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Lágrimas

Quando a pessoa nasce, chora pra mostrar que está viva. Seria, no mínimo, estranho ver a vida tão diferente do lado de fora da mãe e dizer: “- Olá! Que sufoco lá dentro!”. No tempo que se segue o bebê chora por que não sabe o que se passa, não sabe como lidar com as próprias sensações, chora pra ser satisfeito, atendido. Quando já se comunica, a criança chora pra demonstrar que algo não está como gostaria, claro que há o choro de dor física, mas aí é coisa pra pediatra, então, a criança chora por que foi contrariada, por que não consegue o que quer. Chora por que não sabe argumentar pra conseguir o que deseja. A criança chora, basicamente, por que não sabe. E por não saber é que o choro da criança passa logo, a ignorância é a chave da felicidade. Criança que vive como criança deve viver é feliz.

Aí o adulto chora. São tantas emoções… O adulto também chora quando não sabe, mas tem capacidade e habilidade pra saber. Lágrimas de gente grande talvez sejam mais falsas. Moi, je, moi, je, moi, je… Quase sempre é uma repetição da condição infantil de despreparo ante as próprias sensações, mas diferente dos pequenos, o adulto busca/provoca suas sensações, de uma maneira ou de outra. O ponto que me intriga nesse pensamento é: até quando esperar que outro lhe ampare é saudável? Talvez todos tenhamos dias ruins, em que um ombro amigo (ou mais que isso) é o refúgio de qualquer amargura. Dias ruins não acontecem todo dia… Os dias bons têm de ser mais numerosos para se poder contar com alguém num dia de cão. Lágrimas podem ser armas, ou armadilhas. Em ambos os casos, só escuto mesmo o choro de quem ainda não sabe o que fazer pra parar de chorar sozinho…

Música feliz (putz, viva meu servidor! recuperou meus textículos e tudo voltou ao normal!): Stop crying your heart out – Oasis

Lia Drumond Brisas , ,

  1. 30, novembro, 2008 em 21:54 | #1

    Acho que fechou perfeitamente bem, e também, um texto desse, excelente: “Lágrimas podem ser armas, ou armadilhas.”

    Talvez nosso choro seja mesmo essa fraqueza, de sabermos, mas fecharmos os olhos, ou nos distanciarmos da verdade, nos fazendo de vitimas e coitados, nos deixando levar. Há também muita falsidade aí…

    Enfim, precisamos é de mais vergonha na cara, bom senso, olhar para dentro de nós mesmos e sabermos resolver nossos próprios problemas, pois sim, podemos tentar, ao menos tentar, isso é o que conta.

    Bj e boa semana.

  2. 30, novembro, 2008 em 22:29 | #2

    Muitas vezes já chorei para sentir que estava viva..

    Bjos =*

  3. Robert
    30, novembro, 2008 em 23:05 | #3

    Parabéns querida!

  4. 1, dezembro, 2008 em 05:47 | #4

    os dias bons têm que ser mais numerosos pra poder contar com um ombro amigo. meus dias bons têm sido bem mais numerosos. chorar não é bom, nunca, mas acontece. acontece nas melhores famílias, até.
    lágrimas de adulto são mais falsas. afinal, o que os impede de saber? só a própria vontade. só empacam porque querem, aquilo que as crianças querem também, atenção, suprir a carência. porque capazes de se virar sozinhos, são sim. todos são. todos somos.
    yet, still, shit happens…

  5. 1, dezembro, 2008 em 17:16 | #5

    Muito bom! Tua leitura está perfeita sobre como tentamos chamar a atenção! Mas.. E quem chora p/ si? Se alguém ler meu blog, pode até tentar o suicídio, ou me chamar de maníaco depressivo… Mas garanto, escrevo p/ mim! Choro muito, muitas vezes quero chamar atenção, de eu mesmo! Meus assuntos com meus amigos, o dia a dia não é baseado nas lamurias… Sei lá, eu tentei responder teu texto um pouco pq me sinto enquadro entre os chorões… E de repente só estou dando mais uma choradinha… E sabe, teu texto me fez pensar que meus olhos p/ vida tem uma feição triste! Só p/ dar valor a felicidade!

  6. 1, dezembro, 2008 em 21:51 | #6

    As lágrimas dizem “eu não sei”! Não sei como eu nunca olhei por esse ponto… =)

    E não sei por quê, mas toda vez que eu ouço essa maldita “Stop crying your heart out”, eu me desato em lágrimas! Chega a ser paradoxal, não?

    Não! É só idiotice mesmo… =P

    (É… De fato, o poema anterior ficou mei chocho… Afinal, não é todo dia que a gente acerta a mão… Mas dias melhores sempre vêem… E voam…) =P

    =*

  7. 2, dezembro, 2008 em 10:04 | #7

    Sabe quais lágrimas viu,
    ainda que mãe já seja?
    Do não saber pueril
    ou do adulto que fraqueja?

  8. 4, dezembro, 2008 em 10:30 | #8

    Choro, normalmente, mais me irrita que comove.
    Deve ser excesso de senso prático meu…
    bjs, linda

  9. 4, dezembro, 2008 em 13:35 | #9

    I do my crying in the rain…

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