Arquivo

Arquivo de fevereiro, 2008

Redatora de Política

29, fevereiro, 2008

Depois de mais uma tentativa frustrada de ensinar francês para meus displicentes colegas, fui xeretar uma panelinha que, milagrosamente, fica até o fim do horário às sextas… E eles estavam planejando um site de notícias. E faltava alguém que gostasse de política. Aí eu meti o bedelho. E vou escrever pra eles. Fiquei muito feliz de fuçar nessa panela. Ao menos eles realmente estão fazendo jornalismo. Eu gostei. Espero que dê certo e que gostem dos meus textos também. Quem sabe até, daqui um tempinho, eu consiga uma coluna de opinião… Já pensou? Ter aval para escrever no espaço dos outros o que bem entender… Ok, ainda é um projeto sem fins lucrativos. Mas se você, caro leitor podre de rico, estiver interessado em patrocinar, nós agradecemos. Assim que estiver no ar, eu linko por aqui.

Brisas

Crescer

26, fevereiro, 2008

É uma fase altruísta e emocionante, muitas lágrimas e novas percepções. Mas se tem algo que faz parte da minha personalidade é a justiça, e sei que sou capaz de separar minha mágoa passageira do fato imutável que é o laço sanguíneo. Meu filho merece tudo de bom e nada vai lhe faltar por que eu não vou deixar. E não quero que lhe falte ninguém também. Sei que não sou a única que o ama demais e agradeço muito por isso. Amadureci mais nesse fim de semana que em muitos anos. Percebi muito além de mim e vislumbrei um futuro de paz e harmonia, onde seremos todos felizes, ainda que não mais sob o mesmo teto. Novas preocupações, nova rotina, mas nada de desespero. Apenas um frio na barriga com novo desafio e muita esperança na beleza da vida. Eu tenho um raio de Sol chamado Américo pra me fazer levantar a cabeça e dar a volta por cima todos os dias. Tudo vai dar certo!

É com a Lia

Novo tema

24, fevereiro, 2008

Minha história cheia de surpresas

Minha vida cheia de aspereza

É uma tristeza que acabou

É um novo capítulo que começou

Não, não quero ficar mais triste

E, agora,

Chorarei apenas o final

Não chorarei mais todo seu mal

Não serei mais o seu impecílio

Muito menos o fingido idílio

Hei de viver minha nova vida

Melhor e menos sofrida

Pois você não mais faz parte

Transformarei sua tortura em arte

E criarei o bendito fruto do meu ventre

Longe da sua doença de entristecer tudo

Hei de ser mais feliz

Versos

Quem acredita, sempre alcança…

20, fevereiro, 2008

E não é que foi isso mesmo que me aconteceu? No final das contas, estou exatamte como queria.  Posso ir pra faculdade de manhã e ficar com meu filhote à tarde. E estou TÃO feliz que não me agüento. Sabe quando a vida sorri e te mostra que tudo tem solução? Sabe quando se reaprende a usar o jeitinho, a delicadeza na persuasão? Existe um “ditado” bem escatológico, mas bem verdadeiro: “Com cuspe e com jeito se come o c* de qualquer sujeito”. Por aí. Agora terei mais tempo pra minha família, preparar o jantar toda noite, cuidar mais da casa e, conseqüentemente, me sentir mais em casa. E o meu Fá foi o campeão nessa jogada. Agora, eu preciso me aperfeiçoar para ser uma parceira à sua altura. Gracias, cariño. Também vou ter mais tempo para este humilde espaço. Vou poder pensar no que escrever, preparar alguma coisa em vez de apenas esparramar as palavras como costumo fazer…

É com a Lia ,

Quem acredita, sempre alcança…

20, fevereiro, 2008

E não é que foi isso mesmo que me aconteceu? No final das contas, estou exatamte como queria.  Posso ir pra faculdade de manhã e ficar com meu filhote à tarde. E estou TÃO feliz que não me agüento. Sabe quando a vida sorri e te mostra que tudo tem solução? Sabe quando se reaprende a usar o jeitinho, a delicadeza na persuasão? Existe um “ditado” bem escatológico, mas bem verdadeiro: “Com cuspe e com jeito se come o c* de qualquer sujeito”. Por aí. Agora terei mais tempo pra minha família, preparar o jantar toda noite, cuidar mais da casa e, conseqüentemente, me sentir mais em casa. E o meu Fá foi o campeão nessa jogada. Agora, eu preciso me aperfeiçoar para ser uma parceira à sua altura. Gracias, cariño. Também vou ter mais tempo para este humilde espaço. Vou poder pensar no que escrever, preparar alguma coisa em vez de apenas esparramar as palavras como costumo fazer…

