentina, que parecem ter muito mais cojones que nós e não se deixam oprimir pelo conformismo alienador de que Deus nasceu por lá e por isso tudo bem. O brasileiro tem que participar, e não o faz por que não quer, por que não há também nenhum formato interessante de informação política, tudo parece distante demais, colarinhos brancos sujos demais, escândalos e impunidade demais, cara de pau demais. Enquanto sabemos que há pena de morte pra corruptos em países nos cafundós, sentimos muita vergonha quando vemos o Collor voltar a cena, o Lula dizer que nunca na história desse país pela trilionésima vez, quando os políticos que usam nosso dinheiro pra pagar passagem aérea pr`um bando de fdp que não precisa desse “favor” aparecem no TV Fama.. Enfim. O POP tem a idéia de ser um partido de ódio aos políticos. Por que não são eles que fazem o país, não são eles que geram o PIB, não são eles que se dedicam às pesquisas científicas com verbas ridículas, não são eles que jogam bola na Copa, não são eles que fazem o Carnaval… Enfim, eles não fazem quase nada. Um parlamento é melhor que uma ditadura, sem dúvida. Talvez o futuro da democracia não esteja no regime presidencialista. Talvez a política só vai prestar ao povo, que é a mão de obra que sustenta a sociedade, quando o povo perceber que tem que estar lá, que mais ninguém pode representar suas necessidades.

Puta merda, comecei a escrever e fiz um tratado… Por que política me tira o sossego… Política não é ruim, políticos são. Música pra não pensar mais nisso: As far as the eye can see – Radio 4

Brisas ,

O capitalismo pode funcionar

11, dezembro, 2008

É uma coisa que penso sempre, o maldito capitalismo. Um monstro que incorpora toda a ganância e infâmia possíveis, acúmulo como atividade e lucro como objetivo. Coisas feias, muito feias. Por exemplo: penso que a Coca Cola poderia investir maciçamente na preservação dos ursos polares que a ajudou a vender tanto refrigerante e gerar tanta celulite. Aposto que os ursos nunca foram consultados e, tomara Deuses, nunca sequer tomaram o refrigerante. Mas as garrafas pet de Coca também fazem parte da poluição que mata não só os ursos, mas o planeta. Ok, já existe a reciclagem… Eu até separo meu lixo, mas como a coleta não é seletiva no meu bairro e eu não posso levar sempre todo o lixo para locais apropriados, o esforço é inútil.

Grandes corporações lucram muito. Empregam muito, mas a riqueza não é realmente dividida entre quem a produz e estes são muitos, a maioria. Demissão em qualquer montadora de automóveis tem um impacto enorme na vida de uma comunidade, é muita gente que depende dessas corporações. Não só como empregado, mas como consumidor também. É inegável que consumimos e gostamos disso. Não somos capazes de produzir quase nada que realmente seja útil para o escambo como maneira de negociação, então é mais fácil trabalhar por dinheiro. E dinheiro é ótimo. Gostamos de ganhar dinheiro. Dinheiro garante a tranquilidade em relação à sobrevivência física e o conforto material. Não garante saúde, mas quem já teve oportunidade de viver a situação de precisar ser atendido num hospital público alguma vez na vida e depois pôde pagar em dinheiro por um atendimento particular sabe do que estou falando – plano de saúde não é dinheiro, é apenas uma situação intermediária. O médico, o hospital, você – todo mundo – quer receber em dinheiro. E quer ganhar o que considera justo. Já falei o que penso sobre a situação vexante do salário mínimo, mas infelizmente a desigualdade não diminiu de verdade, e há até quem defenda o direito do excluído social impor sua condição através da violência… Não defendo, mas compreendo. Não sei o que faria se meu filho precisasse, por exemplo.

Acredito que na etapa atual do desenvolvimento humano é impossível retroceder o capitalismo, mas é possível torná-lo menos tendencioso. O capitalismo fez questão de privar os mais pobres de educação, mas não os privou do consumo, do desejo. E hoje muito mais pessoas são capazes de ter opinião quando têm informação. O papel da informação e da comunicação é fundamental. A opinião pública mobilizada e engajada poderia fazer valer o acesso à cidadania, entre eles o direito de participação real nas decisões políticas. O povo nunca sabe de nada, a não ser o que é escândalo. Isso é errado! Um exemplo? Hoje a pauta do plenário em Sampa são vetos à criação de escolas municipais profissionalizantes, a criação de salas especiais para a terceira idade nas repartições do município, a criação da Ouvidoria Ambiental… Vetos, isso aí. A imprensa não divulga isso. A TV Senado é um porrrrre! Eles poderiam me chamar pra produzir aquela merda, pelo menos daria um bom humorístico… Ou não. Mas é esse tipo de informação que diz respeito a toda sociedade, não quem é o bandido que sequestrou a namorada ou quem foi pego beijando uma celebridade.

