Sair cedo e brilhar a luz do dia carregando você nos braços, a cor do dia e o cheiro de manhã úmida, pessoas acordadas e música em nosso caminho. É sua voz que não pára de falar coisas que só nós dois entendemos, você fica e eu sigo. E começo a pensar em você, mas agora é outra preocupação, é ser gente grande por que você precisa. E a manhã fica colorida de óculos escuros e a música é mais pauleira, por que preciso estar atenta, protegida. Começo meu dia protegendo você, depois eu saio para a selva, para caçar nossa vida e volto pra você o quanto antes, sempre. Cria pequena precisa do ninho. E mais uma vez sua voz é minha música e o dia tem cores de novo. Minha jornada de volta com você nos braços é a certeza de que as coisas ainda fazem sentido no mundo.
Trilha de hoje: Faltando um Pedaço – Djavan
Brisas, Maternidade
Para registrar, ontem o Américo começou a andar… Pena que eu não estava com a câmera! Foi lindo ver sua carinha… sua carinha de lindo superando obstáculos, louco de alegria por se ver capaz. Foi lindo! Já está dando uns dez passinhos sózinho. QUE LINDO!!!
Maternidade
Dizem que a lendária Fênix renasce das próprias cinzas, isso é bem dramático… Eu fui criada para ser bem forte, descendo de uma linhagem de mulheres fortes e independentes. Até que ponto isso foi bom pra mim, só eu sei e agradeço horrores, afinal eu não me trocaria por outra por nada nesse mundo. Ser assim é uma delícia, desse jeito como eu sou… Mas será que foi bom pro meu irmão? Até que ponto ser uma mulher mais macho que muito homem pode transformar os filhos homens em cagões? Eles crescem acostumados que serão protegidos pelas mulheres, amparados, superestimados, superexigidos… Como será que aprendem a lidar com a frustração de não serem tão versáteis quanto suas mães, mulheres e filhas? Acho que alguns nunca aprendem, e chegam até a agredí-las em tentativas covardes de autoafirmação. Alguns lutam a vida toda para escapar da opinião materna, aliás, as mães quase sempre nem fazem idéia de quanto suas opiniões pesam e podem atrapalhar a vida dos filhos. É um ditado (olha eu dando uma de mi madrezita) que é bem aplicável: o fruto nunca cai muito longe de sua árvore. Os filhos vão refletir a criação que tiveram, vão copiar os exemplos até que comecem a questioná-los, se tiverem aprendido que isso é bom. Até que ponto uma mãe forte pode sufocar seu filho? Eu me preocupo muito com isso, por que quero muito criar um filho forte, mais do que eu até. Fico sempre me policiando para não tratá-lo como um bebê mais novo do que ele é, para não subestimá-lo ou desencorajá-lo a viver suas aventuras. É difícil, já dá saudade de quando ele era menor, quando cabia nos meus braços inteirinho… Sei que um dia nem meu colo inteiro será capaz de comportar sua presença, sei também que meu coração todo vai sempre morrer de medo da sua ausência. Ser mãe é viver no limite das emoções, é viver sem limites. Quando bate a incerteza, a dúvida sobre o futuro, sempre penso: A vida é curta, mas eu não tenho pressa…
Maternidade
Sexta-feira. Final de uma semana cansativa, estressada e linda. Noite de ficar um pouco na net, ler os camaradas, pesquisar a vida alheia, escrever uma bobagem a mais. Vida que não pára, dias que terminam exaustos, mas felizes por dormirem ao som dos chutes que o Américo dá no berço. Dias que começam com um brinquedo que me acerta a cabeça, acompanhado de um sorriso careteiro e um lindo bico falando “nonono”. E beijinhos mandados ao ar, com bracinhos estendidos e um olhar de “Olha, mãe! Eu tô me equilibrando sozinho já!”. Nem ligo pros seus quase onze quilos que insistem em ficar pendurados na minha cintura. Talvez até seja por isso que ainda tenho cintura… Sexta-feira. Dia de começar o fim de semana. Amanhã, nós não precisamos sair cedo, podemos ficar brincando por horas, posso curtir você o dia todinho, te mimar e agradar muito. Te dar a mão pra você pensar que estou te ajudando a andar mas, na verdade, acho que você já sabe andar faz é tempo e fica nessa preguicinha só pra eu me sentir mais útil, mais necessária. Aposto que você já sabe até sapatear quando eu não estou olhando, talvez até voe e fale francês… Seu sono bonito, seu rostinho de anjo, seu cheiro de vida nova, sua paz são meus tesouros, minha fortuna. Sexta-feira, e você parece advinhar que amanhã não precisamos acordar cedo, parece advinhar que é dia de balada. E fica fazendo festa no berço, brigando com o sono, pedindo para ficar mais um poucão acordado, brincando. E quem resiste? Mais uma horinha contigo… Você faz qualquer sexta-feira em casa ser uma festa!
