Arquivo

Arquivo de abril, 2009

Despeito é foda…

29, abril, 2009

Tudo bem gostar de ser cruel. Bom, minha consciência é meio flexível… Tá bom, eu me divirto muito com as cenas que o despeito é capaz de causar. A velha história da raposa que queria as uvas de uma parreira e, como não conseguia alcançá-las, passou a falar mal das uvas, que estavam, verdes e o escambau. Rola muito isso perto de mim, e por minha causa… Moléstia a parte, eu fico me achando a última fanta do deserto – ou mais ainda.

E tento não manter aparências, tento não viver fora da minha realidade, longe de meus ideais e idéias e isso causa, num primeiro momento, curiosidade. Depois há quem sucumba ao encanto e resolva tentar a sorte. Quando eu digo em bom tom: get your little horse out of the rain, eu sou a estúpida. Só que eu não caio nas argumentações fajutas de quem só está fascinado porque sei o que quero. Sei que quero continuar distante, sei que prefiro evitar a fadiga e me relacionar apenas com pessoas que não vão tentar me sugar (literalmente ou não).

A verdade dói. Sim, a verdade dói. Mas dói quando você não aceita que é verdade, quando você nega a realidade e alguém lhe atira na cara o que é fato, dói. O melhor analgésico pras dores da verdade é o autoconhecimento e o autoexame da consciência. Tem verdades que não podemos mudar – como doía quando me chamavam de branquelinha azeda na infância – e tem verdades que precisamos mudar para não atacar ou xingar de verde quem a percebe.

Googla Perhaps Vampires do Arctic Monkeys… Música legal…

É com a Lia

Manhã de uma sexta de um outono

27, abril, 2009

E ela andava pela rua. Ela existia por que essa que escreve resolveu que ela seria ela. E ela existia no mundo dela. A manhã quase fria e quase ensolarada, a rua quase molhada e ela quase bucólica… Ouvindo uma música que ela sabia que ele ouvia e pensava nela, um sorriso bobo toma conta de seu rosto e um calor arrepia seu coração. E sente que está vivendo sua vida, aproveitando seu tempo, escrevendo sua história. Um sorriso maior, quase uma risada quando se deu conta que quase nunca pediu e muito menos  seguiu conselhos, quase nunca deixou os outros saberem muito, quase nunca conseguiu culpar outro alguém. Ela era a vilã e gostava disso. Nem era tão má, ela só era mais ela. Sabia que sua panca de mulher segura incomodava, sabia que era tudo mecanismo de defesa, mas era divertido intimidar. Pensava demais e quase não se lamentava, tudo parecia que estar em seu lugar, apesar de toda a injustiça do mundo. Como respeitava o ciclo da natureza e acreditava ser ela a força mais divina que conhecia, acreditava que essa força acabaria com a injustiça. A lei do mais forte, a seleção natural, a colheita do que se plantou…  E a tal quase risada voltou ao rosto dela, e ela começou a cantar pela rua…

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Música pra googlar, né…  Beautiful Beat – Nada Surf

Contos

POP – Estourando o ideal

23, abril, 2009

Não é um partido de ódio a política e sim aos políticos. Sim, eu acredito que eles são a gangrena, o tumor, a necrose no desenvolvimento do país, salvo rarissíssimas excessões, muito raras mesmo. Estas pessoas deveriam estar em outra categoria, pois não são gente, não. São máquinas de desigualdade, que cospem no prato que comeram e renegam o povo que os apóia e, pior, que ainda acredita. Acho que quando estes saírem de cena, então se pode começar o diálogo democrático de fato. Colocando institutos de pesquisa para trabalhar pelo público e não só pelas empresas, visando conhecer as diferentes necessidades das diferentes comunidades que constituem esse país tão desigual. Colocando a mídia para trabalhar pelo público também, e não só pelas empresas, levando informaão importante e que contribua para a maior participação popular nas decisões que dizem respeito ao bem estar de todos e de sua comunidade em particular, usar o quarto poder como a conexão entre  necessidade,  informação e planejamento de ação. Novas eleições? Sem dúvida… Mas não sem antes um processo moralizador e urgente das instituições, com a proibição da candidatura de qualquer pessoa que esteja envolvida em processo judicial que ainda não terminou, seja qual for, mesmo que seja pensão alimentícia.

