Medo de escuro – Parte 2
Medo de escuro – Parte 2
Escorregava da cadeira. Um vento cada vez mais frio fazia seu corpo ficar arrepiado. O coração já não estava tão acelerado, mas o medo persistia. Tentava forçar os ouvidos para reconhecer o lugar onde estava. Sabia que tinha terra, mas não ouvia pássaros ou insetos. O cheiro era de chuva, terra molhada. Sem barulho de motores, sem buzinas. Sem vozes, passos, ruídos. Apenas o vento soprava e fazia um barulho abafado dentro de seu capuz.. Conforme anoitecia, o tempo esfriava. E nada mais acontecia…
O telefone de um de seus sequestradores toca. Seu coração dá um pulo e volta a bater como se ele tivesse corrido por kilômetros. Tenta ouvir o que falam, mas está tão ansioso que seu batimento cardíaco soa como a bateria da Beija-Flor dentro da sua cabeça. Fica mais desesperado ainda. Quando aquilo acabaria? Que estava acontecendo? Chegou a desejar que, se fosse pra morrer, que acabassem logo aquela agonia.
- Está quase.. Ainda não. Mas vai dar certo. Pode confiar, já fizemos muitas vezes antes… – Pausa – Se não der certo, garantimos devolver o pagamento, e isso nunca precisou acontecer.
Aqueles homens estavam ganhando dinheiro para mantê-lo ali. Já sabia que era um caso de violência. Seria morto. Por que ainda estava vivo? Como seria sua morte? Tiro? Espancamento? Facas? Estrangulamento? Como seria encontrado? Sua mulher?Seus filhos crescidos e indiferentes? Será que chorariam sua falta? Não conheceu os netos que o futuro lhe daria. Morreria sem saber se sua linhagem teria continuidade.
Quando começaria sua morte? Por que não lhe davam um tiro e terminavam o serviço? Ouviu os homens se movimentando e sentiu um forte cheiro de gasolina por perto. Seria queimado! Deus!!! Queimado vivo? Isso seria extremamente doloroso. Por que tanto requinte de crueldade? Será que o matariam primeiro e queimariam depois? Cheiro forte de gasolina… Esperava que jogassem gasolina em seu corpo. Seu coração estava tão acelerado que seu peito começou a doer. Sentiu algo molhado e quente no meio de suas pernas. Não era gasolina, era seu pânico em forma de mais um vexame. Se bem que… Estava prestes à morrer… De que valeria sua dignidade? De que valeria qualquer coisa nesse momento?
Seu peito dóia. Seu braço adormecia. Seu coração parecia que estava explodindo. Sentiu a boca seca… Cada vez mais seca. Seu ombro doía muito, seus ouvidos não ouviam mais nada além do seu coração. E ele batia cada vez mais forte nos seus tímpanos. Sentiu uma tontura e caiu. Nunca mais se levantou…
- Quanto tempo já passou?
- Acho que uns vinte minutos…
- Vamos trocar as calças dele de novo?
- Não, não temos mais uma igual à que ele estava, pode levantar suspeitas…
- É, vão pensar que ele se mijou durante o enfarte. Vambora. Tira o capuz e leva a cadeira.

