Enquanto jornalista, sei que empresas de comunicação vtnc* buscam o lucro. Então, as revistas, jornais, emissoras de rádio e TV possuem dois públicos: um é o leitor/ouvinte/telespectador e o outro é o anunciante. O segundo não se interessa por uma empresa que não tem muito público, o grande público se interessa pelo que há de podre no reino da Dinamarca. Seguindo tal preceito, é natural que as empresas de comunicação transformem a realidade dura num mundo cão muito pior. É natural que editores só queiram publicar o que vende, natural valorizarem mais o projeto comercial do que a obra em si. Natural a comunicação ser um mercado imoral de informações quase sempre inúteis (ou inutilizadas pelo alinhamento editorial).
Por saber como é feita a salsicha comunicativa é que adoro e acredito na web. Sim, muitos portais são extensão da TV, com tudo o que ela tem de pior e inventam mais merda ainda, muito jornalista usa notícia de twitter sem checar, muita subcelebridade só aparece na web para, então, ser alavancada para a TV ou revistas tipo ‘Bundas’. Mas aqui ainda é terra de ninguém, sabe? Posso expressar o que quiser, quando quiser e sem qualquer interferência hierárquica, posso saber o que o leitor pensa sem intermediários, tenho mais alcance do que se estivéssemos nos anos 50, sou fruto e raíz da geração digital. Claro, também acesso muito mais informação e isso me deixa um pouco pessimista. Massa é massa, empresas lucram com elas e não com os farelos, empresas ainda movimentam a economia mais do que o seus consumidores e a economia, por sua vez, movimenta a sociedade.
Utopia mesmo é imaginar uma vida onde a economia e a imaginação sociológica estejam separadas… Enquanto isso não é possível, escrevo livremente sobre meu tempo e idéias, sem deixar que o pensamento mercantilista guie minhas palavras e esperando gerar beleza, de alguma maneira. Beleza é verdade, e ainda há quem acredite que seja Ela a salvadora de qualquer humanidade que ainda exista…
Música boa: Deixe-se acreditar – Mombojó
* P.S. Ops, escorreguei na regência do verbo visar, no primeiro parágrafo, mas já fui corrigida pelos meus queridos fãs, que já acordam ligados no meu nadahumilde blog… Obrigada, paga-pau anônimo (a). Se você assinasse embaixo quando tenta agredir virtualmente (hahaha, franguinho) eu até teria publicado sua delicada observação sobre a regência do verbo. Isso é que é argumento, hein… Brilhante!
Brisas
escrever, utopia