Arquivo

Arquivo de novembro, 2008

Lágrimas

30, novembro, 2008

Quando a pessoa nasce, chora pra mostrar que está viva. Seria, no mínimo, estranho ver a vida tão diferente do lado de fora da mãe e dizer: “- Olá! Que sufoco lá dentro!”. No tempo que se segue o bebê chora por que não sabe o que se passa, não sabe como lidar com as próprias sensações, chora pra ser satisfeito, atendido. Quando já se comunica, a criança chora pra demonstrar que algo não está como gostaria, claro que há o choro de dor física, mas aí é coisa pra pediatra, então, a criança chora por que foi contrariada, por que não consegue o que quer. Chora por que não sabe argumentar pra conseguir o que deseja. A criança chora, basicamente, por que não sabe. E por não saber é que o choro da criança passa logo, a ignorância é a chave da felicidade. Criança que vive como criança deve viver é feliz.

Aí o adulto chora. São tantas emoções… O adulto também chora quando não sabe, mas tem capacidade e habilidade pra saber. Lágrimas de gente grande talvez sejam mais falsas. Moi, je, moi, je, moi, je… Quase sempre é uma repetição da condição infantil de despreparo ante as próprias sensações, mas diferente dos pequenos, o adulto busca/provoca suas sensações, de uma maneira ou de outra. O ponto que me intriga nesse pensamento é: até quando esperar que outro lhe ampare é saudável? Talvez todos tenhamos dias ruins, em que um ombro amigo (ou mais que isso) é o refúgio de qualquer amargura. Dias ruins não acontecem todo dia… Os dias bons têm de ser mais numerosos para se poder contar com alguém num dia de cão. Lágrimas podem ser armas, ou armadilhas. Em ambos os casos, só escuto mesmo o choro de quem ainda não sabe o que fazer pra parar de chorar sozinho…

Música feliz (putz, viva meu servidor! recuperou meus textículos e tudo voltou ao normal!): Stop crying your heart out – Oasis

Brisas , ,

Vinte e sete

25, novembro, 2008

Aniversário é uma coisa complicada pra mim… Dois dias depois de eu completar 9 anos meu pai morreu e depois disso é impossível lembrar que quando chega a data de comemorar mais um ano da minha vida também é tempo de lembrar mais um ano sem ele. Não, meu pai não foi um super pai, mas foi o que eu tive e fez falta. Fico super reflexiva nessa época, pensando se mereço ser parabenizada por mais um ciclo da Terra ao redor do Sol, se evoluí. Vinte e sete é quase trinta, levo quase seis meses pra me acostumar com a nova idade real e mesmo assim ainda não perdi a mania de aumentá-la. Vinte e sete translações desde que nasci… É, eu evoluí em alguns aspectos.

Sem dúvida, minha maior realização é meu filho. Por ele eu cresci muito, mas isso acontece com quase todo mundo que tem filhos. Aprendi com ele o valor da minha mãe e foi a melhor lição que ele me ensinou até agora. Hoje eu sou mais calma, menos agressiva (juro!). Aprendi que não tenho de ser forte, mas flexível. Estou aprendendo que quem não sabe argumentar, agride, ou sente-se ofendido pela verdade. Também aprendi que quase sempre vale a pena acreditar nos próprios instintos…

Mas não pense que por isso tudo eu estou melhor, não. Eu estou pior, muito pior! Hahhahaha!!! Sim, agora meus planos são maiores e mais perigosos, quero mais, quero TUDO, quero agora! Minha acidez só se equipara ao meu jeitinho meigo de ter só a cara de santa. Veneninha louca… Um pouco sádica, talvez. Sim, eu confesso, ainda A-D-O-R-O ver gente perdendo a compostura e mostrando quem realmente é, nem que eu tenha de provocar um pouquinho pra isso acontecer. Já teve aniversário em que eu fiz todo mundo ir embora da festa “surpresa” que mi madre preparou, por que não eram meus amigos mesmo. Só deixei minha família, quatro pessoas, presentes no momento em que soprei as dezoito velinhas… A cara dos excluídos foi impagável, pois não acreditavam que eu teria cojones de acabar com minha própria festa.

Hoje tem cara de qualquer dia. Não fui eu que fiz a Terra girar ao redor do Sol, não mereço parabéns. Feliz Aniversário é mais adequeado. E é feliz mesmo. Nem tudo vai como eu gostaria, mas por ter fé vida e sabê-la linda e caprichosa continuo sonhando… Um ano a menos de vida e a mais de experiência. Espero não estar me tornando aqueles velhos que falam com os jovens como se soubessem mais da vida por terem mais experiência. Meu pedido desse aniversário é para que o tempo não apague minha fascinação pela vida, que ao passar ele não leve meu idealismo…

Música pra festa: Candela – Buena Vista Social Club (delícia)

