Arquivo

Arquivo de janeiro, 2008

Ser mais

31, janeiro, 2008

Sou uma só

Nem sou mais só

Só queria ser mais que eu

Pra ficar mais com você

Pra você não se sentir só

Só não chore quando eu sair

Por que isso dói que só

Chego em casa só por você

Você sorri e ganhei o dia

Velar seu sono, sua vida

Só vivo isso por você

Em você e só assim

Meu bichinho de mim

Só você me faz feliz assim

Versos

Palavras loucas

29, janeiro, 2008

Coisa inútil tentar se fazer entender. Não me acho artista, mas sou uma incompreendida.  Ok, eu me acho um pouco artista. Ok, eu me acho implacável. Ok, eu não sou um modelo de sanidade… Mas sinto que explicar não resolve. É melhor mostrar.

E eu falo demais, falo até me arrepender do que disse. Falo para expandir, ensinar, aprender, me divertir. Ah, eu adoro uma mentirinha… Se você não me conhece de verdade, pode ser que já tenha sido vítima de alguma história cabeluda que eu inventei só para me distrair enquanto o ônibus estava preso no trânsito. E aposto que, se foi uma das minhas vítimas, deve ter se sentido feliz por conhecer alguém tão interessante. Pelo menos é o que você deve ter pensado… Eu sei que deveria escrever essas ficções, mas sou melhor em contar do que escrever.

E isso pode parecer uma compulsão por mentir, mas eu juro que não é. Eu sou normal. Eu não menti por não conseguir evitar, mas sim para me distrair. Para quê contar minha vida de verdade? Ela até tem graça, mas seria muito mais interessante ser, de brincadeirinha e com sotaque, uma refugiada de Gorazde ou uma turista importada dos States em busca do amor latino de sua vida… Ou ainda, ser uma maluca que sofre de alguma doença que a faz cantar como se estivesse sozinha em seu quarto. É, eu sou bem ridícula. O papel da maluca que canta é o mais divertido, sem dúvida. As pessoas começam a cantar junto quando a música é daquelas que grudam na mente. Aposto que passam o dia inteiro me xingando por cantarem “Olha, olha, olha a água mineral, água mineral!” sem querer…

Não, eu não deveria considerar a carreira de atriz. Não sou bem interpretando papéis que não são meus de coração. Odiaria fazer um papel mais idiota que o que já faço por diversão. E, sim, eu acho divertido isso de envolver as pessoas nas minhas fantasias. O que posso permitir é que admitam, como poucos o fazem, que conviver comigo pode ser qualquer coisa, menos entediante. Só não me acusem de ser contagiosa, por que soaria como elogio…

Brisas

Verdade

28, janeiro, 2008

“O fato de ninguém entender o que você faz não te torna um artista!”

Brisas, É com a Lia

Filhos e Gatos

28, janeiro, 2008

É chato admitir, mas é mais pura verdade. Depois que o Américo nasceu, eu não dou a mínima pra Raiona. Dou comida, água, mando dar banho no veterinário, vermífugo, antipulgas e tal. Mas é difícil eu ter tempo para pegar ela no colo e apertar sua fofura loira. Eu sempre fui louca por gatos, mas desde que meu filhote nasceu, deixei a bichaninha de lado. Ela entende, parece. Deixa o Américo brincar com ela, ou seja, não reage ao seu carinho agressivo. Vive tentando entrar em casa, pede atenção sempre que tem oportunidade, caça passarinhos e traz quase todo dia pro nosso minúsculo quintal. Ela é uma graça de gata. Eu me sinto bem culpada por não dar mais toda aquela atenção fanática. Ela foi nossa primeira filha, mas quando o Américo nasceu, perdeu o posto. Agora ela é nossa primeira guardiã. E tenho certeza que entende a nossa ausência. Aposto que ela não trocaria toda a liberdade que tem junto com as mordomias por uma dona carente que a fizese de cadelinha… Mas, isso não é impossível de acontecer. Se ela durar uns 30 anos, talvez pegue a fase “ninho vazio” da minha vida…. Haja vidas pra chegar até lá.

