Arquivo

Arquivo de agosto, 2009

The Graveyard Book – Neil Gaiman … S2

27, agosto, 2009

Eu sou suspeita, é meu autor favorito ever e como nunca quis crescer para admirar a tristeza do realismo jornalístico de fato, indico mais um do tio Neil, que ainda não tem versão em Português, mas não demora nada pra sair. The Graveyard Book é uma visão mais dark do Livro da Selva, de R. Kipling. Só que em vez de ser criado por lindos animais da floresta, o bebê orfão vai parar no cemitério. Um casal de fantasmas que nunca teve filhos se comove com o pedido da mãe fantasma, que os implora para proteger seu filho do assassino que matou o resto da família.

Nobody Owens (eu traduzi como “Ninguém Manda”) é Bod, o menino que cresce no cemitério e vive aventuras sobrenaturais com o mesmo olhar crédulo  de qualquer criança, que não faz distinção do que é possível ou não, apenas se deixa surpreender pela vida, ainda que cercado de morte. Por ser aceito entre os mortos pela própria “Lady on the Grey” – a Morte, ele ganha o que os “moradores” do cemitério chamam de “the graveyard freedom” (a liberdade do cemitério) o que lhe permite aprender coisas de fantasmas, ghouls (esses me deram medinho) e seres muito sinistros, como seu protetor “Silas”, que pode sair do cemitério e andar entre os vivos e, por isso, é o encarregado de trazer comida para Bod. Ele usa tudo o que aprendeu pela sua vida com os mortos para enfrentar o assassino de sua família, Jack-of-all-trades, e acaba enfrentado uma ordem secreta que espera pelo nascimento de Bod há séculos para poder matá-lo.

Enfim, são tantos personagens incríveis que é inevitável pensar que cada um deles  poderia ter um livro só pra si, atiçam a imaginação e nos fazem querer mais. Talvez essa seja a grande mágica do tio Neil, o cara faz quem o conhece querer mais de sua obra. Não vejo a hora de sair a versão duPiniquim para eu dar de presente pra mamãe, que virou fã depois de ler Belas Maldições e Deuses Americanos. Claro que a versão em inglês exige alguma paciência apesar de ser muito melhor, o vocabulário não é exatamente difícil, mas intermediários vão ter que ler com o dicionário por perto. Era pra ter escrito essa resenha há tempos, desde a parada gay, li enquanto estava presa durante 7 horas no carro durante uma viagem à ZeBo. Vale a pena, apesar de ser considerado infanto-juvenil é para qualquer idade, fantasia é para qualquer idade, sonho é para qualquer idade… Odeio essas classificações-bunda… E não podia fechar um texto sem reclamar de alguma coisa, né?

graveyard

Foo de hoje: Times like these – Foo Fighters

Livros

The Graveyard Book – Neil Gaiman … S2

27, agosto, 2009

Eu sou suspeita, é meu autor favorito ever e como nunca quis crescer para admirar a tristeza do realismo jornalístico de fato, indico mais um do tio Neil, que ainda não tem versão em Português, mas não demora nada pra sair. The Graveyard Book é uma visão mais dark do Livro da Selva, de R. Kipling. Só que em vez de ser criado por lindos animais da floresta, o bebê orfão vai parar no cemitério. Um casal de fantasmas que nunca teve filhos se comove com o pedido da mãe fantasma, que os implora para proteger seu filho do assassino que matou o resto da família.

Nobody Owens (eu traduzi como “Ninguém Manda”) é Bod, o menino que cresce no cemitério e vive aventuras sobrenaturais com o mesmo olhar crédulo  de qualquer criança, que não faz distinção do que é possível ou não, apenas se deixa surpreender pela vida, ainda que cercado de morte. Por ser aceito entre os mortos pela própria “Lady on the Grey” – a Morte, ele ganha o que os “moradores” do cemitério chamam de “the graveyard freedom” (a liberdade do cemitério) o que lhe permite aprender coisas de fantasmas, ghouls (esses me deram medinho) e seres muito sinistros, como seu protetor “Silas”, que pode sair do cemitério e andar entre os vivos e, por isso, é o encarregado de trazer comida para Bod. Ele usa tudo o que aprendeu pela sua vida com os mortos para enfrentar o assassino de sua família, Jack-of-all-trades, e acaba enfrentado uma ordem secreta que espera pelo nascimento de Bod há séculos para poder matá-lo.