Enfim, não é fácil colocar ordem num país imenso, mas não deve ser impossível quando existe boa vontade e real mobilização popular. Nesse sentido eu admiro os hermanos da Argentina, que parecem ter muito mais cojones que nós e não se deixam oprimir pelo conformismo alienador de que Deus nasceu por lá e por isso tudo bem. O brasileiro tem que participar, e não o faz por que não quer, por que não há também nenhum formato interessante de informação política, tudo parece distante demais, colarinhos brancos sujos demais, escândalos e impunidade demais, cara de pau demais. Enquanto sabemos que há pena de morte pra corruptos em países nos cafundós, sentimos muita vergonha quando vemos o Collor voltar a cena, o Lula dizer que nunca na história desse país pela trilionésima vez, quando os políticos que usam nosso dinheiro pra pagar passagem aérea pr`um bando de fdp que não precisa desse “favor” aparecem no TV Fama.. Enfim. O POP tem a idéia de ser um partido de ódio aos políticos. Por que não são eles que fazem o país, não são eles que geram o PIB, não são eles que se dedicam às pesquisas científicas com verbas ridículas, não são eles que jogam bola na Copa, não são eles que fazem o Carnaval… Enfim, eles não fazem quase nada. Um parlamento é melhor que uma ditadura, sem dúvida. Talvez o futuro da democracia não esteja no regime presidencialista. Talvez a política só vai prestar ao povo, que é a mão de obra que sustenta a sociedade, quando o povo perceber que tem que estar lá, que mais ninguém pode representar suas necessidades.

Puta merda, comecei a escrever e fiz um tratado… Por que política me tira o sossego… Política não é ruim, políticos são. Música pra não pensar mais nisso: As far as the eye can see – Radio 4

Brisas ,

POP – Partido do Ódio aos Políticos

20, abril, 2009

Se você odeia, odeiaaa, ODEIA, ODei@,  OdEiAAAAA, ODeiA, odeia os políticos que estão no poder, pode se filiar ao meu futuro partido, o POPPartido do Ódio aos Políticos.

Se assim como eu você tem vontade de ver a cabeça dos Mulas, Serras, Renans, Collores, Sarneyntos, etc, etc e etc explodir toda vez que a cara deles aparece na TV, este é seu partido.

Se você tem inteligência para saber que um servidor público deve servir ao público e não aos interesses de uma minoria que abastece a corrupção com o tráfico de influências, POP pode ser sua sigla.

Se você não tolera mais a indiferença da mídia, que trata escândalos como se fossem gafes e contribui para a imbecilização da sociedade com uma programação cada vez mais idiota, join us!

Se você não acredita que política pode ser feita apenas por alguns, se acha que a sociedade deve ser sempre consultada e esclarecida sobre prós e contras de todas as decisões, se acha que a tecnologia atual pode ser usada pelo bem de todos e felicidade geral do mundo todo também, seja POP!

Se você acredita que é possível tornar o mundo todo um lugar melhor para as pessoas de bem acabando com a demagogia e a hipocrisia através da igualdade de oportunidades e o fim da ignorância que escraviza e faz seguidores no lugar de colaboradores, comente!!!