Bichanos

Persépolis – Marjane Satrapi

28, janeiro, 2008

Eu adorei ganhar de presente a obra completa. Já namorava as edições anteriores, mas resolvi esperar pela coisa toda junta. E não me arrependi. Devorei o livro em 3 dias, queria mais, muito mais. Apesar do traço simples, a história que a Marjane conta é muito rica. Começa com a história do começo da civilização Persa e as sucessivas invasões e revoluções que aconteceram naquele território. E também conta a própria vida, que me encantou pela coragem e disposição para a aventura. Claro que me identifiquei com a menininha que queria ser profeta e que, ao mesmo tempo, improvisava um soco inglês para assustar um coleguinha.

O livro conta, de verdade,  a vida de uma menina bem privilegiada no meio da guerra, que teve condições de sair de seu país e ver como era a “liberdade” na Áustria. Mostra que nem toda criança do Irã (onde, um dia, foi a Pérsia)  é desgraçada e que, mesmo no meio da guerra, há desigualdades gritantes entre as classes sociais. Vale a pena conferir.

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Livros

Indiferente incomoda muito mais

24, janeiro, 2008

Um novo trabalho, quem sabe eu aprenda alguma coisa com os figurões que circulam diariamente por aqui. Se eles me ensinarem a ficar rica, nem precisam pagar meu humilde salário… O ambiente é legal, gostei das pessoas, me identifiquei com a maioria. É só eu conviver com as pessoas para deixar cair (ou para fingir que despi) a máscara da Lia, a antisocial. Na verdade, eu sou legal pra caramba e todo mundo ri muito das bobagens que eu falo. E eu adoro isso. Demora nada para me convidarem pro happy hour e, depois que eu aceitar, vai ficar mais happy ainda. Será que estou delirando às 8 da madrugada? Uhuhuhu… Adoram repetir: “A Lia não sabe o que é humildade!”, “A Lia é arrogante e prepotente!”, “A Lia tem que aprender a viver!”. Na real, essa minha cuca fresca incomoda os estressados de plantão. Mas é só diversão. Quem se importa com a opinião alheia esquece de viver a própria vida. E a vida acaba.

P.S. A trilha sonora para hoje: Sleepwalk – Santo & Jhonny

P.P.S. Também é uma das maiores músicas de todos os tempos, na minha soberana opinião…

Brisas

Primeira vez no hospital

21, janeiro, 2008

Na sexta, consulta no pediatra. O dr. Zeca, médico muito legal, que cuida do Américo desde que ele tinha 10 dias de vida e até já apareceu numa propaganda do Danoninho; tem um consultório cheio de brinquedos espalhados, para as crianças brincarem e também, involuntariamente, deixarem seus vírus e contribuírem para a resistência do sistema imunológico alheio. O Américo estava dez, 76 centímetros e dez quilos. Saúde perfeita. Um tourinho. No dia seguinte…

Ele acordou afônico, mas estava bem. Sem febre, ativo, comendo numa boa. Não nos preocupamos. À tardezinha, quando o colocamos para tirar uma soneca, ele começou a chorar e ter dificuldade para respirar. Entrei em pânico. Fomos pro hospital, laringite viral. Tomar um remédio que só de ler a bula eu fiquei com medo, fazer inalação de seis em seis horas (ainda bem que eu tenho um aparelho em casa!) e rezar. Ele já está melhorzinho, a voz apareceu junto com uma tosse feia. Ele está dodói. Vomitando, de vez em quando por causa da tosse, aparentemente.

