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Out 05
Minha maior auto-sabotagem é a imaginação. Por causa dela é que me tornei um ser idealista e utópico em quase todas as esferas da sobrevivência. Já controlo um pouco melhor a impulsividade. Dizem que o tempo aprimora a reflexão… Não que hoje eu seja calculista, mas aprendo a cada dia como ser mais objetiva comigo mesma. E a maior angústia que sinto nessa fase é o “não saber”, tipo: “O que sinto em relação ao futuro? - Não sei!” Se sentisse medo seria mais fácil, era só buscar maneiras de me sentir protegida, precavida. Se sentisse vontade, era só esperar acontecer. Sinto que não posso deixar minha imaginação me sabotar de novo. Existem coisas concretas, como o fato de que no futuro ainda serei eu mesma a mãe do meu filho e a filha da minha mãe. Existem coisas que só têm futuro na minha imaginação. E ela é idealista e utópica, já falei.
Preciso me munir de coragem para encarar com realismo a vida. Preciso enxergar a verdade como ela é, as pessoas como são. Não devo continuar superestimando quem eu gosto e subestimando quem detesto. Nem o contrário, também… As coisas são como são, nós é que não enxergamos quando deixamos a expectativa dominar o bom senso. Algumas coisas me incomodam demais, tipo a covardia. Preciso parar de enxergar herói onde não existe sequer atrevimento, cojones. Não quero mais me decepcionar comigo mesma, quero dar essa chance pra alguém. Pois me enganei sempre sozinha, sempre por conta. Não consigo admitir que, sendo tão incrível e poderosa como penso ser, tenha me deixado enganar por seres tão frágeis e medrosos. Mea culpa, como sempre, de preferência. Se é pra escolher, sou sempre o algoz, jamais a vítima. Convivo com uma carrasca muito desastrada…
E, apesar de tentar não me auto-sabotar dessa vez, apesar de tentar enxergar a realidade crua, apesar de não esperar que me surpreendam de maneira positiva, ainda assim, consigo me decepcionar com coisas que podem parecer irrelevantes. Não entendo o mecanismo do desengano, como pode haver decepção sem expectativa. Como pode haver vida sem expectativa, ou esperança sem imaginação. Quanto mais a vida passa, mais confusa eu fico.
Música pra essa vida, louca: Ah, se eu fôsse homem - Ultraje a Rigor

P.S. Na verdade, não sei se idealismo e inconformismo são a mesma coisa ou se ambas dominam minha personalidade. Não me contento e nem quero me contentar com menos do que sei que mereço, do que realmente quero. Ok, posso não saber ao certo o que quero, pois vivo me confundindo entre o que é real e o que é só minha imaginação. Só sei que não quero me contentar com menos do que a intensidade que invisto, não quero menos do que cartas e canções de amor do começo ao fim e não só no começo, não vou me contentar com menos do que minha própria perspicácia e coragem, menos do que minha capacidade intelectual, menos do que idealizo pro mundo, menos do que dou. Não vou mais me misturar com a gentalha… Tomara.
Out 03
Que, enfim, liberdade! Que as coisas estão seguindo, de certa maneira, e a vida flui… O amor se espalha! Sexta-feira, dia das Deusas, o amor fica evidente e descubro que meus desejos sempre são atendidos. Eu não sou tão egoísta ao ponto de me sentir mal por saber que os outros são capazes de amar, re-amar, viver e seguir em frente, pelo contrário, fico muito feliz. Desejo que o mundo seja um exemplo de amor para minha vida e a de quem eu amo. E, eu, amo de muitas maneiras. Amo detestar algumas pessoas que são meu referêncial do que é vil, amo ser a coisa mais doce do mundo pra outras, amo ser a “mamái” do meu filhote, amo ser o ponto de oposição da hipocrisia. Ah, se pudesse mais um desejo nessa sexta, queria esse - o fim da autopiedade.
Algumas pessoas simplesmente não conseguem aceitar que a lei da Natureza é a lei da Vida. Você colhe o que plantou. E as coisas evoluem, crescem. Desenvolver o melhor possível com o que se tem… Nem sempre plantamos só o que queremos, todos temos alguns arrependimentos na vida, eles não podem ser motivo de martírio e sim um contraponto. Algumas pessoas têm de ser totalmente esquecidas, apesar da raiva. Quando isso não é possível, uma alternativa é fingir que se trata de outra personalidade, um personagem. Alguém de quem se fala, mas não se acredita que realmente exista. E, se for obrigado a conviver, usar a arte da interpretação. Funciona. Alguns chamam isso de diplomacia. Eu já fui super testada nessa arte, obrigada a conviver com tipos bem… intragáveis. Só lembro de ter realmente perdido a elegância poucas vezes, mas o nível já estava pra lá de baixo nessas situações.
