Arquivo

Arquivo de março, 2009

Mensagem de paz

30, março, 2009

Eu, que não sou a pessoa mais tolerante do mundo, que tenho crises de mau humor toda segunda-feira, que quero viver longe de qualquer caminho que eu não tenha descoberto, que refaço as contas do que devo ao mundo por tudo o que ele me oferece, que tento conviver com a limitação do meu alcance de influência, que queria poder pra dar uma de Yoh e viver tranquilamente, que não acredito em vocês, que vivo la vida loca, que tenho um excelente mau gosto, que sou amodiada pelos entediados, que gosto de ver a rara inteligência dando as caras onde falta atitude para aplicar conhecimento, que quase nem faço sentido tamanha é a agonia de expressar, que durmo pouco há quase 3 anos, que vivo muito mais intensamente há mais de 2 anos, que sou mãe-filha-mulher e ainda eu, que sonho mais alto e mais bonito com o futuro, que acredito na sorte de quem se esforça, que não confio em religião, que acredito na fé, que sou chata pra carai…

Eu, que nem sei por que insisto em ser. Mas o dia em que parar de tentar mudar o mundo é por que ele terá me mudado…

Eu, só queria mesmo paz…Eu, o Guri e o GuYoh…

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Música pra segunda-feira, em busca do nosso Best Place: Beijo no Escuro – Revoltz (a gravação não está lá essas coisas, mas a música é bacana)

É com a Lia , ,

Papagaio louro

26, março, 2009

Ele está nessa fase, a do papagaio. Eu adoro quando ele tenta repetir: “eu xo um pacagaio lolo bico oiado” . Repete até coisas que nos fazem ver o quanto somos distraídos, estúpidos. Ele não impõe sua presença, ele conquista a atenção. Ok, meu pescoço já gira 360° de tanta corujisse, mas o que vejo de sua personalidade é muita independência e tranquilidade. Só não saiu das fraldas ainda por que parece não ficar incomodado nem com isso. Temos sempre que perguntar se ele “tá cocô?“, ou ele fica até assado, mas não reclama e nem chora. De resto, ele já é  independente demaaaais. Desde os 6 meses de vida resolveu que queria comer e beber tudo sozinho. Muita sujeira depois, meu canhoteiro tem habilidade até pra brincar de passar a “coca” de um copo pro outro. Adora escrever e desenhar, o que faz meu nível de corujisse transbordar. Agora aprendeu a contornar a própria mão e o dedo dos outros no papel. E fala todo empolgado quando termina “Dedoooo”.  E desenha nas paredes, roupas e até na própria pele. Ele com  caneta é impagável (impegável também). Dança qualquer coisa, aquela dança de neném que só abaixa e levanta nem é muito com ele, adora inventar passos, caretas e brincadeiras. Destemido e adora se jogar das alturas no colo de quem merece sua confiança, que ainda é de muitos. Gosta de deixar besouros e joaninhas passearem em suas mãos. Ama piscina, banheira, poça d’água. Escolhe a própria roupa e sapato, come de tudo, dorme a noite inteira. Meu pequeno príncipe é um anjo. Ele já tem estilo, muita personalidade. É um tremendo sedutor… Eu fico morrendo de saudade, vou pra casa voando de vassoura pra pegá-lo acordado, pra brincar um pouco antes de dormir. Não é que sou eu que cuido dele, ele que me fez querer cuidar de tudo.

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Música meloooosa pro meu papagaio louro do bico dourado: Ain’t no mountain high enough – Marvin Gaye and Tammy Terrell