Enfim, são tantos personagens incríveis que é inevitável pensar que cada um deles  poderia ter um livro só pra si, atiçam a imaginação e nos fazem querer mais. Talvez essa seja a grande mágica do tio Neil, o cara faz quem o conhece querer mais de sua obra. Não vejo a hora de sair a versão duPiniquim para eu dar de presente pra mamãe, que virou fã depois de ler Belas Maldições e Deuses Americanos. Claro que a versão em inglês exige alguma paciência apesar de ser muito melhor, o vocabulário não é exatamente difícil, mas intermediários vão ter que ler com o dicionário por perto. Era pra ter escrito essa resenha há tempos, desde a parada gay, li enquanto estava presa durante 7 horas no carro durante uma viagem à ZeBo. Vale a pena, apesar de ser considerado infanto-juvenil é para qualquer idade, fantasia é para qualquer idade, sonho é para qualquer idade… Odeio essas classificações-bunda… E não podia fechar um texto sem reclamar de alguma coisa, né?

graveyard

Foo de hoje: Times like these – Foo Fighters

Livros

Mais Grafite Paulistano

25, agosto, 2009

Música: Hey Hey My My – Neil Young

Brisas

Cacete é pouco

24, agosto, 2009

Só pra variar, vamos ler a Lia metendo o pau em tudo, em qualquer coisa que se mova, a vida, as pessoas e a intolerância à lactose. Ok, eu não sei nada sobre lactose, então vou só destilar veneno. Eu não tiro o cacete da boca, mas acho que é pouco perto do que realmente sinto vontade de falar em algumas situações. Principalmente as situações em que sou impedida de realmente dizer o que penso e sinto pelo bem estar da minha situação profissional.

Nada nesse mundo me mata mais do que a hipocrisia. Isso eu não sei contornar, fingir que não acontece. Mas ela acontece o tempo todo, me dá coisas, me atiça a fúria!!! Se meu estômago não fosse forte, teria úlceras. E está tudo bem, sabe? No dia seguinte de assitir ao filme “Sim senhor” com o Jim Carrey, estou particularmente inspirada a viver de maneira mais style, mais do meu jeito, pois é a minha vida, só eu terei de suportá-la até o fim. Sou realmente louca ao ponto de viver a vida do meu jeito, mesmo que isso signifique se dar mal. Quero buscar um novo caminho, um caminho mais flexível, o velho estilo ninja de acreditar mais na minha taba que na dos outros. É triste ver boas ideologias corrompidas pela hipocrisia, mas é o que as pessoas fazem quando percebem que podem tirar dinheiro de quem acredita em idéias.

A Religião (do latim: “religio” usado na Vulgata, que significa “prestar culto a uma divindade”, “ligar novamente”, ou simplesmente “religar”) é hoje um lucrativo negócio. E não precisa nem de Deuses para o culto, basta um ideal razoável, um indivíduo carismático para defendê-lo e você junta um monte de gente disposta a contribuir ($). Não apenas contribuir, como adotar e contaminar o resto do mundo com aquela nova “verdade”. Eu tenho nojo dessa “verdade”. Quem não é capaz de questionar não merece respeito, quem precisa seguir uma ideologia por não ter qualquer bom senso também não merece.

hayate119_nishizawa

Música hoje: You will leave your mark – A Silent Film

Brisas , ,

Engolidora de semente

18, agosto, 2009

Um dia ela se lembrou do que sua avó lhe dizia: “Não engole a semente que vai nascer uma árvore na sua barriga!” – Ela não acreditou, nunca acreditou. Colocou junto com as ameaças de que seus olhos entortariam caso ela insistisse em comer se olhando no espelho, de que o homem do saco a pegaria caso ela desobedecesse e saísse pra rua e coisas do tipo. Mas quando soube que brotava ela lembrou-se do que a avó disse na hora. Talvez fosse um pé de mixirica, laranja ou tédio, mas estava ali. dentro dela buscando luz para continuar crescendo. E a única luz dentro dela vinham de suas idéias, portanto a planta crescia em direção à sua cabeça.

Ninguém percebia de olhar, ela tinha uma planta crescendo dentro dela e por fora estava tudo certo ainda. Ela descobriu quando começou a encontrar folhas pela cama toda vez que acordava. Resolveu colocar uma filmadora para pegar o sacana que colocava as folhas lá enquanto ela dormia. Vomitou duas vezes quando assistiu ao vídeo… Depois que seu corpo adormeceu, um fio verde começou a sair de suas orelhas e pareceu se abrir, parecia um galho com folhas e tudo. E crescia e aumentava até que todo seu corpo estava embrulhado por uma folhagem que dele brotava, e ela não acordava. Quando o sol nascia e seu quarto se iluminava, tudo voltava pra dentro dela sem deixar vestígios… O vídeo era uma prova e tanto de que algo incrível estava acontecendo, mas não queria que ninguém soubesse que ela era, na verdade, uma aberração.

