Arquivo

Arquivo de fevereiro, 2009

Mesmãe…

27, fevereiro, 2009

Hoje eu sei com certeza que você não quer e nunca quis que qualquer mal me atingisse, sei que sou uma das duas pessoas mais importantes na sua vida, sou a pessoa que você fez e entendo sua frustração ao constatar que nem tudo saiu como você preparou. As pessoas mudam, sim, mas isso não deveria magoar. Eu sei que, apesar de nostálgica, você não gostaria que eu babasse e engatinhasse pela vida toda. Sei que sente orgulho da minha capacidade e até de nossas diferenças. Gostaria que você soubesse e tivesse confiança na admiração que tenho por ti, independentemente do que pensem ou digam sobre você, o que eu vivi ao seu lado é muito maior e mais importante que qualquer opinião, seu exemplo é minha herança mais valiosa. Posso não seguir seus passos, mas sua jornada sempre me inspirou força e coragem. Posso não atender aos seus apelos, mas sua opinião sempre será um bom conselho. Poderíamos ser melhores amigas, mas sei que apesar de todo meu amor e todo seu amor, nossa relação é muito competitiva. E isso tudo é muito complicado…

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Música que eu sei que você adora (e diz a lenda que foi o som da minha criação):  Woman – John Lennon

Maternidade, É com a Lia

Independente ou morta

26, fevereiro, 2009

Não dependo. Trabalho desde os quinze anos, sei quanto custa ser gente grande, sei como é não ter toda grana pra pagar as contas e, mesmo assim, seguir em frente. Sei como é subir e cair e subir e cair, que tudo muda, tudo passa, mas muita gente é incapaz de ver a própria capacidade de adaptação. Sem dramas, ok? Fico irritada quando vejo as pessoas confundirem gratidão com sujeição. Esse tipo de gente nunca faz pelo próximo, faz por que precisa aliviar a culpa e/ou sentir-se útil (querido). Esse tipo de gente dá o peixe, nunca ensina a pescar pois assim corre o risco de não ser mais solicitado, incluído. Esse tipo de gente confunde generosidade com abnegação, o tipo que se fizer uma festa (e geralmente é um tipo que adora festa), vai considerar todo o processo um tremendo sacrifício, um esforço descomunal. A diversão é ser o centro das atenções. Mas o dono da bola sempre é o cara mais importante da pelada… Gente estúpida, meos Deuses!

Essa gente adora expor suas mazelas quando o clima pede e contar vantagem se o clima muda. Depende do que vai dar mais ibope. Essa gente ainda expõe os outros, imprime trechos convenientes do que os outros escrevem sem má intenção alguma, para confirmar suas paranóias, para angariar ajudas forjadas mais na pena que na causa. Essa gente não sabe dar a cara a tapa, enfrentar o incômodo de frente e dizer o que deseja. EU não dependo dessa gente, só dependo do meu esforço e ele é muito obstinado. Se tudo der errado eu começo de novo, quantas vezes for preciso, pela vida inteira. Não apenas por ter um filho lindo como fonte de inspiração e força, mas por saber que a vida funciona como um jogo de video game… Só passa de fase quem não desiste na primeira morte.

??????: Would – Alice in Chains

Brisas

Qualquer coisa…

25, fevereiro, 2009

As bobagens que levamos a sério fazem a vida ter algum sentido quando mais nada é sentido, só aceito, só estragado ao exagero. Quando olhamos para a vida e sabemos o que falta, sabemos onde está errado e nem queremos mudar, temos medo de perder a frágil estabilidade que é a nossa loucura habitual, temos medo de perder em geral. Mas sabemos, sentimos e ignoramos. Sabemos que somos os culpados e contemplados, a maldita dor e a bendita delícia seriam nada sem a aprovação dos que amamos, dos que pensamos possuir e de quem somos dependentes. “Não vivemos numa ilha” -  foi o que sempre me ensinaram e acabei acreditando… Apesar de ser mentira.

