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Arquivo da Categoria ‘Maternidade’

Ser matriz

9, maio, 2010

Mãe, a minha é igual a todas as melhores mães do mundo, espero ser como ela para meu filho. Ser mãe é coisa boa, normal, saudável. Ter filhos não significa gerá-los, necessariamente. Sempre digo que é o cuidar, o dia-a-dia que faz o amor crescer, se eu amei seu primeiro choro e chorei junto descobrindo o maior medo da minha vida, muitos outros choros vieram depois para me fazer sorrir, chorar, enlouquecer, aprender. Agora seu choro é mais raro, mais intencional e importante. E já é um menino, está deixando de ser um bebê e começa a testar limites para ver onde pode o quê. E, às vezes, sou ‘vrava’ pra ele entender que não é legal ser intransigente, em outras sou moleque pra ele ter com quem brincar à noite.

Sinto um pouco de ciúmes e muito orgulho por ele ser tão amado… Todo mundo quer ser  mãe dele. Inspira vida, já ouvi de várias mulheres que depois conhecerem meu filho sentiram muita vontade de ter um delas. Sua doçura, seu jeito esperto e cheio de graça, seu charme de se fazer de difícil nos primeiros 5 minutos, sua tagarelice. Ele é tão tudo que eu não seria nada… O maior presente de dia das mães que qualquer mãe quer é apenas a certeza de que seu filho é feliz. E mães vivem para isso.

Américo Abril 2010

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Menino ou menina?

14, janeiro, 2010

Eu queria uma filha menina quando nem queria filhos. Achava que criar uma mulher seria mais fácil, afinal somos mais inteligentes e maravilhosas… Quando meu filho nasceu, percebi que o amor é, na verdade, uma construção. Não foi o fato de gerá-lo em meu enorme barrigão que me fez amá-lo, nem o fato de ele ser o menino mais incrível do mundo; foi o tempo. Se fosse necessário gerar para amar, o pai nunca amaria seu filho ou então amaríamos tudo o que nosso corpo gera… Urghhh….

Cuidar, ver suas pequenas conquistas e superação de cada novo desafio, o cultivo da paciência e da humildade em reaprender a aprender… Ter filhos nos deixa mais maduros, mais conscientes de nosso papel no mundo e no futuro, mais corajosos na defensiva e covardes no ataque, temos muito à perder quando nos tornamos pais e ganhamos o maior presente do mundo. Ganhamos o maior medo e o maior orgulho de nossas vidas, não importa o sexo, não importa nada, na verdade. Não sei se outros pais pensam assim, mas apesar de todas as expectativas e sonhos que inventamos para nossos filhos cumprirem (e eu viajo nessas), só tenho realmente duas exigências em relação ao Américo e ao seu (sua) futuro (a) irmã(o): não morrerem antes de mim e serem felizes enquanto eu estiver olhando. Nada deve ser mais duro do que perder um filho ou sabê-lo infeliz.

Claro que o próximo eu queria uma menina, mas acho que o Américo ficaria melhor se tivesse um irmãozinho, pra ensinar as coisas de menino e ser um amigão… Só sei que ter filhos é bom para a personalidade de pessoas boas. Pessoas ruins deveriam ser castradas. Gente que não tem filhos (ou ficou tempo demais longe dos que teve para trabalhar e acabou se afastando gradualmente) vive arrumando o que fazer, sarna pra se coçar. Geralmente trata algum bicho como se fosse gente, negando sua natureza para torturá-lo com o afeto que não tiveram coragem de dar para outro ser humano. Seres humanos inevitavelmente nos decepcionam durante a convivência, animais não são capazes de nos ofender em nosso idioma, então acreditamos que eles não falam e, portanto, não nos agridem. Bom, isso não se aplica aos ailurófilos… E, também, animais geralmente morrem antes das pessoas e, assim, elas conseguem alguma atenção humana pelo sofrimento de perder seu bichinho tão importante e mais companheiro que os próprios filhos.

Eu era bem assim quando não pensava em filhos, criava gatos em casa, dormia com eles na minha cama, dividia o sofá, o sorvete, o bife, o ovo de Páscoa e passava perfume neles também…  Hoje em dia eu jamais arrumaria um desses por vontade própria, apesar de amar os bichanos do fundo meu coração motorizado. Acho que na velhice, se tiver sossego pra isso, quero criar uns no quintal do meu casarão assombrado e assustador no Hawaii.