Maternidade

Adoramos tudo isso

24, março, 2009

A reclamação. Adoramos reclamar, eu que o diga! Adoramos adorar, vivemos na era da celebridade inútil, não precisa ser alguém. Aliás, é melhor mesmo adorarmos o ninguém com o qual nos identificamos, idolatrar personalidades vazias, sem brilho ou gosto, mau gosto mesmo. Por que admirar um cientista que se dedica a vida toda para pesquisar uma doença? Somos tão medíocres, a maioria sem capacidade de criar, a maioria só sabe reclamar, colocar defeito. Por que não? O perfeito é o fútil, inútil e perecível. O perfeito é só a idéia que compramos, aceitamos, que nos enfiam goela abaixo. Os deuses torturados, o martírio como redenção. Se Cristo tivesse morrido empalado como seria o objeto no final do rosário? Se existe metaleiro de Cristo, por que não existe Judeu de Cristo? Por que a fé faz bem se  por  política, economia, território (leia-se dinheiro, pô) fiéis que buscam na religião alento pra tanta injustiça são usados e abusados? Quem quer saber a pauta de votação dessa semana dos vereadores dessa merda de maior cidade de estúpidos da américa latrina? Ninguém quer saber. O importante é que o BBB tem mais de 70 mil assinantes. A família dos participantes assinar, vá lá. Mas e o resto? Como pode alguém pagar pra ver gente muito burra na TV, meos Deuses? Oh, eu sou mesmo insuportável por me retirar de qualquer ambiente cujo som for podre (leia-se funk, axé, sertanojo, sambabaca), sou ridícula por desprezar moças que se enxergam apenas como objetos de acasalamento ou bens de consumo,  tornei-me a intolerante que sempre critiquei quando encontro um fundamentalista de qualquer doutrina. E, claro, sou repulsiva por achar que o futebol só deve ser divertido pra quem joga, pois pra quem assiste é quase uma provocação coronária. Mas, terça é um dia bom… Dá vontade de viver, a semana já passou do ponto crítico da segunda. Adoramos o fim de semana, é quando podemos fazer nada, quando nosso desempenho é pouco exigido, quando tudo é mais fácil. Aliás, adoramos tudo fácil. Prestamos concursos por que a estabilidade do serviço público não exige competência, superação. Está dentro, já era. Ah… Adoramos ignorar as falhas… E dormir tranquilos, mesmo que embriagados no excesso de informação que não serve pra nada. Mesmo tendo pesadelos com bundas gigantes vazando silicone, mesmo sabendo que apesar de tanta campanha de conscientização não somos mais capazes de melhorar o meio ambiente.  Ignoramos tudo e eu, que sou humana mas nem tanto, me sinto quase diferente. Mas nem tanto. Apesar de tudo, adoro a idéia de viver..

Música muuuito bacana de uma banda muuuuito bacana:  Standing in the way of control – The Gossip

Brisas

Megalomanias

19, março, 2009

Sim, eu sou exagerada. Dizem que é influência astrológica, eu acho que é criação. Se rebeldia é genética, talvez isso explique a razão da minha megalomania. Cresci ouvindo que tinha de ser mais humilde. Claro que nunca concordei e por isso me tornei o oposto do realista, do humilde. Fiquei utópica e megalomaníaca. Propensa a acreditar em teorias de conspiração, com imaginação torturante e hiperativa, verborrágica quando confortável, insuportável. Se eu amo, sou apaixonada demais. Se odeio, mentalmente empurro precipício abaixo e mato o objeto do meu ódio. Não sei (ainda?) ser indiferente.

Megalomanias são coisas ridículas, sabe? Quando eu falo que vou dominar o mundo, me dizem que falta um Cérebro pra minha Pinkadisse. Quando digo que o mundo deveria ter um governo mundial pra quando os alienígenas pedirem para levá-los ao nosso líder sabermos quem procurar, pensam que é piada. Quando digo que EU serei esse líder, causo gargalhadas. Até eu dou risada. Apesar de achar que tudo é possível, mesmo o improvável, acho que ouvir isso deve ser realmente uma graça. Mas do jeito que o mundo é uma bosta, eu acho que faria muito melhor. Pelo menos a intenção é boa e hedonista, o que vai ser gostoso pra todo mundo.

Quando estou com sono, como hoje, o exagero me faz afirmar que estou morrendo, que minha pele está desmanchando, que meus olhos estão inchados e saltando pra fora, que minha coluna está quebrada em alguma parte, que meu cabelo dói. E em geral, fico mais engraçada para os outros, provavelmente por ficar mais ridícula. O exagero é burlesco, é o limite que as pessoas não se permitem em público, só escondidinho. O exagero é uma das minhas válvulas de escape do tédio. É chato demais estar sempre perto de gente previsível, comedida, controlada e humilde. Gente que se acha menos, que se acha feia, que se acha incapaz… Putz, dá dó e raiva. Vontade de agredir só pra ver reagir e provar, mesmo que de maneira torta, que a pessoa também pode, consegue, é capaz.

Talvez só eu seja tão ridícula… Talvez toda essa baboseira seja só muito sono…

Música pra acordar: Them Bones – Alice in Chains

Brisas

Nossa! Eu que fiz?