Música POP? Be yourself – Audioslave

Brisas , , ,

Mi casa, su casa

15, abril, 2009

Quando saímos da casa dos pais, nunca mais somos os mesmos. É difícil voltar. Eu sei bem disso por que já o fiz duas vezes. Nunca mais você se sente em casa quando está na casa de outra pessoa, é muito desconfortável não ser senhor dos próprios domínios. Mesmo que seja a casa dos pais, é complicado sentir seu comportamento vigiado mais uma vez, é super chato levar uma bronca por deixar seu quarto desarrumado quando não se tem mais idade para ter apenas um quarto… Sem contar a prática da coisa: o modo que fazemos e o modo que esperam que seja feito, o modo que gostamos e o que esperam que gostemos, o que nos diverte e o que diverte a todos em conjunto. Enfim, a liberdade vai pras cucuias. Liberdade é altamente viciante, pra maioria das pessoas normais como eu só é preciso de uma dose. Nunca mais você quer se livrar da liberdade de ter toda a responsabilidade nas suas costas, de ter todo o espaço sob seu desleixo pessoal, de ter seu horário pra lavar a roupa. Enfim…. Enfim… Isso é que é vida pra mim. Eu sou caramuja pra caramba. Minha casa é meu reino, sem dúvida. Sou muito mais passar uma tarde inteira enfiada na frente da TV assistindo alguma série besta do tipo “The Big Bang Theory” do que sair de casa. A menos que seja pra ir numa temakeria… E agora vou morar no cup de sampa, praticamente na Paulista, praticamente perto de tudo, praticamente muito urbano, praticamente o inverso do que imaginava que seria tão ideal antes de sair da casa da mamãe a primeira vez. O sonho de virar caiçara, de viver longe da civilização urbana, de ter contato com a natureza fica cada vez mais pra quando eu estiver velhinha e gagá demais pra poder brincar de Tarzan. Mas tudo bem… Talvez a tecnologia invente cipós rolantes pra quando eu chegar lá… Ou não. Who cares?

P.S. Ultimamente anda sem música, né? Eu ainda estou pensando numa mentira engraçada pra usar como desculpa… Mas a verdade  é que bloquearam temporariamente o Youtube aqui e eu teria de procurar em casa… Mas prefiro evitar a fadiga. Além do mais, nem sei se alguém além de mim assiste aos vídeos que coloco….

Brisas , ,

Tá chegando

8, abril, 2009

Tá chegando, planejando. Tudo junto, tudo muito, nada quieto, mudança. Mais espaço, mais trabalho, mais vida e paixão. Com tudo em cima, com nada embaixo, precipitação? E quem diz que não? Já que a ninguém pertence toda razão. Experiência nunca é em vão. São só momentos de apreensão. Esperar só a nossa própria aprovação. E queremos viver além. Alienados do também. As vezes a distância convém. Longe de quem não respeita ninguém…

Versos

Mau gosto refinado…

6, abril, 2009

É, realmente ainda não falei dessa paixão que tenho pelos animes e mangás. Não sou de citar fontes de inspiração, adoro que pensem que sou genial e tals, mas quem me conhece e conhece o que acompanho identifica rapidinho as referências. É o caso do último post: Um começo, que foi descaradamente inspirado por  Shaman King. Esse namoro é tão sério que estou escrevendo um livro-reportagem quase autobiográfico sobre os fãs, também conhecidos como Otakus. Minha paixão é antiga, deixei ela contaminar minha expressão e adoro pintar painéis enormes com os personagens olhudos.

Minha primeira lembrança sobre o tema é do desenho Honey Honey. A vida da menina que voava num balão acompanhada por sua gatinha era o máximo no meu conceito rebelde-juvenil. O Pequeno Príncipe já tinha sido lido por mim, mas criança adora uma repetição e eu curtia muito rever os capítulos no estilo anime. Depois veio o Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco e minha vida nunca mais foi a mesma. Não dava mais pra me contentar com contos de fada ou simples humor nonsense das produções norte-americanas. De lá pra cá eu virei fã. Dessas que são meio fanáticas, que defendem seus heróis e não acham ridículo ter quase 30 e ainda colecionar revistinhas… (muitos homens fazem isso, né?)