E eu estou me sentindo péssima. Hoje é meu primeiro dia em um novo emprego. Na verdade, é a primeira vez que vou trabalhar fora de casa e com horário definido desde que  o Américo nasceu. Tudo bem que é meio período, mas já me sinto tão culpada… Por um lado, eu preciso voltar ao trabalho de verdade, por outro, ele é só um bebê ainda. Sad but true. E parece que ele advinhou. Me disseram que isso é comum: o filho adoecer quando a mãe volta ao trabalho. Mas eu nem comecei ainda…

Nesse exato parágrafo o texto foi interrompido por uma vomitada fenomenal na Lu, a pessoa que me ajuda a cuidar dele. E ajudei a limpar toda a nojeira, dei um banho nele e ele adormeceu. TADINHOOOO! Me parte o coração em caquinhos saber que ele está assim e me dá um pouco de medo saber que o pai vai cuidar dele sozinho enquanto eu estiver no trabalho. Ele é um ótimo pai, supercarinhoso, mas é meio desajeitado. Ok, eu sei que o menino vai sobreviver. Mas onde fica o drama? Viu no que dar contar vantagem sobre o próprio sossego em relação aos filhos?

Maternidade

Emprego

17, janeiro, 2008

Alguém aí quer me pagar pra escrever? Dizem que escrevo bem e que tenho imaginação para melhorar as histórias que, na verdade, são fatos. Uma veia dramática, diriam os (des)entendidos. Sim, eu gostaria de ganhar dinheiro para escrever besteira, escrever sobre a vida e as pessoas, Tenho alguns projetos meio utópicos, escrever as estórias que as pessoas contam e contar sobre quem são. Eu sonho em ajudar a humanidade a evoluir, a se ver como uma irmandade, onde somos todos terráqueos e, por isso mesmo, somos iguais. Diminuir a intolerância, agregar bons valores como a contestação respeitosa das verdades (suas e dos outros), argumentação inteligente, solidariedade ativa, respeito pelo passado e futuro da nossa História e busca da própria felicidade.  Sim, eu sou um pouco intrometida. Medrosa, tenho medo de ser crucificada como John Lennon. Não me levo muito a sério hoje em dia. Preciso ficar viva. O sonho de escrever reportagens em campos de guerra deu lugar ao sonho de viver mais um dia pra ver meu filho crescer. Mas isso não impede que eu escreva sobre as guerras. Não impede que eu ensine meu filho sobre a ignorância humana e o mal da intolerância usada a serviço da avareza. E eu escrevo mais pra mim, hoje em dia. Não ganho nada pra isso. Faço por prazer e aproveito essa liberdade. É a terapia de rir de si mesmo quando ler algum tempo depois. Mas sinto que já está mais do que na hora de aprender a escrever para os outros. Quer me contratar?

Música de hoje: Can´t take my eyes off you – Frankie Valli

Dá uma sensação tão boa quando ouço o começo dessa música… E a letra é maravilhosa! É, sem dúvidas, uma das melhores músicas do mundo! (ok, eu sou piegas…)

Brisas, É com a Lia

O despertar

16, janeiro, 2008

Um certo dia ela não acordou, mas despertou para uma realidade bem esquisita. Ela estava deitada, parecia dormir, só que dentro de um caixão. Pessoas choravam em volta. Ela via o seu corpo ali, mas enxergou como se fosse de outra pessoa. Aquele corpo não mais lhe pertencia. Seria a morte? Sim. Ela sabia. E sabia que não conhecia esse lugar: o além. Não havia além para ela, que estava ainda aqui. Sabia-se morta, mas vagava entre os vivos, entre os seus. E então se deu conta que inha deixado alguém, quis chorar. Sentiu um nó na garganta, uma sensação de mal estar lhe percorreu o que um dia foi estômago, mas não houve lágrimas para aliviar tanta agonia. Era como se fosse explodir. Nem explodia, nem chorava. Apenas aquilo e a lembrança de seus filhos. Ela deixou dois filhos para trás. Mas ela podia vê-los, ouví-los. Não podia tocá-los, eles não a viam. Eles é que perderam a mãe. Ela não os perdeu. O pai de seus filhos, ele a perdeu. Muito antes de sua morte. E agora sentia o desespero da ausência dela. Não era saudade, era desespero. Ele, que nunca mais a tratou como a mulher amada, que nunca mais tinha escrito pra ela ou pintado seu retrato. Ele estava só agora. E só poderia estar desesperado. E ela também estava. O desespero  tomou os dois e a casa que já fora um lar feliz, teve seu clima carregado, pesado. As crianças dormiam muito e, quando acordavam, choravam a falta da mãe. Ela chorava, sem lágrimas, seu desespero implosivo; ele chorava com as crianças, como uma criança.