Mas eu fugi da idéia inicial totalmente… Um dia quero conseguir concluir os pensamentos sem pular para outras idéias. Acho que isso deve ser bom para quem quer escrever um romance, afinal são muitas páginas de uma mesma história e as coisas têm que fazer sentido e não ser uma zona que nem esse post. A idéia era que não importa se é menino ou menina, o legal é se dedicar à outro ser humano e ensiná-lo a ser gente, o legal é ser a pessoa chata que vai ser referência para quando o filho for grande e tiver de ser chato com os próprios filhos. Menino e menina não são padrões de personalidade, apenas de gênero. Há meninas quietas e tímidas, há meninas que são da pá virada e até brigam bem. Há meninos terrivelmente espertos e traquinas e há meninos calados e introspectivos.

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Música? óraididen… Under my skin – Frank (my pal) Sinatra

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Ah, esqueci…

7, janeiro, 2010

Sabe quando você pensa durante o caminho num assunto ‘interessante’ e tals e fala que vai escrever sobre isso e esquece? Acabou de acontecer… Vou consultar minha memória alternativa que funciona, via sms. Tomara que responda e que se lembre do que falei. Achava que com um gravador não esqueceria minhas idéias, mas esqueço de gravar. Esqueço até que estou com um gravador na bolsa, só lembro quando preciso ameaçar alguém de publicar suas declarações no meu ‘importantíssimo’ podcast…

Ah, minha memória alternativa é quase infalível, que tudo!  Lembrei agora sobre o que escreveria e a culpa por esse lapso de memória é do sono. Tenho mais uma teoria baseada apenas no meu profundo conhecimento da minha própria experiência. Vamos falar sobre ela…

As mães não costumam nos deixar dormir sossegados durante o tempo que nós sentimos vontade. Já chegam chegando em nosso quarto, chamando e abrindo a janela, tirando o cobertor, falando que é hora de acordar e pronto, não adianta argumentar e dizer que aquele dia tudo o que você mais quer na vida é dormir mais três horas e esquecer o duro treinamento para a vida adulta.  Não sei se é assim com todo mundo, mas mi madre nunca podia chegar em casa e me pegar dormindo à tarde, por exemplo. Começava a reclamar que meu quarto estava uma zona, que minhas gavetas estavam um pardiero e, pra finalizar, sempre perguntava se eu ficaria aleijada caso lavasse a louça ou arrumasse a sala… E eu acho que sei o motivo desse comportamento materno: vingança.

Há quase 3 anos que não durmo totalmente em paz. Achava que quando fosse adulta poderia dormir por semanas, talvez hibernar e matar o sono acumulado durante toda a adolescência, mas o Américo não deixa e o próximo também não vai deixar, então nem tão cedo vou dormir . O dia amanhece e ele já vem no quarto dizer que está claro e é pra sair da cama. Se não levantar na hora, ele puxa a gente da cama e começa a brigar, coisinha brava e mau humorada pela manhã – indício de que mau humor matinal pode ser genético.  E por isso desenvolvi essa teoria, pois não vejo a  hora de ele ser adolescente pra entrar em seu quarto durante a manhã, abrir a janela e falar bem alto que “já está na hora, vamos acordar, os Deuses ajudam quem cedo madruga, vamos, vamos, vamos!”

Música pra acordar e dançar e ficar de bom humor - e  melhor coreografia do mundo: Praise you – Fatboy SLim