É com a Lia ,

Amor – Drummond

24, novembro, 2008
Titio sabia do que falava…

AMOR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar
por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da
sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso
entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o
dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos
encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de
ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um
presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais
que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las
com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer
momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela
estivesse ali do seu lado… se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos
emaranhados…

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que
está marcado para a noite… se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…

Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim,
tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela… se você preferir
morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma
dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou
encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem
atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer
verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as
loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Música pra segunda apaixonada: M.I.A – Foo Fighters

Brisas

Res Nullius

24, novembro, 2008

Então, lembram da entrevista que eu fiz com a Soninha? Pois é, o trabalho ficou pronto, mas foi feito meio na correria, claro. Tudo fica sempre pra novembro, inclusive a disposição dos professores para mandar trabalho. Então a revisão não ficou lá essas coisas, mas o que vale é a intenção. Minha parte foi a entrevista com a Soninha, vocês podem ouvir o áudio na íntegra no meu Podcast, está em duas partes por que a conversa foi longa… A revista (quase) como foi entregue é essa:

Conselhos Inúteis, É com a Lia ,

Ser vendaval

23, novembro, 2008

Pensa em alguém que é assunto. Oi!! Sou eu. E nem sempre é por opção, mas geralmente é algo que poderia ser evitado. Não que essa seja a intenção, mas é a conseqüencia de ser impulsiva, espontânea. Alguém que, de primeira, ou você ama ou detesta. E, pra ser otimista, eu considero que a proporção está em 50% pra cada. Gosto de ser otimista em relação à aceitação desse meu jeito cruel, afinal, eu penso que se todo mundo gostasse de mim, minha vida seria um inferno…

Meu grande defeito é não saber enfiar a língua dentro da boca quando o que vou falar vai ferir o orgulho alheio. Não sei se é por não saber usar de muito eufemismo, se é por ser direta e falar olhando nos olhos, se é por que estou dizendo o que estou dizendo, só sei que já causei várias situações pentelhas… E o pior é que nem sempre sou a única envolvida, algumas vezes tem um ‘bendito’ que me escuta com o ouvido que quer (ou o que é capaz ter) e sai repetindo, um disse-que-disse que não acaba, triste… Em geral, não engulo o que falo. Em geral, fico puta por não poder evitar que a limitação alheia em aceitar verdade cause maiores estragos. Ser vendaval pode ser legal, se aceitar o mal de não sofrer igual mortal, o que é normal…

Minha presunção, objetividade, franqueza, extroversão e beleza estúpida são espinhos. Se eu fosse um ser pensante e quieto tudo seria mais fácil. Seres pensantes causam reações quando se expressam, como se opinião fosse incomum e expressão, crime. Eu sei que falar tudo o que der na telha não é civilizado, é importante levar em conta o sentimento alheio e tals. E eu levo isso em consideração, sim. Se eu não levasse, seria espancada toda semana. A verdade dói, principalmente se quem a escuta for menor que quem a diz… Talvez a verdade incomode muito mais quem não faz nada pra mudá-la…

Brisas ,

Enfim…

23, novembro, 2008

Enfim, é uma mania falar isso. E eu falo bastante. Enfim, comentei isso outro dia. Me disseram que quem escreve tem mania de falar também. Enfim, isso talvez não seja relevante. É domingo, enfim… o dia está bonito e não vale a pena deixar ele acabar sem aproveitá-lo. Não que seja divertido começar às 11:30 da manhã. Enfim, tenho muita coisa pra fazer e vou parar de pensar…

Hoje? Dream on – Aerosmith

Brisas

Não quero perder minha leveza

21, novembro, 2008

Essa bobeira que me envolve e só mostro pra quem eu gosto, esse jeito de achar graça na desgraça, de ver mistério em tudo, de estar envolvida com tudo, tragar a vida com minha boca e deixar as impressões. Já que não vamos sair dessa vivos, é bom que a vida seja boa. Que seja com força ou com jeito, viver é o que há. Tento ao máximo não cair, tento ao máximo não me machucar quando caio, tento ao máximo não ficar caída por mais do que um segundo… Nem sempre consigo ser tão imbatível. O velho nó na garganta, o mais velho de todos… Sentada aqui, onde cresci e sei que já senti isso aqui tantas outras vezes. Apesar de já ter aprendido a fazê-lo diminuir, ele volta. O nó na garganta que sentia toda vez que a saudade do meu pai apertava. E, um dia, ele nunca mais voltaria pra consertar o que fez. Então a ferida nunca cicatrizaria e revelaria um nó na garganta a cada despedida. A incerteza de não saber se é realmente um adeus… Como últimas palavras eu ouvi: Juízo! Talvez você também não ouça e seja inconseqüente. E, um dia, esse nó pode apertar sua garganta também…

Música in, pra uma sexta in: Samba sobre o infinito – Marisa Monte

É com a Lia

Mastigando humanos e Feriado de mim mesmo – Santiago Nazarian

18, novembro, 2008

Li nessa ordem, dois livros bacanas, curtos e do tipo que você lê rápido por que quer saber o que vai acontecer, me prenderam. Mastigando humanos é a história de um jacaré que por se sentir entediado (deslocado?) em seu habitat natural vai viver nos esgotos de São Paulo. É realmente psicodélico imaginar o clichê “jacaré no esgoto” da maneira que ele escreveu. Existencial, evoca o que há de primitivo nos desejos, o instinto e sua negação. Mas de modo bem peculiar e engraçado. É muito interessante acompanhar a saga desse jacaré, apesar de o final ter ficado meio… sei lá, besta.