A briga é o inferno das relações, claro. Sempre queremos felicidade de propaganda, um pouco de drama teatral e nenhum suspense. Precisamos saber o que o amanhã nos reserva, precisamos saber que fizemos todo o possível, que cuidamos de nossa saúde, de nossa higiene, de nossas contas, não nos permitimos o fiasco, não sabemos rir de nossas lições. Por mais idiotas que sejamos, sempre nos levamos muito em consideração. E por que não? Não sabemos ser ou ver o outro, somos cegos quando apaixonados e alérgicos se contrariados. Patéticos quando sérios, deprimentes quando emocionados. Que saco que é ser humano… Carnaval acabou, agora começa um novo ano…

Quase esqueci do foo de hoje: Big Me – Foo Fighters

Brisas , ,

Branco Sobre Negro – Ruben Gallego

19, fevereiro, 2009

“Alguém com pernas e braços não é um herói…” Este livro é triste, apesar de ser uma lição de vida pra quem gosta de dse fazer de coitado. É a história da vida do autor, filho de espanhóis e nascido na União Soviética quando ela ainda existia e era comunista, deficiente físico, abandonado em orfanatos, onde cresceu em meio a humilhações e mentiras sobre a realidade do mundo. Apesar de quase tudo contribuir para ele desistir e enlouquecer, o cara viveu e se tornou um herói por conseguir, simplesmente, viver como qualquer pessoa que nasce saudável. Várias partes dão vontade de chorar, mas quando terminei o livro, deu vontade de fazer todo mundo que reclama da vida, ler. Vale a pena.

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Música de verão:  Summertime – Janis Joplin

Livros

Imoralia

17, fevereiro, 2009

A burrice é imoral, mas o mau gosto também deveria ser. Sou uma crítica  maldosa da vulgaridade na aparência (alheia, claro… autocrítica nem pensar…). Claro que existe gosto pra tudo, mas poupe a maioria das pessoas dos detalhes sórdidos da sua gordura abdominal crescente. Sem noção? EU? Só por que disse pra uma gordélia de dieta que o mehor não era começar a comer salada e sim parar de comer em geral? Um tratamento africano pra obesidade é infalível, baby. Mas, é difcícil resistir ao apelo gustativo, né? Então, literalmente, que se exploda. O problema não é só ser gordo, ou seja, ocupar mais espaço e proporcionar situações desconfortáveis, é querer ser igual a todo mundo assim… sendo o dobro. Enxergar a diferença como algo pejorativo que é preconceito. Fingir que somos todos iguais é uma burrice. Fato. Fato. Fato.

A burrice é imoral e eu gostaria de eliminá-la do meu convívio, não me sinto melhor por me sentir menos burra que a maioria – não todos, alguns considero tão capazes quanto yo – me sinto estranha. Acho que o que é bonito é notado, descoberto. Não precisa ser mostrado, exibido, obrigatório. É cansativo. Tudo bem, aquele belo par de silicone transformou uma despeitada em gostosa, mas se eu vejo com mais parte pra fora que pra dentro da roupa, logo penso numa vaca. Praias de nudismo existem pra isso, pra deixar tudo solto. Mas essas figuras não frequentam esses lugares por que não podem exibir, então, o biquini da última coleção da Azul Blá (Rosa Chá?)… A real dessas críticas é uma atitude cômica de indignação fingida. Na real, só acho ridículo mesmo. Não que isso faça tanta diferença, mas incomodaria menos se eu descobrisse a fórmula do chá de SeLigol.

Eu seria primeira a provar desse chá. Os incomodados que se mudem, né? Se o Canadá não fosse tão frio, eu iria pra lá. A rima foi sem querer… Uma música que vai bem com a rebeldia sem calças… My Own Summer – Deftones (muy buena, niña!)

Brisas

Imagine quando tiver 40

12, fevereiro, 2009

Se com 27 eu pareço uma velha rabugenta, disparando reclamações infinitas sobre a estupidez da sociedade e de tudo mais, imagina quando eu tiver 40… Tenho quase certeza que só os gatos surdos me farão companhia, e daqueles gatos quadrúpedes, pode crer.