“É um pé de mim…” Algo mágico, talvez mórbido, talvez uma grande loucura. Ela assistia ao vídeo diariamente pra acreditar, chegou a fazer outras gravações pra ver (se) como evoluía e constatou que sim… A cada noite filmada a planta ficava um pouco maior, as folhas se amontoavam pelo quarto cada vez mais, já somavam duas sacolas vagabundas de supermercado cheias toda manhã. Ela sentia cada vez mais sede e menos fome, fazia sentido ser um simbionte assim, sem grandes incômodos, sentia-se – e era realmente impossível não sentir-se – conectada com aquele “pé de mim“.

Continua…

Contos

I love the Friday Life!

14, agosto, 2009

Sexta-feira à noite, nada especial. Uma vontade de escrever, uma parceria com o Gui pra ele cuidar do neném enquanto eu escrevo este post sem salvar nem nada. Hoje foi um dia muito estranho, passei o dia todo em reunião no trabalho, senti vontade de não estar lá o dia todo. Era uma reunião de avaliação de competências, onde você é avaliado e avalia todos da equipe. Uma hora você sai da sala e todo mundo fala seus pontos positivos e os “aspectos que podem ser melhorados”. Eu, paranóica… Não me sinto confortável sendo avaliada, apesar de saber que isso é uma constante na vida, blablabla… Mas foi divertido, apesar de tudo. Ver o que as outras pensam sobre outras, nenhum homem na equipe a não ser os chefes, que não estavam lá.

Aí quando acabou, já era o fim do meu expediente, não me vejo fazendo horas extras no escritório também e ficando mais tempo ainda longe do Américo durante o dia. É muito gostoso abrir a porta de casa e ver seu sorriso arteiro, realmente feliz de ver a mamãe e pronto pra brincar. É, estou perdendo tempo de brincar com ele pra escrever, na verdade deixei o Gui dar o jantar hoje, depois vou dar banho. É gostoso saber que o fim de semana está começando, que vou passar dois dias inteiros com eles. Talvez a expectativa torne tudo melhor, pois geralmente não são dias de descanso realmente, mas são dias de união. Hoje foi um dia de união também no trabalho. Talvez não uma união corporativa forte como a dos piratas, que se amotinavam pelo que a maioria considerava mais justo para a maioria. Talvez uma união por perceber que a condição de suspense e exposição é estressante e, infelizmente, pode ser inútil.

Música pros meus amores hoje - O seu olhar – Paulo Tatit e Arnaldo Antunes

Brisas

Isso dói

12, agosto, 2009

Dói saber que não uso nem 10% da mjnha cabeça animal. Que não aplico meus conhecimentos em quase nada, que o tanto utilizado da minha capacidade não chega a 20%, que sigo uma rotina por necessidade e não por paixão. Dói ter sonhos adiados por escolhas deliciosas que geram responsabilidades tremendas, dói se saber maior e ter de encolher para não ferir o ego alheio. Dói sentir que pode mais, que consegue mais, mas que precisa se limitar pelo bem de todos e felicidade geral da nação. Dói ser diminuída, e essa é uma dor que me ataca desde que aprendi a olhar para frente. Dói saber que querer nem sempre é poder e que poder é quase sempre sem querer.

Dói me ver longe do meu habitat idealizado, se cercar de gente limitada em possibilidade apenas e tão somente burrocráticas, zécutivas… Dói saber que não me encaixo por não usar salto agulha, por não fazer chapinha no cabelo, por ser espontânea, por não me preocupar com marca de xampu, por não perder meu tempo pensando em balada da moda. Dói ser sub-utilizada, ver seu potencial ser negligenciado e ainda saber que, mais cedo ou mais tarde, um idiota vai me dizer que estou desmotivada e vou inventar uma triste estória para justificar o inexplicável: eu não estou desmotivada, apenas de saco cheio de toda essa mediocridade ridícula.

Foda-se o que sinto, nada vai mudar se eu não tiver coragem de enfiar o pé na jaca, mandar uns pra lugares fétidos e outros pra lugares forniqueiros e ir atrás do que preciso: desafios.