É bom saber que, provavelmente, só terei de usar essa arte em raras ocasiões. E espero o mesmo - que os Deuses me ajudem! Sei que hoje fui invadida por alegria, de saber que páginas viram e a história continua, de saber que o amor sempre encontra meios de entrar, de saber que todos temos novas chances de provar que somos autosuficentes e temos as rédeas de nossas vidas, pra variar. Que as Deusas, hoje, favoreçam a coragem e a liderança. Que as pessoas sejam capazes de viver suas vidas sem deixar as “boas intenções” alheias estragar tudo, pra variar… Só quem batalha pelo mérito pode confiar cegamente na sorte.
Música pra esse clima: Amor pra recomeçar - Frejat
Out 02
Começando a temporada de caça às bruxas, ou melhor, de histórias quase reais da minha ilustre família, decidi começar com a pessoa mais… bom, não sei uma só palavra pra definí-la. Por isso resolvi fazer um texto sobre a tia Dirce. Na verdade, ela é minha tia-avó, irmã da minha avó materna. Lembro de quando as duas brigavam em espanhol, minha avó boca suja, una malagueña muy orgullosa y valiente, mandava a tia pra tudo que era canto, e ela, fanática religiosa como sempre, ficava resmungando “Jesús! Cubre con tu sangre!” Eu, meu irmão e meu primo Guto, três pestes entre 5 e 7 anos, ficávamos arremedando e rindo que nem idiotas. Ela ficava p da vida e corria atrás da gente, era a glória!
Pensa numa bruja vieja. Sim, a tia DIrce sempre teve essa cara e, um dia, sei que a genética falará mais alto e não haverá pinça que dará conta dos pêlos das minhas verrugas. Mas enquanto ainda sou só uma feiticeira, posso fazer veneninho com a cara da tia. Desde que eu nasci ela é velha, muito mesmo. Mas um grande mistério da humanidade é o fato de, aos 78 anos de idade, ela não ter nenhum cabelo branco e nunca ter tingido os mesmos (sua religião não permite quase nada, só falar mal dos outros). Aliás, o cabelo dela é uma entidade. Ele não cresce, e ela fica louca com isso. Seu figurino é o de uma bruxa mesmo, mas quando ela inventa de pregar pedaços de babosa com grampos pela cabeça, fica um primor de alegoria. Ela também adora fazer coques com cabelos estranhos, e não fica nada discreto…
Diz a lenda que quando ela nasceu, tinha um “chifre” na testa e que seu pai queria jogá-la no rio por achar que se tratava de coisa do “demo”. Sua mãe não permitiu, claro, leoa como sua linhagem, e criou a penúltima filha, que era realmente diferente dos outros. A lenda também diz que até uns 9 anos de idade ela não falava nada, só cantarolava coisas como “lalala”. O lendário chifre não existe mais, nunca tive coragem de perguntar pra ela se é verdade, e também evito a fadiga. Ela parece ser meio surda, mas também parece que escuta muito quando se trata de alguma fofoca. E também é meio lelé quando quer. Um exemplo: ela odeia que deixem o portão de casa aberto, um dia comentou: “Portão que deixa aberto é o da padaria, do mercado. Mas se você vai no mercado e leva uma bolsa grande, tem que deixar no guarda volume!” Dizem que o pensamento dela sempre foi assim, que ela sempre foi assim.
E apesar de muito estranha, ela trabalhou durante quase 20 anos e se aposentou por invalidez (alguém percebeu que ela não batia muito bem da cuca depois desse tempinho), ficou casada por quase dez anos e não teve filhos, nunca teve outro homem na vida, tem habilitação para dirigir, vai pra igreja super protestante de extrema direita onde as pessoas se vestem como se fossem pr’um casamento todos os dias, cozinha muito mal, mas vive inventando maneiras de aproveitar alimentos e fazer coisas horríveis pra toda família experimentar (temos amor pela vida e fingimos que vamos guardar pra comer depois, pois acabamos de lanchar, sempre), não assiste TV ou ouve rádio, não lê jornais, só faz crochê. Higiene também não é lá o forte dela, nem paciência com crianças. Parece que os pequenos percebem isso e sentem um imenso prazer sádico em quebrar suas plantas e mostrar-lhe a língua.