Final legaaaaal é o do Feriado de mim mesmo. Um livro intrigante mesmo. Me deixou confusa entre todas as possibilidades e me surpreendeu no final. E eu amo quando isso acontece. A história é de um rapaz que vive sozinho e aparentemente solitário, os amigos e família mudaram-se pra Argentina. Uma rotina muito entediante é quebrada por vestígios de outra pessoa em seu apartamento e o cara vai ficando louco. Muito louco. Se contar mais, acabo contando tudo, então vou só deixar a sugestão. O autor, novinho, me deixou feliz por reconhecer nele algum talento da minha geração. Nossa, estou falando como se já tivesse vinte e sete anos… Afff…

Música pra hoje: Vem – Margot

Livros

Presuntão

17, novembro, 2008

Lembro que essa palavra sempre me escapava – presunção - e me definia tão bem… Talvez ainda defina. Alguns confundem com arrogância, falta de humildade ou caráter, agressividade. Eu sei que se trata apenas de  imaginação hiperativa. Quando alguém presume, não conclui, apenas deduz. Isso aliado à verborragia causa situações… Todas elas. Um sábio não falaria sobre presunções, talvez. Talvez um sábio só falaria sobre certezas e verdades… Ahááá!!! Aí é que minha presunção cresce. Não existe verdade e certeza absoluta, não existe sábio. O que pode existir é um monte de presunção, um monte de verborragia, um monte de imaginação. O que há é gente sem imaginação que se apropria da presunção alheia… Questionar, argumentar, acrescentar e evoluir são itens básicos para quem não pretende estancar numa presunção pessimista da própria condição. Nada é eterno, tudo se transforma, presumo que é o que devemos fazer na vida: transformarmo-nos – e se for em algo melhor: BELEZA!!!

Os incomodados que se mudem, se renovem, se transformem… Pelos Deuses, não chacoalhem suas pulgas em cima de mim. Talvez minha presunção esteja evoluindo pra megalomania. Onde já se viu escrever tanta besteira existencialista numa segunda-feira? Eu deveria ser mais jornalística e falar das coisas da mídia. Mas é chover num molhado lamacento, seria mais do mesmo. Um texto no cibermundo, um texto que vale o dobro se eu colocar uma foto “interessante”. Desde que a imagem vale mais que mil palavras, poucos se importam com as sentenças. Importante é parecer não perecer. E aparecer… Quando eu crescer, quem sabe?

Brisas

Causa ou consequência

17, novembro, 2008

Segunda-feira não é o dia favorito de ninguém, eu acho. Ainda mais quando é antecedida por um lindo domingo de Sol. Minha Lady Murphy é muito gorda, alguns reveses repetidos, uma sensação estranha de estar sendo perseguida, mas tudo bem, sou meio neurótica… Consigo ser tão feliz quando quero ver o que tenho de bom na vida! É um exercício de gratidão, pr’aqueles dias em que dá vontade de desanimar, de reclamar da própria vida, das coisas que acontecem assim ou não acontecem assado. Eu penso no que consegui e sempre me dou conta de que tenho mais pra agradecer do que pra desejar. Mas, gente nasceu pra querer… EU QUERO MAIS!

Não só pra mim, por mim ou pelos meus. Quero pra tudo, minha expansão é infinita assim como o meu amor. Ainda que tudo fosse perfeito, nem sempre tudo é perfeito. Causamos as consequências e nem percebemos, atribuímos a culpa ao outro. É mais fácil ver um inimigo do que se tornar um amigo. É mais fácil que a culpa não seja nossa – apesar do mundo estar cheio de indivíduos com complexo de culpa – na prática o que é objetivo e pode ser realmente atribuído é sempre evitado. Nem sempre planto o que gostaria de colher, apesar de ser essa minha medíocre filosofia de vida. Algumas vezes somos forçados a fazer coisas que podem magoar alguns, mas deixar de fazê-las pode magoar muito mais gente a longo prazo.

O que realmente importa é minha vontade (só a minha) soberana na minha vida (só a minha). Não temos realmente poder de fazer nossa vontade soberana na vida de mais ninguém. E não deveríamos permitir a vontade alheia na nossa. Sonhar o sonho de outro é tão impossível quanto se alimentar com a boca de outro. O sonho alheio é algo a ser compreendido, admirado talvez…

Liaaaa! Por que você é só uma? Eu queria tanto rir contigo hoje…  Hey Jude – Beatles

É com a Lia ,