É que conheço vários pseudos: comunistas, socialistas, veganos, xiitas. E acredito que dinheiro no bolso deixa as pessoas felizes. Saber que seu trabalho vale uma vida digna deixa a sociedade mais segura. Meter o pau nas grandes corporações é fácil. Difícil é convencer os funcionários dessas corporações, que são obrigados a engolir que são um time quando o objetivo é gerar riquezas, que deveriam fazer greve geral e tomar (não quebrar!) a empresa até que o lucro seja redistribuído de maneira mais igual. Isso nem é subversão… Pra mim, é óbvio. Seria um seqüestro pelo bem de todos e felicidade geral da nação – se bem que uma empresa so é pessoa jurídica. Existe seqüestro de pessoa jurídica? E, não é legal comprar presente de Natal para as pessoas que você ama? (ok, Natal é só uma data comercial e coisa e tals, mas o fato é que acabo não comprando nada pra maioria o ano inteiro, por falta de tempo, dinheiro, inspiração… Natal é uma ótima desculpa). Imagina não poder comprar nenhum presente? (ok, de novo, é possível se fazer um presente se você for super criativo, mas é preciso dinheiro pro material, duh).

Música pro que há: Your time has come – Audioslave Mas…  Mim quer tocar, do Ultraje também serve, eu amo o Ultraje, aiai…)

Brisas ,

Res Nullius

24, novembro, 2008

Então, lembram da entrevista que eu fiz com a Soninha? Pois é, o trabalho ficou pronto, mas foi feito meio na correria, claro. Tudo fica sempre pra novembro, inclusive a disposição dos professores para mandar trabalho. Então a revisão não ficou lá essas coisas, mas o que vale é a intenção. Minha parte foi a entrevista com a Soninha, vocês podem ouvir o áudio na íntegra no meu Podcast, está em duas partes por que a conversa foi longa… A revista (quase) como foi entregue é essa:

Conselhos Inúteis, É com a Lia ,

Lulama

12, novembro, 2008

Lula lambe Obama. O mundo também. Existe esperança, afinal. Mas não muita, não por aqui… Aqui a ignorância faz a esperança e a desesperança também. A ignorância que é mãe da pobreza, da corrupção, da intolerância. O brasileiro pobre não participa, não. Tem que comer pra sobreviver. O brasileiro da classe média está deprimido e impotente diante dos modelos de felicidade que foi criado para perseguir, para a máquina funcionar. O brasileiro rico não está deprimido. Ele vive o modelo de felicidade, pode brincar de filantropia e dormir sossegado. Claro, existem exceções. Mas é tão pouca a mobilização popular à favor da própria sociedade que dá muita raiva. É tão conformada a maioria, é tão pacata… Tudo bem se está tudo errado, não estresse! Brasileiro não estressa… É um povo conformado, é um povo que ri quando deveria xingar, xingar é errado por que se expressar é errado, expressar descontentamento é errado, tem que seguir o padrão do pacato, pedir desculpas por estar sendo lesado. Tem que estar feliz, mesmo humilhado como cidadão. Tem que ter esperança, mesmo diante de toda injustiça… Tanta injustiça que não é mais possível imaginar uma redenção, é muito difícil até pensar numa alternativa. Virtudes… Onde vocês se esconderam?

Música de esperança(?): Redemption Song – Bob Marley

Brisas ,

Soninha 2012!