Apesar de muito solitária, ela não perturba nenhum mamífero com sua carência, além de nós da família. Já teve uns passarinhos, mas acabou matando os bichinhos por excesso de comida. Não curte cachorro, muito menos gato. Fala cuspindo, muito, e pegando. Suas verrugas pinicam e ela fala portunhol quando quer meter o pau em alguém. Todo mundo entende tudo, mas ela dá uma de louca e tudo certo. E por tantos encantos é que a tia Dirce é um capítulo importante da minha vida. Não sou muito próxima afetivamente, não temos muita afinidade além da praga que ela jogou de que serei eu a próxima louca da família. Mas, ela foi e é muito importante, quando minha mãe se separou do meu pai, ela ajudou mais do que minha avó . De certa forma, ela é minha avó desde que a Dona Julia foi pra luz. Tia Dirce, uma figura. Ainda vou fazer um vídeo dela e colocar no youtube pra vocês verem que encanto…
Música da família na versão mais original possível: La Malagueña - Plácido Domingo
Set 29
Muitos me dizem isso, que eu deveria pensar grande, que sou praticamente um vértice da sabedoria entre meus contemporâneos (em terra de cego… vc sabe, né?), que poderia chegar no alto… Claro, quem me diz isso pensa somente em níveis profissionais. É muito fácil, também, resolver o problema dos outros. Lá do alto a queda pode ser maior, minha megalomania é utópica. Eu não faço muita questão de ser…
No momento em que terminava a frase acima, uma vela virou do meu altar, sem que nenhum vento ou objeto a tocasse, e derramou parafina por todo lado. Parei, limpei, acendi outra e acho que foi um aviso pra eu não questionar minha grandeza, não subestimar meus poderes e continuar megalomaníaca em tudo. Lia Exagerada Drumond. E eu deveria investir na melhor estória de todas: a minha. Escrever sobre minha família, raízes, coisas que sempre quis. Deveria também ir bater à porta da National Geographic com uma sugestão de pauta bacana e pedir emprego de repórter especial, logo de cara.
Enfim, se tem algo em que acredito mais do que em mim mesma é na minha sorte. Tipo o clichê “O Universo conspira a seu favor” - minha cara. Estou um pouco confusa entre quantidade e qualidade. Quando fico perdida assim, deixo minha imensa sorte me guiar e vou em frente, trabalhando com o que ela me trouxer. Não é deixar a vida me levar, é levar a vida do meu jeito, plantando o que quero colher com boa vontade e dedicação, mas acreditando que a cada colheita terei uma super safra.
Som pra semana começar up: Yolanda - Simone e Pablo Milanés
É, eu ando romântica… “Guiliada” demais…
Set 24
Tanta violência na TV contra crianças deixa muita, mas muita revolta mesmo. Pedofilia, agressão, assassinato. Que vontade de sair matando esse tipo de criminoso… Claro que qualquer violência é revoltante, mas contra anjos inocentes e totalmente indefesos é MUITO mais grave. Fico besta, me pergunto com anda a cabecinha dos pequenos que assistem ao show de horror dos noticiarios, como olham pros adultos que deveriam zelar pelas felicidade em suas vidinhas.
É todo dia. A cada dia uma nova barbárie, não há punição decente para esses criminosos, a justiça no Brasil é ridícula. Morosidade na investigação, demora no processo judicial, assistência social ineficiente. Mais a pobreza… Essa é fator constante. Com exceção do caso da Isabela Nardoni, que teve tanta repercursão exatamente por ser de classe média, todos os que surgem diariamente são retratos da miséria humana. Mães, que o são por não terem condições de pagar um aborto clandestino em clínica bacana, abandonam filhos nos lugares mais desgraçados que se pode imaginar, dá vontade de ver a sujeita castrada pra nunca mais ter chance de errar assim com a vida de outro filho, sempre imagino por qual motivo essas fulanas não deixaram esses bebês em lugares seguros, pelo menos. Pais que estupraram filhos respondendo aos processos em liberdade, crianças que crescem fumando crack e sendo espancadas, babás que judiam. É tanta coisa que nem sentimos muito.