É com a Lia

Mais uma sobre o suicídio.com

14, fevereiro, 2008

Nome bonito pra coisa velha e feia, além de pra lá de indigesta. Não é tão difícil imaginar por que algumas pessoas continuam se matando em plena flor da idade. Não é um fenômeno novo. Assim como não o é a desigualdade de condições pelo mundo todo. Graças à internet, temos acesso ao horror da desigualdade, assistimos vídeos de covardia, vemos fotos de atrocidades. Quase toda semana, tem uma nova grande tragédia para deixar cada vez mais anestesiado aquele que ainda sente. E tem também os que nem sentem. Tem os que gostam dessa desigualdade e a fomentam com comentários do tipo: “- Pensamos que era uma prostituta (ou mendigo, ou gay)”. Há os que crescem alimentando-se da intolerância, que gostam de saber que sua babá é mais pobre e a humilha com brincadeiras cada vez menos infantis. São os futuros pitboys. E há os que não agüentam ter tantos privilégios e sentir impotência para diminuir essa desigualdade injusta. São os futuros “deprêssinhos”.

Essa é só uma opinião de uma ex-adolescente que foi deprê e que tentou suicídio por não se sentir acolhida por esse mundo tão cruel, apesar de ter tido muito amor e atenção em casa. Eu entendo esses jovens. Entendo a sensação de fracasso que sentimos antes mesmo de termos tentado, pois crescemos ouvindo que a vida é dura, o mundo é injusto, e que nada pode ser feito para mudar isso. Ouvimos que antigamente o mundo era melhor, mas não podemos voltar pra ver e documentários bem editados mostram apenas o que era interessante. Entendo quando pensam que a única saída é a morte,  não os condeno. Sinto apenas muita dó dos pais. Agora que estou desse lado da mesa, não consigo nem imaginar a dor e a enorme impotência que sente um pai que perdeu seu filho pro suicídio.

Quem sabe quando o mundo for um lugar melhor e mais justo, as pessoas não sintam vontade de partir dessa pra melhor…

Brisas

Quem não tem coração

13, fevereiro, 2008

Às vezes, acho que algumas pessoas não têm coração. Não estou falando de criminosos assustadores ou pessoas loucas de verdade. Estou falando de pessoas que conheço. Tem gente que parece que não tem coração. Julga sem conhecer, agride pelas costas, maltrata quem deveria ser amado. Tenho coração demais, eu acho. Tento não deixar transparecer para que ninguém se aproveite da minha nobreza. Talvez por isso esteja sofrendo tanto essa fase. Não enxergo se estou evoluindo profissionalmente ou se, na verdade, estou criando um futuro problema de culpa. Na verdade, a culpa está doendo, me consumindo de verdade.  E estou bem sozinha nessa jornada. Não sei a diferença entre pai e mãe, afinal só tive mesmo mãe. E ela conta até hoje, algumas vezes com os olhos marejados, de uma vez em que ela me perguntou o que eu queria da feira, pois ela estava em um raríssimo dia de folga e queria comprar frutas para nós. Eu lhe respondi que queria morangos e, quando ela trouxe, eu, cruel infante, lhe disse com todas as letras que aquela caixa de morangos não me compraria; que queria que ela ficasse em casa em vez de comprar morangos uma vez por semana. A solução que minha pobre mãe encontrou foi trabalhar a noite para ficar em casa, conosco, durante o dia todo. Desde então, ela chegava do plantão às 8 da manhã e ficava sempre conosco. Olhava nossos cadernos todos os dias, fazia parte do conselho da escola, ajudava nos ensaios das peças de teatro, fazia cuzcuz-mirim para as festas juninas. Enfim, participava.

O Américo ainda não fala. Mas já vejo seus olhinhos me pedindo para não ir embora e deixá-lo na escolinha, já o vejo sentindo inveja das crianças que só precisam ficar meio período longe de casa, já me vejo comprando morangos para compensar a culpa que sinto por não poder ser apenas o que quero: mãe do Américo. O resto, se tiver de ser, será… Ou seria. Quando a pressão é inadequada, em vez de dar impulso, derruba. Eu sei que não demora pra explodir, se continuar cedendo assim. Trato é trato. Odeio quando as pessoas negligenciam a única coisa que um homem de verdade pode ter: palavra.

