As coisas mudam
E como a fábula da raposa que queria as uvas é sempre contemporânea, talvez eu seja a raposa que não alcançou o cacho do romance que tanto queria escrever, me surpreendi ao me decepcionar com a alta nota que tirei num trabalho medíocre, afinal o curso foi medíocre e alguns colegas conseguiram se superar no quesito estupidez. A retrospectiva de 2009 foi bem parecida com a de 2008, mas espero que a de 2010 seja diferente, espero conseguir evitar o estresse, espero conseguir fugir pro mar e viver mais de brisa do que de trabalho. Por que sei como é fazer isso, sabe? Sei e já fiz, sempre acho conveniente lembrar o leitor que toda minha profunda opinião é fortemente embasada em teorias que surgiram apenas de minha própria experiência. E eu sempre fiz muitas experiências… pago pra ver a vida e pago sozinha; ou nem pago quando vejo que não vale a pena, mas sei que não sou patricinha de Higienópolis que é rebelde com o cartão de crédito do papai aposentado, sou idiota por conta própria e de acordo com minhas experiências. Ah, eu não nasci pra sofrer… Tem gente que escolhe isso.
As coisas mudam quase sempre pra melhor pra quem é otimista e sabe ver o lado bom das coisas, aprender as lições da vida. Eu sempre repito que tenho muito mais pra agradecer do que pra pedir, principalmente de ‘coisas’ que me livrei por seguir meu coração e confiar na minha sorte. Acho que, mais uma vez, vou acertar pois sei bem o que quero e qual é meu objetivo de vida agora, pois se parar pra pensar talvez nem haja futuro e por isso não tenho (ninguém tem) tempo pra perder com o que não lhe é fundamental. Não vejo futuro pra tanta gente que vive sem viver, que pensa que o coma alcoólico que teve na adolescência que nunca acaba foi uma tremenda aventura, que tem medo de se jogar na vida e ver o mundo longe do conforto de quem é obrigado a suportar o que gerou.
As coisas mudam, ainda bem… As ‘coisas’ que ‘ não mudam, limitam-se em suas precariedades, em suas derrotas não superadas, em seus trabalhos mal feitos e em suas vidas de natureza morta. Minha morte, como já disse, talvez nunca aconteça de fato e, se acontecer nos próximos séculos, será uma festa para celebrar o fim de alguém que esgotou a vida por ter feito tudo o que quis. Mas, pensando em meu possível fim, ainda bem que as coisas mudam…
Música de primeira para essa segunda, dia de corno, ofereço para todo mundo que não sabe viver, só morrer de raiva de quem vive… The killing lies – The Strokes
