Arquivo

Arquivo de novembro, 2009

Minhas memórias?

26, novembro, 2009

Ah, muita gente já me falou que eu escrevo bem, mas que deveria escrever sobre coisas em vez do que penso sobre as coisas. Aí, esses dias eu assistia ao David Letterman quando apareceu um quadro mais ou menos assim: 12 coisas mais legais para se fazer do que ler “As memórias de Sarah Palin” e uma das coisas era ser acertado por um piano que caia de um prédio. Achei o máximo. A senhora em questão não tem nem 50 anos e, vamos combinar, lançar um livro de memórias estando vivo é muito suspeito. Aí falamos sobre isso…

Jamais quero estar viva se um dia publicarem minhas memórias. Se estiver, vou querer enfeitar tudo pra não chocar ninguém. Simples. Não, esse blog é autobiográfico, sim, minhas impressões sobre a vida. Quero rir de mim em alguns anos, como já faço com o que tenho desde 1999. Escrever suas opiniões te faz ver o quanto mudaram com o tempo. Suas memórias? Bem, são muito emocionais, pode apostar. São sempre  seus pontos de vista do que se passou, o que você sentiu sempre vai sobressair ao que realmente aconteceu em 36oº durante todo o tempo. A verdade é sempre relativa; a ética, não. Não acho ético estar vivo na publicação de suas memórias, perde a credibilidade. Morto não se importa com exposição de detalhes sórdidos, pelo menos nunca soube de algum que tenha reclamado pessoalmente.

Não sei se vou ter muitas memórias, afinal, aquele alemão que deixa os velhos esquecidos pode pegar qualquer um, além de algumas estripulias juvenis. Mas é o que mais me importa, registrar o que sou e o que penso para que eu mesma saiba quem fui e que serei. Egocentrismo? Talvez… Mas ascho que sou, assim como todos somos, reflexos do nosso tempo e temos a capacidade (oportunidade? obrigação?) de deixar para posteridade o que expressamos agora. Fico bem frustrada quando leio minhas reclamações sobre a indiferença da sociedade em relação as injustiças, pois vejo que em 10 anos o povo não evouiu nada e ainda acha que esmola basta. Talvez essa seja a constatação que me faz falar mais de mim do que do resto.  Ok, fiz um livro reportagem que foi até elogiado, mas gosto mesmo de escrever contos, meu maior objetivo é conseguir me dedicar a um romance, comecei vários que estão parados. Minhas memórias? Bom, escrevo algumas, outras prefiro que só eu mesma lembre.  Nem sei por que escrevi tudo isso… Bom, o aniversário passou, inferno astral acabou, novo ciclo e, quem sabe, mais inspiração.

Música: All the kids are right – Local H

É com a Lia

28 vezes

25, novembro, 2009

Hoje eu completei 28, cassssete, é quase trinta… Incrível como o tempo voa e isso é tão clichê quando ouvimos na adolescência. Ser jovem não significa ser jovial, já escrevi isso em algum post aí. O problema de ser sempre rabugenta é que me deixou velha desde os 8, a questão de ser sempre infantil sobre o que me diz respeito me faz retardada até quando conseguir ser gente grande de verdade. Bom, o dia do meu aniversário sempre é uma grande segunda-feira pra mim. Talvez uma dupla segundona daquelas horrorosas… Depois de amanhã faz 19 anos que meu pai morreu. Acho que ainda não superei o fato de ser muito perto do meu aniversário e, por isso, quero me isolar, esconder, ficar sozinha. Não posso…

Aí comprei um caderno de pintura vagabundo e uma aquarela barata e fiquei um tempo pintando com meu filhote. Mas ele parece que percebeu que eu estou meio down, já perguntou duas vezes se estou com dor de barriga e disse que passaria pomada pra mim… Tanta doçura, ele é mesmo um sedutor! Se não fosse ele, seria uma segunda tripla. Se não fosse meu amor guiliado, seria uma segundona quintúpla. Poxa, 28 e tenho tudo o que sempre quis. Não deveria ficar triste, eu sei. Mas pra mim, é inevitável, não sei se é por causa do meu pai, se é por sempre ter odiado festas de aniversário por não saber se devo cantar parabéns pra mim e bater palma junto, sem contar que o aniversariante nunca pode ficar desanimado, as pessoas te desejam coisas e dão presentes que não sei agradecer, fico sem graça demais… Ah, um saco! Se eu pudesse, hibernaria no dia 24 e só acordava dis 26…