Só voltei a olhar pra produção ocidental ao descobrir Sandman, mas acho que não teve muita coisa que me surpreendeu depois disso. Quem conhece pode entender os motivos. A coisa do universo otaku é que se tornou um vício. Não apenas leio as revistinhas, como baixo outras pra ler no computador e baixo animes pra assistir em casa. Troco fácil uma sessão de cinema convencional por uma tarde internada na sala assistindo Naruto. Uso termos dos animes em conversas e chego a conclusão que meu papo interessa mais aos infantes, gente grande fica fula da vida quando desconhece alguma coisa e sente-se muito ridícula quando, ao reunir toda coragem do mundo pra perguntar do que se trata, descobre que é apenas uma bobagem. Claro, eu me divirto muito com isso também.

Mas falando sério, acho muito bacana a inspiração das tramas – mitologias, auto-ajuda, fantasia, humor. A coisa não fica mais restrita só ao Japão. Chonchu, mangá da Coréia do Sul, segue um modelo de história em capítulos como os mangás nipônicos, mas os traços são mais intensos e pouco infantis. Vale a pena conferir, apesar de minha coleção estar incompleta… :(   (se encontrar pra baixar, manda o link please!). O Brasil está entrando na onda e agora até a tradicional Turma da Mônica virou mangá em sua fase teen. Tem seu valor, apesar de não chegar aos pés da rica inspiração dos que produzem os japoneses, a revistinha infantil se aproveitava melhor das lendas do nosso folclore que a nova versão.

Sem contar os inúmeros fanzines produzidos por Otakus que, assim como eu, não se contentam só em consumir – querem se meter. Criam e publicam seus próprios mangás e animes e contam com a internet para distribuir e com a impressora de casa para imortalizar e vender em encontros como  o Anime Friends. Não é por acaso que aconteceu essa mudança no foco de entretenimento. Enquanto os heróis norte-americanos eram dotados de superpoderes simplesmente por invenção de seus criadores, os personagens japoneses costumam se dedicar a duros treinamentos e almejam aumentar sua força através da autosuperação. O modo de encarar os vilões também são outro ponto interessante: os gringos combatem e derrotam o inimigo, os japas derrotam e conquistam o respeito do inimigo, tornando-se amigos.

Enfim, este não é o meu livro. Eu tenho muito a dizer sobre o tema, mas vou falar sobre o fã. Ele é que mudou com essa nova opção, a mentalidade de uma geração mudou. E isso me deixa muito empolgada! Até a próxima e Sayoonara!

Música de hoje? Harmonia – Naruto` Soundtrack ( a dancinha das amiguinhas rivais é muito fofa…)

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Brisas ,

Um começo

2, abril, 2009

Quando morreu, finalmente começou a viver. Por que o corpo era um tremendo incômodo, era dolorido, doente.  Não sentia mais nenhuma dor quando contemplou o que era seu corpo, sem pânico ou medo, apenas alívio. Não viu nenhum Deus, Diabo, luz ou fantasma para lhe explicar que tudo acabou. Estava só com seu ex-corpo. Não sentia mais, como se toda extensão de sua pele estivesse anestesiada. Não viu mais o que poderia fazer ali e resolveu experimentar a travessia de paredes, como viu em tantos filmes pela vida. E a coisa funcionava, dava um frio na barriga igual o de quando vivia, mas talvez fosse apenas a emoção da primeira experiência. Acordou para esse detalhe, apesar de se saber sem vida não estava sem vontade, sem emoção. Era como se finalmente pudesse sentir algo além de dor e esperança. Sentia vontade. Uma grande vontade de viver essa vida morta, a realidade do além. Ou aquilo tudo era sonho? Ou tudo era só sua mente drogada por analgésicos? A sensação era boa demais. Vida ou morte, era um começo. Aprendia que o sentir pode ultrapassar o existir, talvez só tenha sentido coisas boas quando acreditou que tinha abandonado a existência. E quem sentia não era mais o ser, era só a vontade de sentir vontade.

Sem música por hoje…

Contos