Arquivo

Arquivo de julho, 2008

Como está meu filhote?

31, julho, 2008

Como está o Américo… O nosso menino mais lindo do mundo está muito carinhoso, muito genioso, cheio de personalidade. Adora brincar com comida, com água, comigo. Chama por mim assim: “amamai”, sempre com um ‘a’ a frente, sem til… Chama pela vovó: “bubó… bubó”, adora a avó por que é quem mais lhe mima e lhe faz as vontades. Quando vê um homem de cabelo branco, grita: “bubô”, e aponta… Chama “papai também, mas é mais comum quando volta de um passeio na casa paterna. Cheio de caretas, cheio de papagaiada, adora imitar o que fazemos e, apesar de eu ser meio boca suja, quando ele diz “tuta”, quer dizer ‘chuta’. Adora comer sozinho, beber sozinho, abre geladeira, armário, guarda-roupa, gavetas, potes, tubos, corações. Ele está um perigo! É um mulherengo nato, um alemão safado, amado pelas tias mais corujas do mundo. Tem uma certa queda pelas japinhas da quitanda, parece preferir as fofinhas. Todo mundo é “tio” ou “tia”, te puxa pelas calças e fala “ua” quando quer sair e ver a cara da rua. Também sabe o que é Lua e quando é perguntado sobre onde está ela, ele aponta no céu. Não gosta muito de escovar os dentes, sempre tenta evitar. Detesta cortar as unhas, parece uma tortura. Adora pentear os loiros cachinhos, ama se ver no espelho antes de ir tomar banho, peladão… Talvez tenha herdado o narcisismo materno… Resiste ao sono até o final, quer brincar e aproveitar a vida ao máximo, quando adormece, fala sonhando e se mexe muito. O Américo está assim, perfeito, crescendo, saudável e feliz. Graças aos Deuses, e a mim…

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Maternidade

in & eu

30, julho, 2008

Incompreendida, como qualquer juventude, em qualquer tempo. Nem tão jovem, nem tão adulta, ainda… Inconstante, indecente, incoerente. Insossa, invertebrada. Insatisfeita, não pela juventude, mas pela velha guarda que chacoalhou muito suas pulgas pelo direito de expressão, e hoje a maioria nada tem a dizer, só lamentar. Inquieta pela avaliação, não dos velhos, mas dos jovens que amanhã podem achar que a velha aqui se conformou e calou também. Não quero deixar pro meu filho o fardo de dominar o mundo, pretendo fazer isso por ele, e ensiná-lo a fazer o mesmo, para que ele faça no tempo dele. Insuportável. Ter opinião é inaceitável. Saber pensar parece inválido. Inacessível, invejada, iniciante. Inflamada e com a vontade impotente, insolente ao olhar inquisidor. Indomada e, ainda sempre, inconformada…

Som bem in: Infected – Bad Religion

Brisas

Juventude careta?

28, julho, 2008

Realmente vivemos numa geração de juventude careta. E por que não seria? Nada é mais careta que querer enfiar um maldito rótulo de esquerda ou direita em toda maldita geração. O que determina a liberalidade das opiniões são os assuntos velhos, assuntos que talvez nem interessem. Pedir para um jovem escolher o que é mais importante em sua vida, dando opções como família, amigos, dinheiro, beleza é, no mínimo, besteira. Declarar que essa juventude tem um cabedal pobre para discernir sobre esses assuntos é chover bem no molhado, mesmo. Perguntas sobre maioridade penal para um menor de idade deveriam ser feitas apenas de maneira retórica, para não ficar ridículo. Claro que a juventude é careta, claro que a nossa imprensa é esquerdista e não representa a sociedade que a consome, claro que o idealismo juvenil deixou de existir. Não há por que ser diferente… Os valores nunca mudaram, na verdade. A sociedade não evoluiu no que diz respeito ao comportamento, apenas no que se refere à tecnologia, e mesmo com tamanha capacidade de informação e de comunicação, não há estímulo a criatividade, ao questionamento. Só massa, muita massa e muita homogeneização de tudo e todos. Os desejos da juventude sempre são ignorados. Claro que a juventude quer dinheiro e bens, mas também quer sonhar, quer sentir-se representada. Podem ser contra a legalização das drogas ou do aborto, mas são a favor da liberdade de escolha, com certeza. Não conheço jovens que gostem de ter suas vidas decididas por outros. No momento, o que representa a juventude na grande mídia é a MTV, 99% besteirol e 1% de tentativa de aparentar consciência. Não poderia ser de outra maneira, pois é uma geração criada nos valores do entretenimento, o “veículo de informação” deixou de informar para influenciar, todos eles, principalmente os que não admitem. Essa é uma geração que não se informa por osmose, apenas ligando o rádio ou a TV. Quando se interessa por algo, quando tem qualquer dúvida, não pergunta para os pais ou amigos, simplesmente pesquisa na web. E o crescimento progressivo dos dados na internet é prova de que a juventude tem interesse, sim, mas não pelo que interessa aos velhos. Aliás, velhos não deveriam escrever sobre jovens. Há sempre um ranço de nostalgia, inveja e prepotência na avaliação que os velhos fazem dos jovens. Os velhos deveriam, sim, analisar a evolução da sociedade, já que têm experiência de vida pra isso. Mas não deveriam tentar explicar o que se passa na cabeça de gente que viveu de outra maneira, não deveriam tentar massificar mais essa. Esse tipo de padronização é o começo de toda a idiotice que as gerações futuras sofrem, desde já, e como sempre…