Sem música pra hoje…

É com a Lia

Momento de autopiedade

10, agosto, 2009

Eu odeio a segunda, qualquer um que ler meus posts segunda-feirianos (sic!)vai notar que é um dia de cão na minha rotina. É um dia que eu questiono minha existência, mas não muito. Eu desisto, tenho certeza que existo. Mas… e o que está lá fora? Existe? Se me irrita tanto, existe? Pode ser, então vamos trabalhar com a possibilidade de que sim, tudo o que não é reflexo existe também. E interage com minha impaciência, aguça meu instinto tazmaníaco, me tira do sério em que  nunca estou.  Dureza…

Segundona é melhor dia para ir ao supermercado, aos parques, andar de bobeira… Todo mundo está trabalhando, tudo fica vazio, tudo fica melhor. Pois, gente, gente incomoda. Segunda a mania de teorizar conspirações me ocupa, a alergia da estupidez humana me ataca, a intolerância à hipocrisia me enjoa… E hoje…  Força, tia Nilva! Estou rezando por você! Acredito em sua força!

Aí eu tinha parado no parágrafo acima e trabalhado o dia todo, pois segunda é punk. Deixei pra terminar quando estivesse em casa e, advinhem: Estou melhor, pois é… Hoje eu ganhei o dia por que uma moça bonita e inteligente disse ficar inspirada quando me lê. Nosss… Eu que nem sou muito egocêntrica, ganhei o dia. Ok, eu sei que fiquei assim por que foi uma mulher e que eu admiro que fez o elogio, se fosse um homem eu, que quase nem sou presunçosa, apostaria  que é uma cantada e o elogio se tornaria suspeito em mais uma teoria de conspiração sobre minha falta de modéstia.

Ganhar o dia à parte, segunda é uma bosta.  Gente insegura com meu estilo ninja de ser altamente (d)eficiente, gente estressada que não teve um feliz dia dos pais, gente espertona que não sabe filtrar numa planilha de excel, ordens superiores de não rir da falta de graça alheia. Sabe que isso funciona? Um dia, faz cara de quem viu algo engraçado e segura a risada, olha pra alguém assim e desvie rapidamente o olhar. Se a pessoa for uma idiota como a maioria, ela vai ficar procurando nela o motivo que te faz rir (e a megalomania é contagiosa?). Aí você vai acabar rindo dela de verdade e deixá-la puta… Isso é tão idiota, né? Eu faço isso direto…

Outra coisa que resolvi fazer é escrever sobre canções… Logo mais eu apresento o link aqui. Segunda… Dia com cara de bunda (coisa que só fica bem no lugar certo, né?)

Música de segunda… deixa eu pensar numa bem legal (ok, você não precisa deixar), essa eu conheci com  minha tia e sei que ela adora:  Andanças – Elis Regina

É com a Lia , ,

Momento de autopiedade

10, agosto, 2009

Eu odeio a segunda, qualquer um que ler meus posts segunda-feirianos (sic!)vai notar que é um dia de cão na minha rotina. É um dia que eu questiono minha existência, mas não muito. Eu desisto, tenho certeza que existo. Mas… e o que está lá fora? Existe? Se me irrita tanto, existe? Pode ser, então vamos trabalhar com a possibilidade de que sim, tudo o que não é reflexo existe também. E interage com minha impaciência, aguça meu instinto tazmaníaco, me tira do sério em que  nunca estou.  Dureza…

Segundona é melhor dia para ir ao supermercado, aos parques, andar de bobeira… Todo mundo está trabalhando, tudo fica vazio, tudo fica melhor. Pois, gente, gente incomoda. Segunda a mania de teorizar conspirações me ocupa, a alergia da estupidez humana me ataca, a intolerância à hipocrisia me enjoa… E hoje…  Força, tia Nilva! Estou rezando por você! Acredito em sua força!

Aí eu tinha parado no parágrafo acima e trabalhado o dia todo, pois segunda é punk. Deixei pra terminar quando estivesse em casa e, advinhem: Estou melhor, pois é… Hoje eu ganhei o dia por que uma moça bonita e inteligente disse ficar inspirada quando me lê. Nosss… Eu que nem sou muito egocêntrica, ganhei o dia. Ok, eu sei que fiquei assim por que foi uma mulher e que eu admiro que fez o elogio, se fosse um homem eu, que quase nem sou presunçosa, apostaria  que é uma cantada e o elogio se tornaria suspeito em mais uma teoria de conspiração sobre minha falta de modéstia.

