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Arquivo da Categoria ‘Brisas’

Manhã domingueira

21, fevereiro, 2010

E pensamentos de consideração, sobre empatia e honestidade, me fazem questionar importâncias. Sagrado de um é o banal de outro, somos singulares e, ainda assim ou talvez exatamente por isso, intolerantes. Discursar ao léu e proselitizar admiradores, sem público não há espetáculo. Tempos onde arte está mais no espetáculo do que na criação, hoje em dia aparecer é ser e ter, então todo mundo quer mais é ser visto, comentado, admirado. Ainda que seja para falar mal, ainda que seja para fazer papel ridículo, ainda que o dinheiro não seja suficiente para bancar o que aparece. Manter aparências, trabalhar a imagem, o público só vê o que aparece, o público só quer ver… Saber? Entender? Distrair, entreter… Arte não é mais a beleza e, sim, a ‘glamourosa’ aparência.

Saudades dos Raimundos: Puteiro em João Pessoa (ah, meus tempos de sk8…)

Brisas

Eu acredito na web

16, fevereiro, 2010

Enquanto jornalista, sei que empresas de comunicação vtnc* buscam o lucro. Então, as revistas, jornais, emissoras de rádio e TV possuem dois públicos: um é o leitor/ouvinte/telespectador e o outro é o anunciante. O segundo não se interessa por uma empresa que não tem muito público, o grande público se interessa pelo que há de podre no reino da Dinamarca. Seguindo tal preceito, é natural que as empresas de comunicação transformem a realidade dura num mundo cão muito pior. É natural que editores só queiram publicar o que vende, natural valorizarem mais o projeto comercial do que a obra em si. Natural a comunicação ser um mercado imoral de informações quase sempre inúteis (ou inutilizadas pelo alinhamento editorial).

Por saber como é feita a salsicha comunicativa é que adoro e acredito na web. Sim, muitos portais são extensão da TV, com tudo o que ela tem de pior e inventam mais merda ainda, muito jornalista usa notícia de twitter sem checar, muita subcelebridade só aparece na web para, então, ser alavancada para a TV ou revistas tipo ‘Bundas’. Mas aqui ainda é terra de ninguém, sabe? Posso expressar o que quiser, quando quiser e sem qualquer interferência hierárquica, posso saber o que o leitor pensa sem intermediários, tenho mais alcance do que se estivéssemos nos anos 50, sou fruto e raíz da geração digital. Claro, também acesso muito mais informação e isso me deixa um pouco pessimista. Massa é massa, empresas lucram com elas e não com os farelos, empresas ainda movimentam a economia mais do que o seus consumidores e a economia, por sua vez, movimenta a sociedade.

Utopia mesmo é imaginar uma vida onde a economia e a imaginação sociológica estejam separadas… Enquanto isso não é possível, escrevo livremente sobre meu tempo e idéias, sem deixar que o pensamento mercantilista guie minhas palavras e esperando gerar beleza, de alguma maneira. Beleza é verdade, e ainda há quem acredite que seja Ela a salvadora de qualquer humanidade que ainda exista…

Música boa: Deixe-se acreditar – Mombojó

* P.S. Ops, escorreguei na regência do verbo visar, no primeiro parágrafo, mas já fui corrigida pelos meus queridos fãs, que já acordam ligados no meu nadahumilde blog… Obrigada, paga-pau anônimo (a). Se você assinasse embaixo quando tenta agredir virtualmente (hahaha, franguinho) eu até teria publicado sua delicada observação sobre a regência do verbo. Isso é que é argumento, hein… Brilhante!

Brisas ,

O cão… Victor Lebow

11, fevereiro, 2010

Tradução:  “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”

O cara teve a idéia que originou nossa triste época…

Brisas , ,

Tem de tudo – 2a feira

8, fevereiro, 2010

Segunda tem trabalho pra começar, tem final de semana pra lembrar, mau humor para atrapalhar, requer coragem pra enfrentar…. Ah, a segunda que é meu dia de martírio, dia que eu queria aproveitar pois tudo está mais vazio, os supermercados, os shoppings, os cinemas e restaurantes, segunda é o melhor dia para desfrutar os benefícios do consumismo sem precisar se acotovelar com “peruas promocioneiras” de plantão. Talvez eu não devesse espalhar essa informação… Mas o fato é: segunda é um dia em que, geralmente, estou de mau humor. Muito mau humor.