A classe média, vítima da culpa mas não da fraternidade cristã, sente-se mal para protestar e reclamar. Poxa, não podemos reclamar da nossa comida enquanto tantos são os que passam fome, não podemos reclamar do caos nos hospitais quando temos plano de saúde, se nossos filhos estudam em escola particular fica mal reclamar da pública. E por aí vai, há até quem diga que só paga imposto de renda quem ganha o suficiente pra isso. Verdade, segundo as leis imorais do nosso país. Se ganhar 1.500 reais por mês já leva mordida do leão, já é classe média. O salário mínimo, ridículo no nosso país, talvez não aumente por que quem ganha cinco deles já se acha rico demais pra reclamar. Essa omissão garante o ciclo de pobreza, que passa de pai pra filho, assim como o ranço burguês dos que tiveram oportunidades mas acreditam que conquistaram tudo sozinhos.
A sociedade discute ambientalismo enquanto tem criança se prostituindo em Brasília por 3 reais. Claro que um assunto não desmerece outro, mas vamos combinar que essa criança vai crescer sem ter a menor oportunidade de se maravilhar com a reciclagem mágica, muito menos saber do que se trata educação ambiental. As pessoas estão esquecendo das pessoas mais importantes: as que estão crescendo. O futuro sempre é delas, mas somos nós, os adultos, que seremos os responsáveis pelos monstrinhos que estamos criando. Se omitir em relação ao descaso do governo com essa pobreza que gera tanta tragédia é irresponsabilidade. O assistencialismo das bolsas-esmolas poderiam ter fim se a classe média se manifestasse em favor da dignidade do salário mínimo. As oportunidades seriam melhores se as famílias não tivessem só sexo e TV como formas de entretenimento. Se a desigualdade não diminuir, continuaremos a assistir de cima ao freak show dos flagelados na TV, e teremos parte da responsabilidade quando essa violência nos atingir.
Som do protesto: Perfeição - Legião Urbana
Set 23
Dança comigo? Não? Então vamos conversar, coisa chata. Mentira, eu não vou te ouvir, talvez te leia nos comentários, mas o fluxo nunca será igual ao de uma conversa mesmo, deixa pra lá… Queria mesmo era te fazer ler isso aqui, minha mania. Nada demais, você já leu e sabe que eu não postei nada bacana, pra variar. Não quer dançar comigo, então pode ir embora… Desde que voltei pro Jazz estou impossível. Me apresento em dezembro, com uma turma de periguetes que começou esse ano, mas não poderia já pegar intermediário pois não tenho mais 15 aninhos, né? Estou escrevendo um conto, não sei se publico aqui ou tento vender no mercado negro da literatura. Mas, assim, pra hoje só tenho mesmo uma coisa a dizer: QUEM PROCURA, RACHA!
Música e dança e filme: All that Jazz - Chicago
Set 18
Época de eleições, tento sempre provocar discussões políticas, mas ninguém está nem aí pra hora do Brasil; pergunto elegantemente: “Ei, idiota, em quem você vai votar?” - e recebo respostas como “- nulo!”, “- vou viajar!”, “- nem sei ainda!”, “naquele fulano de sempre que diz que rouba ma(i)s faz!”, “- naquele fulano de sempre porque dessa vez o plano de educação que ele promete vai me beneficiar!”… Só merda. Só passividade. Acredito que votar nulo é uma forma de expressar o descontentamento com as opções, mas só expressar não adianta nesse país “Dupiniquim”, pois mesmo que os votos nulos sejam maioria não servem pra anular uma eleição, que só é anulada caso se comprove fraude (que não é impossível no nosso pais, né?). Votar nulo não resolve, só expressa. Votar mal também é crítico, por isso não deveria ser obrigatório. Obrigar o cidadão que, por forças ocultas ou vadiagem, é burro demais pra discernir o que é melhor para a maioria deveria ser considerado crime de perigo.