Se com 27 eu já desconfio de pessoas boazinhas, daquelas que todos adoram e são do tipo inofensivas, se afirmo que são perigosas e faço questão de me afastar dos bens intencionados, imagina quando eu tiver 40… Provavelmente serei a vizinha que apavora as criancinhas quando aparece na janela só quando a luz do crepúsculo torna a cena mais medonha ainda.

Se com 27 já tenho senso de responsabilidade e me sinto responsável (e por que não dizer culpada) pela existência da humanidade sobre a Terra, se sinto urgência em aprimorar comportamentos pelo bem de Lia e felicidade geral da minha corja, imagina quando eu tiver 40… Provavelmente já terei fundado alguma seita, pois a utopia de acreditar no bom senso do indivíduo estará extinta.

Se com 27 fraquejo diante da ignorância, se evito o conflito para evitar o desgaste e cismo em acreditar que todo são capazes quando qualquer um prova que é possível, com 40 estarei farta das desculpas esfarrapadas e serei a maior intolerante com a autopiedade que jamais existiu.

Se com 27 anos eu consigo fingir essa autocrítica toda e fazer parecer que sou consciente e preocupada com o futuro, aos 40  serei presidente… Não vou apostar com toda minha costumeira convicção por  que sempre perco as apostas…

t-neverunderestimate

Música pra viajar ontem e amanhã: The house of the rising sun – The Animals

Brisas

É quase Carnaval, droga…

10, fevereiro, 2009

Ah, eu detesto o Carnaval… É uma coisa cultural, mesmo. Nunca vi mi madre sambando por aí, ela prefere quando tocam Raul, minha família até tem uns foliões, mas não me pegou essa doença. Pelo menos essa, não.  Por mais que eu alugue filmes e tente me isolar do mundo nos quatro dias mais chatos pra se viajar, sempre acabo ficando com mais raiva ainda do Carnaval. E sempre é por conta da política, ou melhor, da falta de consciência política do cidadão Dupiniquim. Eu fico fula quando ouço a brilhante afirmação: “Ah, eu odeio política!” – Como se fosse um prato, uma marca, uma pessoa. Como alguém pode odiar um conceito? E, pior, não me conformo como podem ignorar o que decide o rumo e a qualidade de suas vidas, pois somos uma sociedade, infelizmente. Sim, eu viveria isolada da maioria dos idiotas e seria mais feliz com isso, talvez seja um karma ser chocada com a alienação diariamente, talvez uma redenção por toda presunção, ou não. Só sei que detesto… É que a aproximação da folia do Carnaval é aproveitado pelos políticos pra roubar, votar às escondidas medidas que só beneficiam quem não precisa, negociar almas e tudo com a conivência do telejornalismo, que está com audiência demais mostrando barracões cheios de raimundas peladas e gringos. A Época dessa semana daria um excelente Globo Repórter, daqueles das antigas, que davam até medo quando a música de abertura tocava. Mas é muito, muito improvável que a platinada tivesse culhões pra fazer uma matéria pra TV com um conteúdo e expressão agressivos. Ah, o Carnaval me irrita… E nem adianta tentar fugir, em qualquer lugar corre-se o risco de algum pitboy colocar um som de quinta categoria no último volume do carro e ser feliz com a merda que é perto de você.

Música pro Carnaval: Loser – Beck

Brisas ,

Lia Nova

9, fevereiro, 2009

Uma fase que passou, dois anos de filhote lindo e cada vez melhor já foi celebrado, agora é uma nova fase. Agora estou vivendo a aventura do independer. Claro que as coisas podem ficar mais pesadas pro meu lado, mas sou bem forte e preciso muito provar à mim mesma, novamente, que sou capaz de me cuidar e arcar com as responsabilidades que são só minhas. Procuro evitar a fadiga, mas a vida é um problema mutante constante que devemos solucionar, ou não passamos pra próxima fase. Um jogo em que sempre se é vencedor, pois não competimos com ninguém e, se perdemos pra nós mesmos, empatamos com quem? Talvez isso não faça sentido algum pra vocês, mas sei como é ser a própria concorrente. Autosabotagem, sabe como é? EU sei bem…

