Minhas memórias?
Ah, muita gente já me falou que eu escrevo bem, mas que deveria escrever sobre coisas em vez do que penso sobre as coisas. Aí, esses dias eu assistia ao David Letterman quando apareceu um quadro mais ou menos assim: 12 coisas mais legais para se fazer do que ler “As memórias de Sarah Palin” e uma das coisas era ser acertado por um piano que caia de um prédio. Achei o máximo. A senhora em questão não tem nem 50 anos e, vamos combinar, lançar um livro de memórias estando vivo é muito suspeito. Aí falamos sobre isso…
Jamais quero estar viva se um dia publicarem minhas memórias. Se estiver, vou querer enfeitar tudo pra não chocar ninguém. Simples. Não, esse blog é autobiográfico, sim, minhas impressões sobre a vida. Quero rir de mim em alguns anos, como já faço com o que tenho desde 1999. Escrever suas opiniões te faz ver o quanto mudaram com o tempo. Suas memórias? Bem, são muito emocionais, pode apostar. São sempre seus pontos de vista do que se passou, o que você sentiu sempre vai sobressair ao que realmente aconteceu em 36oº durante todo o tempo. A verdade é sempre relativa; a ética, não. Não acho ético estar vivo na publicação de suas memórias, perde a credibilidade. Morto não se importa com exposição de detalhes sórdidos, pelo menos nunca soube de algum que tenha reclamado pessoalmente.
Não sei se vou ter muitas memórias, afinal, aquele alemão que deixa os velhos esquecidos pode pegar qualquer um, além de algumas estripulias juvenis. Mas é o que mais me importa, registrar o que sou e o que penso para que eu mesma saiba quem fui e que serei. Egocentrismo? Talvez… Mas ascho que sou, assim como todos somos, reflexos do nosso tempo e temos a capacidade (oportunidade? obrigação?) de deixar para posteridade o que expressamos agora. Fico bem frustrada quando leio minhas reclamações sobre a indiferença da sociedade em relação as injustiças, pois vejo que em 10 anos o povo não evouiu nada e ainda acha que esmola basta. Talvez essa seja a constatação que me faz falar mais de mim do que do resto. Ok, fiz um livro reportagem que foi até elogiado, mas gosto mesmo de escrever contos, meu maior objetivo é conseguir me dedicar a um romance, comecei vários que estão parados. Minhas memórias? Bom, escrevo algumas, outras prefiro que só eu mesma lembre. Nem sei por que escrevi tudo isso… Bom, o aniversário passou, inferno astral acabou, novo ciclo e, quem sabe, mais inspiração.
Música: All the kids are right – Local H



