Criando minhocas na cabeça
Minhocas são inofensivas e não sou Medusa, apesar de gostar de fazer de conta que sim. Não mesmo… Minha imaginação sim, essa é da pá virada… Eu imagino coisas o tempo todo. Tenho noção de que faço as pessoas darem risada, é um comportamento espontâneo e, mesmo assim, repetitivo. Como a vez em que reclamei de ter de subir uma escada orgânica no metrô e, de castigo por ser preguiçosa, na sequência tropecei e quase caí. Foi uma cena ridícula, mas ‘ele’ riu. Imagino situações eróticas, violentas, cômicas, dramáticas dependendo do estímulo… E um estímulo erótico não garante que eu não vou ter uma crise de riso por imaginar algo cômico. Hoje em dia controlo melhor a reação do meu organismo quando o pensamento o surpreende. Já quase consigo segurar a risada e me tornei uma, praticamente, monja zen ao lidar com minha própria raiva. Ok, ainda não sei como lidar com o exagero e já tentei um trilhão de vezes. Acho que isso não vai mudar nunca… Seria repugnante se não fosse tão inconstante…
E assim vou seguindo meu próprio rastro, por que quero muito me encontrar e saber tudo sobre o que (quem?) sou. Queria não me surpreender comigo, ter segurança de verdade e não só a soberba. Conhece-te a ti mesmo, já escrevi sobre isso antes… É o que tento egoística e incessantemente fazer. Sempre falo que sei que sou assim ou assado, mas acabo me contradizendo sempre. Também adoro dizer que estou evoluindo, aprendendo – mas posso evoluir pra algum tipo de monstro e aprender só o que não presta. E minhas minhocas estão gordinhas, fofas e sapecas. As coisas que criei só na minha cabeça, como o fato de eu acreditar ser antisocial quando, na verdade, costumo ser a alma da festa – quando apareço nelas, claro. Outra grande minhoca é sobre a maturidade que penso ter conquistado como se fosse um brinde que veio com meu filhote. Parece cômico, mas é só ridículo. E o pior é saber que não é verdade.
As minhas minhocas são quase imortais. Apesar de repetir como uma matraca que a evolução é blablablá e aprender é quiquiqui sou apegada aos conceitos que penso ter aprendido na prática. Como a falta de admiração pelos homens, a fofoca que fazem com você e depois de você, a experiência empírica como base do aprendizado e a falta de capacidade que tenho pra aprender com erros, a eloqüencia de toda contradição. E tem gente que lê minha brisa e, pior, me entende. Acho que pro ano que vem vou pedir ajuda aos universiotários e descobrir que imagem é essa que usurpa minha vida fingindo ser minha personalidade (ou a falta dela). Não tenho intenção de ver meu blog se tornando um espaço cheio de comentários de analfabetos funcionais ou de carentes que precisam da minha aprovação por terem mau gosto pra blogs… Se fizer um perfil com a opinião alheia sobre mim a única unanimidade será: convencida – o resto costuma variar horrores. Mas opinião é que nem bunda…
Música pro último do ano dessa paulistana que tem vergonha do Reveillon da Paulista ter tanta merda classificada como MPB (última reclamação do ano, juro!) – Tocando em frente – Almir Sater