Brisas, Maternidade
Hoje, segundona, primeiro dia de adaptação do Américo na escolinha. Como é novidade ele foi o único bebê que não chorou nem um pouquinho, mas fui advertida para não ficar muito animada, pois quando ele perceber que será uma rotina ficar ali, longe dos pais todos os dias, começa a chantagem emocional e as crises de choro que partem o coração…
Eu gostei bastante do lugar, a “tia” que vai cuidar dele me lembrou muito a minha “tia Nazaré” do jardim de infância. E até hoje a “tia Nazaré” é a “Tia Nazaré” e, quando a encontro em qualquer lugar, sempre dou um abração e sinto que ela foi muito importante na minha vida de criança. Obrigada, tia Nazaré. Nunca esquecerei a “Dança das Caveiras”(que eu gostava só porque era das “caveiras”), e hoje eu que canto pro meu filhote. Tumba lá catumba, tumba tá!
As crianças dão o maior escândalo enquanto as mães e pais se despedem. Os pais ficam numa situação de dar pena. Dá pra ver a sensação de culpa estampada na cara deles. Mas é só virarem as costas e os pequenos esquecem e logo vão brincar. Na verdade só querem chamar atenção e conseguem. Imagino que essas mães e pais devem passar o dia pensando nas lágrimas da despedida… Eu passaria, acho.
Apesar de ter lido as revistas de praxe sobre educação, ter conversado com pais que passaram por isso, googlado o assunto, visitado outras escolinhas, sinto que não estou preparada para o dia em que ele chorar me pedindo para não ir embora. Eu sempre cedo aos bracinhos esticados do meu filhote me pedindo colo. Sempre. Ok, sei que isso não é bom e pode “estragar” o menino e etc… Mas se EU não posso mimar MEU filhote, quem pode? A vida de gente grande é muito difícil e dura muito tempo. Melhor ele ser mimado agora…
A trilha sonora perfeita para hoje é: Whole Wide World by Wreckless Eric
Essa música também é maravilhosa, né? Eu sei que é…
Maternidade
Putz, nem acredito que já faz um ano que meu filhote nasceu. É clichê dizer isso, mas parece que foi ontem que nós filmamos um dia lindo de sol escaldante para mostrar ao nosso bebê como o dia estava quando ele veio ao mundo. Foi tanto nervosismo, tanta expectativa. E ainda me dá um nó na garganta lembrar do som do primeiro choro dele. Ainda me dá vontade de chorar… Foi amor ao primeiro grito. E esse amor só aumenta. Faz imaginar o tamanho do amor da minha mãe por mim, após quase 27 anos… É, esse amor só cresce, mesmo.
Apesar de ser uma data trimportante, estou longe do meu bebê nesse momento. Acordamos cantando Parabéns pra ele, a super vovó (mi madre) veio visitar e tomar o café da manhã conosco, até rolou um estresse quando tentamos terminar o painel dos passos do primeiro ano. É uma obra de arte, mas a mania de organização e limpeza do meu querido marido estragou o trabalho de um ano… Mas tudo bem. A culpa foi minha, com certeza, como sempre.
Agora estou no trabalho, escrevendo e pensando em quanto eu queria estar com ele, em quanto ele merece só por ser assim, todo especial. Todo mundo vê como ele é carinhoso, atirado. O tipo de bebê que vai no colo de todo mundo, sorri pra todo mundo, manda beijo pra todo mundo. Abençoado. Bem humorado. Safado. Ele é minha vida e estou sofrendo com a culpa por não estar com ele hoje. Sábado será a festinha. Comemorar tanta alegria em um dia é pouco. Eu comemoro a cada dia e, apesar de tudo o que só eu sei que passei e ainda passo para que ele seja feliz, acredito que tenho mais para agradecer que para pedir.
Acredito estar plantando o melhor quando penso assim.
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Na sexta, consulta no pediatra. O dr. Zeca, médico muito legal, que cuida do Américo desde que ele tinha 10 dias de vida e até já apareceu numa propaganda do Danoninho; tem um consultório cheio de brinquedos espalhados, para as crianças brincarem e também, involuntariamente, deixarem seus vírus e contribuírem para a resistência do sistema imunológico alheio. O Américo estava dez, 76 centímetros e dez quilos. Saúde perfeita. Um tourinho. No dia seguinte…
Ele acordou afônico, mas estava bem. Sem febre, ativo, comendo numa boa. Não nos preocupamos. À tardezinha, quando o colocamos para tirar uma soneca, ele começou a chorar e ter dificuldade para respirar. Entrei em pânico. Fomos pro hospital, laringite viral. Tomar um remédio que só de ler a bula eu fiquei com medo, fazer inalação de seis em seis horas (ainda bem que eu tenho um aparelho em casa!) e rezar. Ele já está melhorzinho, a voz apareceu junto com uma tosse feia. Ele está dodói. Vomitando, de vez em quando por causa da tosse, aparentemente.