Música,  a primeira que saiu na minha radio do Last Fm quando abri - Time Awaits – The Kooks (bem apropriada)

É com a Lia ,

Minha intolerância

23, novembro, 2009

Há quem morra de medo de solidão, quem faça terapia por medo de terminar seus dias sem uma pessoa para lhe segurar nos braços em seu momento derradeiro, há quem faça de tudo para ser aceito, admirado, visto, etc. E tem gente que não. Bom, eu não conheço mais ninguém assim, só eu. Ok, o Gui é um pouco assim, mas em escala muito mais normal que a minha. Talvez eu precise de terapia pra voltar a querer sociabilizar. Não que eu seja um bicho do mato que sai correndo quando alguém tenta se aproximar, ao contrário, manejo bem o sabre do ‘colocar-me ao alcance da limitação alheia’, mas por pouco tempo.

Em geral não demora nada pra aparecer a real, a máscara cair e as pessoas perceberem que, bem, esta mulher não é muito normal e é bem intolerante. Mas ultimamente, graças à web, até que não me sinto tão singular. Gosto do fato de não precisar me expor à estupidez contagiosa de cara, gosto de saber que posso fechar uma tela e o que não gosto, sai da minha frente. Fácil, confortável, cômodo. Duro é quando entro em contato com um ‘jeitinho Gospel’, por exemplo, ou quando a mulherada me pede conselhos sentimentais, ou alguém me diz que é eclético quando o assunto é gosto musical, e não posso fechar a página e nem ser espontânea nessas situações, pois seria uma grande grosseria da minha parte. Sim, uma coisa que já entendi muito bem na vida é que a franqueza é anti-social. Ontem eu assisti o novo do Adam Sandler, “Funny People”, um tanto autobiográfico, o cara faz o papel de um comediante que tem uma vida rica de merda e percebe que é só um palhaço; quando em uma apresentação ele fala que as pessoas são tão estúpidas que precisam pagar para as entretenham, elas não dão risada. Sim, não tem graça quando é verdade.

Me identifiquei com algumas coisas, eu sou a comediante e todo mundo espera que eu faça aquele comentário maldoso e hilário, que só é levado à sério quando interessa pra alguma fofoca específica. Prefiro me abster do convívio com idiotas por mais inevitável que seja, alguns acham que essa atitude é uma grande idiotice, que se isolar do contato humano me faz perder a sensibilidade e blablabla… Mas não vejo vantagem em conhecer gente mais burra que eu. E muita gente é mais burra do que eu, acreditem. Quando vi esses vídeos senti vergonha por ser humana e viver na chamada ‘era da informação’. Não é questão de ser brasileira, é questão humana mesmo. Os vídeos que seguem ilustram bem nossa pobreza de referências e explicam a razão para a sinceridade ter sido deformada para servir ao humor. Falar a verdade: olha eu falando o que não deveria sem medo de ser feliz pois a web me distancia de qualquer contrariedade sumária – as pessoas que aparecem nesse vídeo deveriam ser castradas para não passar adiante genes tão asininos. Se você não é uma dessas pessoas, talvez ache graça em minha conclusão intolerante e verdadeira.

Brasileiros não são estúpidos 1

Brasileiros não são estúpidos 2

E música pra aliviar a semana que sempre começa numa segunda quando promete ser longa… Bula – Borderlinerz

Brisas ,

Sampa se acaba quando apaga

11, novembro, 2009

Depois de descobrir que fomos roubados lesados em mais R$ 600 milhões  só no primeiro semestre desse ano, ficamos sem energia elétrica e a cidade virou um caos. Sim, virou um caos mesmo, não é eufemismo. O pânico, as pessoas morrendo de medo dentro de suas casas protegidas por sistemas de segurança que dependem de eletricidade, as pessoas nas ruas na escuridão total e com medo de serem assaltadas/estupradas, as pessoas com medo de não conseguirem chegar em suas casas, as pessoas em casa sem poder se comunicar com pessoas que ainda estavam na rua. Causar o pânico é uma boa medida para fazer as pessoas esquecerem que estão sendo prejudicadas. Desde a privatização da Eletropaulo houve tempo de sobra pra investir em geração e armazenamento de energia, alternativas de distribuição, alternativas em geral. Não o fizeram porque queriam lucrar muito investindo o mínimo possível.