4, novembro, 2008

Olha, que legal, ontem eu e o Euclides, um camarada da facu, fomos entrevistar a Soninha pra um trabalho cujo tema são a relevância da maioria dos projetos de lei apresentados pelos vereadores. Quando o trabalho estiver puronto, eu coloco o link… :P Mas valeu muito a pena ter pensado na Soninha pra fazer uma coisa autêntica, de qualidade. Ela não é hipócrita, fala a real mesmo, sem ensaio… Ela fala com tanta propriedade de São Paulo e dos fatos que impedem a cidade de ser melhor e mais justa que dá até medo. O fato de que a imprensa a procure só pra falar sobre o que pode render ibope, distorcendo idéias e não dando espaço pro que realmente é interessante mostrar na grande mídia foi abordado. Aliás, uma coisa muito interessante é o termo ampla divulgação na mídia. O que isso significa? Um exemplo cruel (créu): o caso Eloá. Aquilo foi um GRANDE exemplo de AMPLA divulgação na mídia. Vocês sabiam que, na lei, um Projeto de Lei que é submetido à votação pelos vereadores tem de, obrigatoriamente, ser amplamente divulgado pela mídia? Isso não acontece por que a mídia não procura os vereadores que disputam a apresentação de seus projetos de maneira trapaceira, valorizando mais a autoria do projeto do que sua relevância para a sociedade. A mídia não divulga amplamente os projetos, nem ao menos os cita, o povo não sabe de nada. Mas, enfim, quando o trabalho estiver pronto eu coloco um link aqui, só sei que a Soninha me conquistou e ao Euclides, a gente saiu de lá super feliz por tê-la conhecido de perto e ouvido de sua boca que vai concorrer de novo à prefeitura em 2012 (eu já comecei a fazer campanha, tá vendo?). Não parece que ela quer o poder só pelo poder, mas por saber que é com o poder que ela vai poder combater a maneira sem vergonha de se fazer política aqui em Sao Paulo, quem sabe no Brasil, um dia.. O site da Soninha, muuuuito informativo sobre suas ações, compromissos e ideologia, vale a pena ser acessado, vou linkar e acompanhar. É bom saber que nem todos os políticos são uns filhos da puta, pra variar…

Música pra hoje: Oh me – Nirvana

Brisas , ,

Onde isso vai parar?

24, setembro, 2008

Tanta violência na TV contra crianças deixa muita, mas muita revolta mesmo. Pedofilia, agressão, assassinato. Que vontade de sair matando esse tipo de criminoso… Claro que qualquer violência é revoltante, mas contra anjos inocentes e totalmente indefesos é MUITO mais grave. Fico besta, me pergunto com anda a cabecinha dos pequenos que assistem ao show de horror dos noticiarios, como olham pros adultos que deveriam zelar pelas felicidade em suas vidinhas.

É todo dia. A cada dia uma nova barbárie, não há punição decente para esses criminosos, a justiça no Brasil é ridícula. Morosidade na investigação, demora no processo judicial, assistência social ineficiente. Mais a pobreza… Essa é fator constante. Com exceção do caso da Isabela Nardoni, que teve tanta repercursão exatamente por ser de classe média, todos os que surgem diariamente são retratos da miséria humana. Mães, que o são por não terem condições de pagar um aborto clandestino em clínica bacana, abandonam filhos nos lugares mais desgraçados que se pode imaginar, dá vontade de ver a sujeita castrada pra nunca mais ter chance de errar assim com a vida de outro filho, sempre imagino por qual motivo essas fulanas não deixaram esses bebês em lugares seguros, pelo menos. Pais que estupraram filhos respondendo aos processos em liberdade, crianças que crescem fumando crack e sendo espancadas, babás que judiam. É tanta coisa que nem sentimos muito.

A classe média, vítima da culpa mas não da fraternidade cristã, sente-se mal para protestar e reclamar. Poxa, não podemos reclamar da nossa comida enquanto tantos são os que passam fome, não podemos reclamar do caos nos hospitais quando temos plano de saúde, se nossos filhos estudam em escola particular fica mal reclamar da pública. E por aí vai, há até quem diga que só paga imposto de renda quem ganha o suficiente pra isso. Verdade, segundo as leis imorais do nosso país. Se ganhar 1.500 reais por mês já leva mordida do leão, já é classe média. O salário mínimo, ridículo no nosso país, talvez não aumente por que quem ganha cinco deles já se acha rico demais pra reclamar. Essa omissão garante o ciclo de pobreza, que passa de pai pra filho, assim como o ranço burguês dos que tiveram oportunidades mas acreditam que conquistaram tudo sozinhos.