É com a Lia

Lábaro

13, fevereiro, 2008

Se fosse pra escolher, queria ser super-herói. Passava quase todo o tempo defendendo os fracos e oprimidos que o jornal mostrava, e reclamava até mesmo do fato de usarem a miséria humana para a manchete chamar mais atenção.  Era contra o sensacionalismo, a imprensa cor de cocô. Era a favor da “imparcialidade” pseudo-marxista de seus colegas boêmios. Esses, sim, sabiam da “miséria” que é a burguesia.

Era apenas um jornalista. Jornalista era boêmio. Boêmio era vagabundo. Ele não passava de um vagabundo aos olhos de Luciana. Mas queria ser o herói da moça para conquistar seu coração e, quem sabe, namorá-la. Muitos diziam que ela era modernosa por que namorou e não casou. Ele nem se importava, desde que ela o aceitasse também. Mas ela fazia  que ele nem existia. Tratava-o apenas como mais um vagabundo que trabalhava para o jornal de seu pai.

E seu pai, Sr. Rashid, era uma fera. Turco com gastrite. Só pensava em vender mais jornal, mais anúncios, mais manchetes. Não pensava duas vezes em destruir a vida de uma pessoa quando a reportagem prometia vender bem. Não se importava com a verdade de fato. Repetia sempre: “Se ele disse, basta escrever que foi ele quem disse e pronto!”. Não pensava duas vezes em demitir um jornalista que o contrariasse e, segundo a lenda, tinha mandado matar um fotógrafo que, supostamente, tinha fotografado sua falecida esposa, nua, no colo de seu motorista, também nu. O fato é que o tal fotógrafo tinha trabalhado para o homem e tinha sido assassinado brutalmente. A falecida esposa morrera algumas semanas depois. Nada foi investigado pela polícia.

Luciana era filha daquele cara e ele era um zé-ninguém que não teria chances. Só conseguiria a pequena se arrumasse uma maneira rápida de conseguir dinheiro fácil. Na sua profissão isso nem era tão difícil. Ele só precisava ter peito para arriscar a própria vida ameaçando algum político. E ele tinha bastante “material” para o “serviço”.

Escolheu um político bem rico e bem podre, daqueles que nem é preciso investigar muito para descobrir atrocidades que incluíam pedofilia, tortura de inimigos políticos, o assassinato de um padre “comunista”, apropriação indevida de espaço público, corrupção ativa e passiva, e mais muitos outros crimes que ocupariam algumas horas para contar. Era conhecido como Sr. Alvin, mas até esse nome poderia ser um crime. Ele escolheu Alvin não por que era um criminoso mais que conhecido, e sim por que ele não temia a justiça e não fazia a menor questão de esconder suas atividades criminosas.

Montou uma armadilha para Alvin. Queria uma foto bem comprometedora. Queria um escândalo de verdade. Nenhum crime cometido pelo homem tinha sido sequer investigado. Decidiu que não adiantaria pegá-lo pela ética ou moral, teria de ser pelo ego mesmo. Teria de ser algo que mobilizasse a todos contra ele. Teria de ser um flagra que comprovasse que o homem era um inimigo público perigoso. Divulgou, então, que naquela tarde haveria uma homenagem ao Sr. Alvin, no parque municipal, ao anoitecer. E a notícia se espalhou depressa.

 O Sr. Alvin não se mostrou surpreso com a homenagem. Sorria satisfeito, com um ar de quem sempre foi – e deveria continuar sendo sempre - homenageado. Arrumou-se com esmero para a celebração. Cumprimetou o Sr. Rashid e as outras pessoas “importantes” no evento. Passou direto pelo idealizador da “homenagem”. Brindou aos importantes erguendo sua taça de cristal e rindo satisfeito. Comeu os canapés sem perceber que tinham laxantes poderosos. Disfarçou muito bem quando suou frio de dor de barriga. Se esquivou para uma moita de maneira sorrateira, calculando que chegar ao banheiro seria um desastre. Abaixou as calças quase sem tirar os suspensórios e sem olhar para o lugar em que realizava sua grande “obra”.

