Rock and Roll do crioulo doido
Vivemos numa época doidona, onde as referências se misturam e as pessoas não se suportam. Bom, talvez seja só eu que não suporto muitas pessoas, mas não é algo pessoal… Muita informação, mas o condicionamento do capitalismo brutal do último século faz a maioria procurar pelas mesmas coisas e sei que não sou a única a sentir-se só e singular e deslocada nesse mundo de meus Deuses, quase a maioria das pessoas que têm alguma cultura sentem-se solitárias, isoladas de seus iguais que devem viver num futuro distante. Então aprendemos a nos colocar ao alcance…
Falava sobre isso ontem. Sei colocar-me ao alcance e ser trivial, agradável e comum por algum tempo. Não muito tempo, pois a verborragia me entrega e logo a maioria percebe que não sou muito comum, alguns amam minha autenticidade idêntica a dos excluídos da mediocridade, a maioria odeia e me considera parte desse povinho antisocial, anticamarada, antipático e mau humorado… Mas quem não é verborrágico pode passar por esquisitão, sinistro. O Gui, por exemplo… Ele é tímido (um charme), caladão, em geral só abre a boca pra fazer o comentário exato, preciso e mortal. Se ele falasse muito poderia já ter sido preso por ser tão venenoso… Mentira, ele é um poço de inocência e ingenuidade… Mentira também. Conviver comigo pode ser contagioso e ele já até expressou em palavras para algumas pessoas que preferia ter uma crise renal do que ver o show da Beyoncé. Mas ele sabe que quase ninguém entendeu a piada, então evita fazer esse tipo de coisa por saber que, quando alguém entende, pode sentir-se ofendido e levar por trás o comentário sincero e autêntico.
Por outro lado, quando você coloca uma máscara de estupidez para colocar-se ao alcance de quem quer que seja, obriga o outro (se for uma pessoa singular, autêntica e especial) a colocar uma máscara de estupidez também para lidar com você. Ambos se subestimam simultâneamente e aí está a origem da tal solidão que dizem ser o mal do século (passado?). Ser ’na sua’ intimida, dá medo e as pessoas não sabem do que você é capaz, em geral pensam que você é um psico-qualquer coisa. Ser verborrágico te expõe ao ridículo quando você é assim ou apenas te expõe em geral e as pessoas ficam sabendo logo que você não é aquela máscara agradável que vestiu para colocar-se ao alcance. Nessas ocasiões você tem a raríssima chance de descobrir outra pessoa de máscara, que pode sentir-se confortável para mostrar-lhe que é mais do que demonstra. Isso pode ou não ser legal, mas é uma experiência interessante. Sou o tipo valente e estúpida que sempre paga pra ver, mesmo sem querer…
Música fodástica pra ouvir no talo, hein: All my life – Foo (pra variar) Fighters