A sociedade discute ambientalismo enquanto tem criança se prostituindo em Brasília por 3 reais. Claro que um assunto não desmerece outro, mas vamos combinar que essa criança vai crescer sem ter a menor oportunidade de se maravilhar com a reciclagem mágica, muito menos saber do que se trata educação ambiental. As pessoas estão esquecendo das pessoas mais importantes: as que estão crescendo. O futuro sempre é delas, mas somos nós, os adultos, que seremos os responsáveis pelos monstrinhos que estamos criando. Se omitir em relação ao descaso do governo com essa pobreza que gera tanta tragédia é irresponsabilidade. O assistencialismo das bolsas-esmolas poderiam ter fim se a classe média se manifestasse em favor da dignidade do salário mínimo. As oportunidades seriam melhores se as famílias não tivessem só sexo e TV como formas de entretenimento. Se a desigualdade não diminuir, continuaremos a assistir de cima ao freak show dos flagelados na TV, e teremos parte da responsabilidade quando essa violência nos atingir.

Som do protesto: Perfeição – Legião Urbana

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Brasil passivo…

18, setembro, 2008

Época de eleições, tento sempre provocar discussões políticas, mas ninguém está nem aí pra hora do Brasil; pergunto elegantemente: “Ei, idiota, em quem você vai votar?” – e recebo respostas como “- nulo!”, “- vou viajar!”, “- nem sei ainda!”, “naquele fulano de sempre que diz que rouba ma(i)s faz!”, “- naquele fulano de sempre porque dessa vez o plano de educação que ele promete vai me beneficiar!”… Só merda. Só passividade. Acredito que votar nulo é uma forma de expressar o descontentamento com as opções, mas só expressar não adianta nesse país “Dupiniquim”, pois mesmo que os votos nulos sejam maioria não servem pra anular uma eleição, que só é anulada caso se comprove fraude (que não é impossível no nosso pais, né?). Votar nulo não resolve, só expressa. Votar mal também é crítico, por isso não deveria ser obrigatório. Obrigar o cidadão que, por forças ocultas ou vadiagem, é burro demais pra discernir o que é melhor para a maioria deveria ser considerado crime de perigo.

O brasileiro é passivo, a menos que esteja comemorando alguma coisa. Geralmente destroem coisas pelo êxtase da alegria, basta ver que comemorações, festas, torcidas são sempre focos de violência. Claro, a violência estúpida já dominou a sociedade, ver traficantes como o Beira-Mar rindo pra câmera, programas que mostram a maravilha das Paraolimpíadas para os que perderam movimentos depois de encontrarem balas “perdidas”, a corrupção que insiste em privilegiar quem pode pagar um bom advogado e descolar um habeas corpuzinho… E o patriotismo que ataca o país a cada dois anos sempre é seguido de eleição pra alguma coisa, nunca sobra energia soberana para pensar que os atletas, que foram escolhidos disputando campeonatos e sendo os melhores, não vão decidir a verba pra incentivo ao esporte da escola do seu bairro. Parabéns para os atletas, a grande maioria, aliás, nunca recebeu incentivo nenhum do governo que nós escolhemos…

Toda vez que tenho de usar o metrô em horário de pico aqui em sampa é que fico pasma com a passividade do povo. É coisa de louco,mesmo. Muita gente, tanta que se você conseguir tirar um pé do chão, não encontra mais chão pra pisar de volta, só pés… E o povo se empurra, se aperta, se machuca, agride os outros, todos querem chegar logo. Ninguém questiona se é justo, se R$2,40 por viagem não pagaria pelo menos a dignidade de não ser pisoteado por não querer empurrar uma velhinha que está na frente, e o povo entra rindo nos trens superlotados, deveriam chorar ou quebrar tudo como fizeram nossos hermanos, que são muito menos passivos…

Sei que eu amo o Brasil, apesar dos brasileiros. E tem alguns deles que eu até gosto, mas são a minoria, realmente. Já que não se pode mudar o mundo sempre, me distraio sabendo mais sobre os idiotas que querem meu voto, que não será nulo. Eu me sinto pouco brasileira, apesar de nunca ter brigado por homem, já briguei muito pelas pessoas que não têm culpa da própria ignorância, me orgulho muito de mim por isso, que linda que eu sou… Sou barraqueira diante de qualquer injustiça. Dividir o que se sabe é o maior dos altruísmos. E acredito ser a única forma de erradicar a ignorância, mesmo que seja a longuíssmo prazo…

Música pro Brasil il il il do seu Creysson: Inútil – Ultraje a Rigor

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