Ganhar o dia à parte, segunda é uma bosta.  Gente insegura com meu estilo ninja de ser altamente (d)eficiente, gente estressada que não teve um feliz dia dos pais, gente espertona que não sabe filtrar numa planilha de excel, ordens superiores de não rir da falta de graça alheia. Sabe que isso funciona? Um dia, faz cara de quem viu algo engraçado e segura a risada, olha pra alguém assim e desvie rapidamente o olhar. Se a pessoa for uma idiota como a maioria, ela vai ficar procurando nela o motivo que te faz rir (e a megalomania é contagiosa?). Aí você vai acabar rindo dela de verdade e deixá-la puta… Isso é tão idiota, né? Eu faço isso direto…

Outra coisa que resolvi fazer é escrever sobre canções… Logo mais eu apresento o link aqui. Segunda… Dia com cara de bunda (coisa que só fica bem no lugar certo, né?)

Música de segunda… deixa eu pensar numa bem legal (ok, você não precisa deixar), essa eu conheci com  minha tia e sei que ela adora:  Andanças – Elis Regina

É com a Lia , ,

O clichê da novidade

4, agosto, 2009

Pode meter o pau em novelas, é tipo clichê, mas funciona pra caramba, principalmente no cybermundinho. Até por que a juventude já trocou as tramas realmente fictícias pela pseudo-verdade dos reality shows. Ok, eu gosto de The Beauty and The Geek e assisti ao último episódio pra me decepcionar com o mauricinho que levou a melhor. Nerds são bem parecidos mundo afora, gostosas também. Nada é mais clichê do que tentar ser autêntico… Mas posso imaginar possibilidades absurdas interessantes para a teledramaturgia. Novelas com núcleos de gravação no exterior sempre ficam mais tempo gravando em lugares miseráveis, posso imaginar várias razões para isso, mas só quero escrever duas: 1- o custo de produção na Índia é bem mais barato que em Oslo, por exemplo. 2- se a população que assiste novela se encanta com as diferenças sócio-culturais indianas é por que a realidade lá consegue ser mais dura que a de cá, se a novela mostrasse uma sociedade mais justa e mais eficiente, a audiência poderia começar a pensar nas razões para a injustiça daqui.  Resumindo, novela de pobre pega por que o pobre sempre tem um quê de mártir, o excluído vira herói superando as trilhares de dificuldades.

O melhor da TV são os documentários, pena que eu sempre durmo depois dos primeiros 20 minutos – menos no Borat. Os documentários hoje em dia abusam da critividade e ficam bem parecidos, ou seja, chatos e complicados de acompanhar. Muito ou pouco apelo visual, muita ou pouca música, muita ou pouca atitude. Fico imaginando o que vão pensar meus netos quando acreditarem que O Segredo é um documento visual da minha geração. KSSETI! Mais duro é imaginar que eles vão me perguntar se eu “era fã da Mônica teen”. Os super heróis estão salvando o cinema com filmes que todos sabemos o final, mas mesmo assim pagamos no mínimo 50 conto (entrada+pipoca de ouro do cinema+refrigerante de ouro líquido do cinema) pra ver mais do mesmo, as crianças dos gibis resolveram crescer e negar a grande virtude do papel – aceitar tudo, inclusive a imortalidade, a inexorabilidade. Mas, não! Vamos transformar a fofa da Luluzinha numa Bratz sexy e comercialmente mais atraente. Afinal de contas, onde já se viu uma heroína redondinha, né? Pelo menos tiveram piedade com o Bolinha e não mudaram o nome dele pra Kauã, Caiaque, Ezno ou esses nomes estranhos da moda.

E os desenhos pra crianças??? Deuses, eu poderia ter me transformado numa cereal killer de tanto assistir ao Pica Pau e Tom & Jerry. Afinal de contas, nada era muito pedagógico, os personagens não repetiam as cenas para meu raciocínio pouco treinado acompanhar, a violência que só o papel permite sem sangue e fraturas me fazia rir terrivelmente a cada tiro de espingarda que transformava a cara de alguém em margarida. E eu adoro o Chaves, hoje não tanto quanto na infância, mas eu poderia ser processada por delinquência juvenil se chamasse minha tia-avó de “bruxa do 71” hoje em dia… Mundo estranho? Que nada! Mundo careta… O clichê da novidade faz pressão para a criação de mais merda do mesmo.

Música hojeeeee: Touch me – The Doors

Brisas ,