Mas  como o povo brasileiro é cego, faltar luz é só um desconforto, afinal nem quando estamos em plena luz do dia as pessoas conseguem enxergar que a culpa é delas, afinal somos eleitores.

Música do novo cd deles, que está com uma pegada mais last shadow, mas continua bom: Crying Lightning – Arctic Monkeys (o gui sempre dá risada quando eu falo que nesse clipe eles estão machos pra cacete, pois não saem correndo quando os gigantes aparecem na tempestade… duh, bobalona)

Brisas

Liberdade de ração

10, novembro, 2009

O muro de Berlim, que separava permanentemente um povo que era vizinho, caiu há 20 anos e a imprensa comemora a liberdade enquanto a falta de educação de base faz vergonha na educação universiotária com o espisódio da Geisy,  pretensa capa de revista onde não se precisa saber ler para ficar’ famosa’.  Podemos ver que a liberdade não existe e o pior, os maiores prisioneiros aqui não são pessoas que querem ficar quase peladas à vontade, como Geisy, e sim os coitados que a vaiaram, os que apoiaram a vaia, os que a expulsaram e depois a readmitiram. Escravos da ignorância que continuarão ignorantes mesmo depois de graduados, pois foi-se o tempo que um curso universitário exigia mais do que uma escola pública de segundo grau, ainda mais nessas unimerdas. Podemos ver que a sociedade brasileira é pobre de cultura, apesar de muito rica em expressão…

Aqui, para a grande maioria dos ‘cidadãos’, liberdade significa ficar pelado quando e onde quiser, fumar maconha ou usar qualquer outra droga sem restrições, falar palavrão ou constranger famosos na TV, invadir a privacidade de pessoas públicas e outras coisas idiotas. Aqui a maioria acredita que isso é liberdade e que hoje, por termos quase tudo isso, somos um povo, uma nação livre!!! (Nação) pobre é uma merda, mesmo… Essas liberdades são triviais em qualquer democracia que se preze, mas aqui o povo se contenta, e muito, com pão e circo, baby. E sexo, depois… De preferência sem camisinha, para crescer mais esse bolo de idiotas. É o truque de ilusionismo mais velho da história, enquanto eu mexo uma mão na sua cara você não vê que a outra está tirando alguma coisa do paletó. Enquanto o povo desejar liberdades pobres em vez de conceitos ricos seremos o que somos. A nação tem o povo que merece e vice-versa…

Música, então: Esquece e vai sorrir – Ludov

Conselhos Inúteis ,

O bom é que é…

6, novembro, 2009

Sexta! Yex! Mesmo não estando mais presa ao estilo burrocrático de 40 horas semanais no trabalho de segunda à sexta, horário comercial, ainda fico idiota quando chega a sexta-feira. Não sei, como se o ‘findi’ prometesse mais, como se a atmosfera mudasse, acho que muda mesmo. Talvez não seja só eu quem sinta, muitos poemas e músicas sobre a sexta o sábado e o domingo foram criados. Coincidência? Bom, existem as músicas alternativas sobre a terça-feira, mas não são alternativas por acaso. A terça-feira bacana é uma alternativa, não uma probabilidade… Né?

Um dia, um cara velho me disse isso: “Você fala tudo com muita certeza, sabia? Já parou pra pensar que isso faz com que os outros sintam-se pouco confortáveis de discordar?” Ele não falou outras coisas legais ou relevantes que eu lembre ainda, na verdade estava tentando me intimidar, mas senti verdade nessa frase que falou, talvez por estar sentindo-se intimidado com minha argumentação nessa discussão específica. Mas desde então passei a observar… E não é que, talvez?

Eu sou a rainha de inventar grandes teorias do nada. Tipo: não sei nada sobre tal coisa, mas sou daquelas que têm uma opinião sobre qualquer coisa. A opinião muda… O conceito muda… Se me perguntar a mesma coisa dois dias depois, a resposta provavelmente será outra. E não vou saber explicar o porquê, mas posso te convencer que a mudança na verdade foi uma evolução e faz todo o sentido do mundo. Você tem que ser muito bom pra contra-argumentar sem perder a calma ou a classe, afinal, que pessoa mais inconstante e insuportável é essa?

love-friday

Música pra sexta, que eu amo (os 2 S2): Vision of division – The Strokes

P.S: Já reparei que tem tanto post sobre segunda e sexta nesse blog que deveria fazer tags só disso…  Né? (tentando não parecer tão super afirmativa ou imperativa… naaaah!)

