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Ah, que imbecil…

Eu sou bem imbecil quando me dou ao trabalho de pensar sobre certas coisas, o Farmville, por exemplo. Quero me despedir ainda essa semana desse vício idiota. Se inventarem um joguinho no Hawaii, talvez eu repense meu conceito sobre joguinhos bestas. Tenho mais o que não fazer do que ficar plantando e colhendo de mentirinha. Até por que três das sementes de Damas da Noite que plantei na floreira da varanda estão crescendo, além dos lírios e bambus. Logo será uma selva, hoje mesmo encontrei um animal selvagem enquanto cavocava o vasão de bambu: um filhote de  piolho de cobra, bonitinho até, mas dei descarga nele por que natureza boa é a que aparece na TV.

E também sou imbecil por acreditar nas pessoas, me aproximar das pessoas, permitir que as pessoas se deleitem com a minha maravilhosa existência… Devia poupar minha beleza pra arte, me isolar de vez e só me deixar ser apreciada por quem acredito conhecer melhor. Escrever não é estar ao alcance de ninguém, não quer ler, foda-se.  Escrevo porque quero e pronto. Escrevo porque sei, porque tenho coragem, porque não tenho nada melhor pra fazer agora que estou na frente do teclado. Ah, sim eu poderia ler e leio algumas coisas interessantes. Mas cansa a beleza ver que o ‘hit da web’ é sempre bosta, que quem sabe mais não divide qualquer conhecimento, que existe racismo, que o twitter e as agências de notícias poupam o trabalho dos jornalistas que nem sabem mais o que significa investigação, que nada parece que vai mudar tão cedo.

Quem sabe quando meu Petit Prince crescer a web seja um lugar melhor. Até lá, meu blog é só uma fração do tempo inútil que gasto na frente do computador. Não sei passar de outra maneira que não seja publicando baboseiras que incomodam, mas que pelo visto são irresistíveis…

E  música pra tudo isso:  Do me a favour – Arctic Monkeys

Lia Drumond Brisas

  1. 17, janeiro, 2010 em 02:52 | #1

    A web brasileira (mundial?) está ficando pulha. Os grandes portais nada mais são do que extensões da tevê, que habilmente soube usar o conceito de “interatividade” para não perder espaço para uma mídia que tem tudo para não esconder as mentirinhas propagadas de que o mundo está se tornando um lugar maravilhoso de se respirar… E se perpetua a ideia de que jornalista pode ser qualquer um, professor pode ser qualquer um, entre tantas outras barbaridades… E por aí a gente vai aturando o mundinho de (sub) celebridades e stand-ups vazios (hoje todo mundo é engraçadinho e espirituoso) entre outra tranqueiras… Por isso que não tenho filhos, sigo religiosamente o preceito de Brás Cubas…

    Ah, também quero me livrar do vício do Farmville…

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