18, março, 2009

Pois é… Sabe? De tempos em tempos eu gosto de me ler e me surpreendo comigo. Tem coisas ridículas que escrevi que me deixam cheia de vergonha, outras me deixam quase orgulhosa… Tipo esse:

Intrigas do Amor

Ainda penso como nesse texto, ainda acredito que o amor da minha vida sou eu. Enfim… E com tudo isso posso dizer que hoje sei amar melhor. Posso não saber o que esperar sempre, mas me decepciono cada vez menos, minhas expectativas são mais realistas no quesito relacionamento. E sou mais feliz no amor do que jamais fui… Obrigada, Lia! Você é o maxxxx!

Música pro liafafa: Are you gonna be my girl? – Jet :P :P :P

É com a Lia , , ,

Contagiante

16, março, 2009

Talvez fosse importante, talvez em morte seria finalmente reconhecida por ajudar o mundo, pois até agora nunca conseguiu levar os créditos de todo o  esforço. Quando teve a visão de que seu quarteirão expodiria e mataria quase todos, conseguiu convencer o terrorista a não detonar a própria vida e a de seus vizinhos se jogando aos pés dele, oferecendo-lhe o  corpo e pecado para poder chantageá-lo com a culpa. Isso o fez fugir não só da tentativa de massacrar o regime opressor do país capitalista dela, mas também a própria religião, etnia e passado. Talvez tenha sido a pior foda da vida dele.

Mas ela viu a própria morte e o que significava? Quando previu que ficaria doente, conseguiu evitar que toda água da cidade fosse contaminada em um acidente entre dois caminhões: um que transportava resíduos radioativos e o outro lixo hospitalar. O lixo da colisão escorreria na chuva até o rio que abastecia a estação de tratamento, e as doenças resultantes seriam totalmente desconhecidas. Mas ela conseguiu atrasar um dos caminhões furando os quatro pneus, o que garantiu que o tempo necessário seria dado para o outro caminhão chegar seguro com o lixo inseguro.

Se ela se contaminasse, perderia a imunidade da visão. Por isso vivia tão sozinha, por isso nunca criou laços. Mas sabia que o fim estava próximo, seu fim. Não que fosse uma surpresa antever o que aconteceria, mas sentia que aquilo era uma  ingratidão do destino. Ela, que para poder ver e saber sobre tudo e todos,  nunca tinha vivido a própria vida. Uma heroína caída, desconhecida e muito infeliz… Um capricho da vidência? Por que sua morte era importante?

Se ver no momento derradeiro foi assustador não pelo sangue seco que manchava aquele vestido todo, nem pelos cortes por todo seu corpo e a dor que viu que sentiria, mas por estar só . Morrendo sozinha, sem nenhum ser vivo para sentira sua falta. Talvez nem ser morto sabia de sua existência. A que ponto chegou sua vida? Ao ponto da morte… Sim, todas as vidas acabam, mas quase ninguém pode dizer que viu a morte. E talvez ninguém mesmo mereça um fim tão melancólico. Por que não poderia ter visto sua morte numa festa no clube das mulheres? Talvez por que nunca tinha tido coragem de visitá-lo. Mas já que sabia do fim que se aproximava, sacou umas notas do banco e saiu de casa decidida a enfiá-los numa cueca bem recheada…

Musique du jour: Where did you sleep last night – Nirvana

Contos

Roller Coaster

13, março, 2009

É… Acho que a sexta me anima, em geral. Dia consagrado às Deusas, na minha valiosíssima (sic!) opinião. É um dia que antecede o fim de semana, dia de expectativa de diversão e descanso, dia da Lia. Oh, poderia fazer um texto sério sobre qualquer coisa séria. Então vou falar da minha mansão cerebral. É fato que sou cabeçuda (pescoçuda, pernuda, linguaruda também), mas hoje de manhã cheguei numa conclusão óbvia, mas que por motivos de comodidade eu evitava. Minha cabeça é uma mansão cerebral com vários aposentos, então só sei onde está mesmo meu cérebro quando ele vai até a cozinha pedir comida ou quando precisa ir ao banheiro. Nas outras vezes, ele está sempre perdido em algum aposento secreto ou distante demais. Quando algum problema bate a porta da mansão, dispara o mecanismo de distração automática, me fazendo dizer algo idiota (piadinha besta) num primeiro momento só para ganhar tempo da questão enquanto procuro meu cérebro. Em geral, quando o encontro, o problema já era e as considerações que ele faz são inúteis, soam como mais uma rabugisse da Lia. A culpa não é minha… É da minha cabeçona.