Brisas , ,

"Às coisas da vida!"

23, julho, 2008

Uma ode às coisas que fazem da vida o que ela é, com cara de chulé ou gosto bom de picolé… Uma ode pobre como o plano que falha, uma ode ao amor e mais uma aos bons canalhas.

Ode ao diferente que nos irrita, ao nosso reflexo que na raiva nos limita, ode ao nosso senso de coisa nenhuma… Ode ao sentimentalismo com que encaramos só a nossa realidade, à nossa hipocrisia com o que diz respeito a verdade, ode àquele que jamais se acostuma.

Ode ao imperialismo da vontade, à liberdade de qualquer capacidade, ode à reparação dos erros… Ode a nossa vida cheia de confusão, ao que não se importa se tudo é ilusão, ode ao fim do medo dos desterros.

Brisas, Versos

Glue

21, julho, 2008

Era uma tarde de chuva, ela pegou o carro e foi, sem saber o que encontraria de verdade…

Ele estava lá, esperando ela chegar, com medo de esperar, com medo dela, toda malvada, toda fantasia.

Ela o viu primeiro, mas ligou só pra ter certeza de que estava certa, era ele mesmo. Esperava menos, esperava um menininho, um adolescente com espinhas além das crises existenciais.

Nem acne nem crise existencial, foram pra um boteco tomar umas cubas, e ele nem notou que ela percebeu que seu problema não era a vida, mas a falta de sentimentos nela, falta de problemas que dão o sentido da vida.

Ela achou que ele era um medroso sem motivo, e estava certa. Um dia ele confessou:  “– Tive medo de ser rejeitado…” E ela achou a maior graça, era o medo oposto ao dela.

Ele não percebeu que o medo dela era o de ser absorvida, de nunca mais se encontrar de novo como ser singular na vida.

Ele, por não se entregar… Ela, por ter se entregado mais do que queria…

Medrosos, mas apaixonaram-se. E ficaram com medo mesmo depois de assumirem esse sentimento.

Ele com medo de ela ser uma bruxa que devoraria seu pobre e pseudo-inexistente coração.

Ela com medo de ele estar apenas encantado com o que fantasiou…

Tão diferentes, ela parecia fogo, mas era pura água… Ele parecia aéreo, mas tinha firmeza de terra.

Universos paralelos que se cruzaram. Despertaram e criaram uma realidade só pra eles…

Contos ,

Segunda-feira, segunda chance…

21, julho, 2008

Como pode? Não sei, nem quero saber e não me submeto ao escrutínio por aprovação. Let it be, live and let die… Oh, rainha dos provérbios! Preciso criar coragem pra te contar uma coisa. Mas não tenho pressa. Não tenho mesmo… Só vontade, muita. Fim de semana com meu filhote, meio final de semana, na verdade. Sabadão eu estava fazendo um curso durante o dia inteirinho. Só cheguei pra colocá-lo na cama. E ele já está na cama, nada de berço, ele é muito grande pra um berço conseguir segurá-lo. Aliás, ele está tão independente que faz muitas saudades da época em que cabia inteirinho em meus braços. Só come sozinho, bebe no copo sem ajuda, sabe o que quer e como quer e não tem dificuldade para expressar isso. Eu estou cada vez mais coruja, cada vez mais preocupada também. Ele é rei absoluto da minha vida, do meu tempo, de todo o espaço. Mas é algo que não posso resolver ainda… O que posso resolver, está complicando, ou não. Ando boba, estou feliz, mais do que esperava pra essa época. Estou até inspirada…