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Papagaio louro

26, março, 2009

Ele está nessa fase, a do papagaio. Eu adoro quando ele tenta repetir: “eu xo um pacagaio lolo bico oiado” . Repete até coisas que nos fazem ver o quanto somos distraídos, estúpidos. Ele não impõe sua presença, ele conquista a atenção. Ok, meu pescoço já gira 360° de tanta corujisse, mas o que vejo de sua personalidade é muita independência e tranquilidade. Só não saiu das fraldas ainda por que parece não ficar incomodado nem com isso. Temos sempre que perguntar se ele “tá cocô?“, ou ele fica até assado, mas não reclama e nem chora. De resto, ele já é  independente demaaaais. Desde os 6 meses de vida resolveu que queria comer e beber tudo sozinho. Muita sujeira depois, meu canhoteiro tem habilidade até pra brincar de passar a “coca” de um copo pro outro. Adora escrever e desenhar, o que faz meu nível de corujisse transbordar. Agora aprendeu a contornar a própria mão e o dedo dos outros no papel. E fala todo empolgado quando termina “Dedoooo”.  E desenha nas paredes, roupas e até na própria pele. Ele com  caneta é impagável (impegável também). Dança qualquer coisa, aquela dança de neném que só abaixa e levanta nem é muito com ele, adora inventar passos, caretas e brincadeiras. Destemido e adora se jogar das alturas no colo de quem merece sua confiança, que ainda é de muitos. Gosta de deixar besouros e joaninhas passearem em suas mãos. Ama piscina, banheira, poça d’água. Escolhe a própria roupa e sapato, come de tudo, dorme a noite inteira. Meu pequeno príncipe é um anjo. Ele já tem estilo, muita personalidade. É um tremendo sedutor… Eu fico morrendo de saudade, vou pra casa voando de vassoura pra pegá-lo acordado, pra brincar um pouco antes de dormir. Não é que sou eu que cuido dele, ele que me fez querer cuidar de tudo.

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Música meloooosa pro meu papagaio louro do bico dourado: Ain’t no mountain high enough – Marvin Gaye and Tammy Terrell

Maternidade

Mesmãe…

27, fevereiro, 2009

Hoje eu sei com certeza que você não quer e nunca quis que qualquer mal me atingisse, sei que sou uma das duas pessoas mais importantes na sua vida, sou a pessoa que você fez e entendo sua frustração ao constatar que nem tudo saiu como você preparou. As pessoas mudam, sim, mas isso não deveria magoar. Eu sei que, apesar de nostálgica, você não gostaria que eu babasse e engatinhasse pela vida toda. Sei que sente orgulho da minha capacidade e até de nossas diferenças. Gostaria que você soubesse e tivesse confiança na admiração que tenho por ti, independentemente do que pensem ou digam sobre você, o que eu vivi ao seu lado é muito maior e mais importante que qualquer opinião, seu exemplo é minha herança mais valiosa. Posso não seguir seus passos, mas sua jornada sempre me inspirou força e coragem. Posso não atender aos seus apelos, mas sua opinião sempre será um bom conselho. Poderíamos ser melhores amigas, mas sei que apesar de todo meu amor e todo seu amor, nossa relação é muito competitiva. E isso tudo é muito complicado…

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Música que eu sei que você adora (e diz a lenda que foi o som da minha criação):  Woman – John Lennon

Maternidade, É com a Lia

Amanhã já é um lindo dia…

5, fevereiro, 2009

Amanhã já faz dois anos. Ele, o meu pequeno príncipe. Há dois anos eu estava no consultório do Mala, ouvindo que meu líquido aminiótico estava aumentando, o que não deveria acontecer por que colocava em risco a vida do bebê.  Há exatamente dois anos e lembro como se fosse ontem, ele me perguntou: “Então, vamos marcar a cesariana pra semana que vem?” e eu, leoazinha já: ” De jeito nenhum, vamos fazer amanhã!” – OK, parto normal é o que eu queria durante toda a gestação por que o nome já diz tudo – NORMAL – mas como nem eu sou muito normal, não quis colocar em risco o sagrado fruto do meu ventre esperando mais uma semana pra fazer a mesma cirurgia, pois o normal já era inviável. E eu comi, mas comi feito uma condenada, pois sabia que no dia seguinte teria de ficar em jejum pra operação, nem água o médico liberou – e foi de secanagem, quando ele chegou ao hospital e eu contei que estava morrendo de sede, ele riu da minha cara e perguntou se eu tinha acreditado que era pra ficar sem água mesmo – um amor de médico, mas é o que dá ter amizade…

E hoje… hoje eu penso que amanhã queria ficar o dia inteiro entregue aos seus encantos, manhas e descobertas. Amanhã ele completa o segundo aniversário e é muito, mas muito melhor do que eu jamais imaginei. Nunca pensei que a maternidade fizesse tão bem, há quem diga que fiquei até mais bonita (como se isso fosse possível, ha… ) Espero muito, sempre, hoje e amanhã em sua vida, que aprenda a ser feliz. É o que quero ensinar, pelo menos. Quero que aprenda, assim como eu aprendi, que é melhor ser feliz pra gozar as coisas boas da vida – liberdade, amor, conhecimento.  Ser feliz é um caminho, não um destino. Se um dia ler isso, quero muito que  entenda só isso: seja feliz para ser feliz. E mando um ritmo que eu sei que você gosta de dançar com a mamãe!

