Portas. Minha dificuldade em confiar totalmente me custou uma porta, literalmente. Alguém aí pode dizer que confia totalmente, que nunca, jamais e em tempo algum desconfia de nada em relação aos outros? Até em relação a si mesmo? Eu desconfio… Na verdade, não sou do tipo que busca motivos com vontade. Claro, gosto de questionar as coisas, mais por diversão que por desconfiança. Mas basta eu ter um motivo, ou um pouco de motivo e pronto. Teorias de conspiração, paranóia, desconfiança, medo. Basicamente isso me fez quebrar uma porta. Ok, nada demais. Mas, poxa… Vai ter o sono pesado assim na pqp…
Ontem eu saí por uma hora e esqueci a chave de casa. Quando voltei, toquei a campainha, espanquei a porta, liguei no telefone fixo e no celular… Nada. Mil coisas passam na sua cabeça numa hora dessas. Tudo estava aceso, TV ligada. Saí do prédio, gritei embaixo da janela, pensei no gás que é encanado, na violência em condomínios, na violência doméstica – que graças aos Deuses parte de baixo pra cima lá em casa, em intenção de brincadeira, pois já levei cabeçadas, porradas, fui atropelada pela moto-sapo, pelo fusquinha e levei uma colherada na cabeça com todo o carinho do meu pequeno Neanderthal – enfim, pensei tanta merda, mas tanta merda, que arrombei a porta.
E só quando eu arrombei a porta eles acordaram… Nossa, eu chorei muito. Eu não sou chorona. A síndica chacoalhou as pulgas pelo arrombamento, deu vontade de falar que se tivesse acontecido uma tragédia, ela iria chacoalhar as pulgas no inferno… Mas só chorei e agradeci por ser maluca, por estar enganada, por estar tudo bem. O chaveiro chegou em seguida e perguntou por que eu não esperei ele chegar pra não destruir a porta. Só pude dar a desculpa esfarrapada de que sou mãe e entrei em pânico. Não é uma desculpa esfarrapada, mas não é toda a verdade. Sou mãe, entrei em pânico, fiquei desesperada e surtei. Poxa, todas surtamos once in a while, temos esse direito. Somos divas!
E isso estragou a boa notícia que eu trazia. Estava em desespero estatístico por causa de uma prova de DP, que carrego desde os primórdios da facul. Não tinha estudado nada e descobri ontem que ontem era o último dia pra fazer a prova. Fui que nem um boi pro abatedouro, já me conformando que atrasar em mais um semestre a tão sonhada formatura não era um problema tão grave quanto um câncer. Mas ao começar a prova, munida de calculadora e lápis com borracha na ponta, eu consegui. Talvez mediunidade estatística, genialidade sem precedentes ou sorte pra carai… Tirei oito e não foi só na cagada. Das 5 questões eu acertei 4 – três eu realmente consegui fazer as contas (ou operar a calculadora, afinal se uma conta tiver vírgula, affff…), duas eu chutei e em uma fiz GOOOOOLLLL!!!! E ia toda serelepe pra casa contar a incrível novidade quando aconteceu tudo isso… Que viagem, né? Minha vida é uma loucura!
Música que eu cantava aos 16 aninhos e que hoje só significa que não sofro mais de tédio aborrecente. [se bem que ainda adoro cantar isso a plenos (ou quase plenos) pulmões]: Longview – Green Day
É com a Lia
surto