Não percebeu os dois clarões do flash da máquina fotográfica por que tinha fechado os olhos, tamanho o prazer do alívio que sentia. Quando acabou, limpou-se com um guardanapo de seda que furtara da comemoração exatamente para essa finalidade. Ao subir as calças, deu-se conta que tinha cagado em cima de um pano. Ao olhar melhor, percebeu que era a bandeira do Brasil. Não fez caso e voltou para a festa. Não demorou para uma velha histérica achar a bandeira. Nao demorou para todos excomungarem o cagão e até a quinta geração de sua família. Não demorou para o homenageado arrumar um bode expiatório pobre e acusá-lo na frente de todos. O plano não poderia estar mais perfeito. A foto do lábaro cagado pelo Sr. Alvin seria o passaporte para o coração de Juliana.

Continua…(talvez)

Contos

Adaptação ao Berçário

11, fevereiro, 2008

Hoje, segundona, primeiro dia de adaptação do Américo na escolinha. Como é novidade ele foi o único bebê que não chorou nem um pouquinho, mas fui advertida para não ficar muito animada, pois quando ele perceber que será uma rotina ficar ali, longe dos pais todos os dias, começa a chantagem emocional e as crises de choro que partem o coração…

Eu gostei bastante do lugar, a “tia” que vai cuidar dele me lembrou muito a minha “tia Nazaré” do jardim de infância. E até hoje a “tia Nazaré” é a “Tia Nazaré” e, quando a encontro em qualquer lugar, sempre dou um abração e sinto que ela foi muito importante na minha vida de criança. Obrigada, tia Nazaré. Nunca esquecerei a “Dança das Caveiras”(que eu gostava só porque era das “caveiras”), e hoje eu que canto pro meu filhote. Tumba lá catumba,  tumba tá!

As crianças dão o maior escândalo enquanto as mães e pais se despedem. Os pais ficam numa situação de dar pena. Dá pra ver a sensação de culpa estampada na cara deles. Mas é só virarem as costas e os pequenos esquecem e logo vão brincar. Na verdade só querem chamar atenção e conseguem. Imagino que essas mães e pais devem passar o dia pensando nas lágrimas da despedida… Eu passaria, acho.

Apesar de ter lido as revistas de praxe sobre educação, ter conversado com pais que passaram por isso, googlado o assunto, visitado outras escolinhas, sinto que não estou preparada para o dia em que ele chorar me pedindo para não ir embora. Eu sempre cedo aos bracinhos esticados do meu filhote me pedindo colo. Sempre. Ok, sei que isso não é bom e pode “estragar” o menino e etc… Mas se EU não posso mimar MEU filhote, quem pode? A vida de gente grande é muito difícil e dura muito tempo. Melhor ele ser mimado agora…

A trilha sonora perfeita para hoje é: Whole Wide World by Wreckless Eric

Essa música também é maravilhosa, né? Eu sei que é…

Maternidade

Belas Maldições – Neil Gaiman e Terry Pratchett

7, fevereiro, 2008

O bem e o mal. Uma velha história com uma roupa muito melhor e mais bem contada. Neil Gaiman é um dos meus prediletos, portanto, essa crítica é mais do que comprometida. Mas quero recomendar esse livro por que fala sobre o comportamento humano, sobre como o bem e o mal são apenas faces de uma mesma moeda e como o inefável é tão…. tão…. inefável.  

A Peste se aposentou e foi substituída pela Poluição depois que inventaram a Penicilina em 1929, mas os demais cavaleiros do apocalipse: Morte, Fome e Guerra, prosperam e atuam de maneira geral na nossa sociedade, o anticristo foi trocado na maternidade por freiras malignas burras, o Cão saiu do inferno. E tudo, isso tem graça. O apocalipse é muito mais interessante quando está para acontecer assim, do jeito que eles imaginaram.

Agnes Nutter viu um futuro muito preciso, mas a precisão da idade média pode ser bem engraçada. Como alguém que viveu naquela época poderia descrever uma TV ou um automóvel? O conflito amistoso e eterno entre o anjo Aziraphale e o demônio Crowly, que vivem e acompanham a humanidade na Terra desde seus primeiros dias, e suas profundas questões sobre o… inefável. Por mais que você saiba o que essa palavra significa, talvez mude de idéia depois de ler esse livro.

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E a trilha sonora de hoje é: The Scientist – Coldplay

Livros