A Festa – Maria Rita

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Como está meu filhote?

31, julho, 2008

Como está o Américo… O nosso menino mais lindo do mundo está muito carinhoso, muito genioso, cheio de personalidade. Adora brincar com comida, com água, comigo. Chama por mim assim: “amamai”, sempre com um ‘a’ a frente, sem til… Chama pela vovó: “bubó… bubó”, adora a avó por que é quem mais lhe mima e lhe faz as vontades. Quando vê um homem de cabelo branco, grita: “bubô”, e aponta… Chama “papai também, mas é mais comum quando volta de um passeio na casa paterna. Cheio de caretas, cheio de papagaiada, adora imitar o que fazemos e, apesar de eu ser meio boca suja, quando ele diz “tuta”, quer dizer ‘chuta’. Adora comer sozinho, beber sozinho, abre geladeira, armário, guarda-roupa, gavetas, potes, tubos, corações. Ele está um perigo! É um mulherengo nato, um alemão safado, amado pelas tias mais corujas do mundo. Tem uma certa queda pelas japinhas da quitanda, parece preferir as fofinhas. Todo mundo é “tio” ou “tia”, te puxa pelas calças e fala “ua” quando quer sair e ver a cara da rua. Também sabe o que é Lua e quando é perguntado sobre onde está ela, ele aponta no céu. Não gosta muito de escovar os dentes, sempre tenta evitar. Detesta cortar as unhas, parece uma tortura. Adora pentear os loiros cachinhos, ama se ver no espelho antes de ir tomar banho, peladão… Talvez tenha herdado o narcisismo materno… Resiste ao sono até o final, quer brincar e aproveitar a vida ao máximo, quando adormece, fala sonhando e se mexe muito. O Américo está assim, perfeito, crescendo, saudável e feliz. Graças aos Deuses, e a mim…

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Maternidade

Há 2 anos

13, junho, 2008

Há exatamente dois anos eu estava vivendo o dia seguinte a maior descoberta da minha vida: grávida. E eu fiquei tão feliz, mas tão feliz… Claro, fiquei muito insegura e ansiosa também. Mas, acima de tudo, me senti poderosa. Gerava uma nova vida. Nunca tinha ficado grávida antes, nenhum sustinho… Tinha até uma suspeita de que teria de fazer algum tratamento quando resolvesse ser mãe, mas quando tem quer ser, não adianta. E ele veio, eu não tive nem um segundo de dúvida que viria, que o queria… O neném mais lindo da maternidade. O dia seguinte da descoberta da gravidez foi um dia de pensar em nomes. Foi onde, por uma intuição presunçosa e errada, eu perdi uma aposta para o pai do meu filho. Eu apostava que seria menina e ele, que seria menino. Foi quando eu sugeri: se for menino, você pode escolher o nome! E eu adoro o nome dele, apesar de ter resistido no começo. Se um dia eu lhe der uma irmãzinha, seus nomes vão até combinar: Américo e Amora.

Hoje ele foi passar o fim de semana com o pai, e eu fico perdida em casa. Tudo é tão silencioso, sinistro sem ele. Ele é um neném tão gostoso que ganhou até presente de dia dos namorados de uma tia que é super coruja e o adora. Um carro, daqueles que pode entrar dentro e pedalar. Poxa, que tia legal! E ele fala pra ela: “Tia!” E ela se derrete! Guaci, eu sei que você me lê! Obrigada, amore! Você tem sido uma grande amiga!

Há dois anos eu já imaginava que tudo poderia estar assim, que ele me mudaria muito, mudaria minha vida. Claro que nunca poderia imaginar o quanto ele me ofereceria em troca, o quanto ele me ensinaria sobre felicidade, amor, paciência, vida. Nem em sonho eu imaginava ser capaz de fazer um ser tão melhor que eu, tão perfeito e iluminado. Claro, talvez coruja, talvez leoa, mas sem dúvida mãe. Há dois anos eu tinha decidido que seria isso, que queria mais esse título, fardo e honra! Há dois anos me tornei mulher, deixei de ser apenas menina. Valeu a pena, vale cada sacrifício!

Trilha de hoje: O Rato – Palavra Cantada

Maternidade

Oh, mundo cruel!