Melodia pra você… Across the Universe – Beatles

É com a Lia ,

Parte falando

16, julho, 2008

Deixa eu escrever de novo pra você, Lia.
Tenha alguma calma, não se precipite, não se desespere.
Claro, as coisas se complicam para quem vive
Quem só vegeta não tem complicações, tampouco emoções
Seja como for, não tenha medo de sofrer ou perder
Nem se apegue demais a essa felicidade estável
Sabes bem que o tédio abraça a estabilidade com o tempo
Sabes bem que se poupar assim, cedo ou tarde, vai entediar
Que tal deixar aflorar aquela aventureira destemida?
Que tal guardar a leoa para uma maior necessidade?
Talvez, e se você deixasse a romântica aparecer de vez em quando?
Olha, são apenas conselhos pra te alegrar mais
A gente sabe o quanto você é feliz, não é?
E só nós sabemos o que está faltando, me ouça!
Não se feche em você e nos seus, não se amargure
Tome as rédeas dos unicórnios e pégasus que te levam
Não se deixe cair de seu tapete ou vassoura
Não permita sua realidade sujar seus sonhos
Talvez o mais patético idealismo do qual você padece
Talvez toda utopia infantilóide seja sua melhor parte

Som de hoje: Skank – Balada do amor inabalável

Conselhos Inúteis

Desejo e entropia

10, julho, 2008

Algumas ausências são realmente impensáveis, somos desejo. Algumas pessoas nos são caras demais, alguns lugares, coisas, momentos, verdades… sim, somos limitados por isso e muitos enlouquecemos por não aprender a abrir mão quando é necessário. Algumas ausências, como a de um filho, fazem toda uma vida perder o sentido. Nossa sociedade quase não evoluiu nada. Ainda se vive na época em que é preciso matar para viver, brigar pra ir e vir ou pensar, delegar ao outro as próprias falhas e ignorância, submeter-se por medo ou para conseguir proteção (aprovação?), somos feitos de substância humana, o homem é capaz de admitir sua pobreza de espírito, sua primitividade.

O desejo é o nosso alívio, o sonho, todas as coisas que nos são caras são o refúgio para todo o mal que aprendemos com a vida, são a nossa parte pura, por mais impuro que o desejo seja. O desejo nos move e quando ele não existe ou é impossível de existir, não há motivação. Mas muita gente vive desapegado, muita gente é altruísta demais ou totalmente de menos, muita gente não sonha, só deseja o que lhe é oferecido, só aproveita o que há, só quer o que pode e, apesar de não serem totalmente auto-suficientes (ninguém o é), enxergam-se assim. Pergunto-me se esse tipo de gente sente alguma coisa ou apenas reage.

Não existe verdade absoluta, não há solução para problemas que inexistem em outro universo que não o da própria existência e, não sei se é uma premissa da contemporaneidade, mas não há mais esperança. Ser cético é uma possibilidade que finalmente pode ser expressa sem que haja punição por parte da sociedade, mas é tão triste chegar ao ponto de abraçar o ceticismo como ideologia. É tão triste alguém que só acredita no que pode ver, porque gente assim não consegue ser otimista, esperar pelo melhor, em geral são até negativas e esperam pelo pior. Alguns céticos até comemoram quando a triste realidade vem à tona, como se algo podre pudesse ser comemorado, como se o fato de ele estar certo fosse mais importante que uma realidade triste. Sim, a tristeza é necessária para que haja alegria. E há gosto pra tudo. Há quem faça questão de se fechar para qualquer possibilidade, e há quem não se contenta com que é possível.

Faço questão de ainda ter esperança e fé na humanidade. A mesma entropia que tirou a esperança de quem muito sabe foi causadora da minha incessante busca pelo que existe de melhor em cada um, em mim, em tudo. Sempre.

Brisas

Sexta-feira, das Deusas

4, julho, 2008

Sexta-feira brava. Sexta-feira que começou com uma despedida, pois só verei minha alegria no domingo, sexta-feira que se encheu de projetos profissionais, de tentativa inútil de criar um conto decente, de pedância redundante sobre o tema de sempre: EU. O Flip está rolando, e eu aqui. Não me importo tanto com o caos causado pela falta do virtual, nem com a guerra civil disfarçada de violência no nosso país, nem com a libertação da Ingrid, nem com toda vergonha que deveria sentir por ainda ser humana. Estou numa sexta-feira em que não ligo, simplesmente. Anestesiada com planos, liberada de expectativa emocional, plantando pra colher, pra variar. Fígado bom, já despejei meu veneno em quem me aborreceu e isso me aliviou bastante. Nenhuma fúria deveria ser contida, a menos que seja para o nosso próprio bem. Pelo bem dos outros, e outros que nem são seus, não vale à pena. Sexta-feira, começo de chatice de final de semana. Poutzzzz!!! Se eu morasse na praia como sempre planejei pra quando crescesse, teria surf pra terminar a semana com força de Iemanjá e teria também luau na cachoeira, pra começar a próxima carregada de amor e sorte. Tudo bem, vou fazer tudo isso, pelo menos vou lembrar das vezes que fiz e vou materializar a energia. Sexta-feira sempre é das Deusas, minhas queridas. Não sei se vou de vassoura ou tapete…

Som de hoje: Uninvited – Alanis

Brisas