Ok, não sou mais criança, sei me controlar para não dar birra só por tédio, só por que tudo não é como eu gostaria. Sei manter a fera que a segunda-feira atiça sob meus domínios. Tentando manter a calma, tentando ficar de bom humor, desejando uma fórmula mágica pro dia passar bem depressa. Que saco a segunda-feira…

Mudando de assunto, talvez seja a melhor forma de o dia passar bem rápido, que tal falar de… Fernando Pessoa? Adoro essa: “A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la”. Vale a pena conhecer Pessoa(s). Meu primeiro contato com o cara foi na aborrescência, então não dei o devido valor, achei muito cheio de enigmas e na época era apenas uma voraz consumidora de informação – tudo o que tivesse um pouco de reflexão me cansava. Eu recomendo o tio Pessoa pra aliviar segundas duras e semanas que prometem ser chatas…

E, se você já matou alguém hoje, música clássica pra celebrar: Bohemian Rhapsody – Queen (trilha do livro que estou relendo)

Brisas, É com a Lia

Como matar algo ou alguém

5, fevereiro, 2010

Bom, é tipo um papo de auto-ajuda e foi assim que me ajudei muitas vezes que precisei me livrar de pessoas ou da raiva que sentia delas. Lição única e óbvia: tenha um precipício. O meu fica nos confins da minha raiva, quando ela está para se transformar em ódio e se parece bastante com os canyons de Utah. Eu posiciono o motivo da minha raiva bem ali, na beira do abismo e miro o chute em sua sua bunda (que na minha imaginação é sempre gorda). Algumas vezes vou de voadora e bem poucas empurrei com minhas mãos. Mas depois que joguei, não olho pra trás, matei… Sempre que volto a lembrar ou pensar na coisa que joguei de lá, lembro que morreu , pois idiotas não voam. Funciona pro bem ou pro mal a sua mente, basta acreditar no que ela lhe diz e, principalmente, fazê-la acreditar no que você diz à ela. E tente não ficar triste se perceber que a maioria das pessoas que passam pela sua vida não cheiram nem fedem ou foram assassinadas pela sua imaginação. O segredo é lembrar que você não perdeu nada, pois é quem continua vivo.

Música esquizo: Everybody knows you cried last night (puta véia!) – The Fratellis

Brisas

E mente cheia?

4, fevereiro, 2010

Se mente vazia é oficina do cão, de quem é a oficina na mente cheia? Não sei, claro. Mi madre nunca quis me dar calmantes para hiperatividade na infância e me ocupava com coisas normais, coisas úteis e habilidades práticas. Ouço muito que sou moça prendada, apesar de nem valorizar o que sei. Não consigo me dedicar de verdade. Agora, este texto foi começado com um doce de banana no fogão porque adoro cozinhar, mas minha mente não se conteve na panela, nunca consigo me conter. Se escrevo, quero dançar. Se pinto, quero cozinhar. Se cozinho, quero escrever. Se escrevo, lembro que a panela está no fogo e… peraí. É, eu abaixei o fogo. Demora, viu? Doce de banana não é um mistério da humanidade, é só picar a fruta bem madura, colocar açúcar (cravo e canela, se pans) e levar ao fogo, mexendo até derreter. Essa calda derretida pode fazer estragos na pele, evite se queimar com ela que nem a idiota aqui sempre faz. E tenha paciência para ver aquele caldo pegar consistência… Leva mais de hora.

Mas é isso. Paro tudo e vou montar pista de ‘róti uils’, e ele pára a montagem da pista no meio para ver uma cena interessante de ‘Lilu e Ititi’ e depois quer desenhar ou ir pra piscina se ouvir alguém se divertindo lá. Penso, logo desisto. Provavelmente ele vai adquirir muitas habilidades práticas por ser curioso, inquieto e inteligente. Aprender muitas coisas foi o jeito de ocupar minha mente sedenta e ociosa, não doeu e nem pesa saber coisas domésticas como crochê e ou decoração; artes como desenho, pintura, bonsai, danças; habilidades com computadores e idiomas e etc. Saber mais só me deixou mais insatisfeita com aqueles que acham que não precisam (ou não conseguem) aprender mais nada. Cabe mais alguma coisa aí? Provavelmente, sim.

Música, né? Ok… Here comes yor man – Pixies

Brisas ,

Socialvibe – legal!

2, fevereiro, 2010

Por nada, não… Mas troquei meu tempo perdido com Farmville para perder tempo com ações sociais através da web. A Socialvibe, cujo widget está aí ao lado bem na cara, é uma maneira de ajudar uma entidade que lhe interesse participando e apoiando ações de marketing que patrocinam a iniciativa. Então, você clica ali e participa de alguma atividade online onde o patrocinador vai te fazer ver a marca dele e, em troca da influência que tentou exercer sobre sua vontade, ele manda um troco para ajudar a instituição que escolhi. Você não gasta nada além de tempo. Resolvi ajudar a fundação Art of Elysium, pois como mãe sei que, infelizmente, a maioria das crianças vai parar no hospital algumas vezes e, nessas horas, arte pode ser tão curativa quanto remédio. Então, queridos leitores, peço que também ajudem clicando aí de vez em quando para ajudar os artistas que trabalham com um público tão especial. Música para uma terça chata, de recuperação e sashimi só pra mim (além da faxina que me espera, a casa parece ter sido visitada por demônios da Tazmania), então música pra dar um gás e mostrar que algumas crianças sabem fazer arte melhor que gente grande: Radio Riot – Tiny Masters of Today (tão lindinhos! Já imagino meu Petit Prince guitarreiro…)