O tempo passou. As crianças choravam menos, o marido chorava quase nada, a vida continuava. Menos pra ela, que jazia ali, de alguma maneira. Será que a alma poderia morrer mais que o corpo? Será que ela ficaria eternamente assistindo ao próprio esquecimento? Os dias nasciam e morriam, e nenhum sinal de Deus, Diabou ou qualquer outro fantasma que quando estamos vivos temos medo de encontrar. Nenhum sinal de vida e nem de morte. O que era ela, afinal? Tinha morrido, mas despertava em sua cama todas as manhãs. Estava morta, mas não ía embora dali. Seu filho crescia. Sua filha também. Ele tinha mais lembranças. Era ele quem consolava a irmãzinha quando ela chorava por não se lembrar da mãe. Era ele quem a mantinha aqui. O marido já a tinha esquecido, vivia até uma nova paixão.

A paixão dela era aquela família. E só depois de morrer aprendeu que tudo vive quando você não está mais lá, tudo continua. Ela nem mais pensava em até quando seria prisioneira da vida que perdeu. Apenas estava ali. E ali continuaria pra sempre a cuidar de seus filhos…

Contos

O primeiro ano de vida

15, janeiro, 2008

Menos de um mês para meu filhote completar seu primeiro aniversário. Passou voando. Ele engatinha, sobe escadas numa velocidade incrível, balbucia palavras, canta, dá birra. É um bebê muito especial e não é só por que sou uma hiper coruja. Ele tem um jeitinho muito carinhoso, com todos. Não estranha as pessoas, vai no colo de qualquer um e faz festinha. Faz uma careta linda, franzindo o narizinho quando diz “nenê”. Já está nadando como um peixinho, sente-se em casa quando está na água. Todo mundo na natação o adora. Ele é calmo, generoso. Divide os brinquedos, não machuca as outras crianças, não é chorão. Ele é uma benção.

Lembro da gravidez. Me apavoravam com frases do tipo: “Nunca mais você vai dormir direito!” – e ele dorme como um anjo das 8 da noite às 6 da manhâ, sem interrupções, desde os 4 meses; “Você nunca mais vai ter sossego!” – e ele é um companheiro de leitura, de internet, de bagunça. Eu não tenho do que reclamar. Nesse quase um ano, ele nunca adoeceu, nunca se feriu, nunca deu trabalho de verdade. Apenas uma doce rotina foi incluída na minha vida desregrada.

É uma delícia ser mãe do Américo. Eu sou privilegiada. Dá uma sensação de receio pensar em ter mais um filho. Outra criança não será como ele. Talvez seja o oposto, daquelas que têm a pá virada. Mas eu quero muito dar um(a) irmãozinho(zinha) pra ele. Quero que ele tenha com quem brincar, com quem brigar, alguém para ser sua família quando eu e seu pai não estivermos mais nesse mundo. Esse primeiro ano de vida dele me ajudou a crescer de verdade. Agora eu sou muito grande, sou gente grande. E sou muito grata. Obrigada, Américo. Você fez de mim uma mulher, mãe. Você me ilumina os pensamentos, me encoraja a lutar e inspira vencer. Sua festinha, eu faço questão de preparar tudo, cada coisa, escolher cada detalhe. Você merece tudo, meu filho.

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Maternidade