MUSHKA TCHUGUI:   Razor – Foo Fighters (pra variar, né? … minha mansão tem muito Foo pra distrair meu cérebro arredio…mas essa é muito legal mesmo)

Brisas

Realmente, não.

12, março, 2009

Pra quem gosta de sonhar, acordar é muito chato. É se deparar com a realidade, é ver que nem tudo é possível e muita coisa boa é improvável. Pode chamar de covardia, em sonho tão valente e quando acordo, diferente… Indiferente. A realidade é tão chata que prefiro ser distante da maioria. Poucas pessoas podem se aproximar e eu prefiro assim. Se humildade é dar a chance de as pessoas te acertarem, sou orgulhosa demais. Utópica demais, não me misturo com a gentalha que se conforma em sofrer sorrindo, que oferece o outro lado da face para que, dessa vez, lhe acertem uma voadora. É melhor eu ser só sonho, sempre. A realidade é muito chata, mesmo. Quando eu permito a realidade, ela estraga tudo, sempre. Só queria não ter acordado hoje…

Música down:  Ruby Soho – Rancid

É com a Lia ,

A obesa lady

9, março, 2009

A de Murphy, sabe? É muito gorda… Eu odeio segunda-feira, pela minha natureza garfieldiana e por saber que é um dia em que as coisas costumam ser uma bosta. Naturalmente hoje não seria muito diferente. Começou as 5 da madruga. Meu celular despertaria às 6, mas meu filhote resolveu que já tinha dormido demaaais. Tentei, mesmo sabendo que nunca funciona, enganá-lo para que voltasse a dormim, mas no way. Ele apontou pra TV e “Vivizão, mamái… Louie!” – Só que o tal Louie ainda não estava passando e ele ficou revoltado. Aí já era, levanta, faz mamadeira, toma um banho relâmpago de porta aberta pra ficar de olho nele que fica mamando e vendo desenho, sai do banho e se arruma com a primeira coisa que encontra no guarda-roupas, troca a fralda dele e veste o uniforme da escolinha, tenta fazê-lo comer alguma coisa antes de sair, só consegue empurrar dois bis de chocolate. Começa o parto pra sair de casa, pega nenem, mochila de nenem, mochila de mamãe, neném, reza pra não ter esquecido nada pois voltar é um parto de trigêmeos. Sem carro hoje, pega lotação lotada, uma alma caridosa faz o favor de sair do banco prioritário te olhando com cara de ódio por atrapalhar seu conforto, deixa neném na escolinha com o coração apertado e vontade de ficar com ele, pega metrô lotado de gente fedorenta (carai, nada é pior que o cheiro de quem anda de metrô, não entendo como alguém tem coragem de sair de casa fedendo e submeter todos ao seu aca nauseabundo), chega meia hora atrasada no trabalho e descobre que a pessoa que deveria te ajudar faltou, abre seu email e a resposta que estava esperando não veio ainda.. Putz. A obesa Lady Murphy adora a segundona… Ah, dia estúpido! Espero que tudo termine bem…

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Música pra começar: Gimme Shelter – Rolling Stones

É com a Lia

Malia do Contra

4, março, 2009

Poderia ser Maneca, Maria, Malinha… do contra, sou eu mesma. Nenhuma terapia de autoconhecimento me ajudou até hoje a entender a razão pela qual sempre fui diferente, ou sempre quis ser diferente, ou pareço diferente, ou me sinto assim, whatever. O fato é que aconteceu e ainda acontece, quase sempre me sinto uma alienígena por pensar o que penso sobre tudo. Metamorfose ambulante? Não… Eu não mudo de opinião tão facilmente, mudo de tudo, em geral, quando acho que é o caso, quando a situação exige ou permite. Sou um ponto fora do gráfico, dizem… Ou eu digo, who cares? Fato: odeio o clichê brasileiro carnaval, futebol e índio. Geralmente só me sinto confortável para expressar minha rabugice com quem já está acostumado com a verborragia também. Mas quando o faço, por distração ou sacanagem, percebo uma desconforto geral, como se só eu pensasse diferente e como se minhas idéias fossem absurdas. Hipocrisia à parte, baby, sei que muita gente também é diferente, mas parece que a maior diferença é a coragem de se expressar, é a coragem de se aceitar. Sim, eu não sou perfeita, sou até desprezível algumas vezes, mas me permito. Sou ansiosa, me preocupo tanto com bobagens  quanto com coisas sérias, sou humana, infelizmente… Poderia ser perfeita sendo gente? Noooot!

Tocar pra louco dançar: I hate everything about you – Ugly Kid Joe

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