11, maio, 2008

Dia das Mães! Meu segundo nessa experiência, vigésimo sexto como filha. Aí hoje foi um dia muito bacana, apesar de mi madrezita ter feito questão de ir até o cemitério visitar a campa de minha avó. Eu farei o mesmo um dia, talvez. Mas não tive vontade de ir, faz um frio do cacete em Sampa, nem era tão chegada na vó. Ela dizia de mim: “Minha neta mais bonita, mas a mais malcriada” e entre seus carinhosos apelidos estava um que me encanta até hoje: feijão perdido. Preferia contar maravilhosas estórias de uma avó doce e carinhosa, mas a minha era bem figura, brava… Mas, que os Deuses a tenham em ótimo lugar, pois foi uma mulher muito guerreira e que morreu sem nunca engolir o próprio orgulho! Dei presentes e ganhei presente… Nem esperava! Obrigada, irmãozinho! Você tem me dado tanta força, apesar de nossas diferenças, você sabe que nosso amor é incondicional e que sempre estarei contigo (agüenta!).

Hoje foi um dia feliz. Continuação do churrasco de ontem que foi na casa da minha tia, ela veio com seu caçula, que é um adolescente que vi nascer e crescer, e hoje é quase um homem. E ele me falou de uma coisa que me encucou, um vídeo de um espancamento de um rapaz emo. Aí eu fui pesquisar e achei um monte de vídeos que simulam espancamentos de emos. Fiquei pensando: por que? Que é que tem os meninos curtirem um visual mais ou menos assim ou assado? Pois dizer que os emos são os caras que fazem rock and roll mela cueca é colocar muita gente nesse barco. Cantar as agruras da juventude sempre foi a moda, sempre foi ser diferente. Se agora a juventude chora por que o pai cancelou o cartão de crédito ou por que a jovem namorada resolveu ter outras experiências é apenas um reflexo da sociedade que criamos. Não precisamos de grandes problemas quando o egocentrismo é nutrido até a obesidade.

Hoje é um dia em que a palavra engajamento me faz todo o sentido, o engajamento verdadeiro, não o burocrático, duh. Mães, boas mães, têm como ideal um mundo melhor para seus filhos e que estes sejam pessoas melhores para o mundo. Eu vivo este ideal, me preocupo muito com o mundo que meu filho vai ver, como vou explicar. Gostaria muito que ele entendesse que a maior ignorância do ser humano é a intolerância, seguida pela indiferença. Se as pessoas pensassem mais no mundo de seus filhos, nos valores que nenhum dinheiro compra, na felicidade em vez do sucesso, nas semelhanças em vez das diferenças… Oh, mundo cruel! Esse mundo onde crianças crescem longe de suas famílias inspira essa moda deprê, tem que ter muita vontade para ver a beleza atrás dessa cultura do medo de ser quem realmente se é.

A trilha de hoje é bem “emo”, apesar de ter mais de dez anos, em homenagem a minha querida árvore: Creep – Radiohead

Brisas, Maternidade

Sem ele aqui

1, maio, 2008

Sem ele aqui, a casa fica tão vazia… Meu dia parece tão longo, tão sem graça. O silêncio domina o ambiente, os brinquedos não querem brincar, falta meu toquinho de gente. E eu fico tão perdida! Desde que sou mãe, vesti a carapuça de leoa e me acostumei a nunca abandonar a cria. Mas sei, eu sei, tenho que me acostumar com essa rotina, infelizmente. E cada vez mais, como manda o figurino. A cada dia ele está mais independente, cresce rápido, e eu vou precisar ser muito forte cada vez que ele não estiver sob meus cuidados. Fico inerte, sem saber oque fazer do meu dia, acostumada com a rotina estreita dos horários dele, com as brincadeiras e músicas que ele gosta. Sem ele aqui, meu dia fica tão cinza, tão sem graça… Dá vontade de dormir e só acordar quando ele chegar, mas isso seria uma fraqueza, um fracasso da minha parte. Preciso continuar vivendo, seguir em frente e não me deixar abater, pois ele vai voltar. E, hoje, eu tive um ataque de cabelo e cortei tudo, fiz uma franja e enchi de pontas… Agora estou aflita: será que meu gatinho vai gostar ou vai estranhar? Afinal, a opinião dele é a que mais me importa.

Trilha de hoje: Leãozinho – Caetano Veloso

Maternidade