O brasileiro é passivo, a menos que esteja comemorando alguma coisa. Geralmente destroem coisas pelo êxtase da alegria, basta ver que comemorações, festas, torcidas são sempre focos de violência. Claro, a violência estúpida já dominou a sociedade, ver traficantes como o Beira-Mar rindo pra câmera, programas que mostram a maravilha das Paraolimpíadas para os que perderam movimentos depois de encontrarem balas “perdidas”, a corrupção que insiste em privilegiar quem pode pagar um bom advogado e descolar um habeas corpuzinho… E o patriotismo que ataca o país a cada dois anos sempre é seguido de eleição pra alguma coisa, nunca sobra energia soberana para pensar que os atletas, que foram escolhidos disputando campeonatos e sendo os melhores, não vão decidir a verba pra incentivo ao esporte da escola do seu bairro. Parabéns para os atletas, a grande maioria, aliás, nunca recebeu incentivo nenhum do governo que nós escolhemos…
Toda vez que tenho de usar o metrô em horário de pico aqui em sampa é que fico pasma com a passividade do povo. É coisa de louco,mesmo. Muita gente, tanta que se você conseguir tirar um pé do chão, não encontra mais chão pra pisar de volta, só pés… E o povo se empurra, se aperta, se machuca, agride os outros, todos querem chegar logo. Ninguém questiona se é justo, se R$2,40 por viagem não pagaria pelo menos a dignidade de não ser pisoteado por não querer empurrar uma velhinha que está na frente, e o povo entra rindo nos trens superlotados, deveriam chorar ou quebrar tudo como fizeram nossos hermanos, que são muito menos passivos…
Sei que eu amo o Brasil, apesar dos brasileiros. E tem alguns deles que eu até gosto, mas são a minoria, realmente. Já que não se pode mudar o mundo sempre, me distraio sabendo mais sobre os idiotas que querem meu voto, que não será nulo. Eu me sinto pouco brasileira, apesar de nunca ter brigado por homem, já briguei muito pelas pessoas que não têm culpa da própria ignorância, me orgulho muito de mim por isso, que linda que eu sou… Sou barraqueira diante de qualquer injustiça. Dividir o que se sabe é o maior dos altruísmos. E acredito ser a única forma de erradicar a ignorância, mesmo que seja a longuíssmo prazo…
Música pro Brasil il il il do seu Creysson: Inútil - Ultraje a Rigor
Set 16
É minha propriedade, falar sobre o que sei, o que vejo, o que penso. Mais egocêntrico, impossível. Mais justo também é impossível. Sabe, aquela piada infame: “Copiar algo de uma pessoa é plágio, de várias é tese”. Nunca me senti confortável com trabalhos em que tinha de analisar os pensamentos de pessoas de outras épocas, outros lugares. Pessoas não são tão iguais, o ambiente é fundamental para uma análise justa. E aí que a coisa pega, analisar uma obra fora de seu ambiente, de sua atmosfera geral, é leviano e digo mais: vulgar. Claro, o dom da criação é divino e nem todos acreditam possuí-lo, mas é mais interessante ter propriedade pra criticar se não há coragem pra criar.
Tampouco acho que esse pensamento seja novo, mas tenho propriedade pra falar do que vejo, do que aprendo nesse meu tempo, sobre as pessoas que acredito conhecer. Fico fula quando uma pessoa velha fala mal da juventude de hoje, pois acredito que suas análises não possuem propriedade, apenas a experiência da distante juventude que viveram, outro tempo. Acho que arte também não poderia ser criticada sem haver antes uma mente realmente aberta para o conceito de que expressão é tudo e tudo pode ser expresso, mesmo que o conceito não agrade e, algumas vezes, a intenção é essa.
O jornalismo… Putz, não consigo me livrar do idealismo egocêntrico, que me dá síndrome de Lara Croft e me faz querer revirar tumbas da podreira que sei que rola em tanto lugar, aqui perto, ali na esquina, “gente fina” - meu advogado jura… Não consigo parar de pensar em propriedade ao escrever, poderia fazer uma lista enorme e tão presunçosa quanto eu de tudo que acredito ter propriedade pra escrever a respeito. Ou não… A inconstância é mãe da minha imaginação e da insegurança em meus próprios talentos. Mas, tudo bem… Se eu não conseguir dominar o mundo com uma revolução hedonista, posso fazer uma tese sobre isso.