E eu estou me sentindo péssima. Hoje é meu primeiro dia em um novo emprego. Na verdade, é a primeira vez que vou trabalhar fora de casa e com horário definido desde que o Américo nasceu. Tudo bem que é meio período, mas já me sinto tão culpada… Por um lado, eu preciso voltar ao trabalho de verdade, por outro, ele é só um bebê ainda. Sad but true. E parece que ele advinhou. Me disseram que isso é comum: o filho adoecer quando a mãe volta ao trabalho. Mas eu nem comecei ainda…
Nesse exato parágrafo o texto foi interrompido por uma vomitada fenomenal na Lu, a pessoa que me ajuda a cuidar dele. E ajudei a limpar toda a nojeira, dei um banho nele e ele adormeceu. TADINHOOOO! Me parte o coração em caquinhos saber que ele está assim e me dá um pouco de medo saber que o pai vai cuidar dele sozinho enquanto eu estiver no trabalho. Ele é um ótimo pai, supercarinhoso, mas é meio desajeitado. Ok, eu sei que o menino vai sobreviver. Mas onde fica o drama? Viu no que dar contar vantagem sobre o próprio sossego em relação aos filhos?
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Menos de um mês para meu filhote completar seu primeiro aniversário. Passou voando. Ele engatinha, sobe escadas numa velocidade incrível, balbucia palavras, canta, dá birra. É um bebê muito especial e não é só por que sou uma hiper coruja. Ele tem um jeitinho muito carinhoso, com todos. Não estranha as pessoas, vai no colo de qualquer um e faz festinha. Faz uma careta linda, franzindo o narizinho quando diz “nenê”. Já está nadando como um peixinho, sente-se em casa quando está na água. Todo mundo na natação o adora. Ele é calmo, generoso. Divide os brinquedos, não machuca as outras crianças, não é chorão. Ele é uma benção.
Lembro da gravidez. Me apavoravam com frases do tipo: “Nunca mais você vai dormir direito!” – e ele dorme como um anjo das 8 da noite às 6 da manhâ, sem interrupções, desde os 4 meses; “Você nunca mais vai ter sossego!” – e ele é um companheiro de leitura, de internet, de bagunça. Eu não tenho do que reclamar. Nesse quase um ano, ele nunca adoeceu, nunca se feriu, nunca deu trabalho de verdade. Apenas uma doce rotina foi incluída na minha vida desregrada.
É uma delícia ser mãe do Américo. Eu sou privilegiada. Dá uma sensação de receio pensar em ter mais um filho. Outra criança não será como ele. Talvez seja o oposto, daquelas que têm a pá virada. Mas eu quero muito dar um(a) irmãozinho(zinha) pra ele. Quero que ele tenha com quem brincar, com quem brigar, alguém para ser sua família quando eu e seu pai não estivermos mais nesse mundo. Esse primeiro ano de vida dele me ajudou a crescer de verdade. Agora eu sou muito grande, sou gente grande. E sou muito grata. Obrigada, Américo. Você fez de mim uma mulher, mãe. Você me ilumina os pensamentos, me encoraja a lutar e inspira vencer. Sua festinha, eu faço questão de preparar tudo, cada coisa, escolher cada detalhe. Você merece tudo, meu filho.

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Olha a carinha de medo no primeiro mergulho! Oh dó, modeusos…
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Eu não preguei os olhos na madrugada de domingo para segunda-feira. O Américo começou a tossir e respirar com dificuldade por que o nariz entupiu. Tadinho, um sofrimento agonizante ver ele tentar dormir e respirar com a chupeta na boca. Na segunda, levamos ele ao médico. Mais tranquilos, compramos um aparelho doméstico de inalação e começamos um festival de tratamentos.
Rinosoro é a mesma coisa que água, não desentope nada. Sorine é melhor, mas tem de ser usado com mais moderação. Vicky Vaporub deu uma aliviada, apesar de não ser recomendado para menores de dois anos. Mas o que realmente ajudou e o deixou bacaninha foi a combinação de uma arte misteriosa chamada tapotagem, que mi madre veio me ensinar e disse que usou muito em mim no meu irmão que teve pneumonia, e a administração de um xarope caseiro feito de guaco, mel e hortelã. Hoje ele está respirando bem, foi pra natação e a tosse diminuiu consideravelmente.
É uma tortura para ele tirar o muco nasal com aquele sugador. Ele chora tanto que parece que o estão matando. Pingar o Sorine também é outro desafio. Mas é algo que fazemos, mesmo sofrendo muito com o choro dele, por saber que é o melhor. Eu nunca achei que teria essa coragem. Sempre fui a tia que só fazia o que o sobrinho queria. Falando em sobrinho, preciso atualizar o blog dele. Que vergonha….
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