Brisas , ,

O bom é que é…

6, novembro, 2009

Sexta! Yex! Mesmo não estando mais presa ao estilo burrocrático de 40 horas semanais no trabalho de segunda à sexta, horário comercial, ainda fico idiota quando chega a sexta-feira. Não sei, como se o ‘findi’ prometesse mais, como se a atmosfera mudasse, acho que muda mesmo. Talvez não seja só eu quem sinta, muitos poemas e músicas sobre a sexta o sábado e o domingo foram criados. Coincidência? Bom, existem as músicas alternativas sobre a terça-feira, mas não são alternativas por acaso. A terça-feira bacana é uma alternativa, não uma probabilidade… Né?

Um dia, um cara velho me disse isso: “Você fala tudo com muita certeza, sabia? Já parou pra pensar que isso faz com que os outros sintam-se pouco confortáveis de discordar?” Ele não falou outras coisas legais ou relevantes que eu lembre ainda, na verdade estava tentando me intimidar, mas senti verdade nessa frase que falou, talvez por estar sentindo-se intimidado com minha argumentação nessa discussão específica. Mas desde então passei a observar… E não é que, talvez?

Eu sou a rainha de inventar grandes teorias do nada. Tipo: não sei nada sobre tal coisa, mas sou daquelas que têm uma opinião sobre qualquer coisa. A opinião muda… O conceito muda… Se me perguntar a mesma coisa dois dias depois, a resposta provavelmente será outra. E não vou saber explicar o porquê, mas posso te convencer que a mudança na verdade foi uma evolução e faz todo o sentido do mundo. Você tem que ser muito bom pra contra-argumentar sem perder a calma ou a classe, afinal, que pessoa mais inconstante e insuportável é essa?

love-friday

Música pra sexta, que eu amo (os 2 S2): Vision of division – The Strokes

P.S: Já reparei que tem tanto post sobre segunda e sexta nesse blog que deveria fazer tags só disso…  Né? (tentando não parecer tão super afirmativa ou imperativa… naaaah!)

Brisas , ,

A magia da tia Lia…

2, novembro, 2009

Nunca pensei que eu fosse me denominar ´tia´ assim, quase achando graça do tom antigo que a palavra confere.  Mas é, vou explicar, eu tenho um instinto que não é bem maternal, seria algo avuncular, relativo aos tios mesmo (tional? tianal é estranho…) Aquelas pessoas que gostam de você, te suportam algumas vezes, mas a distância saudável entre vocês faz com que o sentimento cresça sem dores. Hoje eu vou falar assim, que nem tia.

Foi dia das Bruxas, sabe? Uma coisa que sobrinho meu nem desconfia é que sou uma tremenda bruxa que adoro morder criança fofa e boazinha. Quanto piores eles forem, melhor pra eles. Hoje é dia de Finados, os mortos… Melhor dia para ir à parques tipo Playcenter, apesar do feriadão. Ter um povo cristão é garantia de que a maioria tem medo de castigo, ou seja, não vão profanar a memória dos defuntos se divertindo horrores… Sorte de quem não se preocupa em respeitar a memória dos mortos apenas uma vez por ano.

A magia… Sim, sabe qual é o meu maior encanto e feitiço e maldição? Não? Nem eu… Mas suspeito que tenha alguma coisa a ver com autenticidade, curiosidade e infantilidade. Apesar de ter uns cegos que enxergam uma femme fatale, quem conhece de perto sabe que não passa de pose, de brincadeirinha. Não me levo à sério, como poderia esperar que mais alguém leve? O segredo é ser você mesmo e só deixar chegar perto quem não tenta te mudar, quem te respeita. Falta de respeito é a maior falta de educação, né?

Bom, notícia boa (pelo menos pra mim e para o meu blog)  é que nasceu meu primeiro livro: Otaku – a evolução do Japonismo.  Bom, o título talvez seja enigmático para uns, óbvio para outros. Era o que faltava, e agora já era…  estou livre por enquanto.  Sim, tenho planos de continuar essa idéia, pois ficou incompleta na minha opinião por falta de verba para fazer uma pesquisa empírica nacional e de tempo. Mas que se foda… Estou feliz pra cacete com isso, aliviada, angustiada, ansiosa e (mais alguma coisa com A)… afásica.

Música pro dia fúnebre:  The way – Fastball (acabei de aprender a tocar essa no violão, to me achando…)

Conselhos Inúteis , , ,