Música oferecida com demência: Come out and play - The Offspring
E uma linda imagem do meu fim de semana, meus dois amores mais lindos:

Set 15
Sumi da web pro caderno, não passo de lá pra cá pra evitar a fadiga… Mulheres são de fases, estou numa complicada por questões profissionais, mas de resto está tudo belesma. Ansiedade e insegurança e, pô, eu sou alfa e tenho de levar o mundo nas costas, tenho que conseguir fazer isso tão bem quanto minhas ancestrais… A incerteza atual me deixa na pior, mas tento sempre esperar pelo melhor. Esse é um dos meus lemas, aliás: “Espere pelo melhor, se prepare pro pior e desenvolva com o que conseguir”. Seria uma bela solução ganhar na mega-sena, mas sem jogar é difícil…
Filhote, tão lindo… Ele que cresce tão rápido, que fica longe de mim tantas horas por dia, queria nunca ser ausente pra ele, mas tento mentalizar que é mais importante qualidade que quantidade, dá até medo de estragá-lo de tanta saudade e vontade de lhe demonstrar meu amor, minha presença. É por ele que quero mais e melhor, por ele que vou à luta todo dia, em todos os meus sonhos ele está presente como a pessoa fundamental e por ele quero ser feliz, pois sei que um exemplo vale mais do que mil palavras. Meu filhote é meu pequeno príncipe, looonge de mim ser coruja, mas nunca houve uma criança mais linda em todo o universo.
Vida louca é a do nosso tempo, tanta facilidade pras pessoas fazerem cada vez menos, tanta vontade de sentir tudo que esquecem que vontade também é um sentimento, todos os caminhos já foram percorridos mas nunca encontraram a saída. Ser ausente é o que há, não há empenho, apesar da vontade, em estabelecer e manter os vínculos. Estamos ali virtualmente, e estamos todos bem, sempre. Amigos de longa data são cada vez mais raros, sentimos falta mas não sentimos vontade de encontrá-los e nos depararmos com a realidade de que nós mudamos e tudo muda. Não queremos ter a certeza de que nosso grande amigo de ontem é um idiota. Ou que ele perceba o mesmo de nós.
Muitas saudades dos meus amigos de ontem que somiram da minha vida e nem por orkut eu acho. Todos idiotas como eu, claro. Poucos, mas cada um foi fundamental na minha história. Os que desapareceram de vez me fazem imaginar tanta coisa, tanta vida. Os que não desapareceram me enriquecem com a compreensão da minha limitação em ser presente em suas vidas. Por me conhecerem tão bem, sabem que não adianta encher meu saco, eu não ligo pra ninguém mesmo…
Musicaaaa: Primeiros Erros - Capital Inicial
Set 08
É assim que funciona, na maioria das vezes. Não sabemos dar valor ao que temos, só quando não se pode mais ser é que importa, que faz falta. É comum ver homens que mandam chocolate, flores e jóias quando levam um pé na bunda, sei até de casos suicidas, a morte como homenagem ao fim mais trágico que a falta de amor pode causar. O amor acaba… Antes acaba a admiração, não se pode amar sem admirar. Mas o valor ao que se perde não se aplica só ao envolvimento emocional, é comum. Aquela velha estória de que só quem já passou fome aprendeu a não desperdiçar comida. Eu nunca passei fome, não me excluo dos que só valorizam quando perdem.
Já perdi muitas coisas, muitas vezes. Cada perda me trouxe novos ganhos, de outras maneiras. Hoje eu valorizo a liberdade que não tenho mais, pois hoje sou modelo de comportamento pro meu filho, não posso ser inconseqüente, viajar semanas, ficar bêbada, morrer. É incrível como ser responsável por uma nova vida nos faz dar muito mais valor para coisas que antes eram triviais. Ainda não precisei perder a infância do meu filho pra sentir o quanto faz falta, mas deixá-lo na escolinha sempre me faz sentir uma invejinha daquelas mães que não fazem nada além de criar seus rebentos. Hoje eu valorizo o tempo, pois sei que desperdicei bastante construindo essa personalidade fugaz, não me faz falta o tempo que foi, mas queria esticar ao máximo o que tenho agora. Queria mais tempo pra poder perder tempo…
Valorizar o que perdi tentando enxergar o que ganhei. Leva algum tempo… Sei que ganhei experiência, e com ela talvez um pouco mais de maturidade mas… não me basta. E ninguém me perdeu pois, até aprender a valorizar o tempo da liberdade, eu era só minha… Hoje eu sou só dele e vivo meu tempo para que sua liberdade seja a mais linda do mundo. Um dia vou perdê-lo pra vida, pro mundo. Quando o tempo da liberdade dele atingir o auge, vou sentir falta da sua dependência e ganhar netos. Tomara! A cada dia eu tento valorizar mais o que tenho, pois quanto mais o tempo passa mais percebo que tudo acaba, tudo muda, nada dura pra sempre. E eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais…
Música pra uma segunda reflexiva e introspectiva: Thirty-Three - The Smashing Pumpkins
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