Mudar requer coragem, tenho de sobra. Disposição não é o forte de quem vive evitando a fadiga, mas sei de onde tirar forças quando necessário. E já nem tenho medo de errar, pois sei que só a morte é irreversível. E já errei demais pra sentir medinho de qualquer revés, né? Ainda bem que errei demais, pois não me trocaria por muito marmanjo que ainda vive debaixo do jugo de família, sem experiências advindas da própria vida, sem bons causos pra lembrar quando a velhice chegar. Carambis, se eu sou uma mãe muito da hora, tenho certeza de que serei uma vovó animalegal. Ok, eu me precipito, eu viajo, eu causo… Meu filhote só tem 2 anos e eu já penso em ser vovó. O problema em viver sonhando é que a realidade alheia fica incomodada diante da imensa sorte do sonhador… Mas, olha minha cara de preocupada aí:

chi-is-kawaii

Música pra essa vibe:  Good Riddance – Green Day

É com a Lia

Amanhã já é um lindo dia…

5, fevereiro, 2009

Amanhã já faz dois anos. Ele, o meu pequeno príncipe. Há dois anos eu estava no consultório do Mala, ouvindo que meu líquido aminiótico estava aumentando, o que não deveria acontecer por que colocava em risco a vida do bebê.  Há exatamente dois anos e lembro como se fosse ontem, ele me perguntou: “Então, vamos marcar a cesariana pra semana que vem?” e eu, leoazinha já: ” De jeito nenhum, vamos fazer amanhã!” – OK, parto normal é o que eu queria durante toda a gestação por que o nome já diz tudo – NORMAL – mas como nem eu sou muito normal, não quis colocar em risco o sagrado fruto do meu ventre esperando mais uma semana pra fazer a mesma cirurgia, pois o normal já era inviável. E eu comi, mas comi feito uma condenada, pois sabia que no dia seguinte teria de ficar em jejum pra operação, nem água o médico liberou – e foi de secanagem, quando ele chegou ao hospital e eu contei que estava morrendo de sede, ele riu da minha cara e perguntou se eu tinha acreditado que era pra ficar sem água mesmo – um amor de médico, mas é o que dá ter amizade…

E hoje… hoje eu penso que amanhã queria ficar o dia inteiro entregue aos seus encantos, manhas e descobertas. Amanhã ele completa o segundo aniversário e é muito, mas muito melhor do que eu jamais imaginei. Nunca pensei que a maternidade fizesse tão bem, há quem diga que fiquei até mais bonita (como se isso fosse possível, ha… ) Espero muito, sempre, hoje e amanhã em sua vida, que aprenda a ser feliz. É o que quero ensinar, pelo menos. Quero que aprenda, assim como eu aprendi, que é melhor ser feliz pra gozar as coisas boas da vida – liberdade, amor, conhecimento.  Ser feliz é um caminho, não um destino. Se um dia ler isso, quero muito que  entenda só isso: seja feliz para ser feliz. E mando um ritmo que eu sei que você gosta de dançar com a mamãe!

A Festa – Maria Rita

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Maternidade ,

De volta pro que não é meu…

2, fevereiro, 2009

Ou seja, esta é minha nova casa virtual. Sejam bem-vindos, ou não… Expressar é só uma necessidade ou é meu tratamento? Não sei, só sei que cansei de ter problemas com o pontocom e, pra fazer o que mais gosto na vida, ou seja, evitar a fadiga, resolvi mudar de ares. Como quando você mora numa cidade grande e tem tudo, tem variedade e acesso ao que interessa, mas não tem paz de espírito,  então se muda pr’um cafundó onde nem sinal de celular chega e acredita que vive melhor. É o que fiz virtualmente…

Brisas