Página Inicial > Brisas > Juventude careta?

Juventude careta?

Realmente vivemos numa geração de juventude careta. E por que não seria? Nada é mais careta que querer enfiar um maldito rótulo de esquerda ou direita em toda maldita geração. O que determina a liberalidade das opiniões são os assuntos velhos, assuntos que talvez nem interessem. Pedir para um jovem escolher o que é mais importante em sua vida, dando opções como família, amigos, dinheiro, beleza é, no mínimo, besteira. Declarar que essa juventude tem um cabedal pobre para discernir sobre esses assuntos é chover bem no molhado, mesmo. Perguntas sobre maioridade penal para um menor de idade deveriam ser feitas apenas de maneira retórica, para não ficar ridículo. Claro que a juventude é careta, claro que a nossa imprensa é esquerdista e não representa a sociedade que a consome, claro que o idealismo juvenil deixou de existir. Não há por que ser diferente… Os valores nunca mudaram, na verdade. A sociedade não evoluiu no que diz respeito ao comportamento, apenas no que se refere à tecnologia, e mesmo com tamanha capacidade de informação e de comunicação, não há estímulo a criatividade, ao questionamento. Só massa, muita massa e muita homogeneização de tudo e todos. Os desejos da juventude sempre são ignorados. Claro que a juventude quer dinheiro e bens, mas também quer sonhar, quer sentir-se representada. Podem ser contra a legalização das drogas ou do aborto, mas são a favor da liberdade de escolha, com certeza. Não conheço jovens que gostem de ter suas vidas decididas por outros. No momento, o que representa a juventude na grande mídia é a MTV, 99% besteirol e 1% de tentativa de aparentar consciência. Não poderia ser de outra maneira, pois é uma geração criada nos valores do entretenimento, o “veículo de informação” deixou de informar para influenciar, todos eles, principalmente os que não admitem. Essa é uma geração que não se informa por osmose, apenas ligando o rádio ou a TV. Quando se interessa por algo, quando tem qualquer dúvida, não pergunta para os pais ou amigos, simplesmente pesquisa na web. E o crescimento progressivo dos dados na internet é prova de que a juventude tem interesse, sim, mas não pelo que interessa aos velhos. Aliás, velhos não deveriam escrever sobre jovens. Há sempre um ranço de nostalgia, inveja e prepotência na avaliação que os velhos fazem dos jovens. Os velhos deveriam, sim, analisar a evolução da sociedade, já que têm experiência de vida pra isso. Mas não deveriam tentar explicar o que se passa na cabeça de gente que viveu de outra maneira, não deveriam tentar massificar mais essa. Esse tipo de padronização é o começo de toda a idiotice que as gerações futuras sofrem, desde já, e como sempre…

Lia Drumond Brisas , ,

  1. 28, julho, 2008 em 19:48 | #1

    Eu penso que velhos já foram jovens, e alguns conservam a mente aberta e fresca e DEVEM ser ouvidos. Se a juventude soubesse consultar com mais critério, a web ou quem de direito fosse, seria muito mais fácil e diferente.
    Mas uma das características básicas da juventude mais tenra é justamente a inflexibilidade e o radicalismo. Mas passa!!!!
    Uma coisa absurda de ver é jovem patrulhando jovem, e pensando com a cabeça de gente que não se aprofundou meio palmo, só leu as manchetes.
    Mas não deve ter sido muito diferente com as gerações anteriores…ai a natureza humana.
    bjs

  2. 28, julho, 2008 em 20:44 | #2

    Sim, eu acho que os velhos devem ser ouvidos também, não tiro o mérito da experiência, mas acho que quando falam da juventude, dói… Já foram jovens, sim, porém noutro tempo. Não sou radical, só acho que o jovem nunca é realmente ouvido, apenas avaliado, como sempre…

  3. 30, julho, 2008 em 08:26 | #3

    Lia, concordo com alguns pontos abordados por você. Posso falar “de cadeira”, pois sou/fui pai de três filhos que passaram/am pelos estágios da vida tema de sua atual crônica.
    1 – Quem comanda a programação do besteirol da MTV, como diz você, são os velhos? Ou não?
    2 – Você hoje é jovem. Claro que no futuro você será uma idosa, mesmo com plásticas etc, mas não é disso que falamos. Costumo classificar os idosos em “velhos, velhos-velhos, jovens-velhos e velhos-jovens”. Não vou definir cada uma dessas categorias pois seria perda de tempo. Mas espero que quando o seu tempo chegar você seja uma “jovem-velha ou mesmo uma velha-jovem.” Verá como é bom. Não é ruim como a maioria pensa.
    3 – Só quando atingimos essa experiência toda, Lia, olhamos para trás e vemos quantas idéias tolas, quantos conceitos idiotas defendemos, apenas para ser diferente, moderninho, enturmado…

    Dito isto, Lia, falo de minha experiência pessoal, compreendo os jovens, tenho livre trânsito entre eles, faço perguntas não pessoais, claro (muitas delas sem resposta); conheço também muitos idosos radicais, com idéias arraigadas no passado.
    E por ser bem mais velho do que você, Lia, posso até lhe dar um conselho: quando emitir um conceito, não generalize.

    Um grande abraço desse seu polêmico e amigo leitor…
    Adelino
    PS – O meu blog, como sabe, contém o nome “nostalgia”, mas no sentido de que ter saudades de coisas do passado não significa ficar preso a elas. Apenas contamos como eram os costumes, sem dizer se eram ou não melhores. Apenas narramos, como, aliás, um dia no futuro você provavelmente também terá prazer de contar para os que forem mais jovens do que você.
    Bjs

  1. Nenhum trackback ainda.