Brisas , ,

I´m easy like sunday morning

31, janeiro, 2010

Né? Então… Acabo de sentir  paz e excitação simultâneas, coisa boa de sentir assim, do nada, com uma música e o Gui apenas por perto. Terminando os preparativos para a festa do terceiro aniversário do Américo no próximo findi, na concentração para o show do Metallica logo mais, espero que eles arregacem – e toquem Wherever I may roam também. O dia está ficando mais bonito conforme as horas passam. Essa semana promete e começar assim, em grande estilo, é soberbo. Dançar a vida nessa manhã domingueira, dançar a alegria de viver e saber que aqueles que amamos estão bem. Estou escrevendo mais, pintando mais, criando mais, isso está me fazendo bem, deixar o que não é bom do lado de fora… Música pra se concentrar no show do Metallica:  Hard to explain – Strokes (fodam-se todos os fanáticos)

Brisas

Cabeça-dura

17, janeiro, 2010

Mulher é cabeça-dura e homem é miolo-mole e isso pode ser comprovado pela quantidade de homens e mulheres que sofrem traumatismo craniano em qualquer pronto-socorro do mundo. Sim, eu sou cabeça-dura, antes de qualquer coisa. Mas, por ser mais macho que muito homem, tenho o miolo mole também algumas vezes e me deixo sentir compaixão por quem não merece, ao menos, atenção. Não são poucas as pessoas anônimas e tristes pela falta de talento para aparecer, muitas são as que fazem de tudo para ser o centro das atenções na vida de qualquer um, a qualquer custo. Raras são as que seguem em frente, com sua linda caravana que não pára enquanto os pobres e famintos cães ladram. Não sei se estou certa, quem sabe? Sei que estou seguindo minha vontade, sempre. Esperando pelo melhor, me preparando para o pior e lidando com o que vier. O ser humano realmente deve estar em versão beta, como já ouvi alguns falarem e está bem resumido no texto da Rosana e bem comentado no texto do Ozaí, mas não acho que são só infelicidades que fazem o ser humano ser tão mesquinho.

Acredito piamente em destino. Tem coisas que são para ser como são. Os pais da Richtoffen, por piores que tenham sido, não propiciaram à ela uma vida tão infeliz que a tornasse tão má, muitos pais se culpam por seus filhos serem infelizes, maus, cruéis… Acredito que pais que espancam e maltratam seus filhos podem causar vários traumas e seqüelas pro resto de suas vidas, mas não é só o que vivemos que define quem somos. Somos mais do que só isso, todos sabemos de casos de sucessos e derrotas improváveis, talvez consideradas impossíveis, que provam que há mais do que apenas nossa experiência por trás de nossa personalidade. A consciência de cada um é como é possível ser, mais dura pra uns, flexível para outros e alguns, ainda, ignoram que exista tal processador de atitudes. Que os Deuses nos protejam desses últimos…

Música pro fim do findi, né… e para os anônimos fanáticos no meu humilde blog: By the way – Red Hot Chilli Peppers

Brisas

Ah, que imbecil…

16, janeiro, 2010

Eu sou bem imbecil quando me dou ao trabalho de pensar sobre certas coisas, o Farmville, por exemplo. Quero me despedir ainda essa semana desse vício idiota. Se inventarem um joguinho no Hawaii, talvez eu repense meu conceito sobre joguinhos bestas. Tenho mais o que não fazer do que ficar plantando e colhendo de mentirinha. Até por que três das sementes de Damas da Noite que plantei na floreira da varanda estão crescendo, além dos lírios e bambus. Logo será uma selva, hoje mesmo encontrei um animal selvagem enquanto cavocava o vasão de bambu: um filhote de  piolho de cobra, bonitinho até, mas dei descarga nele por que natureza boa é a que aparece na TV.

E também sou imbecil por acreditar nas pessoas, me aproximar das pessoas, permitir que as pessoas se deleitem com a minha maravilhosa existência… Devia poupar minha beleza pra arte, me isolar de vez e só me deixar ser apreciada por quem acredito conhecer melhor. Escrever não é estar ao alcance de ninguém, não quer ler, foda-se.  Escrevo porque quero e pronto. Escrevo porque sei, porque tenho coragem, porque não tenho nada melhor pra fazer agora que estou na frente do teclado. Ah, sim eu poderia ler e leio algumas coisas interessantes. Mas cansa a beleza ver que o ‘hit da web’ é sempre bosta, que quem sabe mais não divide qualquer conhecimento, que existe racismo, que o twitter e as agências de notícias poupam o trabalho dos jornalistas que nem sabem mais o que significa investigação, que nada parece que vai mudar tão cedo.

Quem sabe quando meu Petit Prince crescer a web seja um lugar melhor. Até lá, meu blog é só uma fração do tempo inútil que gasto na frente do computador. Não sei passar de outra maneira que não seja publicando baboseiras que incomodam, mas que pelo visto são irresistíveis…

E  música pra tudo isso:  Do me a favour – Arctic Monkeys

Brisas